0% encontró este documento útil (0 votos)
38 vistas170 páginas

Apl Apicultura

Descargar como pdf o txt
Descargar como pdf o txt
Descargar como pdf o txt
Está en la página 1/ 170

i

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS


CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS

Arranjo Produtivo Local e Apicultura como


estratégias para o desenvolvimento do Sudoeste de
Mato Grosso

ANDERSON MARQUES DO AMARAL

- São Carlos, SP -
2010
ii

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS


CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS

Arranjo Produtivo Local e Apicultura como


estratégia para o desenvolvimento do Sudoeste de
Mato Grosso

ANDERSON MARQUES DO AMARAL

Tese apresentada ao Programa de Pós-


Graduação em Ecologia e Recursos Naturais,
do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde,
da Universidade Federal de São Carlos, como
parte dos requisitos para a obtenção do título
de Doutor em Ciências, área de concentração
em Ecologia e Recursos Naturais.

- São Carlos, SP -
2010
Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da
Biblioteca Comunitária/UFSCar

Amaral, Anderson Marques do.


A485ap Arranjo produtivo local e apicultura como estratégias para
o desenvolvimento do sudoeste de Mato Grosso / Anderson
Marques do Amaral. -- São Carlos : UFSCar, 2010.
147 f.

Tese (Doutorado) -- Universidade Federal de São Carlos,


2010.

1. Abelha - criação. 2. Mel de abelha. 3. Solo - uso. 4.


Vegetação. 5. Sustentabilidade. 6. Desenvolvimento
regional. I. Título.

CDD: 638.1 (20a)


Anderson Marques do Amaral

Arranjo Produtivo Local e Apicultura como estratégias para o desenvolvimento do


Sudoeste de Mato Grosso

Tese apresentada à Universidade Federal de São Carlos, como parte dos


requisitos para obtenção do título de Doutor em,Ciências.

Aprovada em 20 de maio de 2010

BANCA EXAMINADORA

Presidente

--
10 Examinador /
/
/","" ir
22 i/L
./
,/ ,/ :;;:;>

Prof. Df. Jos(§s1rní'rdo dos Santos


PPGERNIUFSCar

20 Examinador
Figueiredo

30 Examinador
Prof. Df. ~J t1é (Jaspar .-
Belas Artes/Sãb1Paulo-SP

40 Examinador ~
Profa. Dra. Carl albiati
UNEMA T/Cáceres-MT
v

“Não  é  digno  de  saborear  o  mel, 


aquele que se afasta da colméia com 
medo das picadas das abelhas.”  
    (W. Shakespeare) 
vi

A minha Família:
Pais Jarde (in memorian) e Edna;
Irmãos Emerson e Alessandra;
Esposa Flávia Helena, Filhas Ana Flávia e Maria Eduarda; e
Sobrinhos Murilo, Carolina e Enrico.
vii

AGRADECIMENTOS

A Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) pelo estímulo a qualificação e


liberação das atividades acadêmicas para a realização do presente programa.
A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) pelo oferecimento do Programa de
Pós-Graduação e Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) e convênio de capacitação com a
UNEMAT.
A Profa. Dra. Carolina Joana da Silva, coordenadora do Convênio pela UNEMAT e ao
Prof. Dr. José Eduardo dos Santos, coordenador do Convênio pela UFSCar, cuja dedicação e
compromisso foram um diferencial no sucesso desta empreitada.
Aos Coordenadores do PPGERN e a todos os professores que participaram do esforço
de qualificação de professores/pesquisadores de Instituições de Ensino Superior (IES)
interiorizadas.
Ao Prof. Dr. Luiz Antônio Correia Margarido pela orientação, confiança e apoio
durante a realização deste estudo.
A Banca Examinadora, assim constituída: Prof. Dr. Luiz Antônio Correia Margarido
(Orientador); Prof. Dr. José Eduardo dos Santos (PPGERN-UFSCar); Prof. Dr. Rodolfo
Antônio de Figueiredo (PPGADR-UFSCar) ; Prof. Dr. Waldir José Gaspar (Belas Artes-SP);
Profa. Dra. Carla Galbiati (PPGCA-UNEMAT), pelas contribuições e enriquecimento ao
trabalho.
A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do
Estado de Mato Grosso (FAPEMAT) pela liberação de recursos financeiros indispensáveis na
realização desta pesquisa. Ao Sistema Brasileiro de Apoio as Pequenas Empresas (SEBRAE-
MT), a Empresa Mato-grossense de Pesquisa e Assistência Técnica e Extensão Rural
(EMPAER), aos apicultores e gestores das suas entidades associativas local e regional, pela
participação e colaboração no estudo. À Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) pela
disponibilização de informação do PNGEO.
A equipe do CETApis pelo apoio e parceria em partes deste estudo.
Aos colegas do Programa de Doutorado pelo companheirismo na jornada.
Aos professores dos Departamentos de Ciências Biológicas e de Agronomia da
Universidade do Estado de Mato Grosso do Campus Universitário de Cáceres, pela torcida e
incentivo.
Aos familiares, agregados, amigos e Ir... pela torcida, preocupação e interesse.
Muito Obrigado!
viii

RESUMO

O estudo teve o objetivo de caracterizar a produção apícola e o arranjo produtivo local


de apicultura, por meio da avaliação dos usos da terra, produção de mel, flora regional e
qualidade do produto, visando estimular processos locais de desenvolvimento, protagonismo
rural e inclusão social de agricultores da região Sudoeste de Mato Grosso. Foi avaliada a
produção de mel no período de 1987 a 2007, dos municípios participantes do APL de
Apicultura, disponíveis no Sistema SIDRA do IBGE. A quantificação do uso e cobertura da
terra foi obtida por imagens de satélite, tratadas nos software SPRING e ArcGIS, utilizando
informações de campo e terminologia apropriada. Foram identificadas as espécies vegetais,
importantes para a produção do mel. Foram determinados dez parâmetros físico-químicos do
mel e avaliado características de rotulagem do mel comercializado. O município de Cáceres
(42%) é o maior produtor de mel, seguido por Comodoro (11%), Poconé (7%), Reserva do
Cabaçal (7%), Conquista do Oeste (6%) e Porto Esperidião (6%). A apicultura não é a
principal atividade econômica dos apicultores da região, a maioria deles tem apenas um
apiário, com pequeno número de colméias e possui pouco tempo de experiência na atividade.
A extração e beneficiamento do mel são realizados de forma artesanal e a comercialização é
feita de forma direta ao consumidor, no mercado varejista local. O nível tecnológico
empregado na atividade é baixo e o apicultor tem pouco grau de profissionalização na
atividade. A Vegetação Natural foi a classe predominante de uso da terra na maioria dos
apiários. Os tipos de cobertura vegetal foram reunidos em: Savanas, Tensão Ecológica,
Floresta Estacional e Formações Ripárias. Pastagem foi a única forma de uso Antrópico
Agrícola. Áreas Antrópicas Não Agrícola foram pouco representativas. As classes de uso da
terra e os tipos de cobertura vegetal do entorno dos apiários imprimiram diferenças na riqueza
de plantas e na produção de mel dos apiários. A avaliação do uso e cobertura da terra permite
o planejamento e a gestão da apicultura, possibilitando estabelecer manejo apropriado e
formas de utilização sustentável dos recursos naturais. Os resultados da análise físico-química
das amostras de mel mostraram que as médias para umidade, açúcares redutores e não
redutores ficaram dentro dos padrões estabelecidos pelo MAPA. Os percentuais de sólidos
insolúveis e resíduos minerais fixos ficaram acima. A reação de Fiehe indicou a presença de
HMF em outras amostras. Todas as marcas avaliadas apresentaram algum parâmetro acima do
limite máximo permitido pela legislação brasileira, evidenciando problemas na produção,
coleta ou processamento do mel. Somente duas marcas de mel disponíveis no mercado local,
oriundas de Cáceres e outras regiões, possuem selo de inspeção sanitária. O rótulo da maioria
ix

das marcas não está em conformidade à legislação vigente e ignora importante instrumento de
identificação da origem do mel, garantia de produtos com qualidade e segurança ao
consumidor. A apicultura representa uma forma de uso sustentável de áreas de vegetação
natural preservadas, áreas de pastagens degradadas e capoeiras existentes, além disso, a
atividade mostra-se ainda compatível com outras atividades já consolidadas na região
Sudoeste de Mato Grosso.

Palavras Chave: 1. Apis meliffera. 2. APL. 3. Mel. 4. Análises físico-química. 5. Uso da terra
6. Flora apícola. 7. Produção apícola. 8. Vegetação regional.
x

ABSTRACT

This study aims to characterize the honey production and the local productive honey
arrangement, through the evaluation of the land use, honey production, regional flora and
product quality. It also aims to stimulate local process of development, rural protagonist and
social inclusion of the agricultural workers from the southeast of Mato Grosso. We have
evaluated the production of honey during the period of 1987 to 2007, of the towns engaged in
APL of apiculture which is available on the SIDRA System by IBGE. The quantification of
the use and the topsoil of the soil were obtained through satellite images. We have used
SPRING and ArcGIS software for the date using field information and appropriate
terminology. We have identified the most important vegetal species for the production of
honey. We have determined ten physic-chemistry parameters and we have evaluated the
characteristics of the labeling of the commercialized honey. The town of Cáceres (42%)
presents the biggest honey production fallowed by the towns of Comodoro (11%), then
Poconé (7%), then Reserva do Cabaçal (7%), then Conquista do Oeste (6%), and Porto
Espiridião (6%). The production of honey is not the principal economic activity of the
apiculture of this region. Most of them have just one apiary with a small number of beehives
and they lack time of experience on this activity. The extraction and benefit of honey is done
in manufactured fashion and the commercialization of their honey is done directly to the
consumers, in the local retailer market. The level of technology implemented in this activity is
low and the farmers have also a low level of professionalization. Natural Vegetation was the
predominant class of the use of the soil on the majority of the apiaries. The kinds of vegetal
covering were summarized as it follows: Savannas; Ecological Tension; Seasonal Forest;
Riparian Formation. Grazing was the only kind of entropic agriculture use. Not Agriculture
Entropic Areas were less representative. The classes of the use of soil and the different kinds
of vegetal covering printed differences in the richness of plants and in the production of honey
of the apiaries. The evaluation of the use of the soil and the vegetal covering of it around the
apiaries allows the establishment of the appropriate management and the ways of sustainable
uses of the natural resources. The results of physic-chemistry analysis for the samples of
honey showed that the median for humidity, redactor and non redactor sugars were among the
required patterns by the MAPA. The percentage of insolates solids and the fixed mineral
residuals remained over. The Fiehe reaction indicated the presence HMF in others samples.
All of the brands evaluated presented some parameters over the maximum limit allowed by
the Brazilian legislation, pointing out production problems, as well as collecting and
xi

processing of honey. Only two kinds of honey available in the local market, from Cáceres and
some other regions, have the sanitary inspection validity. The labeling of the majority of the
trades are not in conformity with nowadays legislation, and it ignores the important
instrument of identification of origins of honey, which is a guarantee of products with quality
and security to the customer. The apiaries represent a way of sustainable use of preserved
natural vegetation areas, degradation grazing areas and existing capoeiras, besides, this
activity shows itself compatible with some others activities already consolidated in the region
of southeast of Mato Grosso.

Keyword: 1. Apis meliffera, 2. APL, 3. Honey, 4. Physic-chemistry analysis 5. Land use, 6.


Honey flora, 7. Honey production, 8. Regional Vegetation.
xii

SUMÁRIO
Pg.
I. INTRODUÇÃO
1.1. Apresentação 1
1.2. OBJETIVO
1.2.1. Objetivo geral 2
1.2.2. Objetivos específicos 2
1.3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
1.3.1. Arranjo produtivo local como estratégia de desenvolvimento da apicultura 3
1.3.2. Origem e constituição do APL de Apicultura do Sudoeste de Mato Grosso 6
1.3.3. Impactos sócio-econômico-ambiental da apicultura 8
1.3.4. Geoprocessamento como ferramenta de planejamento da apicultura 13
1.3.5. Importância das análises físico-químicas e características de rotulagem no 16
controle da qualidade do mel
II. MATERIAL E MÉTODOS
2.1. Área de abrangência do APL de Apicultura 19
2.2. Coleta de dados 22
2.2.1. Dados secundários utilizados na caracterização da produção de mel nos 22
municípios do APL de Apicultura
2.2.2. Apiários avaliados na quantificação do uso e cobertura da terra, produção de mel 24
e flora
2.2.3. Parâmetros físico-químicos analisados e avaliação da rotulagem de mel 28
III - RESULTADOS E DISCUSSÃO
Capítulo 1:
3.1. Produção de Mel e APL de Apicultura 32
3.1.1. Panorama nacional e regional da produção de Mel 32
3.1.2. Ações de apoio à atividade apícola 39
3.1.3. Caracterização da produção apícola regional 43
3.1.3.1. Perfil sócio-econômico dos apicultores 43

3.1.3.2. Nível tecnológico empregado na atividade e profissionalização do apicultor 45

3.1.3.3. Oferta de insumos e assistência técnica 46

3.1.3.4. Extração, beneficiamento e comercialização do mel 47


xiii

3.1.3.5. Quantificação e produtividade dos apiários 49

3.1.3.6. Características dos apiários e flora apícola 53

3.1.4. Associativismo e cooperativismo no setor apícola regional 59


3.1.5. Conclusões do Capítulo 1 62
Capítulo 2:
3.2. Usos da Terra, Riqueza de Plantas e Produção de Mel em Apiários no 65
Sudoeste de Mato Grosso
3.2.1. Uso e cobertura da terra no entorno dos apiários 65
3.2.1.1. Vegetação Natural 65
3.2.1.1.1. Savanas (Cerrado) 65
3.2.1.1.2. Tensão Ecológica 67
3.2.1.1.3. Floresta Semidecidual 67
3.2.1.1.4. Formações Ripárias 68
3.2.1.2. Antrópicas Agrícolas 68
3.2.1.2.1. Pastagem 68
3.2.1.3. Antrópicas Não Agrícolas 69
3.2.1.3.1. Mineração 69
3.2.1.3.2. Sub-urbanizada 69
3.2.1.4. Água 70
3.2.1.4.1. Lagoa 70
3.2.1.4.2. Represa 70
3.2.1.5. Mapas Temáticos 70
3.2.2. Recursos tróficos no entorno dos apiários 77
3.2.3. Riqueza de plantas no entorno dos apiários 79
3.2.4. Similaridade florística e de vegetação nos apiários 81
3.2.5. Produção de mel nos apiários 83
3.2.6. Influências do uso e cobertura da terra na riqueza de plantas e produção 84
de mel
3.2.7. Conclusões do Capítulo 2 89
Capítulo 3:
3.3. Identificação de marcas, características de rotulagem e parâmetros 91
físico-químicos de mel comercializados em Cáceres (MT)
3.3.1. Identificação das marcas de mel 91
xiv

3.3.2. Caracterização da rotulagem, tipos de embalagens e fracionamento do mel 92


comercializado
3.3.2.1. Firma e apicultor responsável pela produção 92
3.3.2.2. Registro e selo de inspeção
3.3.2.3. Tipo de embalagens e conteúdo líquido 92
3.3.2.4. Informação Nutricional 95
3.3.2.5. Data de envase, número de lote e validade 95
3.3.2.6. Modo de Conservação 95
3.3.2.7. Outras informações 96
3.3.3. Análises físico-químicas do mel 96
3.3.3.1. Parâmetros de maturidade 97
3.3.3.1.1.. Umidade 98
3.3.3.1.2. Açúcares redutores e não redutores (sacarose aparente) 98
3.3.3.2. Parâmetros de pureza 99
3.3.3.2.1. Sólidos insolúveis 101
3.3.3.2.2. Resíduos minerais fixos 101
3.3.3.2.3. Reação de Lund 102
3.3.3.3. Parâmetros de deterioração 103
3.3.3.3.1. Acidez 104
3.3.3.3.2. pH 104
3.3.3.3.3. Reação de Fiehe 105
3.3.3.3.4. Características Organolépticas 105
3.3.4. Conclusões do Capítulo 3 107
IV. CONCLUSÕES GERAIS 108
V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 110
VI. ANEXOS 130
xv

LISTA DE FIGURAS Pg.

Figura 1: Mapa da área de abrangência do APL - Apicultura Sudoeste de Mato Grosso 20


as Meso e Microrregiões Mato-grossenses do IBGE.

Figura 2: Localização dos municípios estudados na região Sudoeste de Mato Grosso. 25

Figura 3: Produção acumulada de mel (%) no período de 1987 a 2007, em municípios 33


da região Sudoeste de Mato Grosso.

Figura 4: a) Usina de processamento de cera alveolada, composta por: derretedor, 42


laminador, alveolador e fatiador; b) Entreposto de mel em Cáceres, MT (2009).

Figura 5: Idade (anos) dos Apicultores (%) em municípios do APL de Apicultura 43


Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

Figura 6: Tipo de atividades profissionais desempenhada por apicultores (%) dos 44


municípios do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

Figura 7: Tempo de experiência (anos) na atividade apícola dos apicultores (%) de 46


municípios do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

Figura 8: Opinião dos apicultores (%) sobre a assistência técnica nos municípios do 47
APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

Figura 9: Tipos de vasilhames utilizados por apicultores (%) dos municípios do APL 49
de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

Figura 10: Número de colméias por apicultores (%) em municípios do APL de 50


Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.
xvi

Figura 11: Produção de outros produtos apícolas (kg) nas safras 2008 e 2009, em 51
municípios do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.

Figura 12: Produtividade dos apiários (Kg/colméia/ano) das safras 2008 e 2009 obtidas 52
por apicultores (%) de municípios do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.

Figura 13: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário N. S. Aparecida, localizado em 71


Cáceres, Mato Grosso (2005).

Figura 14: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Girau, localizado em Cáceres, 72
Mato Grosso (2005).

Figura 15: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Baía de Pedra, localizado em 73
Cáceres, Mato Grosso (2005).

Figura 16: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Campus da UNEMAT, 74


localizado em Pontes e Lacerda, Mato Grosso (2005).

Figura 17: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Massame, localizado em 75


Reserva do Cabaçal, Mato Grosso (2005).

Figura 18: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Sararé, localizado em Conquista 76
d´Oeste, Mato Grosso (2005).

Figura 19: Dendogramas de similaridade obtido pelo método hierárquico UPGMA, 82


utilizando o coeficiente de Sørense, para famílias (a), gêneros (b), espécies (c) e tipos
de cobertura (d), respectivamente, em seis apiários no Sudoeste de Mato Grosso. Mass
- Apiário Massame (Reserva do Cabaçal), Sara - Apiário Sararé (Conquista d’Oeste),
C. Unem - Apiário Campus da Unemat (Pontes e Lacerda), B. Pedr - Apiário Baía de
Pedras (Cáceres), Gira - Apiário Girau (Cáceres) e NSApar - Apiário N. S. Aparecida
(Cáceres).

Figura 20: Ordenação pela análise de componentes principais (PCA) de seis apiários 85
xvii

no Sudoeste de Mato Grosso, baseado em nove variáveis (Vegetação Natural,


Antrópicas Não Agrícola, Antrópicas Agrícolas, Água, N° de famílias , N° de gêneros,
N° de espécies, N° de flores/mês e Produção de mel). Primeiro eixo com 60,86% de
variação e segundo eixo com 28,76%.

Figura 21. Ordenação pela análise de componentes principais (PCA) de seis apiários 87
no Sudoeste de Mato Grosso, baseado em treze variáveis (Fr – Formação Ripária, Fs -
Floresta Estacional Semidecidual; Fs+Sf - Floresta Estacional Semidecidual + Savana
Florestada; Fsa+Sf - Floresta Estacional Semidecidual Aluvional + Savana Florestada;
As - Savana Arborizada; Sf - Savana Florestada; Sp - Savana Parque Associada as
áreas Pantaneiras; Sg - Savana Gramíneo-lenhosa; N° fam – N° de famílias; N° gen -
N° de gêneros; N° esp - N° de espécies; N° de flor - N° de flores/mês; e Prod mel –
Produção de mel). Primeiro eixo com 44,37% de variação e segundo eixo com 22,83%
xviii

LISTA DE TABELAS Pg.

Tabela I: Produção de mel (t) no Brasil e nas regiões geográficas nos anos de 1987, 32
2000 a 2007.

Tabela II: Produção de mel (kg/ano) em Municípios da região Sudoeste de Mato 35


Grosso, no período de 1987 a 2007. Cac – Cáceres, Com – Comodoro, Poc – Poconé,
Res – Reserva do Cabaçal, Com – Conquista d’Oeste, Por – Porto Esperidião, Mir –
Mirassol d’Oeste, Pon – Pontes e Lacerda, RioB – Rio Branco, Glo – Glória d’Oeste,
Vil – Vila Bela, Sal – Salto do Céu, Outr – Outros.

Tabela III: Ações desenvolvidas em apoio da apicultura na região Sudoeste de Mato 39


Grosso.

Tabela IV: Espécies melíferas e poliníferas citadas por apicultores dos municípios do 55
APL de Apicultura, Sudoeste de Mato Grosso, 2009. M-mel, P-pólen, F-frequência,
A-abundância, Fr-frequência relativa, Ar-abundância relativa, IA- importância
apícola.

Tabela V: Entidades associativas dedicadas à apicultura atuantes na região de 61


abrangência do APL Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.

Tabela VI: Área (ha) das Classes de Usos e Tipos de Cobertura da Terra em seis 66
apiários no Sudoeste de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.
Fsa+Sf - Floresta Estacional Semidecidual Aluvional + Savana Florestada; Fs -
Floresta Estacional Semidecidual; Fs+Sf - Floresta Estacional Semidecidual + Savana
Florestada; Fr – Formação Ripária, Sa - Savana Arborizada; Sf - Savana Florestada;
Sg - Savana Gramíneo-lenhosa; Sp - Savana Parque Associada às áreas Pantaneiras.

Tabela VII: Número de espécie de plantas floridas identificadas no entorno de seis 78


apiários no Sudoeste de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.
xix

Tabela VIII: Riqueza de plantas identificadas no entorno de seis apiários no Sudoeste 79


de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.

Tabela IX: Produção média mensal de mel (Kg/colméia) em seis apiários no Sudoeste 84
de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.

Tabela X: Caracterização (marca, local de comercialização e apicultor) de amostras 91


adquiridas no comércio de Cáceres, Mato Grosso, 2009.

Tabela XI: Frequência dos tipos de embalagem observada em marcas de mel 94


comercializadas em Cáceres, Mato Grosso, 2009.

Tabela XII: Caracterização físico-química (umidade, açúcares redutores e não 97


redutores) do mel comercializado em Cáceres, Mato Grosso, 2009.

Tabela XIII: Caracterização físico-química (sólidos insolúveis, resíduos minerais 100


fixos, reação de Lund e características organolépticas) do mel comercializado em
Cáceres, Mato Grosso, 2009.

Tabela XIV: Caracterização físico-química (acidez, pH e reação de Fiehe) do mel 103


comercializado em Cáceres, Mato Grosso, 2009.
xx

LISTA DE QUADROS Pg.

Quadro 1: Dados registrados e natureza das informações contidas nos rótulos de méis 29
comercializados na cidade Cáceres MT no período de janeiro a março de 2009.

LISTA DE APÊNDICE

Apêndice I: Plantas identificadas no entorno de seis apiários no Sudoeste de Mato 130


Grosso. P-porte, N-N.S.Aparecida; G-Girau; B-Baía de Pedra; C-Campus da Unemat;
S-Sararé; e M-Massame. A-arbóreo; a-arbustivo; h-herbáceo; e-lianas e p-palmeiras.
xxi

LISTA DE SIGLAS

ACA Associação Comodorense de Apicultores


ABEMEL Associação Brasileira de Exportadores de Mel
ACP Análises dos Componentes Principais
ADR Agentes de Desenvolvimento Rural
ALICEWeb Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via
Internet
AMM Associação Matogrossense de Municípios
ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária
APA Associação Portense de Apicultura
APIALPA Associação de Apicultores do Alto Pantanal
APIAPAN Associação de Apicultura e Produtores de Mel Orgânico do
Pantanal
APICERC Associação dos Apicultores do Cerrado de Reserva do Cabaçal
APICOM Associação dos Apicultores de Conquista d’Oeste
APICON Associação dos Apicultores de Conquista d’Oeste
APIOPAN Associação de Apicultura e Produtores de Mel Orgânico do
Pantanal
APL Arranjo Produtivo Local
APL de Apicultura Arranjo Produtivo Local de Apicultura no Sudoeste de Mato
Grosso
APLs Arranjos Produtivos Locais
APPCC Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle
APRISCO Apoio a Programas Regionais Integrados e Sustentáveis da
Cadeia da Ovinocultura
ATER Assistência Técnica e extensão Rural
BAP Boas Práticas Apícolas
CBA Confederação Brasileira de Apicultura
CETApis Projeto de Apoio a Implantação do Arranjo Produtivo em
Apicultura Sudoeste de Mato Grosso
COAPISMAT Cooperativa de Apicultores de Mato Grosso
CONAB Companhia Nacional de Abastecimento
xxii

DO denominação de origem
EAFC Escola Agrotécnica Federal de Cáceres
EMATER Empresa Mato-grossense de Assistências Técnica e Extensão
Rural
EMPAER Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão
Rural
FAMEV Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária
FAPEMAT Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso
FEAPISMAT Federação das Entidades Apícolas de Mato Grosso
FINEP Financiadora de Estudos e Projetos
HMF Hidroximetilfurfural
IA Importância Apícola
IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IFAT International Federation for Alternative Trade
IFMT Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato
Grosso
IG Indicação Geográfica
INDEA-MT Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso
IP Indicação de Procedência
LAPOA Laboratório de Análise de Produtos de Origem Animal
MAPA Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário
MDIC Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
MIN Ministério da Integração Nacional
MT-Fomento Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso
MVST Multivariate Statistical Package
NCM Nomenclatura Comum do Mercosul
ONG Organização Não Governamental
PCA Principal Component Analysis
PCBAP Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai
PNCRC Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes
xxiii

PNGEO Programa Nacional de Georreferenciamento e Cadastro de


Apicultores
Rede APIS Apicultura Integrada e Sustentável
SEBRAE Sistema Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresa
SECEX Secretaria de Comércio Exterior
SECITEC Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia
SEDER Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural
SEMA Secretaria de Estado do Meio Ambiente
SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
SEPLAN Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral
SETECS Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social
SICME Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia
SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática
SIF Selo de Inspeção Federal
SIG Sistema de Informação Geográfica
SIGEOR Sistema de Informação da Gestão Estratégica Orientada para
Resultados
SISE-MT Serviço de Inspeção Sanitária Estadual
SLI Sistema Local de Inovação
SPILs Sistemas Produtivos e Inovativos Locais
UFMT Universidade Federal do Mato Grosso,
UNEMAT Universidade do Estado de Mato Grosso
UPGMA Unweigth Pear Group Media
1

I. INTRODUÇÃO

1.1. Apresentação

Um dos grandes desafios da agropecuária brasileira está em identificar e promover


atividades produtivas que possam servir de alternativa para as pequenas e médias
propriedades rurais. A apicultura quando comparada às demais atividades apresenta bases
sustentáveis por requerer acessíveis aspectos técnicos, gerenciais, financeiros e operacionais,
demonstra elevado potencial de inclusão social, possibilita o uso sustentável dos recursos
naturais e a preservação da biodiversidade local.
A apicultura é uma importante atividade na agricultura familiar, onde se enquadra a
maioria dos produtores da região Sudoeste de Mato Grosso, oriundos principalmente de
assentamentos rurais e comunidades tradicionais, uma vez que requer baixo investimento
inicial na atividade, proporciona rápido retorno e resulta em um produto que possui demanda
no mercado para o consumo in natura e industrializado.
O presente estudo aborda aspectos da constituição do Arranjo Produtivo Local de
Apicultura no Sudoeste de Mato Grosso (APL de Apicultura) e faz uma caracterização da
produção apícola na região, por meio da avaliação dos usos da terra, produção de mel e flora
regional, bem como da qualidade do mel comercializado.
Inicialmente é apresentado a revisão bibliográfica sobre arranjos produtivos locais e
apicultura, características sócio-economica-ambiental da apicultura, geoprocessamento e
planejamento apícola, análise fisico química do mel e avaliação da rotulagem no controle da
qualidade da mel, que visam sintéticamente demonstrar o estágio do conhecimento sobre
esses temas, abordados no presente estudo.
Em seguida, uma breve caracterização da área de abrangência do APL de Apicultura e
a descrição do material e métodos utilizados para atingir os objetivos específicos. Os
resultados obtidos foram apresentados, discutidos e ilustrados com tabelas e figuras,
organizadas por assuntos, em forma de capítulos.
O primeiro capítulo apresentou uma avaliação da produção de mel do Sudoeste de
Mato Grosso nas últimas duas décadas e uma caracterização do Arranjo Produtivo Local de
Apicultura (APL de Apicultura) e do sistema de produção apícola regional.
O segundo capítulo caracterizou os usos da terra e avaliou a sua influência na riqueza
de plantas e produção de mel em seis apiários, localizados em quatro municípios (Cáceres,
Conquista do Oeste, Pontes e Lacerda e Reserva do Cabaçal) no Sudoeste de Mato Grosso.
2

O terceiro capítulo avaliou os parâmetros físico-químicos do mel e as características


de rotulagem de diferentes marcas comercializadas em Cáceres, Mato Grosso, visando
auxiliar na identificação da qualidade do produto.
Atualmente a apicultura é estimulada como uma das alternativas de desenvolvimento
para a região Sudoeste do Estado de Mato Grosso. O presente estudo visa auxiliar na gestão e
no planejamento da atividade apícola na região.

1.2. OBJETIVO

1.2.1. Objetivo Geral

Caracterizar a produção apícola regional e o Arranjo Produtivo Local de Apicultura


(APL de Apicultura), por meio da avaliação dos usos da terra, produção de mel, flora regional
e qualidade do produto, visando estimular processos locais de desenvolvimento, protagonismo
rural e inclusão social de agricultores da região Sudoeste de Mato Grosso.

1.2.2. Objetivos Específicos

Avaliar a produção de mel do Sudoeste de Mato Grosso nas últimas duas décadas,
caracterizar o APL de Apicultura e o sistema de produção adotado pelos apicultores da região
Sudoeste de Mato Grosso.

Caracterizar os usos da terra e avaliar sua influência na riqueza de plantas e na


produção de mel em apiários da região Sudoeste de Mato Grosso, visando orientar o
planejamento da expansão da apicultura regional e do uso sustentável dos recursos naturais.

Avaliar parâmetros físico-químicos do mel e características de rotulagem de marcas


comercializados no Sudoeste de Mato Grosso, visando comparar à legislação vigente e
orientar adequação, contribuindo dessa maneira para o fortalecimento do APL de Apicultura.
3

1.3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1.3.1. Arranjo produtivo local como estratégia de desenvolvimento da apicultura

O desenvolvimento de arranjos produtivos é um importante instrumento para a


geração de pólos de crescimento e de descentralização industrial. Destacam-se, atualmente,
exemplos internacionais como os empreendimentos do vale do silício, importante centro de
empresas do setor de informática, e da chamada terceira Itália, abrangendo empresas de
pequeno e médio portes de diversas áreas como têxtil, móveis, cerâmica e mecânica
(SANTOS & GUARNERI, 2000).
Estratégias com base no desenvolvimento de Arranjos ou Sistemas Produtivos Locais
têm ganho preferência nas políticas públicas de desenvolvimento regional e local em vários
países. No Brasil, inúmeros estados e municípios já adotam essa estratégia. O governo federal
apóia essa iniciativa através dos programas: Arranjos Produtivos Locais (APLs), vinculado ao
Ministério de Ciência e Tecnologia; e Fórum da Competitividade (organização de cadeias
produtivas locais), no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(AMARAL FILHO et al., 2002). A proposta de desenvolver APLs em todo o país está entre
as prioridades que o Sistema SEBRAE definiu, a partir de 2002, para suas ações nos próximos
anos (SEBRAE, 2002).
Para Botelho (2005) três conceitos semelhantes e complementares são importantes
para entender a dinâmica que envolve a produção e o comércio nas dimensões global e local.
O primeiro conceito, de cluster, abordado por Michael Porter, converge para as estruturas
industriais transnacionais. O segundo conceito, de arranjos produtivos locais, adotado como
uma brasilidade à racionalidade dos clusters, converge para os sistemas produtivos nacionais.
O terceiro conceito de sistema local de inovação (SLI) permeia os dois conceitos anteriores e
estão contidos tanto nos clusters quanto nos arranjos produtivos, tendo em vista sua
importância na promoção da competitividade via inovação tecnológica.
Porter (1989) definiu cluster (grupos, agrupamentos, aglomerados) como uma
concentração geográfica de empresas interconectadas e instituições de um mesmo segmento
entre si, incluindo desenvolvedores de tecnologias específicas para o segmento, associações
de comércio, governo local e universidades.
Arranjos Produtivos Locais (APLs) são aglomerações espaciais de agentes
econômicos, políticos e sociais, com foco em um conjunto específico de atividades
econômicas que apresentam vínculos e interdependência. Objetivam reduzir custos
4

operacionais e de transações, diluir riscos, utilizar de forma conjunta recursos, aproveitar a


sinergia existente, compartilhar informações técnicas, produtivas e mercadológicas
(THOMAZI, 2006).
Para o SEBRAE (2003) um APL é caracterizado pela existência da aglomeração de
um número significativo de empresas, que atuam em torno de uma atividade produtiva
principal. Compreende um recorte do espaço geográfico (parte de um município, conjunto de
municípios, bacias hidrográficas, vales, serras etc.) que possua sinais de identidade coletiva
(sociais, culturais, econômicos, políticos, ambientais ou históricos). Visa estimular os
processos locais de desenvolvimento, permitindo a conexão do arranjo com os mercados, a
sustentabilidade por meio de um padrão de organização, a promoção de um ambiente de
inclusão, com distribuição de riquezas e a elevação do capital social por meio da promoção e
a cooperação entre os atores do território.
O aumento da complexidade das cadeias produtivas em um mesmo espaço físico tende
a reduzir os custos de transação entre os diversos agentes, por causa dos dois fatores: (i) a
maior interação social entre potenciais parceiros comerciais, o que reduz a demanda por
segurança nas transações e (ii) o maior fluxo de informações relevantes para as atividades
econômicas dos agentes, a partir das suas interações sociais, o que reduz os custos de busca na
definição de relações comerciais (SANTOS, 2003).
Os Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (SPILs) são conjuntos de agentes
econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território, desenvolvendo
atividades econômicas correlatas e que apresentam vínculos expressivos de produção,
interação, cooperação e aprendizagem. SPILs geralmente incluem empresas produtoras de
bens e serviços finais, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de
serviços, comercializadoras e clientes, cooperativas, associações, representações e demais
organizações voltadas à formação e treinamento de recursos humanos, informação, pesquisa,
desenvolvimento e engenharia, promoção e financiamento (CASSIOLATO & LASTRES,
2004).
A maioria dos APLs constituídos no Brasil está vinculado a atividades classificadas
como commodities primários (agricultura, ovinocultura, apicultura, madeiras e móveis etc.) e
manufaturados intensivos em trabalho e recursos naturais (confecção, cerâmica, rochas
ornamentais etc.). A apicultura representa 5,9% dos arranjos, aparecendo em quarto lugar
entre 30 setores econômicos (PINTO & SOUTO, 2007).
Para o Núcleo Estadual de Trabalho dos APL de Mato Grosso, criado em 2005 na
Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia de Mato Grosso, estão
5

constituídos no estado 16 APLs envolvendo as seguintes atividades econômicas: madeireira e


moveleira, pecuária, confecção, mineração e turismo (SICME, 2007).
Entretanto, cinco desses APLs são considerados prioritários pelo SEBRAE/MT:
Apicultura do Sudoeste de Mato Grosso; Cadeia Produtiva de Móveis do Vale do Telles Pires;
Confecções e Acessórios da Região Sul - Cuiabá e Várzea Grande; Confecções, Acessórios e
Tecelagem da Região Sudeste – Rondonópolis; Móveis e Artefatos de Madeiras da Região
Sul - Cuiabá e Várzea Grande (SEBRAE, 2008).
O Arranjo Produtivo Local de Apicultura (APL de Apicultura), organizado na região
Sudoeste do estado de Mato Grosso, preconiza políticas públicas voltadas a atender aos
interesses da agricultura familiar e as particularidades regionais, favorecer e estimular a
criação diversificada para garantir a sustentação da alimentação da família e da renda, e
estimular a criação minimamente dependente de produtos químicos (SEBRAE, 2004).
6

1.3.2. Origem e constituição do APL de Apicultura do Sudoeste de Mato Grosso

O SEBRAE nacional impulsionado pelo sucesso conseguido na região Nordeste pelo


projeto APRISCO (Apoio a Programas Regionais Integrados e Sustentáveis da Cadeia da
Ovinocultura), idealizou o Projeto Rede APIS (Apicultura Integrada e Sustentável), buscando
desenvolver estruturas de gestão eficientes na cadeia produtiva da apicultura, articulada numa
rede de projetos desenvolvidos em vários estados das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste
(GRECO & RESENDE, 2004).
Nesse sentido, em 2004 o SEBRAE/MT – Agência Cáceres, mobilizou instituições
com atividades ligadas ao setor para constituir um APL de Apicultura na região Sudoeste de
Mato Grosso, em função das características e potencialidades regionais.
Foi então realizado um diagnóstico do setor apícola, visando subsidiar as instituições
públicas e privadas com informações para definir estratégias, de forma participativa, para
construir uma proposta de desenvolvimento para o setor na região (SOUZA, 2004). Essas
referências iniciais foram apresentadas às instituições envolvidas e utilizadas para construir as
metas e estabelecer os prazos a cumprir no acordo de resultados (SEBRAE, 2004).
O arranjo foi denominado de Arranjo Produtivo Local de Apicultura e reuniu as
seguintes instituições ligadas ao setor apícola na região Sudoeste do Mato Grosso:
Associações e representações: Associação de Apicultura do Alto Pantanal
(APIALPA), Associação Comodorense de Apicultores (ACA), Associação Portense de
Apicultura (APA), Associação dos Apicultores de Conquista d’Oeste (APICOM) e
Associação Matogrossense de Municípios (AMM).
Não governamentais: Banco do Brasil/Ag. Cáceres, SEBRAE/MT
Governo Federal: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso
– Campus de Cáceres (IFMT) e Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade Federal de Mato Grosso (FAMEV-UFMT)
Governo Estadual: Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso (MT-Fomento),
Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER), Instituto de
Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA-MT), Secretaria de Estado de
Ciência e Tecnologia (SECITEC), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (SEDER),
Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (SETECS), Universidade do
Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
Governo Municipal: representantes de 22 Prefeituras Municipais.
7

