Competências e Habilidades Do Professor.
Competências e Habilidades Do Professor.
Competências e Habilidades Do Professor.
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Mestranda em Educação na Universidade Católica de Petrópolis (UCP).
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Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Católica de Petrópolis –
(UCP).
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Introdução
Diante de um mundo globalizado, onde as palavras de ordem são conectividade,
intangibilidade e velocidade, não podemos permanecer olhando para a educação como
se ainda estivéssemos no século passado, quando as aulas eram ministradas apenas por
memorização e repetição. As mudanças ocorridas, no cenário educacional, vêm
requerendo a reestruturação do processo de ensino-aprendizagem na sua forma didático-
pedagógica, uma vez que há uma dinâmica contemporânea fundada em novos conceitos
de educação, de competência e de habilidade e, consequentemente, de novas formas de
saberes.
Partindo deste princípio de que a educação mudou e de que é necessário rever as
“formas de ensinar”, porque ainda é tão difícil implementar o ensino por competências e
habilidades na educação básica? Por que tantos professores preferem permanecer
enrijecidos no seu “modelo tradicional” de educação?
Com base nessas perturbações que rondam a atuação dos profissionais da
educação – professores e coordenadores pedagógicos – , percebemos a urgente
necessidade de repensar a prática docente, visto que, cada vez mais, chegam às nossas
escolas alunos capazes, velozes e que demandam muito além do que a escola coloca à
sua disposição. Percebemos que, infelizmente, a escola está ainda, enraizada em práticas
passadas, sendo uma instituição ultrapassada diante da velocidade do mundo.
Uma nova cultura modifica as formas de produção e apropriação de saberes – o
mundo mudou – temos que tomar decisões, muitos procedimentos a aprender, muitos
problemas a resolver. A escola de hoje tem uma função social urgente, o mundo é
globalizado, o contexto sócio educacional exige pessoas que saibam fazer e que tenham
a capacidade para planejar e resolver problemas. Os alunos não se interessam por
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Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/Competencia.html>. Acesso em: 10 jul.
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fazer, saber agir, saber conviver. Nos documentos oficiais do ENEM, vimos mais uma
denominação para o termo competência:
Modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações
que utilizamos para estabelecer relações com e entre os objetos,
situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer. As
habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao
plano imediato do “saber fazer”, através das ações e operações as
habilidades aperfeiçoam-se e articulam-se, possibilitando nova
organização das competências (BRASIL, 2000, p.8).
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Compreendemos, neste momento, que ideia de representação está relacionada ao fato de que a
aprendizagem “vem interferir com um já-existente conceitual que, ainda que falso no plano científico,
serve de sistema de explicação eficaz e funcional para o docente” (ASTOLFI e DEVELAY, 1991, p.35).
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Diante deste novo paradigma, não podemos olhar mais a educação como
meramente repetição. Há a urgente necessidade de repensar a prática docente, onde os
conteúdos precisam ter caráter pluralista, diverso, flexível, processual, ou seja,
interdisciplinar e contextualizado, onde o aluno possa viver situações-problema que
geram conflitos, dinamismos, ações mentais, aplicação, análise, síntese e avaliação.
Dessa forma, é possível afirmar que a colaboração em grupo, direciona para as
considerações das estratégias e que o erro seja recolocado como fundo na ótica da
construção de outras competências. Frente a essas considerações, os professores
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Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/Habilidade.html>. Acesso em: 10 jul. 2013.
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Diante de tantas mudanças e tantos anseios, não podemos dizer que “esse novo
jeito de educar”, possa ser classificado como “novo”. Um conjunto de documentos (leis,
decretos) e conferências, vêm relatando estes saberes contextualizados, impregnados de
práticas sociais e problematizados de questões atuais, argumentam e defendem que o
aluno deve desenvolver competências para atuar nos dias atuais.
A Conferência Mundial da Educação Para Todos – Tailândia (UNESCO, 1990),
apresentou definições e novas abordagens sobre as necessidades básicas de
aprendizagem, tendo em vista estabelecer compromissos mundiais para garantir a todas
as pessoas os conhecimentos básicos necessários para a vida. A partir desta conferência,
podemos destacar a universalidade de educação básica, voltada para garantir um
progresso social e superar o analfabetismo funcional e as necessidades educativas
fundamentais.
O Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional da Educação para o
Século XXI (DELORS, 1996), em linhas gerais discute que a globalização realiza-se de
forma progressiva, que as novas tecnologias constituem um desafio instigante, que os
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currículos escolares estão cada vez mais sobrecarregados e que neste caso, será
necessário fazer escolhas, com a condição de preservar os elementos essenciais de uma
educação básica que ensine a viver melhor pelo conhecimento, pela experiência e pela
construção de uma cultura pessoal. A Comissão redatora do referido relatório, na
verdade, sonha com uma educação criativa e que sirva de suporte a esse novo espírito,
por isto evidencia os quatro pilares da Educação para o século XXI: aprender a
conhecer, a fazer, a viver, a ser. O relatório apresenta uma educação contextualizada
que prepara o aluno para viver na sociedade, ampliando os elementos essenciais da
aprendizagem (leitura, escrita, expressão oral, cálculo, resolução de problemas)
aplicando estes conteúdos aos saberes diários. Também relata que a educação deve,
portanto, adaptar-se constantemente a essas mudanças da sociedade, sem negligenciar as
vivências, os saberes básicos e os resultados da experiência humana. (UNESCO, 1996)
As Diretrizes Curriculares Nacionais e os Parâmetros Curriculares Nacionais
enfatizam a necessidade de centrar o ensino e aprendizagem no desenvolvimento de
competências e habilidades por parte do aluno, em lugar e centrá-lo no conteúdo
conceitual apenas. Seguem alguns excertos dos PCNs (BRASIL, 1999) que corroboram
nossos argumentos.