Um novo acordo de resultados foi assinado para o biênio 2006/2008 e passou a se


denominar APL de Apicultura da Região de Cáceres - Mel na Mesa, com o objetivo de
ampliar a produção dos produtos apícolas da região Sudoeste do Estado de Mato Grosso, para
inserção nos mercados local e estadual, de forma competitiva e sustentável (SEBRAE,
2006b).
Os projetos de apicultura integrantes da Rede APIS são estruturados no modelo de
acordo de resultados definidos pelos públicos alvo das ações, onde a promoção da cultura da
cooperação e articulação de parcerias é a base para a viabilização de negócios, buscam a
integração de todos os atores que interagem no âmbito local, regional nacional e internacional,
dentro de uma visão sistêmica, que considera os diversos fatores que interferem no
desenvolvimento (econômicos, sociais, culturais, políticos, científicos e tecnológicos)
(RESENDE & VIEIRA, 2008).
Desde o início do Projeto Rede APIS em 2003, o SEBRAE em articulação com 245
parceiros vem apoiando a implantação de projetos de apicultura, abrangendo 408 Municípios,
12.813 apicultores, organizados em 275 associações e 42 cooperativas, com uma produção de
7 mil e 457 toneladas de mel, equivalente 23% da produção nacional. No período 2006/2008,
foram previstos investimentos na ordem de R$ 55.502.025,00, oriundos do SEBRAE (35%) e
Parceiros (65%) (VIEIRA & RESENDE, 2008).
8

1.3.3. Impactos sócio-econômico-ambiental da apicultura

O Brasil apresenta características especiais de flora e clima que, aliado a presença da


abelha africanizada, lhe confere um potencial fabuloso para a atividade apícola, ainda pouco
explorado. A cadeia produtiva da apicultura gera inúmeros postos de trabalho, empregos e
fluxo de renda, principalmente no ambiente da agricultura familiar, sendo, dessa forma,
determinante na melhoria da qualidade de vida e fixação do homem no meio rural (PEREIRA
et al., 2003).
A apicultura é uma atividade econômica conservadora das espécies devido ao baixo
impacto ambiental que ocasiona, em comparação com as outras atividades produtivas,
possibilitando a utilização permanente dos recursos naturais e preservação do meio ambiente,
podendo agregar esse marketing ecológico aos produtos obtidos (REIS & COMASTRI-
FILHO, 2003).
A apicultura é uma atividade alternativa que se adapta a várias regiões do Brasil,
inclusive a região Centro-Oeste, devido à vegetação do cerrado que floresce sucessivamente
de janeiro a dezembro, com exceção de novembro a fevereiro que é um período chuvoso. Esta
é uma atividade nova e pouco explorada, que além de ser lucrativa e com baixos custos de
operação é uma alternativa de ocupação para as áreas inaproveitadas, podendo ser
perfeitamente realizada em conjunto com outras atividades agropecuárias (SANCHEZ, 1997).
É uma alternativa para o aproveitamento de Reservas Legais, considerando a elevada
diversidade de espécies vegetais existentes. Esta prática é especialmente indicada nas florestas
em estágios inicial e médio de sucessão (BLUM & OLIVEIRA, 2008).
A apicultura desperta interesse em diversos segmentos da sociedade por se tratar de
uma atividade que se apóia no tripé da sustentabilidade: o social, por ser uma forma de
emprego e ocupação de mão de obra no campo, o econômico, por possibilitar geração de
renda e obtenção de bons lucros, e o ambiental, pelo fato das abelhas atuarem como
polinizadores de espécies nativas e cultivadas, contribuindo para o equilíbrio do ecossistema e
manutenção da biodiversidade (PAXTON, 1995).
Em comparação às demais atividades agropecuárias a apicultura necessita baixo custo
inicial de implantação e de manutenção. O mel é considerado o produto apícola mais
conhecido, fácil de ser explorado e com maiores possibilidades de comercialização, uma vez
que é utilizado não somente como alimento, mas também nas indústrias farmacêutica e
cosmética, pelas suas ações terapêuticas (FREITAS et al., 2004).
9

O mel é um dos principais alimentos do comércio justo no mercado mundial e


representou em 2002, 2% do volume comercializado (SENA, 2006). Para a International
Federation for Alternative Trade (IFAT, 2001), essa forma de comércio contribui para o
desenvolvimento sustentável através de melhores condições de troca e da garantia dos direitos
para produtores e trabalhadores marginalizados.
Além do mel, outros produtos obtidos da atividade apícola são: a cera, a própolis, a
geléia real e o veneno (apitoxina). Novos segmentos da apicultura vêm se desenvolvendo ao
longo dos últimos anos, como o de serviços de polinização, em que as colméias são alugadas
para produtores de outra cultura agrícola com a finalidade de aumento da produção desta
cultura (FREITAS, 1998).
As populações de insetos nativos, responsáveis pela polinização de muitas espécies
vegetais, foram reduzidas drasticamente devido aos desmatamentos, queimadas e uso de
pesticidas, aumentando a dependência de polinizadores com ampla distribuição e eficiência,
como tem demonstrado ser as abelhas do gênero Apis (COUTO, 1989).
A polinização constitui-se atualmente em fator fundamental de produção na condução
de muitas culturas agrícolas, em países da Comunidade Européia e nos Estados Unidos,
Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O uso de serviços de polinização tem sido um dos
principais responsáveis pela produtividade e rentabilidade da agricultura (FREITAS, 1994).
Além do aumento no número de frutos vingados, a polinização também aumenta o
número de sementes por fruto, melhora a qualidade dos frutos, diminui os índices de
malformação, uniformiza o amadurecimento dos frutos, aumenta o teor de óleos e outras
substâncias extraídas dos frutos e encurta o ciclo de certas culturas agrícolas (WILLIAMS et
al., 1991).
Diversos estudos demonstram a importância de Apis mellifera L., 1758 (Himenoptera:
Apidae), na polinização de culturas como de: macieira (ORTH & ORENHA, 2000), laranjeira
(MALERBO SOUZA et al., 2003a), cafeeiro (MALERBO SOUZA et al., 2003b), meloeiro
(TRINDADE et al., 2004), pepineiro e aboboreira (GINGRAS et al., 1999), entre outras.
Nesse contexto, a apicultura migratória ou móvel, que consiste na mudança do
conjunto de colméias (apiários) de uma região para outra, para acompanhar as floradas, com
vistas à produção de mel e para a prestação de serviços de polinização, tem papel decisivo.
Essa modalidade de exploração apícola, além de significar um incentivo para a apicultura
industrial é também o caminho para possibilitar a prestação de serviços de polinização
entomófila com abelhas nos pomares e culturas para a produção de frutas e sementes (UFV,
1997).
10

A análise SWOT (Strong – pontos fortes, Weak – pontos fracos, Opportunities –


oportunidades, e Threats – Ameaças) da apicultura brasileira, realizada com o objetivo de
subsidiar indicações estratégicas para o setor indicou como: 1) Pontos fortes: características
especiais de flora e clima; maioria dos apiários trabalham com abelhas africanizadas, mais
resistentes às pragas do que as européias; indústria apícola produz variados produtos de alta
qualidade; necessidade de pouca área para a produção; atividade econômica de baixo impacto
ambiental, possibilitando utilização permanente dos recursos naturais. 2) Oportunidades:
tecnologias disponíveis; divulgação na mídia, possibilidade de uso de marketing ecológico e
natural; capacidade de expansão da produção; capacidade de aumentar a produtividade;
possibilidades diversas de consumo para os produtos apícolas; condições propícias para
produzir mel orgânico e de origem geográfica; comercialização como fair trade: socialmente
justo. 3) Pontos fracos: baixo nível de organização dos produtores; pouca utilização
tecnológica; baixa produtividade em relação a outros países; falta de conhecimento das
exigências de mercado, principalmente externos; sazonalidade na oferta dos produtos; cadeia
produtiva e canais de distribuição pouco desenvolvidos; pouco investimento em marcas; falta
de conhecimento de marcas por parte dos consumidores. 4) Ameaças: dependência do clima
da região; falta de hábito de consumo no mercado interno; ganho baixo do produtor e elevado
do intermediário; preço final do produto visto como alto em relação a alimentos; volta da
China e da Argentina no fornecimento mundial de mel; dependência do mercado externo para
escoar a produção; baixa fiscalização dos produtos no mercado nacional; alta informalidade
do setor; produtos de baixa qualidade oferecidos no mercado (SEBRAE, 2006a).
No sentido de superar esses pontos fracos e ameaças detectados, bem como, de
consolidar os pontos fortes e potencialidades, Souza (2004), recomenda que, para ser viável a
apicultura precisa de planejamento, numa visão sistêmica do agronegócio apícola, na
abordagem de cadeia produtiva, estimulando alianças estratégicas em todos os seus elos. Uma
tarefa que demanda a integração, o engajamento e o compromisso de todos os envolvidos e
que deve ser assumida e protagonizada pelos representantes, apicultores e empresários do
setor.
Apesar das inúmeras caracerísticas econômicas e sociais positivas, algumas resalvas
são realizadas em relação aos impactos da apicultura sobre a biodiversidade de abelhas
nativas. Os estudos realizados por Roubik (1978, 1980) destacam as vantagens competitivas
por recursos alimentares que as abelhas africanizadas (Apis mellifera scutellata), espécie
introduzida no continente americano, apresentam em relação às diversas espécies de abelhas
nativas.
11

Por outro lado, para Paini (2004), os estudos em diversos países mostraram poucas
evidências do impacto das abelhas melíferas sobre a sobrevivência, fecundidade ou densidade
de populações de abelhas nativas. Para Goulson (2003), não existem pesquisas em longo
prazo demonstrando que a introdução de abelhas melíferas tenha causado a extinção de outras
abelhas polinizadoras nativas.
A habilidade das abelhas melífera em colonizar uma variedade de habitats, com
variadas condições climáticas, de áridas a úmidas, de tropicais a sub-árticas, se deve a sua
capacidade de modificar sua estratégia reprodutiva e de forrageamento (MORITZ et al.,
2005).
Para esses mesmos autores, apesar do alto potencial e da velocidade da invasão das
abelhas melíferas em todos os continentes, exceto a Antártida, raramente isso tem causado
problemas para outras espécies. Os efeitos negativos da introdução de abelhas melíferas têm
sido observados somente sobre o gênero Apis, principalmente relacionado a transporte de
novos parasitas ainda não conhecidos na apicultura.
As abelhas africanas Apis mellifera scutellata foram introduzidas no Brasil em 1956.
Cerca de um ano depois, 26 enxames com suas respectivas rainhas, escaparam e cruzaram
com as demais subespécies de abelhas melíferas européias aqui introduzidas no século XIX: a
italiana Apis mellifera ligustica, a alemã Apis mellifera mellifera e a austríaca Apis mellifera
carnica. Com isso, surgiram populações polí-hibridas denominada africanizada, com
predominância de características das abelhas africanas, tais como a grande capacidade de
enxamear e a rusticidade (KERR, 1967).
Nas Américas, as abelhas africanizadas estão restritas a regiões de baixas altitudes e de
invernos amenos; no Brasil, ocorrem principalmente em áreas urbanas e com formações
vegetacionais abertas ou adulteradas, sendo dificilmente vistas ou coletadas no interior de
florestas densas como na Amazônia central (OLIVEIRA & CUNHA, 2005).
Esses autores testaram diversos tipos de iscas disponibilizadas no interior de florestas
contínuas, em fragmentos de florestas, capoeira e áreas desmatadas, observou-se que a
visitação de operárias ocorreu apenas em iscas nas áreas de capoeira e abertas adjacentes a
floresta e fragmentos. Isso indica a inexistência de competição por recursos com as abelhas
nativas no interior da floresta amazônica, como também demonstra que uma apicultura em
grande escala na região seria inviável, uma vez que essas abelhas não visitam a floresta.
Lorenzon et al. (2004), examinaram a riqueza em espécies e a abundância relativa de
abelhas eussociais no Parque Estadual da Ilha Grande (RJ) e identificaram treze espécies de
12

Apidae eussociais, onde mais de 80% do total de espécimes coletados nas flores eram
meliponídeos, apesar da presença de Apis mellifera.
Os estudos de Santos et al. (2004), na região do Bico do Papagaio (TO); e Anacleto e
Marchini (2005), em Pirassununga (SP), demonstram que Apis mellifera é espécie de abelha
comumente dominante nos hábitats brasileiros.
13

1.3.4. Geoprocessamento como ferramenta de planejamento da apicultura

As atividades humanas modificam os padrões e os processos existentes na paisagem,


alterando a estrutura e o funcionamento dos diferentes sistemas ambientais. Os efeitos
resultantes dessas alterações podem ser observados em diferentes níveis de organização
biológica e escala espacial (SANTOS et al., 2005).
O uso de mapas temáticos, produzidos a partir do emprego das geotecnologias, são
ferramentas úteis que auxiliam no planejamento e ordenamento das atividades econômicas
realizadas em uma região geográfica (FRANÇA & DEMATTÊ, 1993, DÉSTRO &
CAMPOS, 2006).
O geoprocessamento é uma tecnologia de custo relativamente baixo e oferece uma
ferramenta de enorme potencial no planejamento aplicado ao meio ambiente e a gestão de
recursos naturais (CÂMARA & ORTIZ, 1998; FLORENZANO, 2002).
Imagens remotamente sensoreadas foram utilizadas por Maron & Fitzsimons (2007),
para analisar os impactos ocasionados pela rápida expansão de sistemas expansão agrícola
sobre a cobertura vegetal, causando, entre os principais impactos negativos, a remoção da
vegetação nativa (savana e floresta), desencadeando um quadro de desequilíbrio na cadeia
biológica local.
As instituições estaduais responsáveis pela gestão ambiental vêm aplicando essa
ferramenta para a quantificação de ecossistemas naturais e fragmentos florestais nos estados
do Acre (SIQUEIRA, 2006), Bahia (MACEDO, 2000), Mato Grosso (ALMEIDA et al.,
2000), Mato Grosso do Sul (ABDON et al., 1998; SILVA et al., 2006) e São Paulo
(KRONKA et al., 2005).
A caracterização da paisagem geográfica pode auxiliar no manejo dos apiários e na
melhoria da qualidade dos produtos apícolas pela implantação de sistema de rastreabilidade e
certificação de origem (BASTOS, 2006).
O Programa Nacional de Georreferenciamento e Cadastro de Apicultores (PNGEO),
implantado pela Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), tem como objetivo principal
promover o georreferenciamento, a rastreabilidade e a modernização da produção apícola no
Brasil, através de ações de mapeamento, diagnóstico, capacitação e regulamentação das
atividades em todos os elos da cadeia produtiva (CBA, 2009). Esse programa vem
cadastradondo apiários em diversos estados brasileiros, como: PA, RJ, BA, RS, MS e MT,
pretendendo atigir todo o país até 2012.
14

O georreferenciamento permite melhorar a localização dos apiários e aumentar a


produção, pois pode evitar a saturação das áreas visitadas pelas abelhas africanizadas. Um
exemplo da aplicação dessa técnica foi o georreferenciamento de apiários realizado pela
Embrapa Pantanal, em assentamentos rurais da região de Corumbá, onde se detectou a
concentração de apicultores no assentamento rural do Taquaral (MAIO, 2009).
A localização dos apiários a partir do georeferenciamento permitiu que Bacha Júnior
(2007), realizasse um estudo para avaliar as condições epidemiológicas dos apiários com base
nos aspectos sócio-econômicos e produtivos, com ênfase na comparação da taxa de infestação
do ácaro Varroa spp. em apiários com sobreposição e sem sobreposição de nichos. Observou
que a taxa de infestação nos núcleos com sobreposição de nichos foi três vezes maior que os
núcleos sem sobreposição do nicho.
Aplicado ao fomento e extensão apícola Gomes et al. (2008), utilizam o
georreferenciamento como uma ferramenta de apoio no diagnóstico ambiental das
propriedades, onde se verificou as condições de saneamento rural, vegetação apícola e
preservação ambiental, com vistas à aumento e rastreabilidade da produção.
A EMATER-PI realizou o georreferenciamento de todos os apiários da região de Picos
(PI), com objetivo de monitoramento do processo produtivo do mel e garantia de controle
sanitário e da produtividade (INFAPI, 2007).
O Sistema de Informação Geográfica (SIG) é uma ferramenta imprescindível para o
processo de reconhecimento da indicação geográfica. Constitui-se como indicação geográfica
(IG) a indicação de procedência (IP) ou a denominação de origem (DO) de um produto.
Considera-se indicação de procedência o nome geográfico de país, cidade, região ou
localidade de seu território, que se tenha tornado conhecido como centro de extração,
produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço.
Considera-se denominação de origem o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade
de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam
exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos (INPI,
2000).
É preciso conhecer a composição da origem floral e a qualidade dos produtos apícolas
oriundos das diferentes regiões do País, para caracterizar e estabelecer padrões, visando à
abertura de mercados internacionais (GALLO NETO, 2007). A determinação da origem
botânica do mel tem grande importância econômica porque alguns tipos de méis são mais
apreciados pelo consumidor (BASTOS, 2002).
15

A Federação de Apicultura de Mato Grosso do Sul está desenvolvendo um projeto


multi-intitucional, evolvendo entidades associativas e cooperativas, agências de serviços,
instituições de pesquisa e de ensino, empresas de assistência técnica e extensão rural, em
âmbito interestadual, entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, para reconhecimento da
Indicação de Procedência (IP) do mel do Pantanal (BIJOS, 2008).
Aplicando Sistemas de Informação Geográfica (SIG) Raffo & De Paula (2009),
desenvolvem uma metodologia de baixo custo utilisando um software de tipo livre, destinada
à escolha otimizada dos locais destinados à implantação de apiários, destinado a melhorar a
produtividade de mel e de outros produtos apícolas, assim como beneficiar a agricultura
através da polinização e contribuir com a preservação ambiental.
16

1.3.5. Importância das análises físico-químicas e características de rotulagem no controle da


qualidade do mel

A legislação brasileira define o mel como um produto alimentício produzido pelas


abelhas melíferas, a partir do néctar das flores e das secreções de partes vivas das plantas ou
de excreções de insetos sugadores de plantas, que as abelhas recolhem, transformam,
combinam com substâncias específicas próprias, armazenam e deixam madurar nos favos da
colméia (BRASIL, 2000).
O mel é resultado da desidratação e da transformação química do néctar, sendo assim,
o seu rendimento varia de acordo com os fatores que influenciam a produção e a concentração
de néctar; com a concentração e as proporções de seus carboidratos; com a quantidade de
flores da área; e com o número de dias em que as flores estão secretando néctar (CRANE,
1985).
Mel é um alimento complexo do ponto de vista biológico e analítico, uma vez que sua
composição pode variar em função da origem floral e geográfica, assim como pelas condições
climáticas do local (BASTOS, 1994).
As particularidades de clima, solo e composição vegetal dos diferentes ecossistemas
brasileiros tornam possível a produção de mel durante o ano todo. Além disso, proporciona
grande variação nas características dos méis produzidos em diferentes locais do País, seja em
relação à sua composição físico-química, seja em relação às suas características
organolépticas (aroma, sabor e a cor) (MARCHINI & SOUZA, 2006).
Mesmo após a sua colheita, o mel continua sofrendo modificações físicas, químicas e
organolépticas, de forma que, para garantir a qualidade do produto, deve-se ter controle de
todas as etapas do seu processamento (ARAUJO et al., 2006).
O mel pode sofrer alterações naturais, decorrentes do excesso de umidade, calor ou
envelhecimento e alterações provocadas pelo desconhecimento dos produtores ou por
adulteração propositada, principalmente nos entrepostos de venda (VIDAL, 1984).
O regulamento técnico de identidade e qualidade do mel, estabelecido pelo Ministério
da Agricultura e Abastecimento, indica para caracterização físico-química do mel os seguintes
parâmetros de maturidade, pureza e deterioração: umidade, açúcares redutores, sacarose
aparente, sólidos insolúveis em água, cinzas, acidez livre, hidroximetilfurfural (HMF) e
atividade diastásica. Fornece ainda parâmetros de referência para esses requisitos (BRASIL,
2000).
17

As características físico-químicas e polínicas do mel produzido nas regiões tropicais


ainda são pouco conhecidas, principalmente onde existe grande diversidade de flora apícola
associada às taxas elevadas de temperatura e umidade (SODRÉ, 2000).
As análises físico-químicas do mel são de fundamental importância na sua
caracterização, para criação de padrões segundo a origem, na fiscalização de méis importados
e no controle da qualidade do mel produzido (MARCHINI, 2001).
Os resultados das análises físico-químicas quando comparados com os padrões citados
por órgãos oficiais internacionais ou com os estabelecidos pelo próprio país, ajudam a
controlar possíveis fraudes e proteger o consumidor de adquirir produtos adulterados
(CRANE, 1990). Outros estudos, com Rissato et al. (2006), utilizaram o mel como
bioindicador para monitoramento de contaminação ambiental de pesticidas.
Apesar da importância da realização de análises físico-químicas no monitoramento e
controle da qualidade da produção, apenas 9% dos apicultores da região Sudoeste de Mato
Grosso já realizou uma análise físico-química de mel (SOUZA, 2004).
Destaca-se ainda a importância da rotulagem na garantia de produtos com qualidade e
segurança à saúde do consumidor, nesse sentido a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), aprovou o regulamento técnico para rotulagem nutricional obrigatória de
alimentos e bebidas embalados, resolução nº 40 de março de 2001, visando padronização das
rotulagens de todos os alimentos embalados (ANVISA, 2001a).
Em 2003, com a publicação das resoluções nº 359 (regulamento técnico de porções de
alimentos embalados para fins de rotulagem nutricional) e nº 360 (regulamento técnico sobre
rotulagem nutricional de alimentos embalados) foram incorporadas novas regras para as
informações nutricionais de caráter obrigatório no rótulo das embalagens (ANVISA, 2003a;
ANVISA, 2003b). Outras mudanças ocorreram posteriormente relativa à rotulagem dos
alimentos de origem animal embalado (BRASIL, 2005).
O regulamento técnico para rotulagem de produto de origem animal embalado define
rótulo ou rotulagem como toda inscrição, legenda, imagem ou toda matéria descritiva ou
gráfica, escrita, impressa, estampada, gravada, gravada em relevo ou litografada ou colada
sobre a embalagem do produto. Embalagem é o recipiente, o pacote ou o invólucro, destinado
a garantir a conservação e facilitação de transporte e manuseio dos produtos (ANVISA,
2003a).
De acordo com o regulamento técnico de identidade e qualidade do mel, estabelecido
pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (BRASIL, 2000), as embalagens apropriadas
para a comercialização do mel fracionado são de vidro ou plástico.
18

Conforme a instrução normativa nº. 22/2005 são consideradas obrigatórias as


seguintes informações no rótulo: a) denominação (nome) comercial de venda do produto,
conteúdos líquidos, identificação da origem, nome ou razão social e endereço do
estabelecimento; b) carimbo oficial da inspeção federal; c) categoria do estabelecimento; d)
CNPJ; e) conservação do produto; f) marca comercial do produto; g) identificação do lote; h)
data de fabricação; i) prazo de validade; j) composição do produto; k) número de registro no
Ministério da Agricultura; e l) instruções sobre o preparo e uso do produto (BRASIL, 2005).
A legislação exige ainda a rotulagem nutricional obrigatória contendo a declaração
obrigatória de nutrientes, com as seguintes informações: a) valor energético; b) carboidratos;
c) proteínas; d) gorduras (totais e trans); e fibra alimentar; cálcio, ferro, sódio; outros
minerais; e vitamina. Para o mel pode-se optar por uma declaração simplificada de nutrientes,
contendo: a) valor calórico; b) carboidratos; c) proteínas; d) gordura total; e e) teor de sódio
(ANVISA, 2001b).
A rotulagem nutricional de alimentos é um valioso apoio para os consumidores,
oportunizando conhecer a composição do alimento e a segurança quanto à ingestão de
nutrientes e energia, bem como informações importantes para a manutenção de sua saúde
(FERREIRA & LANFER-MARQUEZ, 2007).
Além das questões de rotulagem geral e rotulagem nutricional, a Portaria SVS/MS nº.
27/1998, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária dispõem sobre rotulagem de
informações nutricionais complementares. Essas informações se referem a declarações
relacionadas ao apelo de conteúdo de nutrientes e/ou valor energético do produto, chamados
atributos ou claims, observadas em expressões como: baixo em (ligth)..., não contém..., sem
adição de..., fonte de..., rico em... (ANVISA, 1998).
Destaca-se ainda a importância do rótulo na comunicação visual da embalagem,
permitindo o reconhecimento do produto no ponto de venda, criando sua identidade visual. O
rótulo além das informações sobre ingredientes, composição, finalidade, modo de uso e
aspectos informacional, agrega também conteúdo estético e diferencial do produto
(SCATOLIM, 2009).
19

II. MATERIAL E MÉTODOS

2.1. Área de abrangência do APL de Apicultura

O presente estudo foi desenvolvido no Mato Grosso, estado que se localiza na região
Centro Oeste brasileira e tem uma população de 2.854.456 habitantes, ocupando uma área de
903.357,908 km², com densidade populacional de 3,16 hab/km². É o terceiro maior em área
territorial, representando mais de 10% do território nacional, destacando-se pela diversidade
de seus recursos naturais, caracterizado por três biomas distintos: Pantanal, Cerrado e
Amazônico, bem como pelas bacias hidrográficas pelas quais é banhado: Paraguai,
Amazonas e Araguaia-Tocantins (SEPLAN, 2002; IBGE, 2007).
O documento que constituiu o APL de Apicultura, denominado de acordo de
resultado, foi assinado por representantes das seguintes prefeituras municipais do Sudoeste de
Mato Grosso: Cáceres, Araputanga, Comodoro, Conquista D’oeste, Curvelância,
Figueirópolis D’oeste, Glória D’oeste, Indiavaí, Jaurú, Lambari D’oeste, Mirassol D’oeste,
Nova Lacerda, Pontes e Lacerda, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal, Rio Branco, Salto do
Céu, São José dos Quatro Marcos, Vale do São Domingos e Vila Bela da Santíssima
Trindade. Sendo que, Campos de Júlio e Poconé assinaram posteriormente e foram incluídos
no acordo, totalizando 22 municípios.
O IBGE (2007) divide o estado de Mato Grosso em cinco mesorregiões, subdivididas
em 22 microrregiões geográficas. A mesorregião Sudoeste Mato-grossense compreende as
microrregiões (Municípios): Alto Guaporé (Conquista d’Oeste, Nova Lacerda, Pontes e
Lacerda, Vale de São Domingos, Vila Bela da Santíssima Trindade), Jaurú (Araputanga,
Figueirópolis do Oeste, Glória do Oeste, Indiavaí, Jaurú, Lambari d’Oeste, Mirassol d’Oeste,
Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal, Rio Branco, Salto do Céu, São José dos Quatro
Marcos) e Tangará da Serra (Barra do Bugres, Denise, Nova Olímpia, Porto Estrela e Tangará
da Serra).
Dessa forma, quando utilizado a terminologia do IBGE, a área geografia de
abrangência do APL de Apicultura contempla parte da Mesorregião Sudoeste Mato-grossense
(Microrregiões Alto Guaporé e Jaurú) e inclui municípios da Microrregião Alto Pantanal
(Cáceres, Curvelândia, Poconé), que pertencem a Mesorregião Centro Sul Mato-grossense.
Inclui ainda os municípios de Comodoro e Campos de Júlio, que pertencem a Mesorregião
Norte Mato-grossense, na Microrregião Parecis (Figura 1).
20

O APL de Apicultura compreende uma área geografia de 119.291,349 Km², onde se


encontra uma população de 310.358 hab, resultando em uma densidade populacional de 2,60
hab/km2. Sendo que Cáceres (84.158 hab), Pontes e Lacerda (38.095 hab), Poconé (31.106
hab) e Mirassol d’Oeste (24.701 hab) são municípios mais populosos e Cáceres (24.398,39
Km²), Comodoro (21.743,36 Km²) e Poconé (17.260,86 Km²) são os municípios com maior
área territorial (IBGE, 2007).

Figura 1: Mapa da área de abrangência do APL - Apicultura Sudoeste de Mato Grosso as


Meso e Microrregiões Mato-grossenses do IBGE.

A região do APL de Apicultura está situada entre a Chapada dos Parecis e o Pantanal,
entre restos de capeamento de arenito, com material pelítico no topo ao Norte e área de
deposição geológica ao Sul. A geologia da região é constituída pelo embasamento cristalino,
formados por rochas do Arqueano, que faz parte do Craton Amazônico (Complexo Xingu);
faixas de dobramento do Paraguai (Grupo Alto Paraguai), formada no Proterozóico; e
formações sedimentares do Mesozóico e Cenozóico, respectivamente, como a Bacia do
Parecis (Grupo Parecis) e depressões sedimentares do Guaporé e Pantanal (RESENDE et al.,
1994; DEL’ARCO & BEZERRA, 1988).
21

O Mato Grosso compreende oito unidades de relevo, sendo representadas na região


estudada as seguintes formações: Planaltos Residuais do Alto Paraguai-Guaporé (Província
Serrana, Serras de Santa Bárbara, Ricardo Franco e São Vicente); Planície e Pantanais
Matogrossense (Pantanal); Depressões do Alto Paraguai-Guaporé (solos férteis, com relevo
variado); e Planalto dos Parecis (Chapada dos Parecis). Os planaltos e chapadas do Oeste
brasileiro constituem em importantes dispersores da rede hidrográfica, nessa região
encontramos grandes extensões das bacias: Amazônica, Plantina e Tocantina. O Mato Grosso
ocupa posição Central e estratégica na América do Sul, ocorrendo em seu território o divisor
de águas dos rios Amazonas e do Prata (BRASIL & ALVARENGA, 1988; INNOCÊNCIO,
1988; SÁNCHEZ, 1992).
Na região Sudoeste de Mato Grosso, das vertentes da chapada dos Parecis, voltadas
para Sul, descem os rios Seputuba, Cabaçal e Jaurú que vão encontrar seu nível de base no rio
Paraguai, contribuindo na formação do Pantanal. Das vertentes voltadas para Sudoeste e Sul
descem, respectivamente, o rio Guaporé e seus vários afluentes e os rios Arinos e Juruena,
que vão fluir para bacia Amazônica (INNOCÊNCIO, 1988).
Os estudos exploratórios indicam a ocorrência na região das seguintes classes de solos:
Plintosolos, Latossolos Vemelho Amarelo e Areia Quartzosa, nas áreas do Pantanal;
Podzólico vermelho Amarelo, na Província Serrana e depressões do Alto Paraguai-Guaporé; e
Latossolos Amarelo, Latossolos Vermelho Amarelo e Areia Quartzosa nas bordas da Chapada
dos Parecis (CARVALHO & PODESTÁ FILHO, 1988).
O guia para identificação dos principais solos do estado de Mato Grosso organizado
por Jacomine et al. (1995), contem uma caracterização sumária, área de ocorrência, descrição
morfológica e principais limitações ao uso agrícola. Para os municípios participantes do APL
de Apicultura foram citadas 14 classes de solos: Latossolo Vermelho Escuro (Comodoro),
Latossolo Amarelo (Vila Bela), Terra Roxa Estruturada (Salto do Céu), Brunizem
Avermelhado (Comodoro, Vila Bela e Pontes e Lacerda), Podzólico Vermelho Escuro
(Cáceres, Poconé, Vila Bela e Comodoro), Planossolo (Porto Esperidião, Cáceres, Poconé),
Solonetz Solodizado (Poconé), Cambissolo (Cáceres), Plintossolo (Cáceres, Poconé, Pontes e
Lacerda e Vila Bela), Glei Pouco Húmico (Cáceres, Vila Bela e Comodoro), Vertissolos
(Poconé) Areia Quartzosa (Comodoro), Solos Aluvionares (Poconé) e Afloramentos rochosos
(Vila Bela).
O Clima Tropical Quente e Subúmido predomina em quase toda a região Centro
Oeste, sendo sua característica marcante a freqüência de temperaturas altas, onde nos meses
mais quentes (setembro, outubro), são comuns máximas diárias de 38°C, as vezes superiores a
22

40°C. Segundo a classificação de Köppen, a área de estudo pertence ao tipo climático das
Savanas Tropicais, que apresentam temperaturas médias mensais acima de 18°C (A) e índices
pluviométricos elevados, com estação seca bem definida (W), com duas sub regiões distintas:
Clima Tropical de Savana, para regiões de altitude superior a 200 (AW) e Clima Tropical do
Pantanal para altitude inferior a 200 m (AWG). Segundo a classificação de Thornthwaite,
pertence ao tipo climático C1wA’a, dos climas que oscilam de sub-úmido a seco (C1),
apresentando moderada deficiência hídrica durante o inverno estacional (w) e clima
megatérmico (A’) sem significativa variação estacional (a) (NIMER, 1988; RIDER, 1990,
PCBAP, 1997).

2.2. Coleta de dados

2.2.1. Dados secundários utilizados na caracterização da produção de mel nos municípios do


APL de Apicultura

Foi avaliada a produção de mel no Brasil, nas Regiões geográficas, nos Estados
brasileiros e nos Municípios participantes do APL de Apicultura, disponíveis no banco de
dados SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE, 1999).
A pesquisa foi realizada no tema: pecuária, na variável: produto, cabeçalho:
quantidade de produto de origem animal, tipo de produto: mel de abelhas (quilogramas) e
período: compreendido entre 1987 e 2007. Os dados resultantes foram compilados em
planilha Excel e as análises estatísticas feita no programa GraphPad InStat.
Foram ainda avaliados dados das exportações brasileiras no Sistema de Análise das
Informações de Comércio Exterior via Internet (ALICEWeb) da Secretaria de Comércio
Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC).
A pesquisa foi realizada no módulo: exportações 1996 a 2009; tipo de consulta:
mercadoria, código 0409.00.00 correspondente ao mel na Nomenclatura Comum do Mercosul
(NCM); detalhamento: geral e por bloco econômico; e período: 1998 a 2009.
As informações relacionadas ao APL de Apicultura foram levantadas no Sistema de
Informação da Gestão Estratégica Orientada para Resultados (SIGEOR) do Sistema Brasileiro
de Apoio às Pequenas Empresa (SEBRAE). A pesquisa foi realizada por tipo de projeto,
23

estado e setor econômico. Essas informações foram complementadas através de entrevistas


com gestores e apicultores, assim como consultas a documentos resultantes do APL de
Apicultura.
As informações para a caracterização da apicultura regional foram levantadas em
conjunto com a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) e entidades parceiras, dentro do
Programa Nacional de Georreferenciamento e Cadastro dos Apicultores (PNGEO), realizadas
em novembro e dezembro de 2009. Foram cadastrados os apicultores, apiários e unidades de
beneficiamento de municípios participantes do APL de Apicultura. O cadastro foi efetuado no
formato de banco de dados desenvolvido pela CBA, no progama Access, visando alimentar
um Sistema de Informações Geográficas (SIG), utilizando software livre, tipo Terraview. No
presente estudo foram apresentadas partes dessas informações.
No estudo da flora apícola informada pelos apicultores, foram avaliadas as espécies
citadas como de importância na produção de mel e na produção de pólen. Considerou-se as
seguintes nomenclaturas:

Frequência (F) = número de locais que a espécie foi citada;

Abundância (A) = número de vezes que a espécie foi citada nos locais;

Frequência relativa (Fr) = Frequência x 100 ;


Numero total de locais avaliados

Índice de Abundância relativa (Ar) = Abundância x 100 ; e


Numero total de citações

Importância Apícola (IA): Frequência relativa (%) + Abundância relativa (%).

O índice de Importância Apícola (IA) representa a soma dos indices obtidos para as
plantas melífera ou poliníferas separadamente, que posteriormente tiveram seus índices
somados para em seguida serem hierarquizados, resultando na listagem final de plantas
organizadas a partir da importância apícola atribuida pelo apicultor.
24

2.2.2. Apiários avaliados na quantificação do uso e cobertura da terra, produção de mel e


flora

Foram caracterizados seis apiários localizados em quatro municípios da região


Sudoeste de Mato Grosso (Figura 2): os apiários Girau (16º 04’ 55’’S, 57° 37’ 25”W), Baía
da Pedras (16º 28’ 16’’S, 58° 06’ 18”W) e N. S. Aparecida (16º 00’ 02’’S, 57° 39’ 55”W)
localizam-se no município de Cáceres, na mesorregião Alto Pantanal; o apiário Sararé (14º
47’ 10’’S, 59° 25’ 13”W) localiza-se no município de Conquista d´Oeste, na mesorregião
Norte; o apiário Campus da UNEMAT (15° 25’ 37”S, 59° 12’ 57”W) localiza-se no
município de Pontes e Lacerda e o apiário Massame (15° 01’ 42”S, 58° 23’ 01”W) localiza-se
no município de Reserva do Cabaçal, ambos na mesorregião Sudoeste.
Os apiários avaliados estão distribuídos em duas importantes bacias hidrográficas,
sendo quatro apiários na bacia Platina, nas sub-bacias do Paraguai-Jauquara (apiários Girau e
N. S. Aparecida) e Paraguai-Pantanal (apiário Baía de Pedras), localizados em Cáceres e na
sub-bacia Cabaçal (apiário Massame), localizado em Reserva do Cabaçal. Dois apiários estão
na bacia Amazônica, na sub-bacia do Guaporé (apiários Campus da Unemat e Sararé),
localizados em Pontes e Lacerda e Conquista d’Oeste, respectivamente.
Optou-se por estudar apiários situados de forma a abranger diversidade ambiental
regional, visando representar o potencial produtivo de mel e riqueza de plantas, em função
dos usos e cobertura da terra no Sudoeste de Mato Grosso.
O estado de Mato Grosso possui um conjunto de três ecossistemas principais: o
Pantanal (10%), o Cerrado (40%) e a Floresta Amazônica (50%) (COUTINHO, 2005). A
cobertura vegetal da região Sudoeste é representada pela Floresta Estacional Semidecidual,
pela Savana nas suas diversas fisionomias e pelas áreas de tensão ecológica (AMARAL &
FONZAR, 1982).
25

.
. .

..
.

Figura 2: Localização dos municípios estudados na região Sudoeste de Mato Grosso.

Tendo como base a área de vôo das abelhas, a maioria dos autores indicam um raio de
1.500 a 2.000m do entorno do apiário para a realização de estudos de identificação da flora
apícola (WIESE,1995). No presente estudo, foi estabelecido um raio de 3km a partir do
apiário como ponto central, totalizando uma área de 2.827,43 ha, onde foi avaliado o uso da
terra e caracterizado a cobertura vegetal observada no entorno dos apiários.
Com o auxílio de um receptor de GPS, foram coletados pontos de referência, incluindo
estradas e trilhas existentes na área de estudo, que foram percorridas mensalmente para coleta
e identificação das espécies de plantas floridas e tipificação das formações vegetais. Os
trabalhos de campo foram realizados no período de 07/2005 a 06/2006.
As plantas coletadas foram herborizadas conforme Fidalgo & Bononi (1984) e estão
conservadas na forma de uma coleção de referência no laboratório do Projeto de Apoio à
Implantação do Arranjo Produtivo em Apicultura no Sudoeste de Mato Grosso (CETApis), do
Departamento de Agronomia, Campus Universitário de Cáceres, na Universidade do Estado
de Mato Grosso (UNEMAT).
26

A identificação da flora foi realizada no Herbário Central da Universidade Federal de


Mato Grosso, com auxílio de literatura específica (LORENZI, 1992, 1998, 2000; POTT &
POTT,1994; PINTO 1997; PCBAP, 1997) e em consultas a técnicos e especialistas.
Para obter os dados referentes à quantificação do uso e cobertura da terra foi realizada
a segmentação de imagens no software SPRING, utilizando como critérios de segmentação, o
método do crescimento de regiões (similaridade = 10 e área (pixel) = 10) e o classificador
isoseg (limiar de aceitação de 95%). Os arquivos de contexto foram convertidos de matriz
para vetor e exportados em formato shapefile. No software ArcGIS, essas classes foram então
refinadas, utilizando as informações de campo e aplicando terminologia descrita no manual
técnico de vegetação (IBGE, 1992) e de uso da terra (IBGE, 1999). Também foram utilizadas
como referências as informações do PCBAP (1997).
As toponímias (estradas, rios, localidades etc.), utilizadas como referências no
processo de interpretação foram obtidas nas cartas topográficas elaboradas pela Diretoria do
Serviço Cartográfico do Exército, na escala 1:100.000. Estas foram digitalizadas, vetorizadas
e suas informações associadas no banco de dados geográfico, via ArcGIS. Os mapas
temáticos gerados atendem a escala de mapeamento de semi detalhe.
A produção média de mel foi avaliada em três colméias, em seis apiários, coletando
quadros com acima de 80% de alvéolos melíferos operculados. O mel foi extraído por
centrifugação e pesado para quantificar a produção mensal por caixa em cada apiário, durante
um ano de observação.
Os resultados obtidos foram compilados em Excel e permitiram aplicar uma análise
multivariada por meio dos componentes principais (ACP) e técnicas de agrupamento (método
de UPGMA), feita no programa MVST (Multivariate Statistical Package). A análise por
componentes principais consiste em transformar um conjunto original de variáveis em outro
conjunto de dimensão equivalente. Cada componente principal é uma combinação linear das
variáveis originais. Além disso, são independentes entre si e estimados com o propósito de
reter, em ordem de estimação, o máximo de informação em termos de variação total contida
nos dados iniciais (CRUZ & REGAZZI, 1994).
As variáveis analisadas nos apiários foram: produção de mel (kg de mel) e diversidade
vegetal (número de famílias, gêneros e espécies, recursos tróficos), em função das classes de
uso do solo (vegetação natural, antrópicas agrícola, antrópicas não agrícolas, água) ou dos
tipos de cobertura vegetal (oito tipos de cobertura vegetal).
A lista de espécies botânicas foi construída e incrementada a partir das coletas mensais
nos apiários, a partir das quais foram contabilizados as informações de riqueza de plantas. Os
27

recursos tróficos foram de forma qualitativa, considerando o número de espécies floridas


observadas mensalmente nos apiários.
Para a avaliação da similaridade florística dos apiários foi utilizada uma matriz de
presença e ausência, desprezando os taxa que ocorreram em apenas uma das áreas ou em
todas as áreas.
28

2.2.3. Parâmetros físico-químicos analisados e avaliação da rotulagem de mel

As amostras de mel foram adquiridas em estabelecimentos comerciais de Cáceres


(MT), em embalagens contendo no mínimo 250g, no período de nov/2007 a jan/2009. Foram
incluídas na amostragem todas as diferentes marcas disponíveis no mercado.
Diferentes datas de envase ou de número de lote observados em uma mesma marca,
adquiridas no mesmo local ou não, foram consideradas como outra amostra da mesma marca
e foram incluídas para análise físico-química. A mesma marca de mel, data de envase ou lote,
observadas no mesmo local ou não, foram consideradas réplicas ou repetições e não foram
utilizadas para análise físico-química.
Foram avaliados os tipos de embalagens utilizadas e o fracionamento disponível nos
estabalecimentos, para cada uma das marcas de mel comercializadas.
Posteriormente foi realizada a avaliação da rotulagem das embalagens de mel,
verificando o cumprimento das orientações do Regulamento Técnico Sobre Rotulagem
Nutricional de Alimentos Embalados (ANVISA, 2003a; ANVISA, 2003b) e do Regulamento
Técnico para Rotulagem de Produto de Origem Animal Embalado (BRASIL, 2005),
conforme Quadro 1 sintetizados por Moraes et al. (2007), incluindo algumas adaptações
sugeridas.
As análises físico-químicas do mel foram realizadas no Laboratório de Análise de
Produtos de Origem Animal (LAPOA), em Várzea Grande (MT), de acordo com os métodos
estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento e a Secretaria de Defesa
Agropecuária (LANARA, 1981). O LAPOA é o único laboratório credenciado junto ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no estado, para esse tipo de
análise.
Todas as análises do mel foram realizadas dentro do prazo de validade estabelecido
pelo fabricante, em média de dois anos.
29

Quadro 1: Dados registrados e natureza das informações contidas nos rótulos de méis
comercializados na cidade Cáceres MT no período de janeiro a março de 2009.
Dados registrados Natureza da informação

Marca do mel Marca do produto

Firma Identificação da firma produtora

Apicultor Apicultor responsável pela produção

Registro CNPJ, Inscrição Estadual, SIF/SISE

Tipo de embalagem Vidro ou plástico

Conteúdo líquido Em g, kg ou ml.

Informação nutricional Se presente ou ausente

Data de envase Data de produção ou de envase

Data de validade Data ou período de validade

Lote Número do lote

Modo de conservação Instruções sobre modo de conservação

Outras informações Demais informações presentes no rótulo

Fonte: Adaptado de Moraes et al. (2007).

Foram determinados os seguintes parâmetros (método):


1) de maturidade: umidade (refratometria), açúcares redutores (titulometria) e açúcares
não redutores (titulometria);
2) de pureza: sólidos insolúveis (gravimetria), minerais fixos (gravimetria) e reação de
Lund (qualitativo); e
3) de deterioração: acidez (titulometria), pH (potenciometria) e reação de Fiehe
(qualitativo). Todas as leituras dos parâmetros foram efetuadas em duplicata. Foram ainda
avaliadas as características organolépticas (sensorial) dos méis estudados.
A umidade foi determinada por meio de um refratômetro de ABEE (Luz natural e
temperatura ambiente) (LANARA, 1981). Os açucares redutores e não redutores (sacarose
aparente) foram mensurados por titulometria utilizando-se reagente de Fehling (CAC, 1989).
Determinou-se o teor de sólidos insolúveis em água, por gravimetria, de acordo com a
recomendação do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (BRASIL, 2000).
A determinação da quantidade dos minerais fixos foi obtido pela incineração das amostras em
30

mufla aquecida a 600ºC (CAC, 1990). A reação de Lund, se baseia na precipitação dos
albuminóides do mel pela influência do ácido tânico e é considerada positiva quando houver
formação de precipitado no fundo da proveta (INSTITUTO ADOLFO LUTZ, 2005).
A acidez das amostras de mel foi conseguida através da determinação da acidez livre,
determinada através da titulação da amostra, com solução de NaOH 0,05N, até atingir o pH
8,5. (BRASIL, 2000). O pH foi obtido por potenciometria, através da determinação da
concentração dos íons de hidrogênio presente no mel, medidos por corrente elétrica pelo
eletrodo (INSTITUTO ADOLFO LUTZ, 1985). O hidroximetilfurfural (HMF) foi
determinado pelo método qualitativo, denominado reação de Fiehe, que consiste na
verificação do HMF utilizando-se reação colorimétrica. Considera-se positiva quando a
coloração final for violeta ou azul (INSTITUTO ADOLFO LUTZ, 2005).
Os resultados obtidos foram comparados com os valores de referência fornecidos na
legislação brasileira vigente, no regulamento técnico de identidade e qualidade do mel
estabelecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (BRASIL, 2000).
31

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Capítulo 1:

Produção de Mel e APL de Apicultura


32

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. Produção de Mel e APL de Apicultura

3.1.1. Panorama nacional e regional da produção de Mel

A produção brasileira de mel aumentou quase uma vez e meia (240%) no período
compreendido entre 1987 e 2007 (Tabela I), principalmente em função da ampliação da
atividade apícola nas regiões Norte e Nordeste. As regiões Sul (200%) e Sudeste (176%),
tradicionais produtoras de mel, no máximo dobraram a sua produção de mel no período,
enquanto a região Nordeste (398%) quadruplicou e Norte (1.138%) multiplicou por dez vezes
a sua produção. A partir de 2002, a região Nordeste passou a ser a segunda maior produtora
de mel do Brasil, perdendo apenas para a região Sul, berço da apicultura nacional.

Tabela I: Produção de mel (t) no Brasil e nas regiões geográficas nos anos de 1987, 2000 a
2007.
Brasil/Regiões
Geográficas/Unidade da 1987 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Federação
Brasil 14.063 21.865 22.219 24.028 30.022 32.290 33.749 36.193 34.747
Sul 7.661 12.670 12.745 12.277 15.357 15.266 15.815 16.422 15.468
Nordeste 2.912 3.748 3.799 5.560 7.967 10.401 10.910 12.102 11.598
Sudeste 3.163 4.513 4.686 5.136 5.335 5.187 5.272 5.804 5.584
Centro-Oeste 254 631 670 683 851 916 1.097 1.189 1.332
Norte 67 301 317 371 509 518 653 673 763
Mato Grosso 111 192 188 175 241 300 375 365 346
Org.: Autor Fonte: IBGE – Pesquisa pecuária municipal/SIDRA, 2009.

Na última década, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo
e Minas Gerais permaneceram entre os maiores produtores nacional de mel. Entretanto,
destaca-se a crescente participação de estados como Piauí, Ceará, Pernambuco e Bahia. Em
2007, o Piauí foi o 2° maior produtor nacional de mel, a frente de Santa Catarina (IBGE,
2009) .
A produção de mel na região Centro-Oeste (524%) quintuplicou no período avaliado,
entretanto, contribuiu no ano de 2007 com 3,8% da produção nacional. Nesse mesmo ano, o
33

estado de Mato Grosso produziu 346.339 kg/mel, representando 25,9% da produção da região
Centro Oeste. A região representa na atualidade uma nova fronteira para expansão da
atividade apícola.
A avaliação da produção de mel nos municípios da área de abrangência do APL
Apicultura acumulada no período 1987 a 2007 (Figura 3) revelaram que o município de
Cáceres (42%) foi o maior produtor de mel da região, seguido por Comodoro (11%) e
posteriormente Poconé (7%), Reserva do Cabaçal (7%), Conquista do Oeste (6%) e Porto
Esperidião (6%). Os demais 16 municípios que compõem o APL Apicultura representaram
em conjunto 20% da produção regional de mel. A soma da produção de oito desses
municípios: Lambari D'Oeste, Nova Lacerda, Vale de São Domingos, São José dos Quatro
Marcos, Figueirópolis D'Oeste, Jauru, Campos de Júlio e Indiavaí, agrupada na figura 3 como
outros, representou 3% da produção regional de mel. Os municípios de Araputanga e
Curvelândia, não apresentaram registros de produção de mel no período avaliado.

Cáceres
Comodoro
7% 6%
6% Poconé
7%
5% Reserva do Cabaçal
3%
4% Conquista D'Oeste
11%
3% Porto Esperidião
11% Mirassol d'Oeste
2%
1% Pontes e Lacerda
3% Rio Branco
Glória D'Oeste
42% V. B. da S. Trindade
Salto do Céu
Outros

Org.: Autor Fonte: IBGE – Pesquisa pecuária municipal/SIDRA, 2009.


Figura 3: Produção acumulada de mel (%) no período de 1987 a 2007, em municípios da
região Sudoeste de Mato Grosso.
34

Os registros da produção de mel nos municípios da área de abrangência do APL


Apicultura durante o período 1987 a 2007 (Tabela II) mostraram que Cáceres, Reserva do
Cabaçal, Mirassol D’Oeste, Porto Esperidião, Rio Branco e Salto do Céu foram os municípios
que apresentaram as séries de dados mais longas, com vinte anos ou mais de registros da
produção anual de mel. Para o município de Cáceres, existem registros de produção de mel
desde a década de 1970, demonstrando que a atividade vem sendo desenvolvida na região há
mais de 50 anos.
Entretanto, a atividade apícola teve o primeiro incremento na produção do final da
década de 1980 até meados da década de 1990, principalmente nos municípios de Cáceres,
Mirassol D’Oeste, Pontes e Lacerda e Rio Branco, onde são observadas maiores médias de
produção de mel/ano nesse período que no final da década de 1990.
As iniciativas para a consolidação da apicultura como uma atividade alternativa de
produção na região Sudoeste se deveram aos trabalhos pioneiros de assistência técnica e
extensão rural oferecidos pela Empresa Mato-grossense de Assistências Técnica e Extensão
Rural (EMATER), posteriormente transformada em Empresa Mato-grossense de Pesquisa,
Assistência e Extensão Rural (EMPAER). Destacam-se ainda o papel da formação de recursos
humanos realizados pela Escola Agrotécnica Federal de Cáceres, atual Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) e Universidade do Estado de Mato
Grosso (UNEMAT); dos cursos de capacitação oferecidos pelo SEBRAE-MT e SENAR-MT;
além dos esforços individuais de apicultores e associações.
A história da apicultura na região reflete a história de colonização e ocupação do
território regional, fortemente voltada aos projetos de assentamento fundiário visando o
estabelecimento principalmente de pequenos produtores rurais, sendo que a apicultura foi uma
das atividades estimuladas como forma de promover a fixação do homem no campo.
35

Tabela II: Produção de mel (kg/ano) em Municípios da região Sudoeste de Mato Grosso, no
período de 1987 a 2007. Cac – Cáceres, Com – Comodoro, Poc – Poconé, Res – Reserva do
Cabaçal, Com – Conquista d’Oeste, Por – Porto Esperidião, Mir – Mirassol d’Oeste, Pon –
Pontes e Lacerda, RioB – Rio Branco, Glo – Glória d’Oeste, Vil – Vila Bela, Sal – Salto do
Céu, Outr – Outros.

Ano Cac Com Poc Res Con Por Mir Pon RioB Glo Vil Sal Outr

1987 3.192 0 240 120 0 0 1.800 0 130 0 0 110 200


1988 3.828 0 400 370 0 80 135 0 800 0 150 80 360
1989 7.000 0 0 120 0 92 1.540 0 1.120 0 0 120 145
1990 7.200 0 0 200 0 85 1.617 0 1.200 0 0 110 138
1991 18.518 0 0 160 0 80 1.460 0 1.092 0 0 100 135
1992 4.957 500 1.000 230 0 250 1.350 0 1.200 0 0 130 570
1993 8.470 530 0 810 0 725 1.470 1.850 1.144 300 0 500 620
1994 8.761 498 0 790 0 670 1.600 1.795 1.200 720 696 480 828
1995 9.210 507 0 830 0 720 2.100 1.930 1.560 780 725 500 855
1996 4.553 966 720 260 0 728 253 369 200 1.200 290 460 103
1997 6.220 652 800 280 0 670 273 398 200 1.104 290 418 326
1998 6.718 685 500 1.350 0 676 1.000 540 990 300 500 390 880
1999 6.850 671 0 1.420 0 682 940 557 910 315 515 375 927
2000 5.500 681 0 1.378 0 692 963 570 438 969 502 384 289
2001 5.693 657 0 1.330 0 716 989 589 159 308 493 374 0
2002 5.978 9.000 0 1.297 0 678 1.030 625 165 640 518 393 0
2003 25.000 10.500 5.920 1.500 600 750 1.250 688 0 1.200 640 445 0
2004 26.896 9.000 4.406 3.720 8.721 5.375 1.300 2.591 963 1.360 915 935 2489
2005 26.539 9.500 10.660 3.832 9.200 5.462 1.350 2.750 1.000 1.290 935 972 2582
2006 22.294 9.000 7.320 9.264 9.557 5.130 1.300 3.046 640 1.695 984 0 1798
2007 21.219 8.000 7.060 6.500 6.964 6.500 2.500 2.000 692 1.540 1.100 0 2270
Org.: Autor Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal/SIDRA, 2009.

Os dados regionais mostraram aumento na produção de mel, bem como no número de


municípios que passaram a produzir mel, principalmente a partir de 2002-2004. Nesse período
a atividade esteve bastante estimulada em função da melhoria dos preços do mel no mercado
internacional e o início das exportações do mel brasileiro. Municípios como Cáceres,
Comodoro, Poconé, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal e Pontes e Lacerda incrementaram
a sua produção e outros municípios, como Conquista d’Oeste que passaram a produzir grande
volume de mel.
36

As medidas antidumping aplicadas pelos EUA à Argentina (2001) e a imposição de


barreiras sanitárias, por norte-americanos e europeus, ao mel chinês, depois da descoberta de
traços de cloranfenicol, antibiótico ilegal, no produto, retiraram do mercado os dois principais
exportadores mundiais por quase três anos e promoveram a entrada de novos produtores e
exportadores (USAID/BRASIL, 2006).
Esses fatos beneficiaram a apicultura nacional, pois elevou os preços a níveis nunca
antes registrados, impulsionando o aumento da produção e das exportações brasileira de mel.
Aliado a isso, vantagens como: mão de obra barata, tecnologia acessível, clima favorável e
diversidade da flora, tornaram competitivos a qualidade e o preço do mel brasileiro no
mercado internacional (PAULA NETO & ALMEIDA NETO, 2005).
Até 2001, o quilograma do mel era vendido, para o mercado interno, em um intervalo
de preço que variava de R$ 1,50 a R$ 2,00. Após a suspenção da importação do mel da China
e da Argentina pelos Estados Unidos e União Européia, o preço líquido pago ao produtor no
quilograma do mel chegou a atingir R$ 4,50 (EMBRAPA MEIO-NORTE, 2003) .
Os municípios de Comodoro e Poconé até 2002-2003, apresentavam produção de mel
abaixo de 1.000kg de mel/ano, a partir desse período, produziram em média acima de 9.000kg
e 7.000kg de mel/ano, respectivamente.
A partir de 2003, Cáceres consolidou-se como o maior produtor de mel da região,
elevando sua produção em média de 6.000kg de mel/ano, no períodos 1987-2002, para mais
de 24.000kg de mel/ano, considerando-se o período 2003-2007.
A partir de 2003, Conquista do Oeste iniciou a sua produção de mel e já em 2004,
passou a se despontar com produção média acima de 8.500kg de mel/ano. Da mesma forma,
Porto Esperidião e Reserva de Cabaçal, com produção média acima de 5.500kg de mel/ano e
Pontes e Lacerda, com produção média acima de 2.500kg/ano, passaram também a integrar o
grupo de maiores produtores regional do mel. Considerando apenas os anos de 2006 e 2007 o
município de Reserva de Cabaçal apresentou produção média acima de 8.500kg de mel/ano.
Essas informações demostram o crescimento da apicultura na região, em função do
aumento da produção de mel nos municípios (Cáceres, Reserva do Cabaçal, Porto Esperidião)
e entrada de novos municípios na produção de mel (Comodoro, Poconé, Conquista d’Oeste).
O diagnóstico do setor apícola da região Sudoeste de Mato Grosso realizado por Souza
(2004), avaliou a produção apícola em três anos consecutivos (2001, 2002 e 2003), a partir
das informações fornecidas pelos apicultores e verificou que a produção de mel cresceu 34%
de 2002 para 2003. Embora o mel seja o principal produto apícola produzido, os apicultores
37

exploram outros produtos da colméia: cera (26%); própolis (17%); pólen (4%); e geléia real
(3%).
Entretanto, quando a China, maior produtor mundial de mel, retomou suas posições no
mercado norte-americano (2004) e europeu (2005), derrubou os preços internacionais do
produto. Nesse mesmo sentido atuou as tarifas adicionais cobradas nos EUA sobre o mel
argentino a suspenças (2005). Resultando em uma queda de 55,3% em valor e 31,3% em
quantidade das exportações brasileiras de mel do ano de 2005 em relação a 2004. Os preços
recuaram 34,9%, chegando a US$ 1.311 a tonelada, contra US$ 2.362 em 2003 e US$ 2.015
em 2004 (PEREZ et al., 2006).
Com relação ao preço comercial, embora tenha crescido nos últimos anos, partindo de
US$ 1,07/kg em 2000 para US$ 2,02/kg em 2004, verifica-se contudo que a tendência
mundial é o restabelecimento do preço historicamente estabelecido, que é de US$ 1,00/kg do
produto (SEBRAE, 2006a) .
Adicionalmente, a União Européia em 2006 decidiu suspender a importação de mel
produzido no Brasil sob a alegação de que o país não tem equivalência com o bloco no que se
refere ao controle de resíduos e qualidade do produto. Essa conjuntura deixou a indústria
apícola brasileira em situação adversa, com estoque armazenado e preços baixos (MAPA,
2008).
A produção regional mostrou redução se considerado o período de 2005 e 2007,
principalmente nos municípios de Cáceres, Conquista d’Oeste, Comodoro, Poconé, Reserva
do Cabaçal, Pontes e Lacerda, onde a apicultura comercial está mais consolidada. Em outros
municípios, onde a apicultura está sendo implantada ou revitalizada, a produção manteve-se
em alta. Embora a apicultura regional esteja voltada para atender o mercado local e regional, o
baixo preço do produto no mercado mundial, aumenta a oferta no mercado nacional,
ocasionando queda nos preços e diminuição da margem de lucro do produtor.
Antes do embargo, o Brasil exportou somente para a União Européia 17 mil toneladas
de mel, gerando uma receita de US$ 35,2 milhões/ano. Em 2007 o setor apícola nacional
produziu cerca de 34,7 mil toneladas e exportou 12,9 mil toneladas, sendo que a receita
gerada com exportações foi de US$ 21,1 milhões (MDIC/SECEX, 2009).
Em 2008, a União Européia anunciou a aprovação do Plano Nacional de Controle de
Resíduos e Contaminantes (PNCRC) para o mel como equivalente ao europeu, no controle de
substâncias do mel. Entretanto, para voltar a exportar a União Européia o setor deve atender
as exigências de implantação de Boas Práticas Apícola (BPA) e do sistema de Análise de
38

Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) nos entrepostos e casas do mel (MAPA,
2008).
O estado do Mato Grosso em 2008, pela primeira vez, exportou mel, enviando 38
toneladas, obtendo a receita de US$ 94,4 mil. Entre janeiro e novembro de 2009 o estado
exportou em torno de 57 toneladas, obtendo a receita de US$ 165,9 mil (MDIC/SECEX,
2009). Esse novo mercado pode inaugurando uma nova fase na apicultura estadual,
estimulando a ampliação e profissionalização da atividade apícola, bem como a melhoria no
preço regional do mel.
39

3.1.2. Ações de apoio à atividade apícola

Foram identificadas e relacionadas as ações promovidas pelas diferentes instituições


parceiras, destinadas ao apoio da atividade apícola, em função da formação do APL de
Apicultura desde a sua constituição em 2004 até 2008 (Tabela III).

Tabela III: Ações desenvolvidas em apoio da apicultura na região Sudoeste de MT.

Número de ações
Tipos de atividades
2004 2005 2006 2007 2008
Diagnóstico do setor apícola 1 - - - -
Desenvolvimento e fortalecimento do grupo
3 3 3 4 4
gestor
Palestras e seminários 12 29 11 8 7
Cursos de apicultura 12 26 29 20 23
Participação em eventos local e regional 5 8 7 8 8
Participação em eventos nacional e missões
1 1 1 1 1
técnicas
Projeto CETApis 1 - 1 - -
Programa de melhoramento genético de abelhas
1 - - - -
rainhas
Levantamento de pragas e doenças - 1 - - -
ATER aos apicultores 120 160 160 192 192
Financiamento para novos apicultores e para a
- 150 - - -
ampliação da atividade
Casas do mel e entreposto - 1 - 1 1
Orientação sobre entreposto e casas de mel - - 3 - -
Consultoria e clinicas tecnológica 2 2 2 2 2
Org: autor
Fonte: SEBRAE/Ag. Cáceres; EMPAER/Esc. Regional Cáceres; e UNEMAT/Dept.
Agronomia-Cáceres (2008).
40

O diagnóstico do setor apícola teve o objetivo de obter uma radiografia do setor, de


maneira a identificar os pontos de estrangulamento e os favoráveis ao crescimento, onde
foram entrevistados 120 apicultores da região Sudoeste de Mato Grosso (SOUZA, 2004). A
partir desse diagnóstico foram pactuadas as metas e ações previstas para serem desenvolvidas
nas instituições parceiras do APL de Apicultura.
O comitê gestor reúne se ordinariamente com a função de acompanhar a realização das
atividades previstas, sendo composto por 10 instituições: APIALPA, ACA, APA, APICOM,
UNEMAT, IFMT, INDEA-MT, EMPAER, Prefeitura Municipal de Cáceres e SEBRAE/MT -
Ag. Cáceres, coordenador do grupo. Posteriormente, a partir da sua constituição outras
associações e representações do setor foram incluídas novas entidades.
Foram realizados palestras e seminários em diversos temas ligados ao setor apícola
como cooperativismo e associativismo, gestão empresarial, produção orgânica, divulgação de
resultados de pesquisa etc. Foi oferecida capacitação técnica em apicultura através de cursos
básicos de manejo e produção de mel, bem como cursos avançados como manejo para alta
produtividade, usos múltiplos de mel, boas práticas de produção e manipulação de mel;
sanidade apícola; construção de caixas Langstroth; identificação de polens etc. Foi ainda
realizado a formação de 11 Agentes de Desenvolvimento Rural (ADR), para realizar
assistência técnica em apicultura. Esses cursos foram oferecidos naqueles municípios onde as
associações de apicultores estavam constituídas (Cáceres, Comodoro, Conquista d’Oeste,
Poconé, Porto Esperidião e Reserva do Cabaçal).
Com o apoio das Associações de Apicultores foram promovidas feiras do mel nos seis
municípios, com o objetivo de divulgar as propriedades alimentares, mudar hábitos e
aumentar a demanda de consumo de mel. Foram realizados dois Encontros Mato-grossenses
de Apicultores, em Cuiabá-MT e participações com estandes em eventos locais e regionais.
Foram formadas delegação de apicultores que participaram do Congresso Brasileiro de
Apicultura em Natal-RN (2004), Aracajú-SE (2006) e Belo Horizonte (2008). Foram ainda
realizadas missões técnicas às regiões produtoras de mel como Campo Grande-MS (2005) e
Carangola-MG (2007).
Através de recursos financeiros oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP) - Ação Transversal APL e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato
Grosso (FAPEMAT), por intermédio da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia
(SECITEC-MT), a UNEMAT – Departamento de Agronomia, Campus Universitário de
Cáceres (MT) desenvolveu o projeto de Apoio a Implantação do Arranjo Produtivo em
Apicultura Sudoeste de Mato Grosso (CETApis), onde equipou um laboratório para
41

tipificação da origem botânica do mel, com o objetivo de agregar valor ao produto regional,
através da certificação da qualidade do produto.
Nesse mesmo projeto foi adquirida uma usina de processamento de cera alveolada
(derretedor, cilindro laminador, cilindro alveolador e cortador) para a APIALPA, o que
promoveu o acesso a esse insumo apícola e diminuição dos custos de produção (Figura 4a). A
usina cera alveolada é única na região e no estado e é gerenciada por uma associação de
apicultores. Equipou-se, com materiais básicos (centrífuga, mesa desoperculadora,
decantador, caixas padrão, macacão, botas etc.) um Apiário Escola no IFMT – Campus
Cáceres para oferecimento de cursos de capacitação em apicultura. O projeto contemplou
ainda metas de pesquisa relacionadas à flora apícola, tipificação da origem botânica do mel e
avaliação do uso das terras no entorno dos apiários.
Com recursos oriundos da FAPEMAT foi financiado outro projeto de pesquisa
visando compor um banco de abelhas rainhas melhoradas e estruturar um programa de
melhoramento genético de abelhas na UNEMAT – Departamento de Zootecnia, Campus
Universitário de Pontes e Lacerda (MT), visando ampliar a oferta do produto com material
genético adaptado a realidade regional, bem como aumentar o número de apicultores que
utilizam essa técnica.
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) também participou desse esforço,
realizando estudos de sanidade apícola e oferecendo cursos de capacitação para apicultores e
acadêmicos na identificação de pragas e doenças de abelhas.
A EMPAER, em função de sua capilaridade nos municípios, ofereceu Assistência
Técnica e Extensão Rural (ATER) aos apicultores, elaborou os projetos para captação de
crédito e fez o acompanhamento da aplicação do recurso financeiro.
Por meio do programa microcrédito, mais de R$ 123 mil foram liberados a apicultores
de 20 municípios da região da grande Cáceres. O microcrédito é coordenado pela Secretaria
de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (SETECS) e emprestado
pelo Banco do Brasil ao apicultor. Por meio desse programa, os apicultores podem emprestar
até R$ 1 mil, divididos em 12 parcelas, sem juros e com carência de até seis meses para
iniciar o pagamento das prestações (SETECS, 2006). Essa linha de crédido está
disponibilizada ao apicultor desde 2004 e permanece aberta atualmente.
Com recursos oriundos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e
contrapartida das Prefeituras Municipais foram construídas casas do mel em: Conquista
d’Oeste, inalgurada em 2005; Comodoro, inalgurada em 2006 e Porto Esperidião, inalgurada
em 2008. Foi construído um entreposto de mel em Cáceres, que será inalgurado no segundo
42

semestre de 2010 (Figura 4b), aguarda-se a aquisição dos equipamentos. Também foi liberado
recursos para a construção de uma casa do mel Reserva do Cabaçal.
Com recursos oriundos do Ministério da Integração Nacional (MIN) e contrapartida da
Prefeitura Municipal, encontra-se em fase final de construção o entreposto de mel em
Conquista d’Oeste, previsto para ser inalgurado em 2011. Resalta-se a casa do mel de
Conquista d’Oeste tem o selo do Serviço de Inspeção Sanitária Estadual (SISE) e os
entrepostos de mel de Cáceres e de Conquista d’Oeste tem condições estruturais para receber
o Selo de Inspeção Federal (SIF).
O Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (INDEA-MT) realizou
visitas técnicas visando orientar a cooperativa e associação de apicultores quanto às
exigências da vigilância sanitárias para a casa do mel e entreposto. Eventualmente, foram
contratadas consultorias ou realizadas clínicas tecnológicas para atender a demandas
específicas, com atendimento personalizado dos produtores, associações e cooperativa.

a b

Figura 4: a) Usina de processamento de cera alveolada, composta por: derretedor, laminador,


alveolador e fatiador; b) Entreposto de mel em Cáceres MT (2009).
43

3.1.3. Caracterização do sistema de produção apícola regional

3.1.3.1. Perfil sócio-econômico dos apicultores

Foram entrevistados 85 apicultores oriundos de nove municípios participantes do APL


de Apicultura: Conquista D’oeste (24%), Cáceres (19%), Comodoro (19%), Pontes e Lacerda
(15%), Poconé (14%), Vale de São Domingos (4%) Nova Lacerda (2%), Vila Bela da
Santíssima Trindade (2%) e Mirassol D’oeste (1%), sendo 82 do sexo masculino e três do
sexo feminino, com idade variando de 23 a 85 anos (Figura 5).

40

30

20

10

0
20 ou + 30 ou + 40 ou + 50 ou + 60 ou + 70 ou + 80 ou +

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 5: Idade (anos) dos Apicultores (%) em municípios do APL de Apicultura Sudoeste de
Mato Grosso, 2009.

A maioria dos apicultores é natural do Mato Grosso (30%). Foram informados outros
12 estados de origem, principalmente: Mato Grosso do Sul (15%), São Paulo (15%), Minas
Gerais (10%), Paraná (10%), Rio Grande do Sul (4%), Santa Catarina (4%), Bahia (3%),
Espírito Santos (3%) e Paraíba (3%).

Quanto ao grau de alfabetização dos apicultores, cerca de 10% são não alfabetizados
ou tem ensino fundamental incompleto (28%). A maior parte tem do ensino fundamental
completo (20%) ao ensino médio completo (23%). Parte significativa deles tem nível superior
completo (19%).
44

O estado civil da maioria dos apicultores é casado (63%) ou vivem em união estável
(16%). Os solteiros (14%), divorciados (4%) e viúvos (4%) são a minoria. A residência de
mais da metade dos apicultores é na cidade (54%). Os demais residem em imóvel rural (39%),
comunidade rural (5%), povoado (1%) ou aldeia indígena (1%).

Apenas 2% dos apicultores declararam a apicultura como sua principal atividade


profissional. Entre as outras atividades desempenhadas pelos apicultores (Figura 6),
destacando-se a pecuária (43%), função pública (17%) e agricultura (16%). Parte significativa
dos apicultores (25%) declarou que desempenham mais que uma dessas outras atividade.

50
40
30
20
10
0
Agricultura

Função
Pública

Profissional
Aposentado

Pecuaria
Comércio

Org: autor Fonte: PNGEO/CBALiberal


Figura 6: Tipo de atividades profissionais desempenhada por apicultores (%) dos municípios
do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

A cadeia produtiva regional do mel envolve as fases: produção, beneficiamento e


comercialização. A produção consiste na atividade realizada pelos apicultores nas diferentes
regiões apícolas e está diretamente relacionada com o manejo e reprodução das abelhas. O
beneficiamento consiste na extração do mel do favo, onde ele é centrifugado, decantado e
envasado. A extração pode ser realizado de forma individual ou coletiva, em locais adaptados
ou em casas-de-mel inspecionadas ou não. A comercialização consiste na análise de mercado
e definição do tipo de venda, logística de distribuição e preço do produto.
45

3.1.3.2. Nível tecnológico empregado na atividade e profissionalização do apicultor

A maioria dos apicultores efetua manutenção do apiário com freqüência mensal


(26%), bimestral (21%) ou esporádica (24%) do apiário. Manutenção quinzenal (14%),
trimestral (14%) e nunca manejam (1%) foram menos mencionadas.

Os apicultores informaram que adquiriram os enxames coletando na natureza (69%)


ou são oriundos de divisão (29%). Apenas 2% dos apicultores compraram enxames de
terceiros. Todas as caixas utilizadas por 96% dos apicultores são padronizadas, do tipo
Langstroth.

A pintura das caixas é feita com tinta óleo (19%), tinta acrílica (31%), parafina com
óleo mineral (18%) ou outras formas de pintura (cera derretida ou a mistura cera, parafina e
querosene) (1%). Parte das caixas está sem pintura (31%).

As colméias são cobertas por telhas de fibrocimento (55%), telhas de aço zincado
(20%), telhas de cerâmica (2%), telhas de PET (2%) e outros materiais como PVC, telha
alumínio ou madeira (3%) foram citados. Parte das colméias não tem cobertura (18%).

A maioria dos apicultores informou que realizam troca da cera do ninho anualmente
(62%), bianualmente (15%) ou nunca trocam (15%). Dos que trocam a cera do ninho 85%
trocam de três a cinco quadros por ano. Cerca de 10% dos apicultores informaram que trocam
a cera de todos os quadros do ninho.

Informaram ainda que realizam troca de cera das melgueiras anualmente (67%),
bianualmente (15%) ou nunca trocam (11%). Dos que fazem troca da cera das melgueiras,
80% trocam de três a cinco quadros por ano. Cerca de 15% declararam que trocam cera de
todos os quadros da melgueira.

Apenas 19% dos apicultores realizam trocas de rainha, a maioria (81%) não realiza
troca. Quando realizam a substituição das rainhas, os apicultores utilizam rainhas do próprio
apiário (18%) , beneficiadas na propriedade. A maioria deles compra de locais com origem
conhecida (71%).

Quanto ao nível de profissionalização apícola, os apicultores informaram que já


realizaram cursos básicos (72%) e avançados (28%) de apicultura e que já participaram de
congressos, encontros e seminários da área (64%).
46

O tempo de experiência dos apicultores (Figura 7) mostrou que a maioria (64%) tem
menos de cinco anos na atividade apícola. O tempo médio de experiência na atividade é de
sete anos. Os apicultores com mais tempo de experiência na atividade estão nos municípios de
Cáceres e de Pontes e Lacerda, em média de 11 anos e nove anos, respectivamente. Por outro
lado, Conquista D’oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade, foram os municípios onde os
apicultores apresentaram menor tempo de experiência média de três anos na atividade.