Os objetivos propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais
concretizam as intenções educativas em termos de capacidades que
devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo da escolaridade. A
decisão de definir os objetivos educacionais em termos de capacidades
é crucial nesta proposta, pois as capacidades, uma vez desenvolvidas,
podem se expressar numa variedade de comportamentos. O professor,
consciente de que condutas diversas podem estar vinculadas ao
desenvolvimento de uma mesma capacidade, tem diante de si maiores
possibilidades de atender à diversidade de seus alunos. O papel do
professor nesse processo é, portanto, crucial, pois a ele cabe
apresentar os conteúdos e atividades de aprendizagem de forma que os
alunos compreendam o porquê e o para que do que aprendem, e assim
desenvolvam expectativas positivas em relação à aprendizagem e
sintam-se motivados para o trabalho escolar.
Para tanto, é preciso considerar que nem todas as pessoas têm
os mesmos interesses ou habilidades, nem aprendem da mesma
maneira, o que muitas vezes exige uma atenção especial por parte do
professor a um ou outro aluno, para que todos possam se integrar no
processo de aprender.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais propõem uma mudança
de enfoque em relação aos conteúdos curriculares: ao invés de um
ensino em que o conteúdo seja visto como fim em si mesmo, o que se
propõe é um ensino em que o conteúdo seja visto como meio para que
os alunos desenvolvam as capacidades que lhes permitam produzir e
usufruir dos bens culturais, sociais e econômicos.
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Muito se fala em “Formação de Professores”, mas que tipo de formação está sendo
buscada pelos professores? As instituições estão preparadas para receberem alunos
“competentes” que querem se capacitar para atuarem como protagonistas no mundo
globalizado? Nestas questões, vamos nos reter mais na primeira pergunta, pois
acreditamos que a segunda é muito complexa e não caberia no escopo deste trabalho.
Quanto aos professores, vimos hoje a necessidade da formação continuada, da busca
constante de saberes contextualizados. A Resolução CNE/CP n.1, de 18/2/2002 que
institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores na educação
básica (BRASIL, 2002), tem como base a Pedagogia das Competências e enfatiza que a
prática deve estar sempre presente e nortear a ação do professor. Portanto, cabe ao
professor buscar formação profissional e uni-la à sua prática diária, tornando assim sua
práxis pedagógica excelente. Mas, isto não é o que percebemos no cotidiano escolar.
Vemos professores despreparados, sem atualização e outros com seus “modelos
perfeitos” de anos de ensino pronto, sem nenhuma vontade de mudarem e dizem:
“sempre fiz assim, não é agora que vou mudar”. Acreditamos que seria necessário
insistir na capacidade reflexiva do professor, fazê-lo refletir sobre sua prática e
impulsioná-lo a buscar novos conhecimentos. Esta atualização dos professores constitui
necessidade fundamental, pois a velocidade constante do mundo em várias áreas,
econômicas, culturais e sociais necessita de profissionais que busquem conhecimento
constante para lidarem com as mudanças e com a quantidade de informações novas que
aparecem diariamente dentro e fora do contexto escolar. As demandas da sociedade
contemporânea exigem um docente criativo, reflexivo e dinâmico. Voltamos a
questionar, será que os centros de formação (inicial e continuada) estão caminhando
dentro desta atualidade? Buscar formação continuada, dentro dos centros de formação,
significa estar sincronizado dentro das novas perspectivas da educação? Nessa
perspectiva, vimos a necessidade de o professor ser um pesquisador, ter conhecimentos
e estabelecer diálogos críticos e criativos com o contexto no qual está inserido;
desenvolver sua competência investigadora para intervir na realidade; buscar formação
continuada e renovação constante, mesmo fora dos centros de formação. Assim, ele irá
conseguir superar a rotina da tradição pedagógica que reduz o ensino a treinamento,
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cópia e a reprodução. Não há pesquisa sem ensino e ensino sem pesquisa. Ensino
porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. (FREIRE, 1996).
saberes. Com essa postura, o aluno permanece em atitude passiva, aprendendo “fatias”
de um conhecimento que deveria ser plural, que deveria ser elencado aos seus ideais e
carregado de contextos, nos quais ele pudesse utilizá-lo sempre que possível. Sendo
assim, no espaço educativo, precisamos atuar no sentido de sermos capazes de refletir
sobre o processo de aprendizagem, buscando construir relações e articulações que levam
o aluno a ser capaz de articular seus saberes diários com os saberes escolares; que tenha
consciência de si , do outro e do mundo; que saiba ler e decifrar vários códigos; e que
seja capaz de lidar com as atualidades.
Considerações Finais
encontramos, pelos desafios que estamos vivenciando e pelos alunos que estamos
modificando.
Para Freire:
Referências
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, 17. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1998.