70
60
50
40
30
20
10
0
5 ou menos de 6 a 10 de 11 a 15 mais de 15

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 7: Tempo de experiência (anos) na atividade apícola dos apicultores (%) de municípios
do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

3.1.3.3. Oferta de insumos e assistência técnica

Com relação à oferta e origem dos insumos, os apicultores informaram que as


colméias e melgueiras são adquiridas de fabricante local (34%), comprados em casas
comerciais (29%) ou fabricadas na propriedade com madeira da região (28%). Poucos
declararam que compram através da cooperativa (6%) ou que fabricam na propriedade com
madeira de outra região ( 3%).

Os equipamentos apícolas são adquiridos de fornecedores de fora da região (43%), no


comércio local (42%) ou através da cooperativa (15%).

Quanto à assistência técnica (Figura 8), a maioria dos apicultores nunca teve (21%) ou
a consideram insatisfatória (35%). A assistência técnica quando disponível é pública (76%) ou
47

realizada por ONG/Prestadora de Serviços, pagas com recursos públicos (16%). Técnicos de
cooperativa/associação (3%) ou pagos com recursos próprios (5%) são a minoria.

A maioria dos apicultores não citou nenhuma fonte de financiamento para a atividade
apícola (73%). As fontes de financiamento são oriundas do governo estadual (20%), do
governo federal (6%) ou crédito cooperativo (1%).

35
30
25
20
15
10
5
0
Regular e Esporádica e Regular e Esporádica e Nunca teve
Satisfatória satisfatória Insatisfatória insatisfatória

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 8: Opinião dos apicultores (%) sobre a assistência técnica nos municípios do APL de
Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

3.1.3.4. Extração, beneficiamento e comercialização do mel

A extração e beneficiamento do mel são realizados na residência do apicultor (71%)


ou em casas-de-mel com selo de inspeção municipal (13%), selo de inspeção estadual (8%) e
não credenciada (8%).

Aproximadamente 82% dos apicultores usam água, sabão e detergente para a limpeza
dos vasilhames utilizados no beneficiamento do mel. Cerca de 10% utilizam água quente e
7% utilizam apenas água na limpeza. Um por cento declarou que não faz a limpeza, deixa a
cargo das abelhas.

A comercialização do mel é feita de forma direta ao consumidor (61%), no mercado


varejista local (13%) ou de forma coletiva pela associação (14%). A minoria de apicultores
comercializa com atravessadores (5%), entrega na cooperativa (4%) ou para a CONAB (3%).
48

Parte da produção regional abastece o mercado informal de mel e é comercializado em


pequena escala em feiras, diretamente pelo apicultor e também em estabelecimentos
comerciais. A outra parte da produção ajuda a abastecer o mercado formal de mel e é
comercializado em maior escala pele cooperativa de apicultores para a Companhia Nacional
de Abastecimento (CONAB) e para atender ao mercado regional (Cuiabá e Várzea Grande).
CONAB é a empresa oficial do Governo Federal, encarregada de gerir as políticas
agrícolas e de abastecimento, visando atendimento das necessidades básicas da sociedade e
assegurar a regularidade do abastecimento e garantia de renda ao produtor rural. Tem papel
preponderante no incentivo à agricultura familiar ao dar suporte às ações de comercialização
através de instrumentos de política agrícola e de abastecimento específicos. Esses
instrumentos buscam incentivar a agricultura familiar e amparar o produtor quanto a
comercialização com o Contrato de Garantia de Compra e o Contrato de Compra Antecipada,
até a fase específica de comercialização, com a Compra Direta da Agricultura Familiar
(CONAB, 2009).
O mel foi vendido em vasilhames (Figura 9), em sua maioria compostas por
embalagens de pequeno volume, de até 1kg (62%). Esse fracionamento está apropriado para o
tipo de venda realizada, de forma direta ao consumidor. A maioria dos apicultores (52%)
acha justo o preço recebido pelo mel, outros (48%) discordam.
49

50
40
30
20
10
0
Vasilhame Vasilhame de Vasilhame de Vasilhame de Vasilhame
menor que 1kg 2 a 5kg 5 a 10 kg igual ou maior
1kg que 20kg

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 9: Tipos de vasilhames utilizados por apicultores (%) dos municípios do APL de
Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

3.1.3.5. Quantificação e produtividade dos apiários

A modalidade de apicultura praticada pela maioria dos apicultores na região Sudoeste


é do tipo fixa (87%). A apicultura do tipo migratória (13%) é praticada principalmente nos
municípios de Comodoro e Conquista d’Oeste, dentro do próprio município ou
circunvizinhos. Não foram observados serviços de aluguel de colméias para polinização de
culturas.

A criação existente atende aos padrões convencionais, não foram informados


produtores certificados ou em processo de certificação para a apicultura orgânica ou para o
fair trade.

Foram informados 197 apiários, sendo que 54% dos apicultores têm apenas um
apiário. Aproximadamente 38% dos apicultores têm de dois a cinco apiários. Apenas 8% dos
apicultores têm mais que cinco apiários. Os apicultores com maior número de apiários foram
observados nos municípios de Comodoro (10 apiários), Pontes e Lacerda (10 apiários) e
Cáceres (nove apiários).

Foram informadas 2.301 colméias, sendo que a maioria dos apicultores (65%) tem
menos que 25 colméias (Figura 10). Apenas de 5% dos apicultores tem 100 colméias ou mais.
O número médio de colméias foi de 27 colméias por apicultores. Os apicultores com maior
50

número de colméias foram observados nos municípios de Comodoro (277 colméias), Poconé
(200 colméias) e Cáceres (103).

Os apiários da região são compostos de um pequeno número colméias: 56% possuem


menos de 10 caixas por apiário, 31% entre 10 e 20 e 13% possuem mais de 20 colméias
(Figura 10).

Em 2004, existiam 3.464 colméias espalhadas entre os 20 municípios do APL de


Apicultura, das quais 1.963 encontravam-se habitadas (56,6%), sendo que destas nem todas se
encontravam em condições de produção. O número médio de colméias por apicultor foi de
menos de 10 colméias (50%), sendo que apenas 8,8% possuem mais de 50 colméias (SOUZA,
2004).

Comparando com a situação atual, observa-se que houve crescimento da atividade na


região, demonstrado pelo aumento no número de colméias habitadas e do número de colméias
por apicultores.

30
25
20
15
10
5
0
menos de 5 de 5 a < 10 de 10 a < 25 de 25 a < 50 de 50 a < 100 100 ou +

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 10: Número de colméias por apicultores (%) em municípios do APL de Apicultura
Sudoeste de Mato Grosso, 2009.

A produção de mel (kg) informada para a safra de 2008 foi de 30.488kg. Na safra de
2009 foi de 24.624k. A produção de outros produtos apícolas como: pólen, própolis e cera
(Figura 11), mostraram-se pouco expressivos. Os apicultores que se dedicam a esses produtos
são encontrados principalmente nos municípios de Cáceres e Conquista D’Oeste. Não foram
informadas produção de geléia real e apitoxina na região.
51

300
250
200
2008
150
2009
100
50
0
Pólen Própolis Cera

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 11: Produção de outros produtos apícolas (kg) nas safras 2008 e 2009, em municípios
do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.

A produtividade média de mel dos apiários em 2008 foi de 17,4 Kg/colméia/ano,


enquanto em 2009 foi de 11,8 Kg/colméia/ano. A maior parte dos apicultores (59% e 79%,
respectivamente) apresentou média de produtividade inferior a 20 Kg/colméia/ano.

Em 2008 o número de apicultores que apresentaram produtividade menor que cinco


kg/colméia/ano (8%) foi menor que 2009 (24%). Além disso, mais apicultores (18%)
obtiveram produtividade maior que 30 kg/colméia/ano que em 2009 (7%). Os apicultores que
apresentaram as maiores produtividade foram observados nos municípios de Cáceres,
Conquista D’Oeste e Comodoro.

Os dados para a produção de mel e produtividade das colméias indicaram maior


eficiência no ano de 2008 que em 2009. Isso pode ser reflexo de maior investimento
tecnológico na produção no primeiro que no segundo ano, em função da queda de preços do
mel no mercado mundial.
52

40
35
30
25 2008
20
15 2009
10
5
0
menos de 5 de 5 a < 10 de 10 a < 20 de 20 a < 30 mais de 30

Org: autor Fonte: PNGEO/CBA

Figura 12: Produtividade dos apiários (Kg/colméia/ano) das safras 2008 e 2009 obtidas por
apicultores (%) de municípios do APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.
53

3.1.3.6. Características dos apiários e da flora apícola

A posse das áreas onde estão instalados os apiários na sua maioria é na forma de
cessão de uso (50%) e proprietário (37%). Também estão instalados em propriedade de
familiares (5%), Arrendatário ou Meeiro (5%), reserva indígena (1%), propriedade coletiva
(1%) e posseiro (1%).

A vegetação nativa é a principal forma de sombreamento dos apiários. Os apiários


estão instalados em local de sombra rala das árvores (60%) e sombra forte das árvores (31%).
A minoria está sob sombra de arbustos (7%) ou sem sombra (2%).

As principais fontes de água para os apiários da região são os rios, represas e lagos
(83%), reservatório abastecido pelo apicultor (7%), água encanada permanentemente (3%) e
barreiro temporário (2%). Com relação à qualidade da água, a maioria dos apicultores
considera sempre boa (94%) ou boa em alguns períodos (6%). Quanto à disponibilidade ao
longo do ano os apicultores consideraram seguro (93%), medianamente seguro (6%) ou pouco
seguro (1%).

Essas informações confirmam aquelas levantadas por ocasião do diagnóstico da


apicultura (SOUZA, 2004), mostrando que os rios e córregos são as fontes de água para os
apiários (79%) e que estes estão localizados a distâncias de até 100m (56%), entre 100 a 200m
(28%) e mais de 200m (16%) da fonte de água, sendo consideradas água de boa qualidade.

Quando questionados sobre as principais espécies utilizadas pelas abelhas para a


produção de mel e polén (Tabela IV), os apicultores demonstraram grande conhecimento da
flora local e informaram 112 vernáculos, dos quais 79% foram identificados com os seus
nomes científicos e 21% ainda carecem de identificação. Os 88 taxa identificados estão
distribuídos em 81 gêneros e 36 famílias de plantas, sendo que: arecaceae (10), myrtaceae (7),
fabaceae-caesalpinoideae (6), fabaceae-mimosoideae (6), asteraceae (5), anacardiaceae (4),
euphorbiaceae (4) e fabaceae-papilionideae (4) foram as famílias com maior diversidade de
espécies.

As espécies citadas que apresentaram maior indice de Importância Apícola (IA)


foram: cipo uva (Paullinia spp e Serjania spp), lixeira (Curatella americana L.), hortelã
(Hyptis spp), angico (Anadenanthera spp), assa peixe (Vernonia spp) e babaçu (Orbignya
phalerata Mart.).
54

Aproximadamente 29% das espécies citadas foram consideradas importantes para a


produção de mel e pólen, enquanto 71% foram consideradas importantes especificamente para
a produção de mel ou de polen.

As espécies citadas para a produção de mel (78%) consideradas mais importantes


foram: cipó-uva (Paullinia spp e Serjania spp), assa-peixe (Vernonia spp), lixeira (Curatella
americana L.), angico (Anadenanthera spp) e faveiro (Pterodon emarginatus Vog.).

As espécies citadas para a produção de pólen (53%) consideradas mais importantes


foram: bacurí (Attalea phalerata (Mart) Bur.), braquiária (Brachiaria sp), burití (Mauritia
flexuosa L.), babaçú (Orbignya phalerata Mart.) e bocaiúva (Acrocomia aculeata (Jacq.)
Lodd.).

A maioria das espécies citadas (84%) são nativas dos ecossistemas regional e 16% são
exóticas, entre elas, plantas cultivadas: anuais (soja, feijão e girassol), frutíferas (acerola,
coco, goiaba, jambo, tamarino, pitanga), florestais (eucalípto, teca, seringueira e Acacia
mangium Willd.), ornamentais (amor agarradinho) e pastagem (braquiária).

As espécies de porte arbóreo (55%) predominaram sobre aquelas de porte herbáceo


(18%), arbustivo (13%), estipe (11%) e liana (3%).

No presente estudo foram mencionadas como plantas tóxicas apenas duas espécies:
barbatimão (Stryphnodendron obovatum Benth., Fabaceae-Mimosoideae) e pau de balsa
(Ochroma pyramidale (Cav.) Urb., Bombacaceae). De acordo com Modro et al. (2006a), as
plantas tóxicas foram citadas por 65% dos apicultores de Cáceres (MT) como agentes nocivos
para apicultura, tendo apontado as seguntes espécies: néctar de espatódea (Spathodea
campanulata Beauv.), polens de barbatimão (Stryphnodendron adstringens) e do falso-
barbatimão (Dimorphandra mollis Benth.).
55

Tabela IV: Espécies melíferas e poliníferas citadas por apicultores dos municípios do APL de
Apicultura, Sudoeste de Mato Grosso, 2009. M-mel, P-pólen, F-frequência, A-abundância,
Fr-frequência relativa, Ar-abundância relativa, IA- importância apícola.

Vernáculo Família botânica Nome específico MP F A Fr % Ar % IA %

Cipó uva Sapindaceae Paullinia spp e Serjania spp 1 1 8 68 88.89 12.71 101.60
Lixeira Dilleniaceae Curatella americana L. 1 1 8 30 88.89 7.23 96.12
Hortelã Lamiaceae Hyptis spp 1 1 5 22 77.78 8.34 86.11
Angico Fab Mimosoideae Anadenanthera spp 1 1 7 26 77.78 6.28 84.06
Assa peixe Asteraceae Vernonia spp 1 1 6 72 66.67 14.52 81.19
Babaçú Arecaceae Orbignya phalerata Mart. 1 1 6 17 66.67 5.70 72.37
Faveiro Fabaceae Pterodon emarginatus Vog. 1 1 5 33 55.56 6.71 62.27
Papilionideae
Ingá Fabaceae Inga spp 1 1 5 27 55.56 6.04 61.59
Mimosoideae
Bacurí Arecaceae Attalea phalerata (Mart) Bur. 0 1 4 42 44.44 16.73 61.18
Braquiária Poaceae Brachiaria SP 1 1 5 13 55.56 4.96 60.52
Bocaiúva Arecaceae Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. 1 1 5 12 55.55 4.14 60.25
Arnica Asteraceae NI 1 1 5 18 55.56 4.38 59.94
Ajusta conta Fabaceae Sclerolobium aureum (Tul.) Bth 1 1 4 24 44.44 7.42 51.86
Caesalpinoideae
Burití Arecaceae Mauritia flexuosa L. 1 1 4 17 44.44 6.56 51.00
Canudo de Pito Euphorbiaceae Mabea fistulifera Mart. 1 1 4 24 44.44 4.63 49.07
Araçá Myrtaceae Psidium SP 1 1 4 8 44.44 2.11 46.56
Cajazeiro Anacardiaceae Spondias lutea L. 1 1 4 8 44.44 2.11 46.56
Girassol Asteraceae Helianthus annus L. 1 1 4 7 44.44 1.93 46.37
Pequi Caryocaraceae Caryocar brasiliensis Camb. 1 1 4 8 44.44 1.90 46.34
Ipê Bignomiaceae Tabebuia SP 1 0 4 5 44.44 0.92 45.36
Sangria d'agua Euphorbiaceae Croton urucurana Baill 1 1 3 13 33.33 4.32 37.65
Cambará Vochysiaceae Vochysia spp 1 0 3 10 33.33 1.84 35.17
Aroeira Anacardiaceae Myracrodruon urundeuva (Engl.) 1 0 3 9 33.33 1.65 34.99
Fr. All.
Guanadí Clusiaceae Calophyllum brasiliensis Cambess. 1 1 3 6 33.33 1.53 34.87
Manga Anacardiaceae Mangifera indica L. 1 1 3 7 33.33 1.50 34.83
Louro branco Boraginaceae Cordia glabata (Mart.) A. DC. 1 0 3 8 33.33 1.47 34.80
56

Continuação Tabela IV...

Vernáculo Família botânica Nome específico MP F A Fr % Ar % IA %

Pinho cuiabano Fabaceae Schizolobium amazonicum (Huber) 1 1 3 4 33.33 1.38 34.71


Caesalpinoideae Ducke
Tarumã Verbenaceae Vitex cymosa Bert. 1 1 3 4 33.33 1.16 34.50
Canjiqueira Malpighiaceae Byrsonima sp 1 1 3 3 33.33 0.98 34.31
Laranjeira Rutaceae Citrus sp 1 1 3 3 33.33 0.77 34.10
Orvalheiro Myrtaceae Eugenia sp 1 1 3 3 33.33 0.77 34.10
Guanxuma Malvaceae Sida sp 1 1 3 3 33.33 0.77 34.10
Tripa de Fabaceae Bauhinia glabra Jacq. 1 0 3 4 33.33 0.74 34.07
galinha Caesalpinoideae
Aricá Lythraceae Physocalymma scaberrimum Pohl. 1 0 3 4 33.33 0.74 34.07
Astrapéia Malvaceae Dombeya wallichi Benchi. & 1 1 3 2 33.33 0.58 33.92
Hook.
Milho Poaceae Zea mays L. 0 1 2 6 22.22 2.39 24.61
Novateiro Polygonaceae Triplaris americana L. 1 1 2 9 22.22 2.30 24.52
Soja Fab Papilionideae Glycine max (L.) Merr. 1 0 2 12 22.22 2.21 24.43
Gueróba Arecaceae Syagrus oleraceae (Mart.) Becc. 0 1 2 5 22.22 1.99 24.21
Jatobá Fabaceae Hymenea sp 1 1 2 6 22.22 1.75 23.97
Caesalpinoideae
Cedro Meliaceae Cedrela fissilis Vell. 1 1 2 5 22.22 1.56 23.79
Coqueiro Arecaceae Cocus nucifera L 1 1 2 5 22.22 1.56 23.79
Cumbarú Fabaceae Dipterys alata Vog 1 1 2 7 22.22 1.50 23.72
Papilionideae
Brauna NI NI 0 1 2 3 22.22 1.20 23.42
Marolo NI NI 0 1 2 3 22.22 1.20 23.42
Sete perna Arecaceae Socratea exorrhiza (Mart.) Wendl. 0 1 2 3 22.22 1.20 23.42
Mentrasto Asteraceae Ageratum sp 1 0 2 6 22.22 1.10 23.33
Arranha gato Fabaceae Acacia paniculata Willd. 1 1 2 4 22.22 0.95 23.17
Mimosoideae
Margaridinha Asteraceae NI 1 0 2 5 22.22 0.92 23.14
Resteva NI variadas espécies espontâneas 1 0 2 5 22.22 0.92 23.14
Palmeiras Arecaceae NI 0 1 2 2 22.22 0.80 23.02
Mamica de Rutaceae Fagara hassleriana Chod. 1 0 2 4 22.22 0.74 22.96
porca
Invasoras NI variadas espécies espontâneas 1 0 2 4 22.22 0.74 22.96
Peróba Apocynaceae Aspidosperma sp 1 1 2 2 22.22 0.58 22.80
57

Continuação Tabela IV...

Vernáculo Família botânica Nome específico MP F A Fr % Ar % IA %

Mangaba Apocynaceae Hancornia speciosa Gomes 1 0 2 3 22.22 0.55 22.77


Marmeleiro Rubiaceae Alibertia sp 1 0 2 2 22.22 0.37 22.59
Cafezinho Rubiaceae Rhamnidium elaeocarpum Reiss. 1 0 2 2 22.22 0.37 22.59
Norte Sul Arecaceae Oenocarpus distichus Mart. 0 1 1 7 11.11 2.79 13.90
Carne de vaca Combretaceae Combretum leprosum Mart. 1 0 1 14 11.11 2.57 13.68
Tamboriu Fabaceae Enterolobium contortisiliquum 1 0 1 8 11.11 1.47 12.58
Mimosoideae (Vell.) Morong
Saboneteira Sapindaceae Sapindus saponaria L. 0 1 1 3 11.11 1.20 12.31
Jequitibá Lecythidaceae Cariniana legalis (Mart.) Kuntze 1 0 1 6 11.11 1.10 12.21
Erva de touro NI NI 1 0 1 6 11.11 1.10 12.21
Pimenteira Annonaceae Xylopia aromatica (Lam.) Mart. 1 0 1 6 11.11 1.10 12.21
Pata de vaca Fabaceae Bauhinia spp 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Caesalpinoideae
Jenipapo Rubiaceae Genipa americana L. 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Pateira NI NI 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Pau ferro NI NI 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Sumauma NI NI 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Vassourinha NI NI 0 1 1 2 11.11 0.80 11.91
Acerola Malpighiaceae Malpighia glabra L. 1 0 1 4 11.11 0.74 11.85
Jabuticaba Myrtaceae Myciaria cauliflora (Mart.) Berg. 1 0 1 4 11.11 0.74 11.85
Canela de Ema Velloziaceae Vellozia squamata Pohl 1 0 1 4 11.11 0.74 11.85
Chico magro Sterculiaceae Guazuma ulmifolia Lam. 1 0 1 3 11.11 0.55 11.66
Seringa Euphorbiaceae Hevea brasiliensis (Willd. ex e 1 0 1 3 11.11 0.55 11.66
Juss.) Muell.
Vassourinha NI NI 1 0 1 3 11.11 0.55 11.66
Pupunha Arecaceae Bactris gasipaes Kunth. 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Pau santo Clusiaceae Kielmeyera coriacea Mart. ex 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Saddi.
Dorme dorme Fabaceae Mimosa spp 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Mimosoideae
Espeteiro NI NI 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Mamoninha Euphorbiaceae NI 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Merindiba NI NI 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Pau de óleo NI NI 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Sardinheira NI NI 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
58

Conclusão Tabela IV.


Vernáculo Família botânica Nome específico MP F A Fr % Ar % IA %

Lobeira Solanaceae Solanum lycocarpum St. Hil. 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51


Teca Verbenaceae Tectona grandis L. 0 1 1 1 11.11 0.40 11.51
Gonçaleiro Anacardiaceae Astronium fraxinifolium Schot. 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Embauba Cecropiaceae Cecropia pachystachya Trec. 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Olho de boi Ebenaceae Diospyrus hispida DC. 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Aguapé Pontederiaceae Eichhornia sp 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Esporão NI NI 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Mutamba NI NI 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Sumauma NI NI 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Gervão Verbenaceae Stachytarpheta elatior Shrad. 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Quaresmeira Melastomataceae Tibouchina candolleana (DC.) 1 0 1 2 11.11 0.37 11.48
Cogn.
Acacia Fabaceae Acacia mangium Willd. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Mimosoideae
Amor Polygonaceae Antigonon leptopus 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
agarradinho
Guatambu Apocynaceae Aspidosperma sp 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Carvão Branco Vochysiaceae Callistene fasciculata (Spr.) Mart. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Eucalípito Myrtaceae Eucaliptus spp 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Pitangueira Myrtaceae Eugenia uniflora L. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Cabreúva NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Carca onça NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Guamirim NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Meladinha NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Merindiba NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Murici NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Muringa NI NI 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Feijão Fabaceae Phaseolus vulgaris L. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Papilionideae
Goiaba Myrtaceae Psidium guajava L. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Jambo Myrtaceae Syzygium jambos (L.) Alton. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Tamarino Fabaceae Tamarindus indica L. 1 0 1 1 11.11 0.18 11.29
Caesalpinoideae
Org.: Autor                  
 
59

3.1.4. Associativismo e cooperativismo no setor apícola regional

Quando questionados sobre o nível de organização de representação apícola em que


atuam diretamente, cerca de 40% dos apicultores responderam que não participam de
nenhuma entidade representativa da categoria. Daqueles que participam de alguma entidade, a
maior parte está ligado a uma associação (70%), cooperativa (11%) ou federação (11%). Uma
pequena parte esta ligada a confederação (5%), grupo Informal (3%) e condomínio (2%). Em
torno de 29% dos apicultores participam em mais do que uma entidade.
O diagnóstico do setor apícola (SOUZA, 2004) mostrou que apenas 38% dos
entrevistados estavam filiados a uma das associações existentes (APIALPA, ACA e APA),
indicando que a apicultura na região era uma atividade ainda pouco organizada, quando
comparada com outras regiões do Brasil.

Dessa forma, os dados obtidos mostraram que houve aumento no nível de


associativismo do setor apícola regional. Outras entidades representativas do apicultor foram
mencionadas pelos apicultores no presente estudo:

Associações: Associação de Apicultura do Alto Pantanal (APIALPA), Associação


Comodorense de Apicultores (ACA), Associação dos Apicultores de Conquista d’Oeste
(APICON) e Associação de Apicultura e Produtores de Mel Orgânico do Pantanal
(APIOPAN).

Cooperativa: Cooperativa de Apicultores de Mato Grosso (COAPISMAT), atualmente


é a única que possui uma casa-de-mel, com selo do Serviço de Inspeção Sanitária Estadual
(SISE) e uma marca de mel (Mel do Mato Grosso) comercializada no mercado regional,
através de uma rede de supermercados.
Federação: Federação das Entidades Apícolas de Mato Grosso (FEAPISMAT)
representante do coletivo das associações e cooperativa, que tem importante papel na
articulação de macro-políticas e diálogo com as entidades nacional e internacional do setor
apícola. Com a criação dessa entidade foi cumprido parte dos requisitos exigidos para que o
Estado de Mato Grosso pudesse sediar em 2010 o XVIII Congresso Brasileiro de Apicultura,
que será realizado em Cuiabá, MT.
Confederação: Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) é o órgão maior do setor
apícola no país, visa promover o associativismo em todos os estados brasileiro, o melhor
aproveitamento das plantas melíferas, através de uma apicultura racional, planejada e maior
produção de mel.
60

A organização e mobilização do setor apícola proporcionadas pela constituição do


APL de Apicultura ajudou a constituir e regularizar jurídico e administrativamente entidades
associativas e representativas dos apicultores e ampliar o número de filiados na região.

O associativismo é uma importante ferramenta no desenvolvimento da apicultura e


devendo ser estimulado no Sudoeste do Mato Grosso como forma de baixar custos, criar
oportunidade de melhorar os negócios para os apicultores e dar sustentabilidade a atividade
apícola na região.

O apicultor vinculado a uma associação ou cooperativa pode realizar as compras


conjuntas de insumos, estabelecer estratégias de mercado e logística mais eficientes, além de
dividir os custos da implantação e gerenciamento da unidade de processamento, que
representa o maior investimento no empreendimento apícola (SOUZA, 2004).

A entidades associativas dedicadas à apicultura, atuantes na região de abrangência do


APL de Apicultura Sudoeste de Mato Grosso, foram reunidas na Tabela V, listadas a partir do
ano de criação da entidade.
61

Tabela V: Entidades associativas dedicadas à apicultura atuantes na região de abrangência do


APL Apicultura Sudoeste de Mato Grosso.
Ano de
Nome da entidade Sigla Sede
criação
Confederação Brasileira de Apicultura CBA Porto Alegre 1968
Associação Comodorense de ACA Comodoro 2001
Apicultores
Associação de Apicultura do Alto APIALPA Cáceres 2002
Pantanal
Associação Portense de Apicultura APA Porto Esperidião 2004

Associação dos Apicultores de APICON Conquista d’Oeste 2003


Conquista d’Oeste
Associação dos Apicultores do APICERC Reserva do 2005
Cerrado de Reserva do Cabaçal Cabaçal

Cooperativa de Apicultores de Mato COAPISMAT Conquista d’Oeste 2006


Grosso
Federação das Entidades Apícolas de FEAPISMAT Conquista d’Oeste 2006
Mato Grosso
Associação de Apicultura e Produtores APIAPAN Poconé 2007
de Mel Orgânico do Pantanal
Org.: Autor
62

3.1.5. Conclusões do Capítulo 1

O aumento da produção nacional de mel na última década foi devido ao incremento da


produção oriunda na região Nordeste brasileira. As regiões Centro Oeste e Norte são a nova
fronteira para o crescimento da apicultura nacional. O Mato Grosso, particularmente a região
de abrangência do APL de Apicultura, são regiões apícolas com produção pouco expressiva
no cenário nacional, mas, que possuem grande potencial florístico e ecológico.
Entre os municípios participantes do APL de Apicultura, Cáceres é historicamente o
maior produtor de mel, entretato, ao longo da última década, os municípios de Comodoro,
Poconé, Reserva do Cabaçal e Conquista do Oeste apresentaram significativo aumento na sua
produção de mel.
O aumento na produção de mel nos municípios participantes do APL de Apicultura,
acompanha a tendência de crescimento da atividade no país, resultado da melhoria dos preços
do mel no mercado internacional e do início das exportações do mel brasileiro em 2001.
Atualmente, o baixo preço do mel no mercado mundial e interno tem desestimulando a
produção, apesar da maior organização do setor na região.
A aglomeração de agências de serviços públicos, instituições de ensino e pesquisa,
apicultores e entidades associativas presentes na região, foram fatores decisivos na
implantação do APL de Apicultura.
As metas preconizadas no acordo de resultados do APL de Apicultura, de estimular a
produção de mel na região e de promover diversas atividades de apoio aos apicultores, foram
atendidas. Entre elas: a oferta de cursos de treinamento e aperfeiçoamento para apicultores e
técnicos, visando à melhoria no nível tecnológico da apicultura regional.
A apicultura não é a principal atividade profissional dos apicultores da região Sudoeste
de Mato Grosso. A maioria dos apicultores tem um único apiário, compostos por um pequeno
número de colméias. Além disso, com pouco tempo de experiência na atividade, baixo grau
de instrução, insatisfeitos com a assistência técnica, não utilizam fonte de financiamento
externa e pouca oferta local de insumos, gerando assim um baixo nível tecnológico
empregado na atividade e pouco grau de profissionalização do apicultor.
A maioria dos apicultores entrevistados realizam a extração e o beneficiamento do mel
na própria residência e efetuam a comercialização do mel de forma direta ao consumidor final
no mercado varejista local. A utilização do mel no cardápio da merenda escolar ajudou a
absorver parte da produção regional. Campanhas visando estimular o consumo de mel devem
ser realizadas, no intuito de ampliar o mercado consumidor.
63

A produção regional de mel e a produtividade das colméias informada pelos


apicultores indicaram queda em eficiência devido ao menor investimento tecnológico na
produção, provavelmente em função da queda de preços do mel no mercado mundial.
Os apicultores demonstraram grande conhecimento das espécies vegetais utilizadas
pelas abelhas, citando diversas espécies da flora local e introduzidas, entre elas plantas
cultivadas e espontâneas.
A constituição do APL Apicultura ajudou a organizar e estruturar o setor apícola,
demonstrado pelo aumento no número de entidades associativas na região Sudoeste e no Mato
Grosso como um todo, pelo seu exemplo e pioneirismo.
64

III - RESULTADOS E DISCUSSÃO

Capítulo 2:

Usos da Terra, Riqueza de Plantas e Produção de


Mel em Apiários no Sudoeste de Mato Grosso
65

3.2. Usos da Terra, Riqueza de Plantas e Produção de Mel em Apiários no Sudoeste de Mato
Grosso

3.2.1. Uso e cobertura da terra no entorno dos apiários

Os usos da terra no entorno dos apiários foram separados em quatro classes de uso da
terra: vegetação natural, antrópicas agrícolas, antrópicas não agrícola e água. Essas classes de
uso foram subdivididas em 13 tipos de cobertura da terra (Tabela VI).

3.2.1.1. Vegetação Natural

Compreende as áreas cobertas por vegetação natural e ou semi-natural, em diversos


estados de conservação (IBGE, 1999). Foram identificados oito tipos de cobertura vegetal,
totalizando 10.707,46 ha: as áreas de Savanas (6.566,12 ha) e Tensão Ecológica (3.129,12 ha)
predominaram. Em menor ocorrência observou-se Floresta Estacional Semidecidual (791,68
ha) e Formações ripárias (220,54 ha).

3.2.1.1.1. Savanas (Cerrado)

Foram identificados quatro tipos de Savana, presentes nos seis apiários avaliados:
Savana Parque Associada às Áreas Pantaneiras (2.621,04 ha), Savana Arborizada (2.107,86
há,), Savana Florestada (1.523,09 ha) e Savana Gramíneo-Lenhosa (314,13 ha).
No apiário Girau, em Cáceres, as áreas de Savana Florestada (603,64 ha) foram
identificadas nos fragmentos mantidos no interior das pastagens e encostas de morros. A
Savana aparece na Província Serrana representado pelas diversas associações de formações,
como: Savana Florestada (Cerradão), Savana Arborizada (Campo Cerrado), Savana
Gramíneo-lenhosa e Savana Parque (POTT et al., 1997). As diferenças da estrutura da
vegetação dependem principalmente do tipo de solo, da profundidade do lençol freático e da
composição da rocha matriz (AMARAL & FONZAR, 1982).
No apiário Massame, em reserva do Cabaçal, a formação Savana Arborizada (1.363,96
ha) foi predominante, em menor proporção observou-se Savana Florestada (165,4 ha). As
Savanas do Planalto dos Parecis apresentam fitofisionomia tipo campo sujo e campo cerrado,
com florestas de galeria associadas às drenagens, nas quais dominam espécies da flora
amazônica (SÁNCHEZ, 1992).
66

Tabela VI: Área (ha) das Classes de Usos e Tipos de Cobertura da Terra em seis apiários no
Sudoeste de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006. Fsa+Sf - Floresta
Estacional Semidecidual Aluvional + Savana Florestada; Fs - Floresta Estacional
Semidecidual; Fs+Sf - Floresta Estacional Semidecidual + Savana Florestada; Fr – Formação
Ripária, Sa - Savana Arborizada; Sf - Savana Florestada; Sg - Savana Gramíneo-lenhosa; Sp -
Savana Parque Associada às áreas Pantaneiras.
Área ocupada em cada apiário (ha)
Classes de
Tipos de Cobertura Campus
Uso da N. S. Baía de
da Terra Girau da Sararé Massame
Terra Aparecida Pedras
Unemat

Fsa+Sf 1066,79 0 0 0 0 0

Fs 0 0 0 791,68 0 0

Fs+ Sf 0 0 0 0 2062,33 0

Vegetação Fr 9,33 0 0 108,01 0 103,2

Natural Sa 0 0 0 0 743,9 1363,96


Sf 0 603,34 342,68 411,67 0 165,4
Sg 0 0 314,13 0 0 0

Sp 692,16 0 1928,88 0 0 0

sub total I 1768,28 603,34 2585,69 1311,36 2806,23 1632,56


Antrópicas
Pastagem 924,85 2081,6 0 1391,66 0 1194,87
Agrícolas
sub total II 924,85 2081,6 0 1391,66 0 1194,87
Antrópicas Sub-urbanizada 0 107,16 0 16,4 21,2 0
Não
Mineração 0 33,36 0 90,48 0 0
Agrícolas
sub total III 0 140,52 0 106,88 21,2 0
Lagoa 134,3 0 241,74 0 0 0
Água
Represa 0 1,97 0 17,53 0 0
sub total IV 134,3 1,97 241,74 17,53 0 0
Total (I+II+III+IV) 2827,43 2827,43 2827,43 2827,43 2827,43 2827,43
Org.: Autor Fonte: CETApis
67

No apiário Baía de Pedras, em Cáceres, a formação vegetal predominante foi Savana


Parque Associada às Áreas Pantaneiras (1.928,88 ha), com mosaicos de Savana Florestada
(342,68 ha) e Savana Gramíneo-Lenhosa (314,13 ha). O Plano de Conservação da Bacia do
Alto Paraguai (PCBAP, 1997) realizou um dos estudos mais relevantes da composição
florística e fitossociológica da cobertura vegetal do Estado de Mato Grosso e abordou
principalmente a vegetação do Pantanal.

3.2.1.1.2. Tensão Ecológica

Áreas de tensão ecológica são encontradas nas zonas de transição climática, formada
pelo contato entre domínios florísticos que se misturam. Essas áreas são mais facilmente
identificadas quando os domínios têm diferentes fitofisionomia, porém quando são
semelhantes, dificultam a sua delimitação. Como acontece na região Sudoeste de Mato
Grosso (Folha SD 21 Cuiabá) (AMARAL & FONZAR, 1982).
No apiário N. S. Aparecida, em Cáceres, foi identificado Floresta Estacional
Semidecidual Aluvial associada à Savana Florestada (1.066,79 ha), juntamente com Savana
Parque (692,16 ha). Esse apiário se encontra próximo ao Rio Paraguai e partes da área estão
sujeita ao alagamento no período das cheias. Dessa forma, o ambiente foi caracterizado como
de tensão ecológica entre o Cerrado e Pantanal.
Nos apiários Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda e Sararé, em Conquista
d’Oeste, foi identificado Floresta Estacional Semidecidual associadas à Savana Florestada
(2.062,33 ha), juntamente com as Savana Arborizada. Esses apiários estão localizados em
áreas em ambientes caracterizado como uma área de tensão ecológica entre Cerrado e Floresta
Amazônica.

3.2.1.1.3. Floresta Semidecidual

Caracteriza-se por apresentar fisionomia influenciada pela sazonalidade climática,


apresentando-se com deciduidade foliar variando entre 20% e 50% na época mais seca do ano
(ALMEIDA et al., 2000). Foram observados dois subtipos fisionômicos com dossel alto e
denso.
O primeiro tipo ocorreu como formação Submontana (791,68 ha), dossel emergente,
no entorno do apiário Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda e apiário Sararé, em
Conquista d’Oeste. O segundo tipo ocorreu como formação Aluvial, no entorno do apiário N.
68

S. Aparecida, em Cáceres. A Floresta Estacional Semidecidual Aluvial aparece nas planícies


aluvionais dos rios Paraguai e Seputuba, tributários da bacia Platina. Caracterizam-se como
uma formação florestal ribeirinha que ocupa as acumulações fluviais quaternárias, com
estrutura semelhante à floresta ciliar, mas floristicamente diferente (POTT et al., 1997).

3.2.1.1.4. Formações Ripárias

A ocorrência de floresta de galeria, característica de áreas de Cerrado está vinculada


ao sistema de drenagem. Seu estrato arbóreo é composto por árvores perenifólias e em áreas
mais secas, misturadas com árvores caducifólias (LOUREIRO et al., 1982).
No apiário Massame, em Reserva do Cabaçal, o relevo movimentado associado à
susceptibilidade e manejo dos solos, ocasionou problemas de degradação ambiental, como
voçorocas e assoreamento do leito de córregos e rios e alterações nas suas margens.
As principais formas de expressão da erosão hídrica nas áreas agrícolas são a laminar,
em sulcos e em voçorocas (BERTONI & LOMBARDI NETO, 1990). Quando a enxurrada
concentrada atinge grande volume e velocidade e em situações específicas de terreno, quanto
à pedologia e litologia, promovem o deslocamento de grandes massas de solo e a formação de
cavidades de grande extensão e profundidade denominadas voçorocas (GALDINO et al.,
2006).

3.2.1.2. Antrópicas Agrícolas

As áreas dessa classe são aquelas destinadas a diversos tipos de culturas agrícolas,
pecuária e áreas com exposição do solo decorrente de tais práticas (IBGE, 1999). Pastagem
foi o único tipo de interferência antrópica agrícola identificado, totalizando 5.592,98 ha.

3.2.1.2.1. Pastagem

As respectivas áreas de pastagens cultivadas dos apiários Girau (2.081,6 ha), Campus
da Unemat (1.391,66 ha), Massame (1.194,87) e N. S. Aparecida (924,85 ha), apresentaram
em maior ou menor grau, sinais de degradação como: erosão, infestação de cupins, sobre
pastoreio, queimadas e avançados estádios de sucessão ecológica de plantas espontâneas. As
espécies preferencialmente utilizadas nas pastagens cultivadas pertencem ao gênero
69

Brachiaria, com destaque para B. brizantha (Hochst ex A.Rich) Stapf, B. decumbens Stapf e
B. humidicola (Rendl.) Schweick.
Nos apiários Sararé, em Conquista d’Oeste e Baía de Pedras, em Cáceres, não foram
observadas áreas de pastagens cultivadas. Em princípio, não existe risco eminente de
contaminação com resíduos de agrotóxico agrícolas no mel, uma vez que não foram
identificadas áreas de agricultura no entorno dos apiários.

3.2.1.3. Antrópicas Não Agrícolas

Referem-se às áreas ocupadas por aglomeração urbana ou sub-urbana, infra-estrutura,


loteamentos, malha viária ou outros usos de fins não agrícolas (IBGE, 1999). As áreas de
interferências Antrópicas Não Agrícolas foram pouco representativas, totalizando 268,60 ha.
Foram identificados dois tipos ação antrópica não agrícola, caracterizadas como Mineração
(123,84 ha) e Sub-urbanizada (144,76 ha).

3.2.1.3.1. Mineração

As áreas de mineração referem-se às áreas de garimpo abandonadas (90,48 ha)


observadas no apiário Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda. Na década de 80 descobriu-
se ouro entre as bacias dos rios Guaporé e Jaurú e o município se tornou um pólo garimpeiro.
Segundo o Departamento Nacional Produção Mineral, entre 1990 e 1994, a região produziu
cinco toneladas de ouro (GERALDES, 1996). No entorno do apiário Girau, em Cáceres,
foram observadas áreas destinadas para extração de cascalho e Areia (33,36 ha), utilizadas na
construção civil.

3.2.1.3.2.Sub-urbanizada

As áreas sub-urbanizada referem-se às áreas utilizadas pela população para edificações


e infra-estrutura, como observado na Tabela VI, no entorno dos apiários Girau (107,16 ha),
Sararé (21,20 ha) e Campus da Unemat (16,40 ha), revelando a proximidade desses apiários
com os núcleos urbanos.
70

3.2.1.4. Água

Essa classe engloba as áreas ocupadas por corpos d'água (IBGE, 1999) e totalizaram
395,54 ha, agrupada em dois tipos, lagoa e represa, identificadas em quatro apiários.
A presença de água limpa e disponível o ano todo é essencial para o bom desempenho
das colônias. As abelhas precisam de água para seu metabolismo e para regular a temperatura
dentro da colméia, especialmente em regiões de clima quente. Quando a temperatura do ninho
sobe, geralmente quando ultrapassa 36°C, as operárias começam a ventilá-lo, abanando as
asas e evaporando a água que é distribuída em pequenas gotas sobre os alvéolos ou mesmo
pela exposição da água em suas línguas (WINSTON, 2003).

3.2.1.4.1. Lagoa

Os apiários N. S. Aparecida e Baía de Pedras, ambos em Cáceres, apresentaram


abundante presença as baías marginais e lagoas temporárias e permanentes, somando 376,04
ha, evidenciando a influência do ciclo hidrológico, principalmente nas áreas de planícies da
região.

3.2.1.4.2. Represa

Nos apiários Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda e Girau, em Cáceres, foram


observadas represas (19,50 ha) construídas nas áreas mais baixas ou linhas de drenagem
natural do terreno, com o objetivo de garantir uma fonte permanente de água para o rebanho
bovino.

3.2.1.5. Mapas Temáticos

O uso da terra e cobertura vegetal do entorno dos apiário foram representados em


mapas temáticos (Figuras 13, 14, 15 , 16, 17 e 18).
71

Figura 13: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário N. S. Aparecida, localizado em


Cáceres, Mato Grosso (2005).
72

Figura 14: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Girau, localizado em Cáceres, Mato
Grosso (2005).
73

Figura15: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Baía de Pedra, localizado em Cáceres,
Mato Grosso (2005).
74

Figura 16: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Campus da UNEMAT, localizado em
Pontes e Lacerda, Mato Grosso (2005).
75

Figura 17: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Massame, localizado em Reserva do
Cabaçal, Mato Grosso (2005).
76

Figura 18: Usos da terra e cobertura vegetal do apiário Sararé, localizado em Conquista
d´Oeste, Mato Grosso (2005).
77

3.2.2. Recursos tróficos no entorno dos apiários

A abrangência geográfica da região Sudoeste de Mato Grosso associada às diferentes


formas de usos e cobertura da terra observadas no entorno dos apiários, resultou na variação
temporal e espacial da oferta de recursos tróficos, representado pelo número de espécies de
plantas floridas identificadas mensalmente nos apiários avaliados (Tabela VII).
Os apiários Baía de Pedras, em Cáceres, Sararé, em Conquista d’Oeste e Massame, em
Reserva do Cabaçal, apresentaram o maior número total de espécies florida no ano, o que
resultou na maior média mensal de espécies floridas. O apiário localizado no Campus da
UNEMAT, em Pontes e Lacerda, apresentou o menor número de espécies floridas no ano. Os
apiários localizados na fazenda N. S. Aparecida e Girau, ambos em Cáceres, apresentaram-se
em situação intermediária.
O maior número de espécies floridas foi observado entre os meses de abril a outubro,
com destaque para os meses de junho, setembro e outubro. Por outro lado, os meses de
novembro a março apresentaram o menor número de espécies floridas, com destaque para o
mês de janeiro. As plantas apresentaram época de floração sazonal, sincronizadas com a
estação climática regional, marcada por períodos de seca e chuva. Predominaram espécies
com floração no período de secas.
Em termos fitoecológicos o Mato Grosso apresenta o limite entre o Cerrado (Savanas
Brasileiras) e a área de transição entre a Floresta Pluvial Amazônica e a Floresta Estacional
Subcaducifolia. Isso se associa a um gradiente climático com aumento do déficit de umidade
no seguinte sentido fitogeográfico: região da Floresta Pluvial (2 a 3 meses de déficit de
umidade), região da Floresta de Transição (3 a 4 meses de déficit de umidade), e região dos
Cerrados (4 a 5 meses de déficit de umidade) (SÁNCHEZ, 1992).
Estudos realizados por Santos et al. (2007), indicaram que composição florística e
riqueza de espécies em fragmentos florestais do norte de Minas Gerais são afetadas pelos
fatores históricos (fitofisionomia) e ecológicos (área dos fragmentos e ocorrência de
perturbações antrópicas).
Esses elementos constituem importantes caracterizadores da composição local de
espécies e consequentemente da disponibilidade de flores ao longo do ano. A diversidade
botânica associada ao comportamento fenológico das espécies permitiram a manutenção dos
recursos tróficos durante todo o período estudado. A identificação da presença de poléns
dessas plantas no mel poderá ajudar estabelecer identidade para o produto regional.
78

Os apicultores de Cáceres (MT) consideram a oferta de florada apícola como fator


determinante na dinâmica populacional das abelhas e as plantas tóxicas como um agente
nocivo para a apicultura (MODRO et al., 2006a, 2006b).

Tabela VII: Número de espécie de plantas floridas identificadas no entorno de seis apiários no
Sudoeste de Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.
Apiários N. S. Girau Baía de Campus da Sararé Massame
Aparecida (Cáceres) Pedras UNEMAT (Conquista (Reserva do
(Cáceres) (Cáceres) (Pontes e d’Oeste) Cabaçal)
Lacerda)
Janeiro 14 11 33 23 37 30
Fevereiro 12 22 47 22 18 44
Março 20 20 32 29 41 23
Abril 47 28 35 26 45 34
Maio 30 26 22 28 35 44
Junho 48 56 38 28 54 66
Julho 27 36 67 09 27 47
Agosto 33 35 30 18 25 62
Setembro 34 22 17 20 69 62
Outubro 46 40 52 16 39 53
Novembro 38 25 51 23 29 23
Dezembro 31 39 32 10 34 37
Total * 380 ab 360 ab 456 a 252 b 453 a 525 a
Org: o autor
*Valores seguidos das mesmas letras não diferem entre si ao nível de significância de 0,5%.
79

3.2.3. Riqueza de plantas no entorno dos apiários

A avaliação da riqueza de plantas no entorno de seis apiários no Sudoeste de Mato


Grosso (Tabela VIII), revelou um elevado número de espécies identificadas, demonstrando a
grande riqueza florística dos ecossistemas regionais. A vegetação natural pode ser
caracterizada como um ecótono vegetacional formado pelo Cerrado, Pantanal e elementos da
Floresta Amazônica, que proporcionam grande biodiversidade florística à região.
O maior número de famílias, gêneros e espécies foram observados nos apiários
Massame, em Reserva do Cabaçal, Sararé, em Conquista do Oeste e Baía de Pedras, em
Cáceres. Por outro lado, a menor diversidade foi observada no apiário Campus da UNEMAT,
em Pontes e Lacerda. Os apiários N. Sra. Aparecida e Girau, ambos em Cáceres, apresentaram
condições intermediárias.
A falta de conhecimento polínico da vegetação melífera das áreas de estudo torna
difícil a identificação completa das espécies vegetais que contribuem com néctar e pólen na
formação dos méis.

Tabela VIII: Riqueza de plantas identificadas no entorno de seis apiários no Sudoeste de Mato
Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.
Riqueza de N. Sra. Girau Baía de Campus da Sararé Massame
plantas Aparecida (Cáceres) Pedras UNEMAT (Conquista (Reserva
(Cáceres) (Cáceres) (Pontes e d’Oeste) do
Lacerda) Cabaçal)
Nº de famílias 57 56 55 52 61 69
Nº de gêneros 136 141 140 119 146 155
Nº de espécies 187 193 204 162 198 207
Org: o autor

Foram identificadas 602 taxa distribuídos em 343 gêneros e 98 famílias de plantas


(Tabela IX). As famílias que apresentaram maior número de gêneros foram: Fabaceae-
Papilionideae (27), Rubiaceae (21), Asteraceae (16), Fabaceae - Caesalpinioideae (16),
Bignoniaceae (14), Euphorbiaceae (12) e Sapindaceae (10). Quarenta e uma famílias
estiveram representadas com apenas gênero.
Aquelas que apresentaram maior diversidade de taxa foram: Fabaceae-Papilionideae
(53), Fabaceae - Caesalpinioideae (39), Rubiaceae (37), Asteraceae (30), Bignoniaceae (22),
80

Euphorbiaceae (22) e Fabaceae-Mimosoideae (20). Vinte e oito famílias estiveram


representadas por apenas um taxa.
Os gêneros com maior diversidade de espécies foram: Senna (10); Hyptis (9);
Vernonia (8); Chamecrista, Ludwigia e Mimosa (7); Byrsonima, Croton, Desmodium,
Ipomea, Miconia e Solanum (6); e Aspidosperma, Cordia, Eugenia, Eupatorium e Tabebuia
(5), totalizando 5,3% dos taxa identificados.
Outros gêneros tiveram três (9,0%) ou quatro (4,7%) taxa identificados. A maioria
estiveram representados por apenas um (65,6%) ou dois (15,4%) taxa.
O porte das plantas identificadas no entorno dos apiários foi herbáceo (42,2%) ou
arbóreo (35,2%). As lianas (12,5%), arbusto (9,6%) e palmeira (0,5%) foram minoria.
Conhecer a flora é fundamental para a condução racional do apiário, pois ela é recurso
utilizado pelas abelhas para se alimentar e produzir. A flora define a alternativa produtiva
(mel, cera, pólen, geleia real, própolis etc.) e põe limites à produção apícola (AGROBIT,
2004).
A análise polínica do mel permite identificar as principais fontes utilizadas pelas
abelhas, bem como os períodos de produção e as possíveis épocas de carência. Ao coletar o
néctar das flores, involuntariamente, as abelhas também coletam o pólen, que é depositado
junto com o néctar nos alvéolos melíferos. Os grãos de pólen de diferentes plantas podem ser
distinguidos sob microscópio por seu tamanho, forma e padrões de superfície, sulcos, poros,
espinhos etc. Desta maneira o pólen aparecerá no mel, constituindo importante indicador para
a sua origem botânica e geográfica (BARTH, 1989; CRANE, 1985; MORETI, 2004).
Diversos estudos relacionam a influência da flora regional na produção e tipificação da
origem do mel (CARVALHO & MARCHINI, 1999; MORETI et al., 2000; BARTH et al.,
2005; EVANGELISTA-RODRIGUES et al., 2005; MARCHINI et al., 2005; ARAUJO et al.,
2006; SANTOS et al., 2006).
Pott & Pott (1986) apresentaram um levantamento preliminar da flora apícola do
Pantanal, onde identificaram 162 espécies de plantas, distribuídas em 54 famílias, destacando-
se as Famílias Compositae e Leguminosae.
A flora apícola brasileira é muito diversificada. O mel pode proceder do néctar das
flores de uma única espécie vegetal (méis monoflorais) ou de várias (méis poliflorais), as
diferentes origens botânicas estabelecem aromas e sabores diferentes. A determinação da
origem botânica do mel tem grande importância econômica porque alguns tipos de méis são
mais apreciados pelo consumidor (BASTOS, 2002; GALLO-NETO, 2007).
81

EMPAER (1995) listou 66 nomes de plantas apícolas, separadas por tipos de


vegetação: Mata (22), Mata de Transição (6), Cerrado (20) e Plantas Cultivadas (18)
comumente observadas no Mato Grosso. As espécies que aparecem nesses resultados, embora
tenham sido identificadas apenas com os seus vernáculos (nomes vulgares), coincidem com as
plantas coletadas no presente estudo, exceto as plantas cultivadas.

3.2.4. Similaridade florística e de vegetação nos apiários

A análise de cluster agrupou os apiários a partir das matrizes de similaridade da


riqueza da flora e dos tipos de cobertura da terra (Figura 19).
Os apiários localizados em extremos opostos do dendrograma: Massame, em Reserva
do Cabaçal e N. S. Aparecida, em Cáceres, foram aqueles que apresentaram as características
de flora mais distintas. Os dendogramas de família (Figura 19a) e gênero (Figura 19b)
reuniram as áreas de forma semelhante, separando os apiários em dois grupos (A e B).
O grupo A está subdividido em dois: o subgrupo A1, formado pelos apiários
Massame, em Reserva do Cabaçal e Sararé, em Conquista d’Oeste; e subgrupo A2, formado
pelo apiário Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda. Esses apiários foram agregados em
função da presença de taxa do Cerrado (subgrupo A1) e Floresta (subgrupo A2). O grupo B
também foi subdividido em dois: no subgrupo B1 está o apiário Girau, em Cáceres, no
subgrupo B2 estão os apiários Baía de Pedras e N. S. Aparecida, ambos em Cáceres,
agregados em função da presença de taxa do Cerrado. O agrupamento apiário Baía de Pedras
e N. Sra. Aparecida pode ser justificado pela presença de plantas de áreas alagáveis,
característica do Pantanal.
O dendrograma para as espécies (Figura 19c), diferencia-se dos demais somente no
subgrupo B1, formado pelos apiários Baía de Pedras e Girau e no subgrupo B2, formado pelo
apiário N. S. Aparecida, essa alternância no argumento pode se dever as espécies presentes
nas áreas de tensão ecológica.
O dendrograma para tipos de cobertura da terra (Figura 19d) reuniu os apiários em três
grupos (A, B e C). O grupo A foi formado pelo apiário Massame isolado em função presença
de Savana Arborizada. O grupo B apresentou dois subgrupos: B1, formado pelo apiário Sararé
e B2, formado pelos apiários Campus da Unemat e Girau. Esses subgrupos se formaram em
função da presença de áreas de Pastagem, ausentes em B1 e presentes B2. O grupo C
composto pelos apiários Baía de Pedras e N. S. Aparecida, foi formado em função da
82

presença de Savana Parque Associada a áreas Pantaneiras, Savana Gramíneo-lenhosa e


Lagoas.

Mass. Mass.
Sara Sara
C. Unem C. Unem
Giral Giral
B. Pedr B. Pedr
a
NSApar b
NSApar
0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1

Mass. Mass.
Sara Sara
C. Unem C. Unem
B. Pedr Giral
Giral B. Pedr
d
c NSApar NSApar
0,28 0,4 0,52 0,64 0,76 0,88 1 0,04 0,2 0,36 0,52 0,68 0,84 1

Figura 19: Dendogramas de similaridade obtido pelo método hierárquico UPGMA, utilizando
o coeficiente de Sørense, para famílias (a), gêneros (b), espécies (c) e tipos de cobertura (d),
respectivamente, em seis apiários no Sudoeste de Mato Grosso. Mass - Apiário Massame
(Reserva do Cabaçal), Sara - Apiário Sararé (Conquista d’Oeste), C. Unem - Apiário Campus
da Unemat (Pontes e Lacerda), B. Pedr - Apiário Baía de Pedras (Cáceres), Gira - Apiário
Girau (Cáceres) e NSApar - Apiário N. S. Aparecida (Cáceres).
83

3.2.5. Produção de mel nos apiários

A produção de mel (kg/colméia/ano) em seis apiários no Sudoeste de Mato Grosso


(Tabela IX), apresentou dois períodos distintos (safra e entre safra), obedecendo a
sazonalidade da estação climática (secas e chuvas).
A maior produção média mensal de mel foi observada nos meses junho, agosto,
setembro e outubro, durante a estação das secas. Os meses de setembro e outubro foram
considerados pico do período de safra.
Foi observado no apiário Girau um período de produção de mel mais prolongado, se
estendendo de julho a novembro. O período de produção prolongado ajuda a justificar a maior
produção observada nesse apiário. No mês de junho todos os apiários apresentaram produção
de mel, com destaque para o apiário Sararé.
No apiário Baía de Pedras e N. S. Aparecida a maior produção ocorreu nos meses de
agosto e setembro, respectivamente. No apiário Massame a maior produção de mel foi
observada nos meses de fevereiro a maio, no período considerado de entre safra.
A menor produção média mensal de mel foi observada entre os meses de novembro a
maio, durante a estação chuvosa. Em dezembro e janeiro, os meses de maior índice
pluviométrico na região, não foram registrados produção em nenhum dos apiários avaliados.
Os apiários Girau (44,6 kg/colméia/ano), Massame (25,8 kg/colméia/ano), Sararé
(22,8 kg/colméia/ano), Campus da UNEMAT (17,2 kg/colméia/ano) e N. S. Aparecida (16
kg/colméia/ ano) apresentaram produtividade superior à média nacional que, de acordo com a
Associação Brasileira de Exportadores de Mel (ABEMEL) é de 15 kg/colméia/ano
(ABEMEL, 2006). As médias também estão acima da produtividade observada por Souza
(2004), no diagnóstico do setor apícola da região Sudoeste de Mato Grosso, de
11,79kg/colméia/ano, se considerado o ano de 2003.
A região apresentou potencial para a produção de mel, sendo os meses de setembro e
outubro, considerado como período de safra e os meses de dezembro e janeiro, considerados
período de entre safra.
84

Tabela IX: Produção média mensal de mel (Kg/colméia) em seis apiários no Sudoeste de
Mato Grosso, no período de julho de 2005 a junho de 2006.
Apiários N. S. Girau Baía de Campus da Sararé Massame
Aparecida (Cáceres) Pedra Unemat (Conquista (Reserva
(Cáceres) (Cáceres) (Pontes e d’Oeste) do
Lacerda) Cabaçal)
Janeiro 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Fevereiro 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2
Março 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2
Abril 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2
Maio 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2
Junho 2,0 2,0 1,3 4,0 9,3 2,1
Julho 0,0 4,0 0,0 0,8 0,0 0,0
Agosto 6,0 7,6 4,7 0,8 2,8 0,0
Setembro 6,0 11,7 3,6 3,6 6,7 3,6
Outubro 1,2 15,7 0,4 8,0 4,0 7,3
Novembro 0,8 3,7 0,0 0,0 0,0 0,0
Dezembro 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0
Total 16,0 44,6 10,0 17,2 22,8 25,8
Org: o autor

3.2.6. Influências do uso e cobertura da terra na riqueza de plantas e produção de mel

A análise de componentes principais proporciona uma representação gráfica dos


dados, onde as coordenadas de localização dos apiários resultam da interação das forças das
variáveis analisadas, representadas pelos auto-vetores que atuam sobre eles. Foram realizadas
duas análises: uma utilizando dados de classes de uso da terra outra para os tipos de cobertura
da terra, ambas combinadas com informações da riqueza de plantas e produção de mel.
Para o gráfico biplot das classes de uso da terra, riqueza de plantas e produção de mel
nos apiários, a análise resumiu a variabilidade dos dados (89,62%) em seus dois primeiros
eixos (Figura 20).
O primeiro eixo (D1) denominado estado de conservação, representou 60,86% da
variabilidade dos dados, correlacionou-se positivamente com a os auto-vetores vegetação
natural e riqueza de plantas (N° família, N° gênero, N° espécie, N° flores/mês).
85

Correlacionou-se negativamente com os auto-vetores Antrópica Agrícola e Antrópica Não


Agrícola.
Neste componente houve a agregação dos apiários Sararé, em Conquista do Oeste e
Baía de Pedras, em Cáceres, onde ocorreram maiores áreas de vegetação natural, a direita do
gráfico. Esses dois apiários juntamente com o apiário Massame, em Reserva do Cabaçal,
foram onde se observou a maior riqueza de plantas.
Os apiários Girau, em Cáceres e Campus da Unemat, em Pontes e Lacerda
apresentaram a maior área Antrópica Agrícola e Não Agrícola e estão posicionados no lado
esquerdo do gráfico. No apiário Campus da Unemat foi identificada a menor riqueza de
plantas e por isso está inversamente relacionado com esses auto-vetores, se posicionando a
esquerda do gráfico.

Produção mel 2.0

1.6

Nº de gêneros
Girau 1.2
Nº de famílias
Antrópicas Não Agrícolas Nº de espécies
Antrópicas Agrícolas 0.8
Massame
N° flores/mês
0.4 Sararé

-2.0 -1.6 -1.2 -0.8 -0.4 0.4 0.8 1.2 1.6 2.0
-0.4
N. Sra. Aparecida
Campus da Unemat Vegetação Natural
-0.8
Baia de Pedras
-1.2

-1.6 Água

-2.0

Vector scaling: 3,50


Figura 20: Ordenação pela análise de componentes principais (PCA) de seis apiários no
Sudoeste de Mato Grosso, baseado em nove variáveis (Vegetação Natural, Antrópicas Não
Agrícola, Antrópicas Agrícolas, Água, N° de famílias , N° de gêneros, N° de espécies, N° de
flores/mês e Produção de mel). Primeiro eixo com 60,86% de variação e segundo eixo com
28,76%.
86

O segundo eixo (D2) foi chamado de potencial produtivo e representou 28,76% da


variabilidade dos dados. Correlacionou-se positivamente com o auto-vetor Produção de mel e
negativamente com o auto-vetor Água.
Neste componente houve a separação dos apiários Girau, em Cáceres e Massame, em
Reserva do Cabaçal, na parte superior do gráfico, correspondendo aos apiários com maior
produção de mel. O apiário Baía de Pedras, em Cáceres, apresentou baixa produção de mel e
juntamente com o apiário N. S. Aparecida, em Cáceres, foram atraídos pelo auto-vetor Água,
posicionando-se na parte inferior do gráfico. A baixa produtividade pode ser justificada pelas
condições ambientais desfavoráveis proporcionadas pelo alagamento sazonal.

Dessa forma, a análise demonstrou que o uso da terra influenciou a riqueza de plantas,
maior quando o uso foi de Vegetação Natural e menor quando o uso foi Antrópica Agrícola e
Antrópica Não Agrícola. A produção de mel relacionou-se positivamente com o uso
Antrópica Agrícola e Antrópica Não Agrícola. As espécies espontâneas de pastagens pode ser
a fonte do recurso trófico utilizado no incremento da produção de mel, a uniformidade desses
ambientes pode favorecer a ocorrências de grandes populações dessas espécies, garantindo a
abundante oferta de néctar e polens.
Muitas dessas espécies de plantas são consideradas de importância apícola
(LORENZI, 2000). Estudos em diversas regiões brasileiras citam espécies de planta
espontânea visitadas por Apis mellifera e outras abelhas (FERREIRA, 1981; CARVALHO &
MARCHINI, 1999; MARCHINI et al., 2001; AGUIAR, 2003; EVANGELISTA-
RODRIGUES et al., 2003; SANTOS et al., 2006).
Outros estudos (OLIVEIRA & BASTOS, 1998; ALENCAR et al., 2005) identificaram
Baccharis dracuncurlifolia DC. (Asteraceae), uma planta invasora de pastagens, como origem
botânica da própolis verde, importante produto apícola destinado a exportação conhecido
pelas suas propriedades medicinais.
Para Oliveira & Cunha (2005) as abelhas africanizadas no Brasil estão bem adaptadas
para áreas urbanas, bordas de florestas e formações vegetacionais abertas ou adulteradas,
sendo dificilmente coletadas no interior de florestas densas.
As extensas áreas de pastagens encontradas no Sudoeste de Mato Grosso caracterizam
a principal atividade econômica desenvolvida na região, voltada à pecuária bovina. As áreas
de pastagens, principalmente aquelas onde existam espécies invasoras abundantes,
87

representam ambientes propícios a produção de mel que podem ser melhor explorado pelo
apicultor .
Para os tipos de cobertura da terra, riqueza de plantas e produção de mel nos apiários,
a análise resumiu a variabilidade dos dados (67,2%) em seus dois primeiros eixos (Figura 21).
O primeiro eixo (D1) denominado diversidade vegetal, representou 44,37% da
variabilidade dos dados, correlacionou-se positivamente com a os auto-vetores Savana
Florestada e Floresta Estacional Semidecidual e negativamente com os auto-vetores de
riqueza de plantas e de Floresta Estacional Semidecidual + Savana Florestada e Savana
Arborizada.

Sp 2.5
Sg
2.0

Baia de Pedras
1.5

1.0
Fsa+Sf
0.5
N. Sra. Aparecida
N°Nºflor
esp
Sf
-2.0 -1.5 -1.0 -0.5 0.5 1.0 Fs
1.5 2.0 2.5
Sararé Campus da Unemat
-0.5

Nºfam
gên
Fs+Sf Girau
Massame Fr
-1.0
Pa
Sa
-1.5
Prod Mel
-2.0

Vector scaling: 4,70


Figura 21: Ordenação pela análise de componentes principais (PCA) de seis apiários no
Sudoeste de Mato Grosso, baseado em treze variáveis (Fr – Formação Ripária, Fs - Floresta
Estacional Semidecidual; Fs+Sf - Floresta Estacional Semidecidual + Savana Florestada;
Fsa+Sf - Floresta Estacional Semidecidual Aluvional + Savana Florestada; As - Savana
Arborizada; Sf - Savana Florestada; Sp - Savana Parque Associada as áreas Pantaneiras; Sg -
Savana Gramíneo-lenhosa; N° fam – N° de famílias; N° gen - N° de gêneros; N° esp - N° de
espécies; N° de flor - N° de flores/mês; e Prod mel – Produção de mel). Primeiro eixo com
44,37% de variação e segundo eixo com 22,83%.
88

Neste componente houve a agregação à direita do gráfico do apiário Campus da


Unemat, em Pontes e Lacerda, onde foi observado áreas de Floresta Estacional Semidecidual
e menor diversidade de plantas, juntamente com os apiários Girau e N. S. Aparecida, ambos
em Cáceres, onde foram identificadas as maiores áreas de Savana Florestada. Por outro lado,
o apiário Sararé, em Conquista d’Oeste, onde se observou maior diversidade de plantas e
Floresta Estacional Semidecidual + Savana Florestada, juntamente com apiário Massame, em
Reserva do Cabaçal, se posicionaram a esquerda do gráfico.
O segundo eixo (D2) denominado limitações produtivas, representou 22,83% da
variabilidade dos dados, correlacionou-se positivamente com a os auto-vetores Savana Parque
Associada às áreas Pantaneiras e Savana Gramíneo-lenhosa e negativamente com produção de
mel, Savana Arborizada e Pastagem.
Neste componente houve a agregação dos apiários Baía de Pedras e N. Sra. Aparecida,
ambos em Cáceres, onde foi observado áreas de Savana Parque Associada as áreas
Pantaneiras e menores produção de mel, na parte superior do gráfico. Por outro lado, os
apiários Girau, em Cáceres e Massame, em Reserva do Cabaçal, onde foram observados
maior produção de mel e maiores áreas de Pastagem foram agrupados na parte inferior do
gráfico.
Os apiários Massame, em Reserva do Cabaçal e Sararé, em Conquista d’Oeste
apresentam potencial de produção de mel no período da entre safra. A maior riqueza de
plantas pode ter garantido oferta de flores por mais tempo, resultando na produção de mel por
período mais prolongado.
Dessa forma, a análise demonstrou que o tipo de cobertura da terra influenciou a
riqueza de plantas, maior quando o uso foi de Floresta Estacional Semidecidual + Savana
Florestada, Savana Parque Associada às áreas Pantaneiras e Savana Gramíneo-lenhosa e
menor quando em Pastagem e Formações Ripárias. A produção de mel relacionou-se
positivamente com os tipos Pastagem e Savana Arbórea e negativamente com Savana Parque
Associada as áreas Pantaneiras e Savana Gramíneo-lenhosa.
89

3.2.7. Conclusões do Capítulo 2

O entorno dos apiários mantêm parte da vegetação natural preservada e os tipos de


cobertura predominantes foram Savanas e Tensão Ecológica. Pastagem foi o único tipo de uso
antrópico agrícola identificado. Áreas de uso antrópico não agrícola foram pouco
representativas.
As classes de uso da terra imprimiram diferenças na riqueza de plantas e
características da produção de mel nos apiários:
A maior produção de mel foi observada no apiário Girau, em Cáceres onde pastagem
foi o tipo de cobertura predominante, assim como nos apiários Campus da Unemat, em Pontes
e Lacerda e Massame, em Reserva do Cabaçal. As plantas espontâneas pode ser a origem do
néctar e do pólen utilizados nessa produção de mel.
Os apiários Massame, em Reserva do Cabaçal e Sararé, em Conquista d’Oeste
apresentaram potencial de produção de mel no período da entre safra. A alta diversidade de
plantas garante oferta de flores, em diferentes períodos do ano, resultando na produção de mel
por um período mais prolongado.
Apesar da expressiva área de vegetação natural preservada, as condições ambientais
desfavoráveis provavelmente relacionadas ao pulso de inundação, podem justificar a menor
produção de mel observadas nos apiários Baía de Pedras e N. S. Aparecida, ambos em
Cáceres.
A região apresentou potencial para a produção de mel, sendo os meses de setembro e
outubro, considerado como período de safra e os meses de dezembro e janeiro, considerados
período de entre safra.
Com base nos tipos de vegetação estudados, as áreas de pastagens, particularmente
àquelas em avançados estágio sucessional de plantas espontâneas, capoeiras, vegetação
secundária e formações arbóreas abertas favoreceram a produção de mel.
A avaliação do uso da terra e cobertura vegetal do entorno dos apiários pode se tornar
um instrumento aliado no planejamento e gestão da apicultura, possibilitando estabelecer
estratégias de manejo apropriado e utilização sustentável dos recursos naturais. Possibilita
ainda a identificação de locais com maior potencial produtivo, estimativas de produção e
dimensionamento da expansão da atividade, sem sobreposição de áreas de forrageamento
entre apiários.
90

III – RESULTADOS E DISCUSSÃO

Capítulo 3:

Identificação de marcas, características de rotulagem e


parâmetros físico-químicos de mel comercializados em
Cáceres (MT)
91

3.3. Identificação de marcas, características de rotulagem e parâmetros físico-químicos de mel


comercializados em Cáceres (MT)

3.3.1. Identificação das marcas de mel

Foram identificadas 12 marcas de mel comercializadas em Cáceres, MT (Tabela X),


adquiridas principalmente em supermercado/mercearia, mas também encontradas em
drogaria, livraria, loja agropecuária e barraca de frutas à margem de rodovia, além da venda
direta, feita pelo próprio apicultor.

Tabela X: Caracterização (marca, local de comercialização e apicultor) de amostras


adquiridas no comércio de Cáceres, Mato Grosso, 2009.

Marca Local de Comercialização Apicultor

M1 Loja agropecuária, drogaria Ap1


M2 Supermercado/mercearia Ap2
M3 Produtor Ap3
M4 Livraria Ap4
M5 Supermercado/mercearia Ap5
M6 Supermercado/mercearia Ap6
M7 Supermercado/mercearia, drogaria Ap7
M8 Supermercado/mercearia Ap8
M9 Drogaria Ap9
M10 Supermercado/mercearia, drogaria, loja agropecuária Ap1
M11 Barraca Ap11
M12 Barraca Ap12
Org: autor

A maioria das marcas esteve restrita a um único tipo de estabelecimento comercial


(supermercado/mercearia) ou foram encontradas em apenas um dos locais visitados. As
marcas M1 (loja agropecuária e drogaria), M7 (supermercados/mercearias e drogaria) foram
observadas em dois tipos de estabelecimentos comerciais e M10 (supermercados/mercearias,
drogaria e loja agropecuária) foi observada ou três tipos de estabelecimentos comerciais.
92

Em relação aos locais de comercialização, o regulamento técnico de boas práticas


farmacêuticas em farmácias e drogarias (ANVISA, 2007), definiu os critérios para o controle
sanitário da venda de medicamentos, insumos farmacêuticos ou correlatos, proibindo a venda
de mel ou qualquer outro alimento comum em farmácias e drogarias.

3.3.2. Caracterização da rotulagem, tipos de embalagens e fracionamento do mel


comercializado

3.3.2.1. Firma e apicultor responsável pela produção

Foram identificados 10 apicultores individuais, uma cooperativa de apicultores e um


entreposto particular como responsáveis técnicos pelo produto, cada um com sua própria
marca de mel ofertada no mercado.
Das 12 marcas de mel observadas, sete são oriundas do município de Cáceres. Três
marcas são oriundas de municípios da região Sudoeste de Mato Grosso: Conquista do Oeste,
Mirassol d’Oeste e Reserva do Cabaçal. Uma marca é oriunda de Paranaíta, município
localizado no Sul do estado de Mato Grosso e uma marca de Vilhena/Porto Velho, no estado
de Rondônia.

3.3.2.2. Registro e selo de inspeção

Somente três marcas (M2, M5 e M10) apresentaram números de registros nos órgãos
competentes, demonstrando que estão legalmente constituídas. As marcas M2 e M5
apresentaram o número no CNPJ e a Inscrição Estadual da empresa. A Marca M10 apresentou
em seu rótulo somente o número de sua Inscrição Estadual.
A marca M2 apresentou selo do Serviço de Inspeção Sanitária Estadual (SISE/MT)
habilitando-a para o comércio o dentro do estado de Mato Grosso. A marca M5 possui o selo
do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e pode ser comercializada fora do estado de origem.
Essas marcas pertencem respectivamente a cooperativa de apicultores e entreposto particular.
As outras dez marcas não apresentaram qualquer informações de registro legal ou
inspeção sanitária. Não foi observado nenhum selo de produção orgânica ou agroecológica
nos rótulos de marcas de mel comercializadas em Cáceres MT.
93

3.3.2.3. Tipo de embalagens e conteúdo líquido

Encontram-se embalagens com tamanhos variados, com volumes estabelecidos


conforme padrão de cada fornecedor. Entre os tipos de embalagem observadas em marcas de
mel comercializadas em Cáceres, MT (Tabela XI), predominaram embalagens plásticas em
formato de bisnaga ou potes, com volumes de 260g a 1054g.
As embalagens encontradas com maior freqüência nos comércios visitados foram pote
1000g e bisnaga 360g. Também foram observadas as embalagens tipo bisnaga 280g, bisnaga
500g, bisnaga 1054g e pote 500g.
O fracionamento em embalagens com esse formato e volume estão apropriados para
consumo de mel como alimento ou medicamento natural e refletem o baixo consumo per
capita de mel no Brasil (60 g/ano), em comparação com os Estados Unidos (910 g/ano),
Alemanha (960 g/ano) e Suíça (1500 g/ano) (SEBRAE, 2006a).
As marcas M5 e M10 foram às mais freqüentemente observadas nos estabelecimentos
comerciais, estando disponível em 42% dos locais visitados. A marca M5 apresentou maior
diversidade de embalagens (bisnaga, pote e vidro) e de conteúdo líquido (280g, 290g, 500g,
700g, 1000g e 1054g). A marca M10 foi encontrada em um único tipo de embalagem e
conteúdo líquido (bisnaga 360g).
As marcas M7 e M8 apresentaram respectivamente três e dois tipos de embalagens,
mas, foram pouco freqüentes nos comércios visitados. As outras marcas foram encontradas
em um único local e em uma única forma de fracionamento e embalagem.
As marcas M3 e M12, adquiridas diretamente do apicultor e em barraca à margem da
rodovia, foram comercializadas em embalagens de vidro transparente (litro ou vidro). Foi
observado ainda o uso de garrafas pet para embalar e comercializar mel.
O SEBRAE (2006a) realizou pesquisas de preferência dos consumidores por tipos de
embalagem em João Pessoa (PB) e observou que os consumidores preferiram garrafas de
vidro ( 59%) e garrafa plástica 26% a sache (9%), pote de vidro (5%) e pote de plástico (1%).
Observou-se ainda que o volume: da garrafa de vidro variou de 100ml a 700ml e de 140g a
720g; a garrafa plástica variou de 30ml a 1400ml e de 200g a 720g; o sache variou de 30ml a
200ml e de 40g a 250g; potes de vidro variou de 100ml a 200ml e de 220g a 500g; e potes de
plástico variou de 250g a 500g.
Ainda segundo o SEBRAE (2006a), em Aracajú (SE), os consumidores preferiram
embalagem de garrafa de vidro (85%) à garrafa de plástico (15%). A garrafa de vidro mais
aceita pelos consumidores investigados acondiciona respectivamente os seguintes volumes de
94

mel: 200ml (37%), 500ml (33%) e 1000ml (30%). A garrafa de plástico a de 500ml(46 %) e
250ml (44%) foram as preferidas entre as amostra pesquisada, enquanto que a de 1000ml
somou apenas 10% da preferência.
De acordo com Wiese (2000), para atendimento direto ao consumidor, o mel pode ser
envasado em potes de vidros, copos, potes de plástico ou baldes, sendo que os potes de vidro
são mais indicados, mas os mais utilizados são os potes de plástico, por serem mais baratos.
Nas pequenas produções o apicultor poderá envasar o mel diretamente nos potes, após filtrado
e decantado.
Para embalagens a granel, os baldes de plástico (25 kg) têm relação custo-benefício
superior ao da lata de metal, além de proporcionar facilidade no transporte (presença de
alças). Já para capacidades superiores, destinadas à exportação, a embalagem usada é o
tambor de metal (300 kg), com revestimento interno de verniz especial (SEBRAE, 2006a).
.
Tabela XI: Frequência dos tipos de embalagem observada em marcas de mel comercializadas
em Cáceres, Mato Grosso, 2009.
Fracionamento M1 M2 M3 M4 M5 M6 M7 M8 M9 M10 M11 M12
Bisnaga 260g 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0
Bisnaga 280g 0 0 0 0 5 0 1 0 0 0 0 0
Bisnaga 360g 0 0 0 0 0 1 0 0 0 8 0 0
Bisnaga 500g 1 0 0 0 4 0 1 0 1 0 0 0
Bisnaga 1000g 0 0 0 0 6 0 0 0 0 0 1 0
Pote 290g 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 0 0
Pote 400g 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Pote 500g 0 0 0 0 5 0 0 1 0 0 0 0
Pote 1000g 0 0 0 1 8 0 0 1 0 0 0 0
Vidro 700g 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0
Vidro 700g (favo) 0 0 0 0 3 0 0 0 0 0 0 0
Litro (1.200kg) 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1
Org: autor
95

3.3.2.4. Informação Nutricional

As marcas M2 e M5 exibiram em seus rótulos as informações nutricionais


obrigatórias, conforme modelo de rotulagem nutricional, no formato de declaração
simplificada, contendo as seguintes informações nutricionais por porções (20 ml), em Kcal e
em valores diários de referência (%vd): valor calórico de 90kcal (6%vd), carboidratos 23g
(6%vd), proteínas 0g, gorduras 0g. As demais marcas não apresentaram informações
nutricionais obrigatórias.

3.3.2.5. Data de envase, número de lote e validade

A maioria das marcas não separa o produto em lotes e sim pela data do envase,
informando essa data em dia, mês e ano ou apenas o mês e ano no rótulo do produto. A marca
M5 é única que informou número do lote e ano, mas não a data do envase. A marca M4
informou apenas a data do término da validade e não a data do envase. A marca M12 não
informou a data do envase ou data de validade.
A maioria das marcas não informou a data do término da validade, substituída pelas
expressões: consumir em um ano; consumir em dois anos; ou consumir em três anos.
Por ser um produto de fácil alteração, o consumidor deve ter cuidado com a qualidade
mel e higiene na sua manipulação. A qualidade começa na colméia, com o cuidado de coletar
o favos sem cheiro de fumaça e selecioná-los conforme o índice de operculação. Estes
cuidados devem continuar nas operações de extração e envase. Também de suma importância
é a rotulagem do produto que deve identificar a origem botânica do mel, constando ainda a
data de colheita, envase, validade e peso (WIESE, 2000)

3.3.2.6. Modo de conservação

A maioria das marcas não apresentou em seus rótulos qualquer informação sobre a
conservação do produto.
Os rótulos de quatro marcas (M1, M2, M7 e M10) apresentaram a expressão:
conservar fora da geladeira ou manter em lugar seco e fresco. Três marcas (M2, M5, M7)
informaram que o mel puro pode cristalizar e instruí a aquecê-lo em banho-maria para voltar a
sua forma original.
96

3.3.2.7. Outras informações

A expressão: não contém glúten, informada pela marca M2 foi considerada uma
informação nutricional complementares, pois, informa aos portadores de doença celíaca, que
se manifesta pela intolerância ao glúten, que o produto é isento da substância.
As demais informações contidas nos rótulos das embalagens estão relacionadas a
questões de apelo de mercado e estratégia de marketing. Essas informações podem valorizar o
produto em nichos específicos de mercado.
Três marcas apresentaram a logomarca da Associação de Apicultores do Alto Pantanal
(APIALPA). Foram observadas expressões como: sabor do cerrado; preserve a Amazônia e
Pantanal mato-grossense, como forma de associar o produto a preservação dos ecossistemas
regionais. Os rótulos continham ainda frases como: produto artesanal, mel silvestre ou
apicultura racional.

3.3.3. Análises físico-químicas do mel

Os resultados das análises físico-químicas para os parâmetros avaliados foram


reunidos em:
1) parâmetros de maturidade: umidade, açúcares redutores e açúcares não redutores;
2) parâmetros de pureza: sólidos insolúveis, minerais fixos e reação de Lund; e
3) parâmetros de deterioração: acidez, pH, reação de Fiehe e características organolépticas.
97

3.3.3.1. Parâmetros de maturidade

Os resultados da determinação dos parâmetros de maturidade: umidade, açúcares


redutores e não redutores em méis comercializados em Cáceres (Tabela XII) demonstraram
que:

Tabela XII: Caracterização físico-química (umidade, açúcares redutores e não redutores) do


mel comercializado em Cáceres, Mato Grosso, 2009.
Marca Lote Umidade Açúcares redutores Açúcares não redutores
% % %
M1 10/12/2008 18 75.3 4.82
M1 20/9/2008 18 75.98 3.44
M1 20/11/2008 18 76.92 6.35 *
M2 lote 10 17.8 79.36 4.3
M3 ago/07 15.8 78.12 2.64
M4 13/8/2008 19.2 73.52 4.34
M5 lote 04 /2008 19.4 72.75 3.46
M6 dez/08 16.6 73.92 5.72
M6 jan/09 16.8 78.37 4.44
M7 jun/08 18 73.96 3.95
M7 4/6/2008 17.8 73.64 4.75
M8 20/9/2008 20 72.58 6.47 *
M9 set/07 20.8 * 72.4 5.83
M10 9/10/2008 15.6 80.9 2.3
M10 5/12/2008 16 78.12 3.4
M10 9/8/2008 19.5 74.52 3.96
M10 2/10/2008 15.8 74.62 5.23
M11 set/09 16.6 75.75 4.64
M12 Sd 16.2 80.12 4.12
Média 17.68 75.83 4.43
DesvPad 1.56 2.66 1.15
Padrões ≤ 20,0 ≥ 65,0 ≤ 6,0
* valores acima dos limites estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL,2000)
Org: autor
98

3.3.3.1.1. Umidade

A umidade das amostras de méis analisadas variou de 15,60 a 20,80%, com a média de
17,68%. A amostra M9 excedeu o valor máximo de umidade de 20%, estando fora do padrão
dos valores estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL, 2000). As amostras M8, M10,
M5 e M4 ainda que atendam a norma vigente, apresentaram alta umidade.
Umidade média semelhante foi observada em mel do Mato Grosso do Sul
(MARCHINI et al., 2001b), Minas Gerais e Santa Catarina (CAMPOS, 1998). O valor médio
observado no presente estudo está abaixo do valor médio de 18,91% encontrado em análise de
méis de Apis mellifera do Estado do Tocantins (MARCHINI, 2004). Por outro lado, estudos
realizados por Coringa e Coringa (2009) em méis do Mato Grosso observou umidade média
de 24,2%, acima do permitido pela legislação brasileira.
O teor de umidade é o principal fator determinante da viscosidade e fluidez do mel,
além de ser um indicativo importante da tendência à fermentação (MORAES & TEIXEIRA,
1998). Regiões com temperaturas anuais altas favorecem o crescimento de leveduras e
microorganismo em mel com a umidade acima de 20%, o que causa sua fermentação
(COSTA et al., 1999).
O mel com excesso de umidade pode ser fermentado por vários microoganismos,
especialmente os Zigosaccharomyces e outros (Saccharomyces rouxii, Saccharomyces mellis,
Leucomostoc dextranicum, Aerobacter aerogines), que existem nas flores e no solo e que
conseguem desenvolver em altos teores de açúcar (VIDAL, 1984).
A umidade pode ser influenciada pela origem botânica, condições climáticas e
geográficas (BARTH et al., 2005) ou pela colheita do mel antes da sua completa maturidade
(AZEREDO el al., 2003).

3.3.3.1.2. Açúcares redutores e não redutores (sacarose aparente)

Os açúcares redutores das amostras de mel analisadas apresentaram valores que variou
de 72,4 a 80,9%, com a média de 75,83%. A legislação brasileira estabelece o mínimo de 65%
de açúcares redutores (BRASIL, 2000). Todas as amostras apresentaram valores de açucares
redutores dentro desses parâmetros.
Os açúcares não redutores (sacarose aparente) das amostras variaram de 2,3 a 6,47%,
com a média de 4,43%. O valor máximo estabelecido pela legislação é de 6% (BRASIL,
99

2000). As amostras M8 e M1 apresentaram valores acima do estabelecido pela legislação,


estando fora do padrão.
Resultados obtidos por Coringa e Coringa (2009) em análises de méis oriundos de
municípios do Mato Grosso (Poconé, Conquista d’Oeste, Campo Novo dos Parecis, Sorriso e
Juara) apresentaram média de 64,3% para açúcares redutores, abaixo da média obtida neste
estudo. Por outro lado, a média para os açúcares não redutores obtiveram média de 11,4%,
acima das observadas neste estudo.
Análises de méis comercializados em vários estados brasileiros apresentaram variação
de 38 a 73,5% para açúcares redutores e de 3,5 a 5,4% para açúcares não redutores
(AZEREDO et al., 2003). Estudos realizados por Silva et al. (2004), encontraram variação, de
68,92 a 85,49%, nos valores de açúcares redutores em méis, resultados semelhantes aos
observados neste trabalho. Entretanto, observaram menor variação para açúcares não
redutores, de 1,57 a 3,07%.
Variações nos teores de açúcares redutores e não redutores no mel se justificam pelas
diferenças impostas por sua origem botânica, localização geográfica dos apiários e aspectos
abióticos da região produtora. Entretanto, teores anormais de açúcares redutores e não
redutores indicam adulterações por xaropes e glicose comercial (VIDAL, 1984).

3.3.3.2. Parâmetros de Pureza

Os resultados da determinação dos parâmetros de pureza: sólidos insolúveis, resíduos


minerais fixos e reação de Lund do mel comercializado em Cáceres estão apresentados na
Tabela XIII.
100

Tabela XIII: Caracterização físico-química (sólidos insolúveis, resíduos minerais fixos, reação
de Lund e características organolépticas) do mel comercializado em Cáceres, Mato Grosso,
2009.

Marca Lote Sólidos Resíduos Reação de Características


insolúveis Minerais Lund Organolépticas
% Fixos %
M1 10/12/2008 1.63 * 0.72 * 2 Normal
M1 20/9/2008 1.18 * 0.62 * 2 Normal
M1 20/11/2008 0.89 * 0.54 1 Normal
M2 lote 10 1.87 * 0.4 1 Normal
M3 ago/07 2.25 * 0.35 1 Normal
M4 13/8/2008 0.94 * 0.07 2 Normal
M5 lote 04 /2008 1.93 * 0.52 1 Normal
M6 dez/08 1.93 * 0.2 1.5 Normal
M6 jan/09 1.09 * 0.4 2 Normal
M7 jun/08 1.12 * 0.64 * 0* Normal
M7 4/6/2008 1.26 * 0.72 * 1 Normal
M8 20/9/2008 1.07 * 0.25 0* Normal
M9 set/07 1.19 * 0.65 * 1 Normal
M10 9/10/2008 2.25 * 0.71 * 2 Normal
M10 5/12/2008 1.16 * 0.65 * 2 Normal
M10 9/8/2008 0.76 * 0.65 * 0.8 Normal
M10 2/10/2008 2.25 * 0.45 1.5 Normal
M11 set/09 2.44 * 0.2 1 Normal
M12 Sd 2.48 * 0.26 1 anormais *
Média 1.56 * 0.47 1.25
DesvPad 0.58 0.21 0.64
Padrões ≤ 0,1% ≤ 0,6 -
* valores acima dos limites estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL,2000)
Org: autor
101

3.3.3.2.1. Sólidos insolúveis

Os sólidos insolúveis em água das amostras analisadas variaram de 0,76 a 2,48% com
a média de 1,56 %. Sedimentos do mel insolúveis em água como cera, grãos de pólen e outros
componentes, pela legislação podem representar no máximo 0,1 % (BRASIL, 2000). As
amostras de todas as marcas apresentaram percentuais muito acima dos permitidos pela
legislação, estando fora dos padrões estabelecidos.
Isso pode ser resultado do fato de que muitos apicultores não dispõe de decantadores
ou que não decantam o mel por tempo suficiente antes de envasar para comercialização. Pode
ainda indicar o uso de utensílios (baldes e peneiras) não recomendados para manipulação e
filtragem do mel.
Utiliza-se este parâmetro para determinar possível irregularidade no mel, como: falta
de higiene, não decantação e/ou filtração no final do processo de retirada do mel pelo
apicultor (VILHENA & ALMEIDA-MURADIAN, 1999).
O mel deve estar isento de substâncias inorgânicas e orgânicas estranhas a sua
composição, tais como: insetos, partes de insetos, larvas, grão de areia, contaminações
microbianas ou resíduos tóxicos (GIL, 1980).
A reprovação de todas as marcas de mel neste quesito revelam graves problemas de
ordem tecnológica na produção e processamento do mel. Os percentuais muito acima dos
permitidos pela legislação comprometem a qualidade do produto e o desvaloriza ou
desclassifica para o comércio.

3.3.3.2.2. Resíduos minerais fixos

Os resíduos minerais fixos das amostras analisadas variaram de 0,07 a 0,71% com a
média de 0,47%. O máximo permitido no mel pela legislação é de 0,6%. As amostras M1,
M7, M10 e M9 excederam o valor máximo permitido, dessa forma, estando fora do padrão
dos valores estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL, 2000).
Alguns autores afirmam que os méis mais nutritivos e medicinais são em geral os mais
escuros, porque concentram maiores quantidades de minerais (BARROS, 1965).
Estudos de Vidal (1984) atribuem altos teores de zinco, alumínio ou ferro como
resultados do armazenamento inadequado do mel em vasilhames que desprendem estes
elementos.
102

3.3.3.2.3. Reação de Lund

A reação de Lund das amostras analisadas apresentaram de 0 a 2,0 ml, com média
1,25ml. As amostras M7 e M8 não formaram precipitado em presença do reagente.
Essa reação determina qualitativamente a presença de substâncias albuminóides, que
são componentes normais no mel. O resultado positivo é indicado pela formação de um
precipitado de 0,6 a 3,0 ml, em função da adição do ácido tânico à amostra. A reação não
ocorre em mel artificial. No caso de mel adulterado, o volume do precipitado aparecerá em
menor quantidade (LANARA, 1981). O Instituto Adolfo Lutz (1985), recomenda esse método
para pesquisar a presença de amido e dextrinas no mel.
103

3.3.3.3. Parâmetros de deterioração

Os resultados da determinação dos parâmetros de deterioração: acidez, pH e reação de


Fiehe em méis comercializados em Cáceres são apresentado na Tabela XIV:

Tabela XIV: Caracterização físico-química (acidez, pH e reação de Fiehe) do mel


comercializado em Cáceres, Mato Grosso, 2009.
Marca Lote Acidez pH Reação de
m.eq./kg Fiehe
M1 10/12/2008 36.38 3.95 salmão
M1 20/9/2008 40.66 3.97 salmão
M1 20/11/2008 38.52 3.7 salmão
M2 lote 10 39.59 4 vermelho cereja *
M3 ago/07 35.31 3.92 vermelho cereja *
M4 13/8/2008 39.61 3.71 Salmão
M5 lote 04 /2008 32.1 3.65 salmão
M6 dez/08 33.17 3.94 salmão
M6 jan/09 41.73 4.18 salmão
M7 jun/08 46.01 3.52 salmão
M7 4/6/2008 44.94 3.5 vermelho cereja *
M8 20/9/2008 62.06 * 2.91 vermelho cereja *
M9 set/07 41.73 3.4 vermelho cereja *
M10 9/10/2008 34.24 4.17 salmão
M10 5/12/2008 35.31 4.14 salmão
M10 9/8/2008 42.8 3.53 salmão
M10 2/10/2008 37.45 3.95 salmão
M11 set/09 38.52 3.9 salmão
M12 Sd 44.94 4.45 salmão
Média 40.27 3.82
DesvPad 6.65 0.35
Padrões ≤ 50,0 3,3 a 4,6
* valores acima dos limites estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL,2000)
Org: autor
104

3.3.3.3.1. Acidez

A acidez das amostras de mel analisadas variou de 32,1 a 62,06 meq/kg, com valor
médio de 40,27 meq/kg. A amostra M8 apresentou valor acima do estabelecido pela
legislação.
A acidez do mel deve-se a diversos fatores: a variação dos ácidos orgânicos causada
pelas diversas fontes de néctar, a atividade enzimática da glicoseoxidase que origina o ácido
glucônico, a ação das bactérias durante a maturação e os minerais presentes em sua
composição que influenciam a textura e a estabilidade do mel (TERRAB, 2003).
A legislação estabelece o valor limite máximo de acidez 50 meq/kg (BRASIL, 2000).
Um valor acima pode ser indicativo de um processo fermentativo no mel.

3.3.3.3.2. pH

O pH das amostras de mel analisadas variaram de 3,3 a 4,1 com um valor médio de
3,7. O mel é naturalmente ácido e os valores encontrados estão dentro da faixa de variação
estabelecida pela norma vigente, podendo variar de 3,3 a 4,6 (BRASIL, 2000).
Os valores de pH obtidos estão próximos aos observados em análise de méis na
Paraíba, onde as amostras analisadas variaram de 3,8 a 4,7 (EVANGELISTA-RODRIGUES
et al., 2005), entretanto, apresentam uma faixa de variação do pH menor que as observadas
por Marchini et al. (2005), que foi de 2,9 a 5,1 para méis de eucalipto do Estado de São Paulo.
Embora não haja indicação de análise de pH como obrigatória para avaliação da
qualidade do mel, ela é realizada apenas como um parâmetro auxiliar para a avaliação da
acidez total (ARAUJO et al., 2006) ou como um parâmetro de importância na extração e no
armazenamento do mel (WELKE et al., 2008).
Valores elevados de pH do mel, podem indicar fermentação ou adulteração do produto
(LEAL et al., 2001). O valor de pH do mel pode ser influenciado pela composição florística,
pelo pH do néctar das plantas utilizadas na composição do mel e pelas substâncias
mandibulares das abelha acrescidas ao néctar durante o seu transporte até a colméia (CRANE,
1985; EVANGELISTA-RODRIGUES et al., 2003).
105

3.3.3.3.3. Reação de Fiehe

Esta reação qualitativa baseia-se numa reação colorimétrica, onde o


hidroximetilfurfural reage com a resorcina em meio acido, cujo resultado positivo exibe a
coloração vermelha. A reação também ocorre em menor intensidade em mel estocado em
temperatura ambiental elevada (LANARA, 1981).
A maioria das amostras de mel foi negativa para essa reação. Entretanto, cinco marcas
(M2, M3, M7, M8 e M9) foram positivas, apresentando coloração vermelho cereja, o que
denuncia a presença de hidroxidometilfurfural (HMF).
A determinação de HMF é um indicador da qualidade que auxilia na identificação de
um produto fresco quando existir em baixas concentrações ou que tenha sido aquecido,
adulterado com xaropes de açúcar invertido e glicose comercial, estocado por longo período
ou em condições inadequadas, quando for encontrado em altas concentrações (INSTITUTO
ADOLFO LUTZ, 1985; BARTH & SINGH, 1999; WIESE, 2000).
Os resultados para as amostras M3 e M9 podem ser explicado pelo longo tempo de
armazenamento, comprovado pela data do lote, de Agosto e Setembro de 2007. A amostra
M2 apresenta selo de inspeção sanitária estadual, que atesta o padrão de qualidade do produto
na origem. As amostras M2 e M8 são oriundas de outros municípios e passaram por
transporte a longa distância. A amostra M2, M7 e M8 foram adquiridas em mercados de
pequeno porte, que a princípio apresentam piores condições de armazenamento e exposição.
Nessas condições, as amostras podem sofrer maior influência da elevada temperatura
ambiente local.

3.3.3.3.4. Características Organolépticas

As características organolépticas como cor, sabor, aroma e consistência foram


avaliadas e consideradas normais, exceto para a amostra M12. Neste caso foi observado
presença de formigas e material estranho de coloração branca. Isso se deveu ao tipo de
tamponamento utilizado, muito frágil, feita com filme plástico.
No mercado mundial, o mel é avaliado por sua cor, sendo que os méis mais claros
alcançam preço mais alto que os méis escuros (CRANE,1985). Embora a cor do mel não seja
um fator de qualidade, mas sim um caráter de apresentação comercial exigido por um grande
106

número de compradores, que preferem os méis claros (GIL, 1980). Para fins comerciais os
caracteres físicos do mel são mais importantes, pois favorecem a sua identificação e
tipificação (SCHEREN, 1984).
107

3.3.4. Conclusões do Capítulo 3

O apicultor isoladamente ou através de pequenas associações/cooperativas comercializa


a sua produção de mel no mercado local. Não parece existir uma marca líder dominando o
mercado, mas sim marcas pulverizadas disputando posição no mercado.
Por outro lado, quando o próprio apicultor produz, beneficia e comercializa o mel, sem
passar pelas mãos dos atravessadores, ele consegue agregar valor ao seu produto, criar uma
marca e um mercado próprio de atuação. Com isso, mesmo com uma pequena escala, essas
pequenas marcas se mantém no mercado pelo ganho no valor agregado do produto.
Há grande diversidade de marcas de mel disponível no mercado local, oriundas
principalmente do município de Cáceres e outras localidades regionais, entretanto, somente
duas marcas (M2 e M5) apresentaram selo de inspeção sanitária.
O rótulo da maioria das marcas de mel comercializado não está em conformidade com
as mudanças ocorridas na legislação relativas à rotulagem de alimentos de origem animal
embalados e a informações nutricionais de caráter obrigatório. A rotulagem é um importante
instrumento de identificação da origem do mel e se torna uma garantia de produtos com
qualidade e segurança ao consumidor e produtor.
Todas as amostras de mel avaliadas apresentaram algum dos parâmetros físico-
químico fora dos padrões exigidos pela legislação brasileira vigente, inclusive as marcas que
apresentaram selo de inspeção sanitária. Os parâmetros sólidos insolúveis, resíduos minerais
fixos e reação de Fieher foram aqueles que apresentaram maior número de não
conformidades. Isso pode indicar falhas na produção, colheita ou processamento do mel.
Podem ainda indicar inadequações no transporte e/ou armazenamento do mel.
O monitoramento da qualidade do mel pode ajudar a identificar e corrigir possíveis
falhas no sistema de produção, visando orientar aos apicultores na adoção de estratégias de
manejos adequadas. Superar esse gargalo tecnológico, de atender aos padrões mínimos
exigidos pelo regulamento técnico de identidade do mel é fundamental para o
desenvolvimento da apicultura regional.
108

IV. CONCLUSÕES GERAL

O estado de Mato Grosso em comparação com demais estados brasileiros produtores,


apresenta produção de mel bastante tímida frente ao potencial ambiental que possui,
representando uma nova fronteira para o avanço da apicultura brasileira.
O engajamento dos atores sociais e o potencial de governança local, representados
pelas associações de apicultores, agências de serviços públicos e instituições de ensino foram
fatores decisivos na implantação do APL de Apicultura. O trabalho desenvolvido pro
porcionou a articulação e cooperação entre diferentes instituições governamentais e não
governamentais no intuito de desenvolver ações de apoio ao desenvolvimento da atividade
apícola na região da Sudoeste de Mato Grosso.
O georreferenciamento e a avaliação do entorno dos apiários avaliados indicou
diferenças na produção de mel e disponibilidade de recursos florísticos. Dessa forma, essa
ferramenta pode servir de auxiliar nas decisões de gestão e de planejamento da atividade
apícola, principalmente diante das exigências de controle de origem e segurança alimentar
sobre os produtos de origem animal.
A diversidade de plantas, vegetação natural, ambientes conservados e principalmente,
áreas de pastagens com presença de plantas invasoras, em diferentes estádios sucessionais,
proporcionam grande potencial produtivo para a apicultura na região Sudoeste de Mato
Grosso. Aliado a isso, o clima e hidrografia favoráveis, a concentração de áreas de
assentamentos rurais e de agricultura familiar e a ausência de agricultura empresarial,
favorecem a expanção da atividade apícola.
A apicultura se apresenta como uma forma de uso sustentável das áreas de vegetação
natural, áreas de pastagens degradadas e capoeiras existentes na região Sudoeste de Mato
Grosso. A atividade mostra-se ainda compatível com outras atividades já consolidadas como a
bovinocultura, presente em todos os municípios e o turismo, mais desenvolvido em Cáceres,
Curvelândia, Reserva do Cabaçal e Vila Bela da Santissima Trindade.
A qualidade é a maior barreira técnica existente no mercado nacional e internacional
dos produtos apícolas. Apesar da oferta de treinamento, assistência técnica e apoio aos
apicultores, como parte das ações desenvolvidas no APL de Apicultura, foi observado que o
mel comercializadado em Cáceres apresenta problemas relacionados à qualidade.
Será necessário investir em programas de capacitação em Boas Práticas Apícolas
(BPA) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) visando melhorar o
padrão técnico da atividade apícola regional. Bem como, seria importante a realização
109

periódicas de análises físico-químicas do mel comercializado, como forma de prevenção e


controle de fraudes, agentes contaminantes ou resíduos tóxicos, com vistas a certificação da
qualidade do mel produzido na região.
Muito pode ser feito para melhoria da rotulagem das marcas de mel comercializadas.
Sugere-se investir esforços na criação de uma marca única e/ou a criação de um selo que
identifique ao consumidor a região de origem do produto.
A diversificação da produção apícola da região é uma importante estratégia para
ampliar a geração de renda da atividade, otimizar o aproveitamento do potencial das floradas
e assegurar maior estabilidade à base produtiva da apicultura.
A apicultura pode melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares,
principalmente se inseridos em uma rede de fomento apícola e organizados em associações e
cooperativa para trabalhar com um produto diferenciado.
O apelo comercial do mel, um produto reconhecidamente natural, associado a imagem
de preservação ecológica do Pantanal, internacionalmente conhecida, fortalece
comercialmente o produto no mercado e o diferencia dos demais produtos existentes.
A produção orgânica de mel pode ser outro importante diferencial para assegurar
mercado e preços diferenciados no comércio internacional de mel, entretanto, devem ser
observadas com bastante atenção as instruções que normatizam o processo certificação.
Conhecer as características dos produtos apícolas regional é fundamental para a
abertura de novos mercados, principalmente no mercado internacional, permitindo estabelecer
padrões de qualidade específicos que possibilitam a classificação de origem dos produtos
apícolas.
110

V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABDON, M.M., SILVA, J.S.V., POTT, J.V., POTT, A. & SILVA, M.P. 1998. Utilização de
dados analógicos do Landsat-TM na discriminação da vegetação de parte da sub-região da
Nhecolândia no Pantanal. Pesq. Agropec. Bras., Brasília, v.33, Número Especial, p.1799-
1813.

ABEMEL. 2006. Associação brasileira dos exportadores de mel. O futuro do mel. NET.
Disponível em: http://www.abemel.com.br/noticias06.htm Acesso em : 14 jul. 2009.

AGUIAR, C.M.L. 2003. Utilização de recursos florais por abelhas (Hymenoptera, Apoidea)
em uma área de Caatinga (Itatim, Bahia, Brasil). Revt. Bras. Zool. v.20, n.3:457-467.

AGROBIT. 2004. Flora apícola. NET. Disponível em:


http://www.agrobit.com.ar/Info_tecnica/alternativos/apicultura/AL_000003ap.htm. Acesso
em : 29 abr. 2007.

ALENCAR, S.M., AGUIAR, C.L., PAREDES GUZMÁN, J. & PARK, Y.K. 2005.
Composição química de Baccharis dracunculifolia, fonte botânica das própolis dos estados de
São Paulo e Minas Gerais. Ciênc. Rur., v.35, n.4, jul-ago. p.909-915.

ALMEIDA, N.N., SILVEIRA, E.A. & BARROS, L.T.L.B. 2000. Mapa de vegetação e uso do
solo da região de Poconé, MT: I-descrição das unidades. In: Anais do III Simpósio sobre
Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal (Anais). Embrapa Pantanal. Corumbá
(versão eletrônica).

AMARAL FILHO, J.; AMORIM, M.: RABELO, D.; MOREIRA, M.V.C. ARAÚJO, M. R.;
ROCHA,G. & SCIPIÃO,T. 2002. Núcleos e Arranjos Produtivos Locais: Casos do Ceará.
NET. Disponível em www.iplance.ce.gov.br/publicacoes/artigos/ART_4.pdf . Acesso em : 30
abr. 2007.

AMARAL, D.L. & FONZAR, B.C. 1982. In: BRASIL. Ministério de Minas e Energia.
Projeto RADAMBRASIL. folha SD-21. Cuiabá. Rio de Janeiro: Secretaria Geral, p.329-372
111

il. (Levantamento de Recursos Naturais, 27).

ANACLETO, D.A. & MARCHINI, L.C. 2005. Análise faunística de abelhas (Himenoptera
Apoidea) coletadas no cerrado do Estado de São Paulo. Acta Sci. Biol. Sci. Maringá, v. 27, n.
3: 277-284, July/Sept.

ANVISA. 1998. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº 27 de 13 de janeiro de


1998. Informação Nutricional complementar. D.O.U., Poder Executivo, 16 janeiro de 1998.

ANVISA. 2001a. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 40, de 21 de março


de 2001. Regulamento Técnico para Rotulagem Nutricional Obrigatória de Alimentos e
Bebidas Embalados. D.O.U., Poder Executivo, de 22 de março de 2001.

ANVISA. 2001b. Agência Nacional de Vigilância Sanitária Resolução nº 39, de 21 de março


de 2001, Aprova a Tabela de Valores de Referência para Porções de Alimentos e Bebidas
Embalados para Fins de Rotulagem Nutricional. D.O.U., Poder Executivo, de 22 de março de
2001.

ANVISA. 2003a. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 359, de 23 de


dezembro de 2003. Regulamento Técnico de Porções de Alimentos Embalados para Fins de
Rotulagem Nutricional. D.O.U., Poder Executivo, de 26 de dezembro de 2003.

ANVISA. 2003b. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução nº 360, de 23 de


dezembro de 2003. Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos
Embalados, tornando obrigatória a rotulagem nutricional. D.O.U., Poder Executivo, de 26 de
dezembro de 2003.

ANVISA. 2005. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Rotulagem Nutricional


Obrigatória: manual de orientação às indústrias de alimentos. Ministério da Saúde, Agência
Nacional de Vigilância Sanitária, Universidade de Brasília. 44p.

ANVISA. 2007. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Regulamento Técnico de Boas


Práticas Farmacêuticas em Farmácias e Drogarias. Consulta Pública nº 69, de 11 de julho de
112

2007. D.O.U., Poder Executivo, de 13 de julho de 2007.

ARAÚJO, D.R., SILVA, R.H.D. & SOUSA, J.S. 2006. Avaliação da qualidade físico-
química do mel comercializado na cidade de Crato, CE. Rev. de Biol. e Ciênc. da Terra, v.
6, n. 1, p. 51-55.

AZEREDO, L.C.; AZEREDO, M.A.A.; SOUZA, S.R. & DUTRA V.M.L. 2003. Protein
contents and physicochemical properties in honey simples of Apis mellifera of different
origins. Food Chemistry, London, v.80, p.249-254.

BACHA JÚNIOR, G. L. 2007. Aspectos Epidemiológicos da Infestação do Ácaro Varroa


spp. em Apiculturas da Microrregião de Viçosa – MG. (Dissertação) Programa de Pós-
Graduação em Medicina Veterinária Preventiva, Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). 126p.

BARROS, M.B. 1965. Apicultura. Rio de Janeiro (RJ): Editora IBGE. 245p.

BARTH, P.K. & SINGH, N.A. 1999. Comparison between Helianthus annuus and
Eucapyptus lanceolatu honey. Food Chem., Amsterdam, v. 67, p. 389-387.

BARTH, O.M. 1989. O pólen no mel brasileiro. Rio de Janeiro, Luxor, 150p.

BARTH, O.M., MAIORINO, C., BENATTI, A.P.T. & BASTOS, D.H.M. 2005.
Determinação de parâmetros físico-químicos e da origem botânica de méis indicados
monoflorais do Sudeste do Brasil. Ciênc. e Tec. de Alim., v. 25, n. 2, p. 229-233.

BASTOS, D.H.M. 1994. Açúcares do mel: aspectos analíticos. Rev. de Farm. e Biol., v.12,
n.1, p.151-157.

BASTOS, E.M.A.F. 2002. Origem botânica do mel e da própolis produzidos por abelhas,
determinados por observações em campo, métodos microscópicos e RAPD. In:
CONGRESSO BAIANO DE APICULTURA, 2002, Salvador, BA. Anais... Salvador: UESC,
2002. p.32-33.
113

BASTOS, E.M.A. 2006. Denominação de origem da própolis - valor agregado. In:


ENCONTRO SOBRE ABELHAS, 2006, Ribeirão Preto, SP. Anais....Ribeirão Preto:
FFLCH/USP, 2006.

BERTONI, J. & LOMBARDI NETO, F. 1990. Conservação do Solo. São Paulo: Ícone, 355
p.

BIJOS, G.N. 2008. Apicultores trabalham para dobrar a produção de mel em todo Estado.
Jornal Agroin Agronegócios. Mato Grosso do Sul. Set./2008. p11.

BLUM, C.T. & OLIVEIRA, R.F. 2008. Reserva Florestal Legal no Paraná, alternativas de
recuperação e utilização sustentável. NET:
http://www.biodiversidade.rs.gov.br/arquivos/1161520168Reserva_florestal_legal_no_Parana
_alternativas_de_recuperacao_e_utilizacao_sustentavel.pdf . Acessado em: jul. 2008.

BOTELHO, A. J. 2005. Dinâmica de competetividade via Inovações Tecnológicas: Cluster,


arranjo produtivo local (APL) e sistema local de inovação (SLI). Rev. de Expr. Trib., Ano 9,
Nº 41.

BRASIL. 2000. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Defesa Animal.


Legislações. Legislação por Assunto. Legislação de Produtos Apícolas e Derivados. Instrução
Normativa n. 11, de 20 de outubro de 2000. Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade
do Mel. Brasília, DF, D.O.U., Poder Executivo.

BRASIL. 2005. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº


22, de 24 de novembro de 2005. Regulamento Técnico Para Rotulagem de Produto de Origem
Animal Embalado. Brasília, DF, D.O.U., Poder Executivo.

BRASIL, A.E. & ALVARENGA, S.M. 1988. Relevo. IN: Geografia do Brasil - região
centro-oeste. Rio de Janeiro: IBGE, 364p.

CAC. 1989. Codex Alimentarius Commission. Codex standards for sugars (honey). Rome:
FAO, 21p.
114

CAC. 1990. Codex Alimentarius Commission. Official methods of analysis. v.3, Supl.2.
p.15-39.

CÂMARA, G. & ORTIZ, M.J. 1998. Sistemas de Informação Geográfica para Aplicações
Ambientais e Cadastrais: Uma Visão Geral. In: SILVA, M.S. Cartografia, Sensoriamento e
Geoprocessamento, cap. 2, Lavras FLA/SBEA, pp.59-88.

CAMPOS, G. 1998. Melato no mel e sua determinação através de diferentes metodologias.


Belo Horizonte: UFMG. Tese de Doutorado (Tese) Universidade Federal de Minas Gerais -
Escola de Veterinária.

CARVALHO, A.L. & PODESTÁ FILHO, J.A. 1988. Geologia. IN: Geografia do Brasil -
região centro-oeste. Rio de Janeiro: IBGE, 364p.

CARVALHO, C.A.L. & MARCHINI L.C. 1999. Plantas visitadas por Apis Mellifera L. no
Vale do Rio Paraguaçu, Município de Castro Alves, Bahia. Rev. Bras. Bot., São Paulo, v. 22,
n. 2, p. 333-338.

CASSIOLATO, J. E. & LASTRES H. M.M. 2004. Sistema de Informações de Arranjos


Produtivos e Inovativos Locais. NET: www.redesist.ie.ufrj.br. Acessado em 06 jun. 2008.

CBA. 2009. Confederação Brasileira de Apicultura. Programa Nacional de


Georreferenciamento e Cadastro de Apicultores. NET. Disponível em:
www.brasilapicola.gov.br. Acessado em 08 jun. 2008.

CONAB. 2009. Companhia Nacional de Abastecimento. A CONAB. Ministério da


Agricultura, Pecuária e Abastecimento. CONABWEB. NET. Disponível em:
http://www.conab.gov.br/conabweb/index.php?PAG=10. Acessado em: 31 jul. 2009.

CORINGA, E. A. O. & CORINGA, J. E. S. 2009. Características Físico-Químicas de Méis


Produzidos no Estado de Mato Grosso. NET. Disponível em:
115

http://www.hbatools.com.br/congresso/trabalho/42/ELAINE_CORINGA_CPF_57013462187
-ENVIO_18-6-2009_16-42-04.doc

COSTA, L.S.M.; ALBUQUERQUE, M.L.S.; TRUGO, L.C.; QUINTEIRO, L.M.C.; BARTH,


O.M.; RIBEIRO, M. & DE MARIA, C.A.B.. 1999. Determination of non-volatile compounds
of different botanical origin Brazilian honeys. Food Chemistry. 65, 347-352.

CRANE, E. 1985. O livro do mel. São Paulo: Nobel. 226 p.

CRANE, E. 1990. Bees and beekeeping: science, practice and world resources. Oxford:
Heinemann Newnes. 614 p.

CRUZ, C.D. & REGAZZI, A.J. 1994. Modelos biométricos aplicados ao melhoramento
genético. Viçosa, Universidade Federal de Viçosa, 390p.

COUTINHO, A.C. 2005. Dinâmica das Queimadas no Estado do Mato Grosso e suas
Relações com as Atividades Antrópicas e a Economia Local. Tese de Doutorado (Tese)
Programa de Ciências Ambientais - FEA / USP. 308p.

COUTO, R.H.N. 1989. Polinização com abelhas africanizadas. Apicultura & Polinização,
São Paulo: 34, n. 6, p. 32-33, set./out.

DEL’ARCO, J.O. & BEZERRA, P.E.L. 1988. Geologia. IN: Geografia do Brasil - Região
Centro-oeste. Rio de Janeiro: IBGE, 364p.

DÉSTRO, G.F.G. & CAMPOS, S. 2006. SIG-Spring na caraterização do uso do solo a partir
de imagens do satélite CBERS. Energ. Agrícola, v. 21, n.4, p. 28-35.

EMBRAPA MEIO-NORTE. 2003. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio-


Norte. Produção de mel, 3. Versão eletrônica. Jul/2003. NET. Disponível em:
http:\\sistemasdeprodução.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mel/. Acesso em mai. 2007.

EMPAER-MT. 1995. Diretrizes Técnicas: apicultura. Estado de Mato Grosso, Cuiabá:


116

EMPAER-MT. 31p. (EMPAER-MT. Diretrizes técnicas, 4).

EVANGELISTA RODRIGUES, A., SILVA, E.M.S., BEZERRA, E.M.F. & RODRIGUES,


M.L. 2005. Análise físico-química dos méis das abelhas Apis mellifera e Melipona scutellaris
produzidos em duas regiões no Estado da Paraíba. Ciênc. Rur. v. 35, n.5, p.1166-1171.

EVANGELISTA RODRIGUES, A., SILVA, M.A.F., DORNELLAS G.S. & RODRIGUES


M.L. 2003. Estudo de plantas visitadas por abelhas Melipona scutellaris na microrregião do
brejo no Estado da Paraíba. Acta Scientia. Anim. Sciences Maringá, v. 25, no. 2, p. 229-234.

FERREIRA, A. B. & LANFER-MARQUEZ, U. M. 2007. Legislação brasileira referente à


rotulagem nutricional de alimentos. Rev. Nutr., Campinas, 20(1):83-93.

FERREIRA, M.D. 1981. Plantas apícolas no Estado de Minas Gerais. Infor. Agrop., v. 7, p.
40-7.

FIDALGO, O. & BONONI, V.L.R. 1984. Técnicas de coletas, preparação e herborização


de material botânico. São Paulo: IBT. 30p.

FLORENZANO, T. G. 2002. Imagens de satélite para estudos ambientais. São Paulo:


Oficina de Textos, 97p.

FRANÇA, G.V. & DEMATTÊ, J.A.M. 1993. Levantamento de solos e interpretação


fotográfica dos padrões desenvolvidos em solos originados do arenito de Bauru. Scien.
Agríc., 50 (01): 77-86.

FREITAS, B.M. 1994. Beekeeping and cashew in North-eastern Brazil: the balance of honey
and nut production. Bee World, 75 (4): 168-177.

FREITAS, B. M. 1998. Uso de programas racionais de polinização em áreas agrícolas.


Mensagem Doce, Maio, nº 46.

FREITAS, D.G.F. KHAN, A.S. & SILVA, L.M.R. 2004. Nível Tecnológico e Rentabilidade
117

de Produção de Mel de Abelha (Apis Mellifera) no Ceará. RER, Rio de Janeiro, 42 (01): 171-
188.

GALDINO, S., RISSO, A., SORIANO, B.M.A., VIEIRA, L.M. & PADOVANI, C.R. 2006.
Potencial erosivo da Bacia do Alto Taquari In: GALDINO S., VIEIRA, L. M. &
PELLEGRIN, L. A. (ed.) Impactos Ambientais e Socioeconômicos na Bacia do Rio
Taquari - Pantanal. Corumbá: Embrapa Pantanal. p.105-117.

GALLO NETO, C. 2007. Técnica determina origem floral do mel. Jornal da Unicamp.
Universidade Estadual de Campinas, 5 a 11 de março de 2007. p. 4.

GERALDES, M. C. 1996. Estudos geoquimicos e isotopicos das mineralizações auriferas e


rochas associadas da Região de Pontes e Lacerda (MT) Dissertação de mestrado (Tese),
Instituto de Geociências da Unicamp, Campinas, SP.

GIL, J.M.S. 1980. Apicultura. Barcelona, Espanha: Editorial Aedos. 418p.

GINGRAS, D.; GINGRAS, J. & OLIVEIRA, D. 1999. Visits of Honeybees (Hymenoptera:


Apidae) and their effects on Cucumber Yields in the Field. J. Econ. Entomol., v. 92, n. 2, p.
435-438.

GOMES, G.S.; LOMBARDI, K.C; KLOSSOWSKI, A.; DELGOBO, R.; WORUBY, J.;
RAMOS, M.; VIDAL, C.M.; FARIA, A.C.B. & LARA, A.G. 2008. Fomento à diversificação
e a adequação ambiental de propriedades familiares do território Centro-Sul do Paraná. Salão
de Extensão e Cultura. UNICENTRO/ Departamentos de Engenharia Florestal e Ambiental.
NET. Disponível em:
http://www.unicentro.br/proec/publicacoes/salao2008/artigos/Gabriela%20Schimitz.pdf

GOULSON, D. 2003. Effects of introduced bees on native ecosystems. Annu. Rev. Ecol.
Evol. Syst. 34:1-26.

GRECO, H. O. & RESENDE, R. B. 2004. Projeto APIS Apicultura Integrada e Sustentável


IN: SOUZA, D.C. (Org). Apicultura: manual do agente de desenvolvimento rural. Brasília :
118

SEBRAE. 190p.

IBGE. 1992. Manual técnico da vegetação brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, Departamento
de Recursos Naturais e Estudos Ambientais, 92 p. (manuais técnicos em Geociências, n. 1).

IBGE. 1999. Manual Técnico de Uso da Terra. Rio de Janeiro: IBGE, Departamento de
Recursos Naturais e Estudos Ambientais, 58 p. (manuais técnicos em Geociências, n. 7).

IBGE. 2007. Pesquisa agropecuária municipal - 2007. Instituto Brasileiro de Geografia e


Estatística. NET. Disponível em: http:/www.ibge.gov.br/. Acesso: 20 de março de 2009.

IBGE. 2009. Sistema IBGE de recuperação automática – SIDRA. Instituto Brasileiro de


Geografia e Estatística. NET. Disponível em: <www.sidra.ibge.gov.br/bda>. Acesso em: 23
nov. 2007.

IFAT. 2001. International Federation for Alternative Trade. NET. Oxon, UK. The IFAT
Directory 2001/2002.

INFAPI. 2007. Informações Apícolas. Piauí: Emater vai monitorar apiários do Estado. Infor.
Apic. Nº. 49. Disponível em:
http://www.mataciliar.pr.gov.br/modules/noticias/makepdf.php?storyid=1519. Acesso em: 14
jul. 2008.

INNOCÊNCIO, N.R. 1988. Hidrografia. IN: Geografia do Brasil - região centro-oeste. Rio
de Janeiro: IBGE, 364p.

INPI. 2000. Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Resolução nº 75 de 28 de novembro


de 2000. Procedimentos para o registro das indicações geográficas. Revista da Propriedade
Industrial. Rio de Janeiro. RJ. NET. Disponível em www.inpi.gov.br

INSTITUTO ADOLFO LUTZ. 1985. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz:


métodos químicos e físicos análise de alimentos. São Paulo, 1: 533p.
119

INSTITUTO ADOLFO LUTZ. 2005. Métodos químicos e físicos análise de alimentos.


Brasília: ANVISA. 467p.

JACOMINE P.K.T.; CASTRO FILHO, C.; MOREIRA, M.L.C.;VASCONCELOS, T.N.N.;


SOBRINHO, J.B.P.L.; MENDES, A.M.; SILVA, V.; VASCONCELOS, L.A.; JUSUS, L.S.N.
& OLIVEIRA, L.G. 1995. Guia de Identificação dos Principais Solos do Estado de Mato
Grosso. PNUD, PRODEAGRO. 118p.

KERR, W.E. 1967. The history of introduction of African bees to Brazil. South African Bee
Journal, 39(2): pp. 3-5.

KRONKA F.J.N., NALON, M.A., MATSUKUMA, C. K., KANASHIRO M.M., YWANE


M.S.S., LIMA L.M.P.R. GUILLAUMON, J.R., BARRADAS, A.M.F., PAVÃO, M.,
MANETTI, L.A. & BORGO, S.C. 2005. Monitoramento da vegetação natural e do
reflorestamento no Estado de São Paulo. Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto
(Anais...). XII Goiânia, INPE, p. 1569-1576.

LANARA. 1981. Laboratório Nacional de Referência Animal. Métodos Analíticos Oficiais


para Controle de Produtos de Origem Animal e seus Ingredientes. II - Métodos Físicos e
Químicos. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria Nacional de
Defesa Agropecuária, Brasília DF.

LEAL, V. M. ; SILVA, M. H. & JESUS, N. M. 2001. Aspecto físico-quimico do mel de


abelhas comercializado no município de Salvador- Bahia. Rev. Bras. Saúde Prod. An.
1(1):14-18

LORENZI, H. 1992. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas


Arbóreas Nativas do Brasil. V.1. Nova Odessa, São Paulo: Editora Plantarum. 352 p.

LORENZI, H. 1998. Árvores Brasileiras: Manual de Identificação e Cultivo de Plantas


Arbóreas Nativas do Brasil. V.2. Nova Odessa, São Paulo: Editora Plantarum. 368 p.
120

LORENZI, H. 2000. Plantas Daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas.


Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 608p.

LORENZON, M.C.A., SOUSA, C.G. & CONDE, M.M. 2004. As Abelhas Eussociais do
Parque Estadual da Ilha Grande, ERJ. In: V Encontro sobre Abelhas, Ribeirão Preto, SP.
(Anais...) FLFCH-USP. Ribeirão Preto.

LOUREIRO, R.L., SOUZA LIMA, J.P. & FRONZAR, P.C. 1982. Vegetação In: BRASIL,
Ministério da Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL: folha SE. 21 Corumbá a parte da
folha SE. 20. Rio de Janeiro. p. 329-372. (Levantamento de Recursos Naturais, 27).

MACEDO , J. A. 2000. Aplicação de geotecnologias nos projetos de desenvolvimento


florestal, Bahia analise & dados, Salvador: Bahia, SEI , v.10 , n.2 , p52-56.

MAIO, A. 2009. Embrapa Pantanal apresenta pesquisas em apicultura em Bonito. Portal do


Agronegócio. NET. Disponível em:
www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=32717 Acesso em Jan. 2010.

MALERBO SOUZA D. T.; NOGUEIRA COUTO R. H. & COUTO L. A. 2003a. Polinização


em cultura de laranja (Citrus sinensis L. Osbeck, var. Pera-rio) Brazilian Journ al of
Veterinary Research and Animal Science, 40: 237-242.

MALERBO SOUZA D. T.; NOGUEIRA COUTO R. H.; COUTO L. A. & SOUZA J. C.


2003b. Atrativo para as abelhas Apis mellifera e polinização em café (Coffea arabica L.).
Brazilian Journ al of Veterinary Research and Animal Science, 40: 272-278.

MAPA. 2008. Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento. Governo Federal. NET.


Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/ Acessado em 2008.

MARCHINI, L.C. 2001. Caracterização de amostras de méis de Apis mellifera L., 1758
(Hymenoptera: Apidae) do Estado de São Paulo, baseada em aspectos físico-químicos e
biológicos. 2001. Tese (Livre Docência) - Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz",
Universidade de São Paulo, Piracicaba.
121

MARCHINI, L.C. 2004. Composição físico-química de amostras de méis de Apis mellifera L.


do Estado do Tocantins, Brasil. Boletim da Indústria Animal, Nova Odessa, v. 61, n.2,
p.121- 134.

MARCHINI, L.C. & SOUZA, B.A. 2006. Composição físico-química, qualidade e


diversidade dos méis brasileiros de abelhas africanizadas. Anais Congresso Brasileiro de
Apicultura, 16. NET. Disponível em: http://www.apis.sebrae.com.br/arquivos. Acessado em
2008.

MARCHINI, L.C., MORETI, A.C.C.C. & SILVEIRA NETO, S. 2001. Plantas Visitadas por
Abelhas Africanizadas em duas Localidades do Estado de São Paulo. Scie. Agric., v.58, n.2,
p.413-420.

MARCHINI, L.C., MORETI, A.C.C.C. & OTSUK, I.P. 2005. Análise de agrupamento, com
base na composição físico-química, de amostras de méis produzidos por Apis mellifera L. no
Estado de São Paulo. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 25, n. 1, p. 8-17.

MARCHINI, L.C.; SODRÉ, G.S. & RODRIGUES, S.R. 2001b. Características físico-
químicas de amostras de méis de Apis mellifera (Hymenoptera: Apidae) provenientes do
Mato Grosso do Sul. In: Simpósio Latino Americano de Ciência de Alimentos. Resumos.
Campinas: R. Vieira. 160p.

MARON, M. & FITZSIMONS, J.A. 2007. Agricultural intensification and loss of matrix
habitat over 23 years in the West Wimmera, south-eastern Australia. Biological
Conservation, v.35, p. 587-593.

MDIC/SECEX. 2009. Brasil exportador. NET. Disponível em: http:/www.


aliceweb.desenvolvimento.gov.Br/. Acesso: 04 de junho de 2009.

MODRO, A.F.H., RIEDER, A. & ALEIXO, V.M. 2006a. Agentes nocivos para abelhas (Apis
mellifera L.), segundo a percepção dos apicultores de Cáceres, Pantanal Norte, Brasil.
Sitientibus. Série Ciências Biológicas, Feira de Santana-BA, v. 6, p. 93-97.
122

MODRO, A.F.H., RIEDER, A. & ALEIXO, V.M. 2006b. Dinâmica populacional de abelhas
(Apis mellifera L.) e caracterização do manejo apícola, segundo apicultores de Cáceres, Mato
Grosso, Brasil. Sitientibus. Série Ciências Biológicas, Feira de Santana-BA, 6 (01): 63-69.

MORAES, I. A.; CEPEDA, P. B.; BERNARDO, A. R.; RODRIGUES, A. M.; PARDI, H. S.


& MANO, S. B. 2007. Identificação e análise de rotulagem das marcas de mel
comercializadas na cidade do Rio de Janeiro. R. Bras. Ci. Vet., 14 (01): 32-34.

MORAES, R.M. & TEIXEIRA, E.W. 1998. Análises de Mel (Manual Técnico).
Pindamonhangaba: SAA/AMA, 30p.

MORETI, A.C.C.C. 2004. Mel brasileiro: composição e normas. Ribeirão Preto: A.S.P.
111p.

MORETI, A.C.C.C., CARVALHO, C.A.L., MARCHINI, L.C. & OLIVEIRA, P.C.F. 2000.
Espectro polínico de amostras de mel de Apis mellifera L., coletadas na Bahia. Bragantia, 59
(01):1-6.

MORITZ. R.F.A.; HARTEL, S. & NEUMANN, P. 2005. Global invasion of the western
honeybee (Apis mellifera) and the consequences of biodiversity. Ecoscience, 12 (3): 289-301.

NIMER, E. 1988. Clima. IN: Geografia do Brasil - região centro-oeste. Rio de Janeiro:
IBGE, 364p.

OLIVEIRA, M.L. & CUNHA, J.A. 2005. Abelhas africanizadas Apis mellifera scutellata
Lepeletier, 1836 (Hymenoptera: Apidae: Apinae) exploram recursos na floresta amazônica?
Acta Amaz. 35 (03): 389-394.

OLIVEIRA, V.C. & BASTOS, E.M. 1998. Aspectos morfo-anatômicos da folha de Baccharis
dracuncurlifolia DC. (Asteraceae) visando a identificação da origem botânica da própolis.
Acta Bot. Brasil., 12 (03): 431-439.
123

ORTH, A.I. & ORENHA, C.E. A polinização da macieira em Santa Catarina: em busca de
soluções. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE APICULTURA, 13., 2000, Florianópolis.
Anais... Florianópolis: Confederação Brasileira de Apicultura, 2000. v. 13, p. 321-327.

PAINI, D.R. 2004. Impact of the introduced honey bee (Apis mellifera)(Himenoptera:
Apidae) on native bees: A review. Austral Ecology, 29, 399-407.

PAULA NETO F.L. & ALMEIDA NETO, R.M. 2005. Principais Mercados Apícolas
Mundiais e a Apicultura Brasileira. Mensagem doce n. 84. Nov. APACAME.

PAXTON, R. 1995. Conserving wild bees. Bee World. 2 (76): 53-55.

PCBAP, 1997. Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai - PCBAP: diagnóstico


dos meios físico e biótico. Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da
Amazônia Legal. Brasília: MA/SEMA/PNMA, v.2, t.2, p.1-179.

PEREIRA, F. M., LOPES, M. T. R.,CAMARGO, R. C. R. & VILELA, S. L. O. 2003.


Produção de Mel. EMBRAPA Meio-Norte. Sistema de Produção, 3. NET. (versão
eletrônica). http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Mel/SPMel/index.htm

PEREZ, L.H.; REZENDE, J.V. & FREITAS, B.B. 2006. Mel: câmbio e embargo europeu
podem prejudicar exportações em 2006. Instituto de Economia Agrícola. Anal. e Indic. do
Agroneg. v. 1, abr./ 2006.

PINTO, J.R.R. 1997. Levantamento florístico, estrutura da comunidade arbóreo-arbustiva e


suas correlações com as variáveis ambientais em uma floresta de vale no Parque Nacional da
Chapada dos Guimarães, Mato Grosso. Lavras: UFL. 87p. Dissertação (mestrado em
engenharia Florestal).

PINTO, M. G. & SOUTO, M. S. M. L. 2007. Arranjos Produtivos Locais Como Ferramenta


de Desenvolvimento Econômico e Inovação: Um Diagnóstico Sobre a Experiência Nacional.
124

In: XIV Simpósio de Engenharia de Produção (Anais). Bauru – SP, 2007.

PORTER, M. E. 1989. A Vantagem Competitiva das Nações. Rio de Janeiro. Ed. Campus.

POTT, A. & POTT, V.J. 1986. Inventário da Flora Apícola do Pantanal de Mato Grosso
do Sul. Corumbá: EMBRAPA-CPAP, 16 p. (EMBRAPA-CPAP. Pesquisa em Andamento,
03).

POTT, A. & POTT, V.J. 1994. Plantas do Pantanal. Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, Centro de Pesquisa Agropecuária do Pantanal. Embrapa. Corumbá/MS. 320 p.

POTT, A., SILVA, J.S.V., ABDON, M.M., POTT, V.J., RODRIGUES, L.M.R., SALIS, S.M.
& HATSCHBACH, G.G. 1997. Vegetação. In BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, dos
Recursos Hídricos e da Amazônia Legal. Plano de Conservação da Bacia do Alto Paraguai
- PCBAP: diagnóstico dos meios físico e biótico. Brasília: MA/SEMA/PNMA, v.2, t.2, p.1-
179.

RAFFO, J.G. & DE PAULA R.V. 2009. Planejamento de Apicultura sustentável num
assentamento rural usando SIG: caso do assentamento Padre Josimo Tavares (PA). XIX
Encontro Nacional de Geografia Agrária (Anais...), São Paulo, 2009, pp. 1-11.

REIS, V.D.A. & COMASTRI FILHO, J.A. 2003. Importância da Apicultura no Pantanal
Sul-Matogrossense. Corumbá: Embrapa Pantanal. 23p.

RESENDE & VIEIRA, 2008. Desejos da Apicultura Brasileira. Revista SEBRAE


Agronegócios. Brasília (DF): SEBRAE. n. 3. Maio. 64p.

RESENDE, M.: SANDANIELO, A. & COUTO, E.G. 1994. Zoneamento Agroecológico do


Sudoeste de Mato Grosso. Cuiabá: EMPAER-MT. 130p. (EMPAER Documentos 04).

RIDER, A. 1990. Análise Global para o Projeto Facão. IN: Projeto de Irrigação da
Comunidade Facão (Documentos). EMATER-Cuiabá/MT. 1 :109-121.
125

RISSATO, S.R., GALHIANE, M. S., KNOLL, F.R.N., ANDRADE, R.M.B. & ALMEIDA,
M.V. 2006. Método multirresíduo para monitoramento de contaminação ambiental de
pesticidas na Região de Bauru (SP) usando mel como bio-indicador. Quím. Nova, v. 29, n. 5,
p. 950-955.

ROUBIK, D. W. 1978. Competitive interactions between neotropical pollinators and


Africanized honey bees. Science, 201: 1030-1032.

ROUBIK, D.W. 1980. Foraging behavior of competing Africanized honey bees and stingless
bees. Ecology, 61 (4): 836-845.

SÁNCHEZ, R.O. 1992. Zoneamento Agroecológico do Estado de Mato Grosso


(Ordenamento Ecológico-Paisagístico do Meio Natural e Rural). Cuiabá: SEPLAN-MT. 155p.

SANCHEZ, M. 1997. Apicultura no Cerrado. Goiânia (GO):Editora Kelps. 92p.

SANTOS, A.M.M.M. & GUARNERI, L.S. 2000. Características Gerais do Apoio a


Arranjos Produtivos Locais. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 12, p. 195-204.

SANTOS, F.M.; CARVALHO, C.A.L. & SILVA, R.F. 2004. Diversidade de abelhas
(Hymenoptera: Apoidea) em uma área de transição Cerrado-Amazônia. Acta Amaz. Vol.
34(2) 2004: 319 – 328.

SANTOS, J.E., CAVALHEIRO F., PIRES, J.S.R., OLIVEIRA, C.H. & RODRIGUES
PIRES, A.M.Z.C.(org.). 2005. Faces da polissemia da paisagem: ecologia, planejamento e
percepção. São Carlos: Ed. Rima-FAPESP. 420p.

SANTOS, R.F., KIILL, L.H.P. & ARAÚJO, J.L.P. 2006. Levantamento da flora melífera de
Interesse Apícola no Município de Petrolina-PE. Revista Caatinga (Mossoró, Brasil), Ed.
UFERSA v.19, n.3. p. 221-227.

SANTOS, R.M., VIEIRA, F.A., FAGUNDES, M., NUNES, Y.R.F. & GUSMÃO, E. 2007.
Riqueza e similaridade florística de oito remanescentes florestais no Norte de Minas Gerais,
126

Brasil. R. Árvore, Viçosa-MG, v.31, n.1, p.135-144.

SANTOS, V. M. Notas Conceituais Sobre Abordagem de Clusters Produtivos. Espaço


Acadêmico, ano 3, n°27, agosto/2003. NET.
http://www.espacoacademico.com.br/027/27csantos.htm. Acessado em: 06 junho 2008.

SCATOLIM, R. L. 2009. A Importância do Rótulo na Comunicação Visual da Embalagem:


Uma Análise Sinestésica do Produto. NET. Disponível em:
http://www.bocc.uff.br/pag/scatolim-roberta-importancia-rotulo-comunicacao.pdf. Acessado
em: 20 mai. 2009.

SCHEREN, J.O. 1984. Apicultura Racional. São Paulo (SP): Editora Nobel. 110p.

SEBRAE. 2002. Subsídios para a identificação de clusters no Brasil: atividades da indústria


(Relatório de Pesquisa), SEBRAE-SP, NET:
http://www.sebraesp.com.br/principal/conhecendo%20a%20mpe/estudos%20setoriais%20e%
20regionais/documentos_estudos_setoriais/clusters_no_brasil.pdf. Acesso em: 06 junho 2008.

SEBRAE. 2003. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Termo de


Referência para Atuação do Sistema SEBRAE em Arranjos Produtivos Locais
(Documentos). Brasília, DF. 73p.

SEBRAE. 2004. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Acordo de


Resultados do Arranjo Produtivo Local de Apicultura no Sudoeste de Mato Grosso 2004/2006
(Documentos). Cáceres, MT. 24p.

SEBRAE. 2006a. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Informações


de mercado sobre o mel e derivados da colméia. Série Mercado. (Documentos) 243p.

SEBRAE. 2006b. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Acordo de


Resultados do Arranjo Produtivo Local de Apicultura da região de Cáceres – Mel na Mesa
2006/2008 (Documentos). Cáceres, MT. 16p.
127

SEBRAE. 2008. Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresa. Sistema de


Informação da Gestão Estratégica Orientada para Resultados. NET. Disponível em:
http://www.sigeor.sebrae.com.br. Acesso em: mar. 2009.

SETECS. 2006. Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social.


Governo do Estado de Mato Grosso. Microcrédito fomenta a apicultura na região de Cáceres
(MT). NET. Disponível em: http://www.setec.mt.gov.br/html/detalhe_noticia.php?mat=478.
Acesso em: 24 mar 2006.

SEPLAN. 2002. Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral. Governo do


Estado de Mato Grosso. Zoneamento Sócio Econômico Ecológico do Estado de Mato Grosso.
NET. Disponível em: <http://www.zsee.seplan.mt.gov.br/servidordemapas/Run.asp>. Acesso
em: 03 maio 2008.

SENA, C.A.R. 2006. Comércio Justo: alternativa de comercialização e desenvolvimento


social. Bahia Agríc. v.7, n.3, p. 18-21.

SICME. 2007. Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia. Governo do


Estado de Mato Grosso. Estrutura do NTE-MT e ações desenvolvidas no ano 2006 e 2007.
NET. Disponível em:
www2.desenvolvimento.gov.br/arquivo/sdp/proAcao/APL/reuplenarias/Mato-Grosso.pdf.
Acessado em abr. 2008.

SILVA, C.L.; QUEIROZ, A.J.M. & FIGUEIREDO, R.M.F. 2004. Caracterização físico-
química de méis produzidos no Estado do Piauí para diferentes floradas. Revista Brasileira
de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.8, n.2-3, p.260-265.

SILVA, J.S.V., VENDRUSCULO, L.G., SANTOS, E.H., CRUZ, S.A.B. & ARRUDA, M.R.
2006. Zoneamento ecológico-econômico do estado de Mato Grosso do Sul: uma proposta.
Simpósio de Geotecnologias no Pantanal (Anais...), Campo Grande. Embrapa Informática
Agropecuária / INPE, p.700-709.
128

SIQUEIRA, G.C.L. 2006. Mapa de gestão territorial do estado do Acre. Documento


referencial. Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), Secretaria
de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável (SEPLANDS), Programa Estadual
de Zoneamento Ecológico-Econômico. Rio Branco, AC. 30p.

SODRÉ, G.S. 2000. Características fïsico-químicas e análises polínicas de amostras de méis


de Apis mellifera L., 1758 (HYMENOPTERA: APIDAE) da região do litoral norte do Estado
da Bahia. Piracicaba: USP, Dissertação de Mestrado (Tese) Universidade de São Paulo -
Escola Superior de Agricultura "Luíz de Queiroz".

SOUZA, D.C. 2004. Diagnóstico do Setor Produtivo da Apicultura do Sudoeste do Mato


Grosso (Documentos). SEBRAE. Cáceres/MT. 38p.

TERRAB, A. 2003. Palynological physicochemical and colour characterization of Moroccan


honeys. II. Orange (Citrus sp.) honey. International Journal of Food Science and
Technology, Oxford, v.38, p.387-394.

THOMAZI, S. M. 2006. Cluster de Turismo: Introdução ao estudo de arranjo produtivo


local. São Paulo. Aleph, 53p.

TRINDADE, M.S.A.; SOUSA, A.H.; VASCONCELOS, W.E.; FREITAS R.S.; SILVA,


A.M.A; PEREIRA D.S. & MARACAJÁ, P.B. 2004. Avaliação da polinização e estudo
comportamental de Apis mellifera L. na cultura do meloeiro em Mossoró, RN. Rev. de Biol. e
Cien. da Terra. V. 4, n.1.

UFV. 1997. Universidade Federal de Viçosa. Apiário Central (online). Apicultura migratória.
NET. Disponível em: http://www.ufv.br/dbg/bee/apimigrat.htm. Acesso em 11 abr 2007.

USAID/BRASIL. 2006. United States Agency International Development/Brasil. Analise da


indústria do mel: inserção de micro e pequenas empresas no mercado internacional. São
Paulo: USAID. V. 2. 66p.

VIDAL, R. 1984. Mel: Análise e Adulterações. In: Anais sobre o Simpósio de Apicultura
129

(Anais...), Jaboticabal (SP). São Paulo: Editora R.Vieira, p.51-54.

VIEIRA, A. & RESENDE, R. 2008. Rede APIS - O Desafio de associar recursos e integrar
competências para promover uma Apicultura Integrada e Sustentável. NET.
http://www.apis.sebrae.com.br/entenda.htm. Acessado em 26/10/2008.

VILHENA, F. & ALMEIDA-MURADIAN, L.B. 1999. Manual de análises físico-químicas


do mel. São Paulo (SP): APACAME. 16p.

WELKE, J.E.; REGINATTO, S.; FERREIRA, D.; VICENZI, R. & SOARES, J.M. 2008.
Caracterização físico-química de méis de Apis mellifera L. da região noroeste do Estado do
Rio Grande do Sul. Ciência Rural, 38 (06): 1737-1741.

WIESE, H. 1995. Novo Manual de Apicultura. Guaíba (RS): Editora Agropecuária. 292p.

WIESE, H. 2000. Apicultura: Novos Tempos. Guaíba (RS): Editora Agropecuária. 424p.

WILLIAMS, I.H.; CORBET, S.A. & OSBORNE, J.L. 1991. Beekeeping, wild bees and
pollination in the European Community. Bee World v. 72, n. 4: 170-180.

WINSTON, M.L. 2003. A biologia da abelha. Magister, Porto Alegre, 276p.


130

Apêndice I: Plantas identificadas no entorno de seis apiários no Sudoeste de Mato


Grosso. P-porte, N-N.S.Aparecida; G-Girau; B-Baía de Pedra; C-Campus da Unemat;
S-Sararé; e M-Massame. A-arbóreo; a-arbustivo; h-herbáceo; e-lianas e p-palmeiras.

Nº Familia P N G B C S M
1 ACANTHACEAE
Justicia sp h 1 0 1 0 1 1
Ruellia sp h 0 0 1 1 1 1
Ruellia tweldiana Griss. h 0 0 0 1 0 0
Siphocampylus sp h 0 0 0 0 0 1
2 ALISMATACEAE
Echinodorus grandeflorus Mitch. h 1 0 1 0 0 0
Echinodorus subulatus Mart. h 1 0 0 0 0 0
Echinodorus tenellus Mart. h 0 0 1 0 0 0
Echinodorus teretoscapus Haynes & Holm-Nielsen h 0 0 1 0 0 0
3 AMARANTHACEAE
Alternanthera brasiliana (L.) Kuntze h 0 1 0 0 0 0
Alternanthera tenella Colla. h 0 1 0 0 0 0
Amaranthus spinosa L. h 1 0 0 0 0 0
Gomphrena celosioides Mart. h 0 1 0 0 0 0
Alstroemeria psittacina Lehm. h 0 0 0 1 1 0
Hippeastrum belladonna L. h 0 1 0 0 0 0
4 ANACARDIACEAE
Anacardium occidentalis L. A 1 0 0 0 0 0
Astronium fraxinifolium Schot. A 1 1 1 0 1 0
Mangifera indica L. A 1 1 0 0 0 0
Myracrodruon urundeuva (Engl.) Fr. All. A 1 1 1 1 0 0
Spondias lutea L. A 1 0 0 0 0 0
Tapirira guianensis Alb. A 0 0 0 1 0 1
5 ANNONACEAE
Annona aromatica (Lam.) Mart. a 0 0 1 0 0 0
Annona dioica St. Hil. a 0 1 0 0 0 0
Annona sp a 1 0 0 0 0 0
Bacaglapis sp a 0 0 0 0 0 1
Duguetia furfuracea (St. Hil.) Benth. & Hook. a 0 0 0 0 1 0
Guatteria sp A 0 0 0 1 0 0
Unonopsis lindmanii Fries a 0 0 0 0 1 0
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. A 0 1 0 0 1 1
6 APOCYNACEAE
Aspidosperma cylindrocarpun M. Arg. A 0 1 0 0 0 0
Aspidosperma sp A 0 0 0 1 1 1
Aspidosperma spruceanum Benth. ex M. Arg. A 0 0 0 0 1 0
Aspidosperma subincanum Mart. A 1 0 0 0 0 0
131

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Aspidosperma tomentosum Mart. A 0 0 1 0 1 0
Ditassa tomentosa (Decne.) Fontella. e 0 0 0 0 0 1
Forsteronia pubescens A.DC. e 0 1 0 1 0 0
Hancornia speciosa Gom. A 0 1 0 0 1 1
Himatanthus sp A 0 0 0 0 1 1
Himatanthus obovatus (M. Arg.) Woods. A 0 0 1 0 0 1
Mandevila sp e 0 0 0 0 1 1
Mandevilla scabra (Roem. & Schult.) K.Schum. e 0 0 0 0 0 1
Prestonia coalita (Vell.) Wood. e 0 0 0 1 0 0
Prestonia sp e 0 0 0 1 1 1
Rhabdadenia pohlii M. Arg. e 0 1 0 0 0 0
Rhodocalyx rotundifolius M. Arg. h 1 0 0 0 0 0
Secondatia densiflora DC. e 0 1 1 0 0 0
7 AQUIFOLIACEAE
Ilex sp A 0 0 0 0 0 1
8 ARALIACEAE
Didymopanax macrocarpum Seem. A 0 0 0 0 0 1
Schefflera sp A 0 0 0 0 1 1
9 ARECACEAE
Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. p 1 1 0 0 0 0
Bactris glaucescens Drude p 1 0 0 0 0 0
Copernicia Alba Morong p 0 0 1 0 0 0
10 ARISTOLOCHIACEAE
Aristolochia ridicula Brown e 1 0 1 0 0 0
11 ASCLEPIADACEAE
Asclepias sp e 0 0 1 0 1 1
12 ASTERACEAE
Acanthospermum australe (Loefl) Kuntze h 0 1 0 1 0 0
Ageratum conyzoides L. h 0 1 0 0 0 1
Aspilia montevidensis (Spreng.) Kuntze h 0 0 0 0 1 0
Baccharis sp h 0 0 0 0 1 0
Bidens sp h 0 0 0 0 0 1
Bidens tricoma L. h 1 1 1 1 1 0
Cosmos caudatus Kunth. h 1 0 1 0 1 0
Elephantopus mollis Kunth. h 0 0 0 0 0 1
Emilia sonchifolia (L.)DC. h 0 0 0 1 0 0
Eupatorium ballotaefolium Kunth. h 0 0 1 0 0 0
Eupatorium maximilianii Schrad h 0 0 0 1 0 0
Eupatorium odoratum L. h 1 1 1 1 1 1
Eupatorium sp h 0 1 0 0 0 0
132

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Eupatorium squalidum DC. h 1 0 0 0 1 1
Melampodium divaricatum (Rich.) DC. h 0 1 0 0 0 0
Melanthera sp h 0 0 0 0 1 1
Mikania capricorni Rob. e 1 0 0 0 0 0
Mikania cordifolia (L.F.) Will. e 1 1 1 1 0 0
Mikania sp e 0 0 0 1 0 0
Orthopappus angustifolius (S.W.) Gleason h 0 1 1 1 0 0
Pterocaulon lanatum Kuntze h 0 0 0 0 0 1
Stifftia parviflora (Spreng.) D. Don. h 0 0 0 0 1 0
Vernonia glabrata Less. h 0 0 0 1 0 0
Vernonia ferruginea Less. h 0 0 1 1 1 0
Vernonia polyanthus Less. h 0 0 0 1 0 0
Vernonia rubricaulis Bonpl. h 1 0 0 0 0 0
Vernonia scabra Pres. h 1 0 1 1 0 0
Vernonia scorpioides (Lam.) Pers. h 1 0 0 0 0 1
Vernonia sp h 0 1 1 1 1 0
Vernonia westiniana Less. h 0 0 0 0 0 1
13 BIGNONIACEAE
Anemopaegna sp e 0 0 1 0 0 0
Arrabidaea brachypoda (A. DC.) Bureao e 0 0 1 1 1 1
Arrabidaea patellifera (Schltdl.) Sand. e 0 0 1 1 0 0
Arrabidaea sp e 1 1 1 1 1 1
Callichlamys latifolia K.Schum. e 0 1 0 0 0 0
Cuspidaria sp e 0 1 1 1 0 1
Cybistax antisyphilitica (Mart.) Mart. A 0 1 0 0 0 1
Distictella sp e 0 1 1 0 0 0
Jacaranda cuspidifolia Mart. A 1 0 0 0 0 0
Melloa quadrivalvis (Jacq.) Gentry e 1 0 0 0 0 0
Melloa sp e 0 0 1 0 0 0
Memora nodosa (Manso) Miers a 1 0 1 0 0 1
Memora sp a 0 0 0 0 1 0
Paragonia pyramidata (Rich.) Bur. e 0 1 0 0 0 0
Pithecoctenium crucigerum (L.) Grentry e 1 1 1 1 1 1
Pleonotoma jasminifolia (Kunth) Miers. e 0 1 1 0 0 0
Pyrostegia venusta Miers. e 0 0 0 1 1 1
Tabebuia aurea (Manso) B. et H. A 0 1 1 0 1 0
Tabebuia heptaphylla (Vell.) Tol. A 0 0 1 0 0 0
Tabebuia impetiginosa (Mart.) Standl. A 0 1 0 0 0 0
Tabebuia ochraceae (Cham.) Standl. A 1 1 1 1 1 0
Tabebuia sp A 0 0 0 1 1 1
133

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
14 BIXACEAE
Bixa orellana L. A 0 0 0 0 1 0
15 BOMBACACEAE
Ceiba sp A 0 0 0 1 0 0
Chorisia speciosa St. Hil. A 0 0 0 1 1 1
Eriotheca gracilipes (Schum.) Rob. A 0 0 0 0 1 0
Pseudobombax marginatum (St. Hil.) Rob. A 0 0 1 0 1 0
16 BORAGINACEAE
Cordia alliodora (Ruiz & Pav.) Oken A 1 0 1 0 1 0
Cordia glabata (Mart.) A. DC. A 0 0 1 0 0 1
Cordia insignis Cham. a 1 1 0 0 1 0
Cordia naidophila Johnst. A 0 1 0 0 0 1
Cordia nodosa Lam. a 0 0 0 0 0 1
Heliotropium filiforme H.B.K. h 1 0 0 1 0 0
Helotropium indicum L. h 1 0 0 0 0 0
17 BURSERACEAE
Protium heptaphyllum (Aubl.) March. A 0 1 0 0 0 1
Protium ovatum Engl. A 0 0 0 0 0 1
18 CABOMBACEAE
Cabomba sp h 0 0 1 0 0 0
19 CAMPANULACEAE
Centropogon cornutus (L.) Druce h 0 0 0 0 0 1
20 CAPPARIDACEAE
Capparis retusa Griseb. a 0 0 1 0 0 0
Crataeva tapia L. A 1 0 0 0 0 0
21 CARICARACEAE
Carica papaya A 0 0 0 1 0 0
22 CARYOCARACEAE
Caryocar brasiliensis Camb. A 0 1 0 0 1 1
23 CECROPIACEAE
Cecropia pachystachya Trec. A 0 1 0 0 0 0
24 CHRYSOBALANACEAE
Couepia grandiflora (Mart. et Zucc.) Bth. A 0 0 0 0 0 1
Hirtella glandulosa Spreng. A 0 0 0 0 0 1
Hirtella hirsuta Lam. a 0 0 0 1 1 1
25 CLUSIACEAE
Kielmeyera grandiflora (Wawra) Saddi A 0 0 0 0 1 0
Kielmeyera rubriflora Camb. a 0 0 0 0 1 1
Vismia guianensis (Benth.) Miers. A 0 0 0 0 0 1
26 COCHLOSPERMACEAE
Cochlospermum cf. amazonico A 0 0 0 0 0 1
134

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Cochlospermum regium Mart. a 0 1 1 0 1 0
27 COMBRETACEAE
Buchenavia tomentosa Eichl. A 0 0 0 0 1 1
Combretum lanceolatum Pohl. a 1 0 0 0 0 0
Combretum laxum Jacq. e 1 0 0 0 0 0
Combretum leprosum Mart. A 1 0 1 1 1 0
Terminalia argentea Mart. et Zucc. A 1 1 0 0 0 0
Terminalia brasiliensis Raddi A 0 0 0 1 0 0
28 COMMELINACEAE
Commelina cf. nudiflora Burm. h 0 0 1 0 0 0
Commelina erecta L. h 1 0 0 0 0 0
Commelina sp h 0 1 0 1 0 0
Murdannia nudiflora (L.) Brenan h 0 1 0 0 0 0
Tadeschantia sp h 0 0 0 0 1 0
29 CONNARACEAE
Connarus suberosus Planch. A 0 0 0 0 1 0
Rourea induta Planch. A 0 0 0 0 1 1
30 CONVOLVULACEAE
Ipomoea alba L. e 1 0 0 0 0 0
Ipomoea carnea Jacq. e 1 0 0 0 0 0
Ipomoea fimbriosepala Choisy. e 0 0 1 0 0 0
Ipomoea grandiflora (Jacq.) H. Hall. a 1 0 0 0 0 0
Ipomoea rubens Choisy a 1 0 0 0 0 0
Ipomoea sp a 1 1 0 1 1 0
Merremia dissecta (Jacq.) Hallier f. e 0 0 0 1 0 0
Merremia macrocalyx (Ruiz & Pav.) O´Donell e 0 0 0 1 0 0
Merremia sp e 0 0 0 0 1 0
Merremia umbellata (L.) Hall. e 1 0 0 0 0 0
31 CUCURBITACEAE
Cayaponia sp h 1 0 0 0 0 0
Cucumis anguria L. h 0 1 0 0 0 0
Luffa aegyptiaca Mill. Engl e 0 0 0 1 0 0
Mormodica charantia L. e 1 0 0 0 0 0
32 CYPERACEAE
Cyperus sp h 0 0 0 0 0 1
Fuirena umbellata Rottb. h 0 0 0 0 0 1
Rhynchospora sp h 0 0 0 0 0 1
33 DILLENIACEAE
Curatella americana L. A 1 1 1 0 1 0
Davilla elliptica St. Hil. A 0 0 0 1 0 1
Doliocarpus dentatus (Aubl.) Standl. e 0 0 0 0 1 1
135

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
34 DIOSCOREACEAE
Dioscorea trifida L. e 0 1 0 0 0 0
35 EBENACEAE
Diospyros hispida A. DC. A 0 0 0 0 1 0
36 ERIOCAULACEAE
Paepalanthus lamarckii Kunth. h 0 1 0 0 0 0
Paepalanthus sp h 0 1 0 0 0 0
Syngonanthus gracilis (Bong) Rhul. h 0 1 0 0 0 0
Syngonanthus sp h 0 0 0 0 0 1
37 ERYTHROXYLACEAE
Erythroxylum anquifugum Mart. A 1 1 1 0 1 1
Erythroxylum deciduum St. Hil. A 1 0 0 0 1 0
Erythroxylum sp A 0 0 0 1 0 0
Erythroxylum suberosum St. Hil. A 0 1 1 0 0 1
38 EUPHORBIACEAE
Acalypha communis M. Arg a 1 0 0 0 0 0
Cnidoscolus charantia L. h 1 0 0 0 0 0
Croton bomplandianus Baill. h 1 0 0 0 0 0
Croton glandulosus (L.) M. Arg. h 0 1 1 1 0 1
Croton lindianus Mull. h 1 0 0 0 0 0
Croton lobatus L. h 1 0 0 0 1 0
Croton sp h 0 1 1 1 1 0
Croton urucurana Boill. h 0 0 0 0 1 1
Dalechampia scandens L. e 1 0 0 1 1 0
Dalechampia sp e 0 0 0 1 1 0
Euphorbia sp h 0 0 0 0 1 0
Jatropha elliptica (Pohl.)Bail. h 1 0 0 0 0 0
Mabea fistulifera Mart. A 0 0 1 1 1 1
Mabea sp A 0 0 0 0 0 1
Manihot tripartita Müll. Arg. h 0 0 1 1 1 1
Maprounea guianensis (Aubl.) M. Arg. A 0 0 0 0 0 1
Pera glabrata (Schott) Baill. A 0 0 0 0 0 1
Sapium hasslerianum Huber A 0 1 1 0 0 0
Sapium obovatum Klotz. ex M. Arg. A 0 0 1 0 0 0
Sebastiana hispida (Mart.) Pax. h 0 0 1 0 0 1
Sebastiania brasiliensis Spreng h 0 0 0 1 1 0
Sebastiania sp h 0 0 1 1 0 0
39 FABACEAE-CAESALPINOIDEAE
Bauhinia forficata Link. a 1 0 0 0 1 0
Bauhinia glabra Jacq. a 1 1 1 1 1 0
Bauhinia mollis (Bong.) D.Dietr. a 1 1 0 1 0 0
136

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Bauhinia rufa (Bong.) Stend. a 1 1 1 0 1 0
Caesalpinia ferrea Mart. A 1 1 0 0 0 0
Caesalpinia peltophoroides Bent. A 0 1 0 0 0 0
Caesalpinia sp A 0 0 1 0 0 0
Cassia grandis L.f. A 1 0 0 0 1 0
Cenostigma macrophyllum Tul. A 0 0 0 0 0 1
Cenostigma sp A 0 0 1 0 0 1
Chamaecrista desvauxii (Collad.) Killip h 0 1 0 0 0 1
Chamaecrista flexuosa (L.) Greene h 0 1 0 0 0 0
Chamaecrista nictitans (L.) Moench. h 0 1 0 1 0 0
Chamaecrista orbiculata (Benth.) Irw. & Barn. h 0 0 0 0 0 1
Chamaecrista rotundifolia (Press.) Greene h 0 1 0 0 1 1
Chamaecrista serpens (L.) Greene h 0 0 1 0 0 0
Chamaecrista sp h 0 0 0 0 1 0
Clitoria sp e 0 0 1 0 1 0
Copaifera martii Hayne a 0 1 1 0 0 0
Delonix regia (Bojer ex Hook.) Raf. A 0 0 1 0 0 0
Dimorphandra mollis Bth. A 0 1 0 0 0 0
Diptychandra aurantiaca Tul. A 0 1 0 0 0 0
Hymenaea courbaril L. A 0 0 1 0 0 0
Hymenea stignocarpa Mart. A 0 1 1 0 0 1
Platymiscium pubescens Micheli A 0 0 0 0 1 0
Schizolobium parahyba (Vell.) Blake. A 0 0 0 1 0 0
Sclerolobium aureum (Tul.)Bth A 0 0 0 1 0 1
Sclerolobium paniculatum Vogel. A 0 1 0 0 1 1
Senna aculeata (Bth.)Irw et Barn. h 0 0 0 0 0 1
Senna alata (L.) Irw. Et. Barn. h 0 0 1 0 1 0
Senna ferruginea Schrad. ex DC. h 0 0 1 0 1 0
Senna hirsuta (L.) Irwin & Barn. h 1 0 1 0 0 0
Senna obtusifolia (L.) Irwin & Barn. h 1 1 1 1 1 1
Senna occidentalis (L.) Irwin & Barn. h 1 1 1 1 0 1
Senna pendula (Willd.) Irwin & Barn. h 0 0 1 0 0 0
Senna silvestris v. bifaria Irw et Barn h 1 1 1 1 1 0
Senna sp h 0 1 1 1 1 1
Senna splendida (Vogel) Irwin & Barn. h 0 0 1 0 0 0
Sibipiruna sp A 0 0 1 1 0 0
40 FABACEAE-MIMOSOIDEAE
Acacia plumosa Lowe A 1 1 1 0 0 0
Acacia polyphylla DC. A 0 1 1 0 1 1
Acacia sp A 0 1 0 0 0 0
Albizia saman (Jacq) F.V.M. A 1 0 1 0 0 0
137

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Anadenanthera columbrina Bren. A 0 1 1 0 0 0
Anadenanthera macrocarpa (Benth.) Brenan A 0 0 0 1 0 0
Anadenanthera sp A 0 1 0 0 0 0
Calliandra parviflora Bth. a 1 1 0 0 0 0
Inga dysantha Benth. A 1 0 0 0 0 0
Inga edulis Mart. A 0 0 0 0 1 0
Inga sp A 1 0 0 1 0 1
Inga uruguensis H. et A. A 1 0 0 1 0 0
Mimosa debilis Willd. h 1 0 1 0 0 0
Mimosa indivisa Mart. Coll. h 0 0 0 0 1 0
Mimosa plumosa Mich. h 0 1 0 0 0 0
Mimosa pudica L. h 1 0 1 0 0 1
Mimosa ramosissima Benth. h 0 1 0 0 0 0
Mimosa setosa Benth. h 1 0 0 1 0 0
Mimosa sp h 0 1 0 1 0 1
Stryphinodendron obovatum Benth. A 0 0 0 0 0 1
41 FABACEAE-PAPILIONIDEAE
Acosmium dasycarpum (Vog.) Yak. h 0 0 1 0 0 0
Aeschynomene histrix Poir. h 1 1 1 0 1 0
Aeschynomene paniculata Willd ex Vog. h 0 0 1 0 0 0
Aeschynomene sp h 0 1 0 0 0 0
Andira cuiabensis Benth. A 0 0 0 0 1 0
Arachis repens Handro. h 0 0 1 0 0 0
Bowdichia virgilioides H.B.K. A 1 1 1 0 1 0
Camptosema ellipticum (Desv.) Burk. h 1 0 0 0 0 0
Centrosema brasilianum (L.) Bth. h 1 1 0 0 0 0
Centrosema sp h 0 0 0 1 0 0
Centrosema vexillatum Benth. h 1 0 1 0 0 0
Conchocarpus sericeus (Poir.) Kth h 1 0 0 0 0 0
Cratyla argentea (Desv.) Kze a 0 1 1 1 1 1
Crotalaria lanceolata Mey. h 0 0 0 1 0 0
Crotalaria pallida Aiton h 1 0 0 0 0 0
Crotalaria sp h 1 1 1 0 0 0
Desmodium adscendens (SW) DC. h 1 0 0 0 0 0
Desmodium barbatum (L.) Benth. h 0 0 1 0 1 0
Desmodium distortum (Aubl.) Macbr. h 0 0 0 0 1 0
Desmodium sp h 1 0 1 1 0 1
Desmodium tortuosum (SW) DC. h 1 0 0 0 0 0
Desmodium trifoliolado h 0 0 0 0 1 0
Dioclea burkartii Maxwell. h 1 1 0 0 0 0
Dioclea maxwell h 1 0 0 0 1 0
138

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Dipterys alata Vog A 1 1 1 1 0 0
Erythrina dominguesii Hass A 0 0 0 0 0 1
Erythrina fusca Lour. A 1 0 0 0 0 0
Erythrina sp A 1 0 0 0 1 1
Erythrina speciosa Andr. A 0 0 0 0 1 0
Glycine wightii Verdc. h 1 1 0 0 0 0
Indigofera hirsuta L. a 1 1 1 0 0 1
Indigofera sp a 0 0 1 1 0 0
Indigofera suffruticosa Mill. a 0 1 1 0 0 1
Machaerium aculeatum Raddi A 0 0 1 0 0 0
Machaerium acutifolium Vog. A 1 1 0 1 0 0
Machaerium amplum Benth. A 0 0 0 1 0 0
Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld A 1 0 1 0 0 0
Ormosia arborea (Vell.) Harms. A 0 0 0 0 0 1
Phaseolus sp h 1 0 0 0 0 0
Phaseolus vulgaris L. var. aborigeneus (Burk) Baudet e 0 0 1 1 0 0
Platymiscium florubundum Vog. A 1 0 0 0 0 0
Platymiscium sp A 0 0 1 0 0 0
Platypodium elegans Vog. A 1 0 0 1 0 1
Pterocarpus sp A 0 0 0 0 0 1
Pterodon emarginatus Vog A 0 1 1 0 0 0
Pterodon polygalaeflorus Bent. A 0 1 0 0 0 0
Sesbania sp h 0 0 1 0 0 0
Stylosanthes viscosa Sw. h 0 0 0 0 0 1
Stylosanthes acuminata M.B.Fer. et Costa. h 0 0 1 0 1 1
Stylosanthes sp h 1 0 1 0 1 1
Tephrosia sp a 0 0 0 0 1 0
Vigna peduncularis e 1 0 0 1 1 0
Zornia latifolia Smith h 1 1 0 0 0 0
42 FLACOURTIACEAE
Banara arguta Briq. A 1 0 0 0 0 0
Casearia decandra Jacq. A 0 0 0 0 0 1
Casearia gossypiosperma Briq. A 1 1 0 1 0 0
Casearia javitensis Kunth A 0 0 0 0 0 1
Casearia sylvestris SW. A 1 0 1 1 0 1
Xylosma sp A 1 0 0 0 0 0
43 GENTIANACEAE
Deianira sp h 0 0 0 1 1 1
Schultesia brachyptera Cham. h 0 1 0 0 0 0
44 HELICONIACEAE
Heliconia sp h 0 0 0 1 0 0
139

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
45 HUMIRIACEAE
Humiria sp a 0 0 0 0 0 1
46 ICACINACEAE
Emmotium nitens (Bth.) Miers A 0 0 0 0 0 1
47 LAMIACEAE
Hyptis brevipes Poit. h 0 0 1 0 1 0
Hyptis cf. mutabilis (Rich.) Briq. h 0 0 0 1 0 0
Hyptis crenata Pohl. h 0 1 1 0 0 0
Hyptis inflata Spr. h 0 0 0 1 0 0
Hyptis lorentziana Hoffm. h 0 0 1 0 0 0
Hyptis microphylla Pohl. h 0 0 0 1 0 1
Hyptis mutabilis (Rich.) Briq. h 0 0 1 0 0 0
Hyptis sp h 0 1 1 1 1 0
Hyptis suaveolens (L.) Poit. h 1 1 1 1 1 1
Marsypianthes chamaedrys (Vall.) Kunte h 0 1 0 0 0 0
Peltodon tomentosus Pohl. h 1 0 0 0 0 0
Raphiodon colnirus Neel. h 0 0 0 0 0 1
48 LAURACEAE
Nectandra membranacea (Sw.) Griseb. A 0 0 0 0 1 0
Nectandra sp A 0 0 0 1 0 1
Ocotea corymbosa (Meissn.) Mez. A 0 0 0 0 0 1
Ocotea sp A 1 0 0 0 0 1
49 LECYTHIDACEAE
Cariniana rubra Gardner ex Miers. A 1 0 0 1 0 1
Eschweilera ovata (Cambess.) Mart. a 0 0 0 0 0 1
50 LIMNOCHARITACEAE
Hidrocleys parviflora Seub. h 0 1 0 0 0 0
Limnocharis laforesti Duchrss h 1 1 0 0 0 0
51 LOGANIACEAE
Antonia ovata Pohl. h 0 0 0 0 1 0
52 LORANTHACEAE
Phthirusa abdita S. Moore h 0 1 0 0 0 0
53 LYTHRACEAE
Adenaria floribunda H.B.K a 0 0 1 0 0 0
Cuphea sp h 0 0 1 0 1 1
Lafoensia pacari St. Hil. A 1 1 0 0 1 0
Physocalymma scaberrimum Pohl. A 1 1 1 1 1 1
54 MALPIGHIACEAE
Banisteriopsis oxyclada (A. Juss.) B. Gates e 1 0 0 1 0 1
Banisteriopsis pubipetala (Juss.) Cuatrec. e 1 1 1 0 0 0
Banisteriopsis sp e 1 1 1 1 1 1
140

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Byrsonima coccolobifolia (L.) H.B.K. A 0 0 0 0 1 0
Byrsonima crassifolia Rich. A 0 1 1 0 0 0
Byrsonima intermedia Juss. A 0 1 1 1 1 0
Byrsonima orbignyana Juss. A 0 1 1 0 1 1
Byrsonima sericea DC. A 0 0 0 1 1 1
Byrsonima sp A 1 1 0 0 1 1
Heteropterys aphrodisiaca Mach. e 0 0 1 0 1 1
Heteropterys byrsonimifolia Mach. e 0 0 0 0 0 1
Heteropterys hypericifolia Juss. e 0 1 0 0 0 0
Heteropterys sp e 1 0 1 0 0 1
Mascagnia benthamiana (Gris.) Anders. e 1 0 0 0 0 0
Mascagnia sp e 0 1 1 1 1 1
Peixotoa cordistipula A. Juss e 1 1 1 1 1 1
Stigmatophyllum calcaratum N.E.Br. e 1 0 0 0 0 0
55 MALVACEAE
Herissantia nemoralis ( St. Hil.) Briz. h 0 1 0 0 0 0
Hibiscus furcellatus Desr. a 0 1 0 0 1 0
Hibiscus sp a 1 0 1 1 1 0
Malachra sp h 0 0 0 0 1 0
Malacra radiata (L.) L. h 0 1 0 0 0 0
Pavonia sidifolia H.B.K. h 1 0 0 0 0 0
Pavonia sp h 0 0 0 1 1 1
Sida carpinifolia L.f. h 1 1 1 1 1 0
Sida linifolia Cav. h 0 0 1 0 0 0
Sida santaremnensis Mont. h 0 1 0 0 1 0
Sida sp h 1 1 1 1 1 1
Urena lobata L. h 1 1 1 1 0 0
Wissadula subpeltata (Kuntze) R.E.Fr. h 0 0 1 0 0 0
56 MARANTACEAE
Gonphrena sp h 1 0 0 0 0 0
57 MARTYNIACEAE
Cranidaria intecrifolia Cham. h 0 1 0 0 0 0
58 MELASTOMATACEAE
Acisanthera sp h 0 0 0 0 0 1
Clidenia cf bullosa DC. h 0 0 0 0 0 1
Desmoscelis villosa (Aubl.) Naudin h 0 1 0 0 0 1
Miconia albicans (SW.) Tr. a 0 0 0 0 0 1
Miconia ferruginea DC. a 0 0 0 0 0 1
Miconia mimosifolia a 0 0 0 0 0 1
Miconia nhosa (Sm.) Triana. a 0 0 0 0 0 1
Miconia prosira a 1 1 0 0 0 0
141

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Miconia sp a 0 0 0 0 1 1
Microlicia cf selaginea Naud h 0 0 0 0 0 1
Rhinchanthera novemnhia DC. h 0 1 0 0 0 0
Tibouchina candolleana Cogn. A 1 0 0 0 1 1
Tococa formicaria Mart. A 0 0 0 0 0 1
59 MELIACEAE
Trichila elegans Juss. A 0 0 0 1 0 1
60 MENISPERMACEAE
Cissampelos pareira L. e 1 0 1 0 0 0
Cissampelus salifolia e 0 0 0 0 1 0
61 MIRYSTICACEAE
Virola sebifera Alb. A 0 0 1 0 0 1
62 MOLLUGINACEAE
Mollugo verticillata L. h 0 1 0 0 0 0
63 MONMIACEAE
Siparuna cuyabana (Mart. )DC. A 0 0 0 0 1 0
Siparuna guianensis Aubl. A 0 0 0 0 1 1
64 MORACEAE
Brosimum gaudichaudii Trécul A 0 0 1 0 1 0
Machura tinctoria (L.) Engl. A 0 1 0 0 0 1
Sorocea sp a 0 0 0 1 0 0
65 MYRTACEAE
Calyptranthes sp a 0 0 0 0 0 1
Campomanesia eugenioides (Camb.) Leg. a 0 1 0 0 0 0
Campomanesia sp a 0 1 0 0 1 1
Eugenia biflora (L.) DC. a 1 0 0 0 0 0
Eugenia cf. floribunda West ex Willd. A 0 0 0 0 0 1
Eugenia dysenterica DC. A 1 1 1 0 0 0
Eugenia sonderiana Berg A 0 0 0 0 1 0
Eugenia sp A 1 0 1 0 1 1
Gmidesia sp A 0 0 0 0 1 0
Myrcia albotomentosa DC. A 0 0 0 0 1 0
Myrcia cf. fallax (Rich.) DC. A 0 0 0 0 0 1
Myrcia glabra (Berg.) Legr. A 0 1 0 0 1 1
Myrcia sylvatica (G. Mey.) DC. A 0 0 0 0 0 1
Psidium guianense SW. A 1 0 1 0 0 0
Syzygium jambos (L.) Alton. A 0 0 0 1 0 0
66 NYCTAGINACEAE
Boerhavia diffusa L. h 0 1 0 0 0 0
Guapira opposita Vell. A 0 0 0 1 0 1
Pisonia zapallo Gris. e 0 0 0 1 0 0
142

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
67 NYMPHAEACEAE
Nymphaea prolifera Wiersema h 1 0 0 0 0 0
68 OCHNACEAE
Cespedesea sp a 0 0 0 0 0 1
Ouratea castaneifolia (DC.) Engl. A 1 0 0 0 0 0
Ouratea hexasperma (St. Hil.) Baill. A 0 0 0 0 1 1
Ouratea spectabilis (Mart. ex Engl.) Engl. a 0 0 1 0 1 0
69 OLEACEAE
Heisteria densiflora Engl. A 0 0 0 0 0 1
Priogymnanthus hassleriana (Chod.) Hassler A 0 1 0 0 0 0
70 ONAGRACEAE
Lantana counara h 0 0 0 0 0 1
Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara h 0 0 0 0 0 1
Ludwigia decurrens Walt. h 0 0 1 0 0 0
Ludwigia elegans (Camb.) Hara h 1 1 1 0 0 1
Ludwigia octavalis (Jacq.) Raven h 0 0 0 0 0 1
Ludwigia peploides (Kunth) Raven h 0 0 1 0 0 0
Ludwigia sp h 0 1 1 1 0 1
Ludwigia tomentosa (Camb.) Malta h 0 1 1 0 0 0
71 OPYLIACEAE
Agonandra brasiliensis Benth. & Hook. A 0 0 0 0 1 0
72 OXALIDACEAE
Oxalis hirsutissima Mart. ex Zucc. h 0 0 1 0 1 0
Oxalis latifolia Kunt. h 0 1 0 0 0 0
Oxalis physocalyx Zucc. h 1 1 0 0 1 0
Oxalis sp h 1 1 0 0 0 0
73 PASSIFLORACEAE
Passiflora cincinnata Mast. e 1 0 0 0 0 0
Passiflora sp e 0 0 0 1 1 1
74 PIPERACEAE F 0 0 0 1 1 1
Piper sp a 0 0 0 1 1 1
75 POACEAE
Brachiaria brizanta (Hoch.) Stapf. h 0 1 1 1 0 1
Brachiaria sp h 0 0 0 1 1 0
Echinochloa sp h 0 0 0 1 0 0
Guadua sp h 0 0 1 0 0 0
Panicum maximum Jacq. h 0 0 0 1 1 0
Penisetum setosum Rich. h 0 0 0 1 1 0
Sorghum halepense (L.) Pers. h 0 0 0 1 0 0
76 POLYGALACEAE
Bredemeyera floribunda e 1 1 0 1 1 0
143

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Coccoloba mollis Casar. A 1 1 0 0 0 0
Polygala longicaulis H.B.K. h 0 0 1 0 0 0
Polygala molluginifolia St. Hil. h 1 0 0 0 0 0
Polygala sp h 0 0 0 1 1 1
Polygala timoutoides Chodat h 0 0 1 0 0 0
Polygonum hirsutum Walt. h 1 0 0 0 0 0
Polygonum lapathifolium L. h 1 0 0 0 0 0
Polygonum pensicaria L. h 1 0 0 0 0 0
Tripharis americana L. A 1 0 0 0 1 1
77 PONTEDERIACEAE
Eichhornia azurea (SW) Kunth h 1 0 1 0 0 0
Eichhornia crassipes (Mart.) Solms h 1 0 0 0 0 0
Heteranthera limosa Willd h 1 0 0 0 0 0
Pontederia parviflora Alexander. h 0 0 1 0 0 0
Pontederia sp h 0 0 1 0 0 0
78 PORTULACACEAE
Portulaca fluvialis Legr. h 1 0 1 0 0 0
Portulaca oleraceae L. h 1 1 0 0 0 0
Portulaca sp h 0 0 1 0 0 0
79 PROTEACEAE
Roupala brasiliensis Klotzsch A 0 0 0 0 0 1
80 RHAMNACEAE
Govania impoloides a 0 0 1 1 0 0
Rhamnidium eleocarpus Reiss. a 0 1 1 1 0 0
81 RUBIACEAE
Alibertia edulis Rich. A 0 1 0 0 0 1
Alibertia sessiles (Vell) Schum A 0 1 0 0 0 1
Alibertia verrucosa S.Moore A 0 0 0 0 1 0
Amaioua guianensis Aubl. A 0 0 1 0 1 1
Borreria eryngioides Cham. & Schltdl. h 0 1 0 0 0 0
Borreria quadrifaria Cabral h 0 1 0 0 0 0
Borreria sp h 0 0 1 1 1 1
Chomelia obtusa Cham. & Schltdl. h 0 1 1 0 0 0
Chomelia pohliana M. Arg. h 0 1 1 1 0 0
Chomelia sp h 0 0 0 1 0 0
Coussarea hydrangeifolia (Benth.) Müll.Arg. A 0 1 0 1 0 0
Diodia teres Walt. h 0 1 0 0 0 0
Diodia sp h 0 0 0 1 1 0
Ferdinandusa elliptica Pohl h 0 0 0 0 1 0
Genipa americana L. A 0 0 1 0 0 0
Guettarda viburnioides Cham. and Schltdl A 0 1 1 0 1 0
144

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Henriquezia sp h 0 0 0 0 0 1
Hortia longifolia Benth. ex Engl. A 0 0 0 0 0 1
Isertia hypoleuca Benth. h 0 0 0 0 0 1
Isertia sp h 0 0 0 0 0 1
Metrodorea florida A 0 0 0 1 1 1
Mitracarpus hirtus DC. h 0 1 0 0 0 0
Palicourea marcgravii St. Hil. a 0 0 0 0 1 1
Palicourea rigida H.B.K. a 0 0 0 0 1 0
Palicourea sp a 1 0 0 0 1 1
Psychotria carthagenensis Jac. h 1 0 0 0 0 0
Psychotria poeppigiana Müll. Arg. h 0 0 0 0 0 1
Psychotria sp h 0 0 1 1 1 0
Randia armata (SW) DC. a 1 0 1 0 0 0
Richardia brasilienses Gomes h 0 0 0 1 0 0
Richardia grandiflora (Cham. & Schltdl.) Steud. h 0 1 0 1 1 0
Richardia scabra L. h 0 1 0 0 1 0
Richardia sp h 0 0 1 1 0 0
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. A 0 0 0 0 1 0
Spermacoce verticillata L. e 0 0 0 0 0 1
Spermacoce sp e 0 1 1 1 1 1
Tocoyena formosa (C. & S.) Schum. A 0 1 0 0 1 0
82 RUTACEAE
Esenbeckia febrifuga (St. Hil.) Juss. ex Mart. a 0 0 0 1 0 1
Fagara hassleriana Chod. A 1 0 1 0 0 0
Spiranthera odoranticima St. Hil. a 0 0 0 0 1 1
Zanthoxylum hienale St. Hil. A 0 0 0 1 0 0
83 SAPINDACEAE
Allophilus sp a 0 0 0 1 0 0
Allophylus edulis (St. Hil.) Radk. a 0 0 0 0 1 0
Cardiospermum grandiflorum Sw. e 0 0 1 0 1 0
Cardiospermum halicacabum L. e 0 0 1 1 1 0
Cardiospermum sp e 1 1 1 1 0 0
Cupania vernales Camb. A 0 0 0 1 0 0
Dilodendron bipinatum Radk. A 0 1 0 0 0 0
Magonia pubescens St. Hil. A 1 1 1 0 0 0
Matayba guianensis Aubl. A 0 1 1 0 1 1
Paullinia elegans Camb. e 1 1 1 0 0 1
Paullinia pinnata L. e 1 0 0 0 0 0
Paullinia sp e 0 1 1 1 1 1
Sapindus saponaria L. e 1 0 1 0 0 1
Serjania caracasana (Jacq.) Willd. e 1 1 1 1 1 0
145

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Serjania erecta Radlk. e 1 0 1 0 1 0
Serjania sp e 1 0 1 1 1 1
Talisia sp A 0 0 1 0 0 0
84 SAPOTACEAE
Ecclinusa ramiflora Mart. A 0 0 0 0 0 1
Pouteria ramiflora (Mart.) Radlk. A 0 0 0 0 1 0
Pouteria sp A 0 0 0 1 0 0
85 SCROPHULARIACEAE
Bocaba sp h 0 0 1 0 0 0
Lindernia sp h 0 0 0 0 0 1
Scoparia dulcis L. h 0 0 0 0 0 1
Scoparia montevidensis (Spreng.) R.E.Fr. h 0 0 1 0 0 0
Scoparia sp h 0 0 1 0 0 0
86 SIMAROUBACEAE
Simarouba versicolor St. Hil. A 1 1 1 0 0 1
87 SMILACACEAE
Smilax fluminensis Steudel. A 0 0 0 0 1 1
Smilax sp A 1 0 0 0 1 0
88 SOLANACEAE
Solanum erianthum D.Don. a 0 0 0 1 0 0
Solanum grandiflorum Ruiz & Pav. a 0 0 0 1 0 0
Solanum lycocarpum St. Hil. A 0 0 0 1 0 1
Solanum paniculatum L. a 1 0 0 1 0 1
Solanum sp h 0 0 1 0 0 1
Solanum viarum Dum. h 0 1 0 0 0 0
89 STERCULIACEAE
Byttneria rhamnifolia Benth a 0 0 0 0 1 0
Guazuma tomentosa H.B.K. A 0 1 0 0 0 0
Guazuma ulmifolia Lam. A 1 1 1 1 0 1
Helicteres guazumaefolia H.B.K. a 1 0 1 1 1 0
Helicteres lhotzkyana Schum a 0 0 0 1 1 0
Helicteres sp a 0 0 0 0 0 1
Melochia parvifolia H.B.K. h 1 1 1 0 0 0
Melochia pyramidalis L. h 1 0 1 0 0 0
Melochia sp h 0 0 1 0 1 0
Melochia villosa (Mill.) Fawc. Et R. h 0 1 1 0 0 0
Sterculia chicha A. St.-Hil. h 1 1 0 1 0 0
Sterculia striata A.St.-Hil. & Naudin h 0 0 0 0 0 1
Waltheria communis A.St.-Hil. h 1 0 1 0 0 0
Waltheria douradinha A.St.-Hil. h 0 1 0 0 0 0
Waltheria indica L. h 0 1 1 0 0 0
146

Cont. Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Waltheria sp h 1 1 1 0 1 0
90 STYRACACEAE
Styrax ferrugineus Ness & Mart. a 0 0 0 0 0 1
91 TILIACEAE
Apeiba tibourbur Albl. A 0 1 1 1 1 1
Corchorus argutus Kunth, h 1 1 0 0 0 0
Luehea paniculata Mart. h 1 1 1 1 0 1
Triumfetta bartramia L. h 0 1 0 1 1 0
Triumfetta semitriloba Jacq. h 0 0 0 1 1 0
92 TURNERACEAE
Piriqueta cistoides G.Mey. h 0 0 0 0 1 0
Piriqueta sp h 1 0 1 0 0 0
Turnera melochioides Cambess. h 0 1 1 1 0 0
93 ULMACEAE
Celtis pubescens (H.B.K.)Spreng. a 0 1 0 1 0 0
Celtis spinosa Spreng. a 0 1 0 1 0 1
Trema micrantha (L.) Engler A 1 1 1 1 1 0
94 URTICACEAE
Urera baccifera (L.) Gaudich. ex Wedd. h 0 0 0 0 1 0
95 VERBENACEAE
Aegiphila sellowiana Cham. a 0 0 0 1 0 1
Aloysia virgata (R. et P.) A. L. Juss. a 0 0 0 0 1 1
Lantana camara L. h 1 0 0 0 0 0
Lantana canescens Kunth. h 0 0 0 1 0 0
Lantana sp h 0 0 1 1 0 1
Lantana trifolia L. h 1 0 0 0 0 0
Lippia alba (Mill.) N.E. Brown. h 1 0 0 0 0 0
Lippia sp h 0 0 1 0 1 0
Stachytarpheta elatior Shrad. h 1 0 1 1 1 1
Vitex cymosa Bert. A 1 0 0 0 0 0
96 VITACEAE
Cissus erosa L.C. Rich. e 1 0 1 0 0 0
Cissus sicyoides L. e 0 0 1 0 0 0
Cissus sp e 0 0 0 0 1 1
97 VOCHYSIACEAE
Callistene fasciculata (Spr.) Mart. A 1 0 1 0 0 0
Callisthene minor (Spreng) Mart. A 0 1 0 0 0 0
Qualea grandiflora Mart. A 0 1 0 0 1 0
Qualea multiflora Mart. A 0 1 0 1 1 0
Qualea parviflora Mart. A 0 1 1 0 0 1
Salvertia convallariaeodora St. Hil. A 0 0 0 0 1 0
147

Conclusão Apêndice I
Nº Familia P N G B C S M
Vochysia cinamonea Pohl. A 0 0 0 0 1 0
Vochysia divergens Pohl. A 0 1 1 0 1 1
Vochysia haenckeana (Spreng.) Mat. A 0 1 0 0 1 1
Vochysia rufa Mart. A 0 0 0 0 0 1
Vochysia sp A 0 0 0 0 1 0
98 XYRIDACEAE
Xyris savannensis Miq. h 1 0 0 0 0 0
Xyris sp h 0 0 1 0 1 1
Org: autor. Fonte: CETApis

También podría gustarte

pFad - Phonifier reborn

Pfad - The Proxy pFad of © 2024 Garber Painting. All rights reserved.

Note: This service is not intended for secure transactions such as banking, social media, email, or purchasing. Use at your own risk. We assume no liability whatsoever for broken pages.


Alternative Proxies:

Alternative Proxy

pFad Proxy

pFad v3 Proxy

pFad v4 Proxy