Desertificação Dos Solos e Desenvolvimento em África
Desertificação Dos Solos e Desenvolvimento em África
Desertificação Dos Solos e Desenvolvimento em África
Desertificação
Para CONTI (2008) ressalta que a desertificação pode ser entendida, preliminarmente, como
um conjunto de fenómenos que conduz determinadas áreas a se transformarem em desertos ou
a eles se assemelharem. Pode, portanto, resultar de mudanças climáticas determinadas por
causas naturais ou pela pressão das actividades humanas sobre ecossistemas frágeis, sendo,
nesse caso, as periferias dos desertos (ou áreas transicionais) as de maior risco de degradação
generalizada, em virtude de seu precário equilíbrio ambiental.
Como principais consequências da Desertificação, temos a degradação das terras secas que
causa sérios problemas económicos. Isto se verifica principalmente no sector agrícola, com o
comprometimento da produção de alimentos. Além do enorme prejuízo causado pela quebra
de safras e diminuição da produção, existe o custo quase incalculável de recuperação da
capacidade produtiva de extensas áreas agrícolas e da extinção de espécies nativas, algumas
com alto valor económico e outras que podem vir a ser aproveitadas na agropecuária.
A desertificação agrava o desequilíbrio regional. Nas regiões mais pobres do planeta, existe
uma grande lacuna a ser preenchida quanto ao desenvolvimento económico e social entre as
áreas susceptíveis ou em processo de desertificação e as áreas mais desenvolvidas. Outro
obstáculo a superar é a acção política tradicional, baseada na exploração das populações mais
fragilizadas.
Causas da Desertificação
Ao sul do deserto do Saara estão localizados alguns dos países mais pobres do planeta, como
Mali, Niger, Chade e o Sudão, em toda região adjacente ao deserto a destruição vegetal
provoca assoreamento dos mananciais (rios, lagoas e lagos) e acelera o processo, atingindo
áreas que até então eram férteis. Essa destruição se dá por causa da produção de carvão
vegetal, da agricultura de subsistência tradicional que não leva em conta os cuidados
ambientais e as técnicas que são menos degradantes. Para coibir o avanço ou para modificar a
situação de um problema tão grave que é a desertificação, são necessários, sobretudo, recursos
financeiros, aplicação de tecnologias e vontade política, mas há um inconveniente, grande
parte dos países africanos sofre sérios problemas financeiros, não consegue sequer oferecer à
sua população políticas sociais.
As regiões secas são constituídas pelas áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas, que estão
espalhadas por todos os continentes do globo terrestre e apresentam risco de desertificação.
Nessas áreas, esse fenómeno vem se instaurando devido às práticas inadequadas de uso da
terra, actividades agro pastoris, associadas ainda às condições climáticas desfavoráveis e secas
consecutivas.
As terras secas, que representam quase 34% da superfície terrestre e são a principal garantia
de segurança alimentar, principalmente para os mais pobres, estão se degradando diariamente;
o sustento de milhões de pessoas em todo o mundo depende de pequenos agricultores
(UNCCD, 2014). Esses pequenos agricultores que têm suas terras afectadas pela
desertificação são obrigados a migrar para outras áreas em busca de terras produtivas e água.
De acordo com Sampaio; Araújo; Sampaio (2005, p. 103), “as consequências ambientais da
degradação do solo são bastante graves por si próprias, mas seu aspecto mais danoso é na
redução da capacidade de produção das terras, principalmente quando esta redução é
irreversível”. A falta de recursos tecnológicos para cultivar, as condições climáticas adversas
e a falta de acesso a parcelas maiores de terras contribuem também para o aumento de áreas
em processo de desertificação.
Não são apenas as pessoas de baixos rendimentos que podem recorrer ao crime como forma
de re distribuição da riqueza. O relatório sublinha que, em resultado dos ricos subornarem os
responsáveis pelos impostos, as receitas são diminuídas, o que consiste em menores verbas
para os pobres. O documento prossegue referindo que a corrupção, que vai desde o desvio de
fundos ao alto nível a venda de documentos, distorce o primado da lei e bloqueia as reformas
sociais e o desenvolvimento económico.
Hyttel refere que os outros factores que contribuem para o índice elevado de crime em África,
incluem uma elevada percentagem de desemprego juvenil, o reduzido numero de policias e de
juizes, o baixo índice de condenações e a instabilidade causada pela guerra. Hyttel
acrescentou que a criminalidade afecta particularmente os africanos de baixo rendimento,
como no caso dos ferimentos sofridos por aqueles com acesso reduzido aos cuidados de saúde
e que dependem do seu trabalho para viver.
O relatório apela aos dirigentes africanos, as instituições, aos doadores, para adoptarem uma
serie de medidas de combate ao crime. Entre as medidas propostas incluem-se a adopção e
aplicação de legislação anticrime; o investimento no apoio as vitimas e nos programas sociais;
a assistência aos países para que respeitem as convenções internacionais como as Convenções
da ONU contra o Crime Organizado, e Contra a Corrupção.
A cooperação para o desenvolvimento, em que se baseou a relação entre Europa e África nos
últimos 50 anos, não satisfaz nem mesmo os países que dependem dela. Os Estados africanos
consideram que a ajuda pode ter sido nobre nas suas intenções, mas que, com o tempo, a
Europa se tornou autoritária e oportunista. Por sua vez, os líderes europeus quebraram a
ligação emocional a África. Com a indiferença instalada, parece garantido que a crise
europeia não é necessariamente uma crise africana, tendo em conta que seis dos países em
crescimento económico acelerado são africanos. Certo é que os efeitos combinados da crise
financeira internacional e da crise do euro, bem como o debate sobre os modelos de
austeridade e os modelos de crescimento, continuarão a influenciar a parceria e a cooperação
entre os países da União Europeia e os Estados de África.
Os fluxos de financiamento ao desenvolvimento de África provenientes da cooperação
internacional têm estado pressionados pelas crises orçamentais dos principais doadores
«tradicionais». O surgimento de novos financiadores e investidores em África, com critérios
próprios de ajuda ao desenvolvimento, abrem novas oportunidades e questões às prioridades
de afectação de fundos e à coerência das políticas. Além do impacto das economias
emergentes em África, é igualmente relevante a substituição da ajuda pelos negócios como
principal motor de crescimento, o que se reflecte nos programas de redução da pobreza.
Apesar da subida constante do PIB mundial em geral, continuam a existir grandes lacunas de
país para país e de região para região, assim como desigualdades crescentes. O relatório sobre
a cooperação para o desenvolvimento «Coopération pour le Développement 2012»,
promovido pelo CAD, departamento para a cooperação sobre o desenvolvimento da OCDE,
sublinha que os países em desenvolvimento estão a enfrentar a primeira queda da ajuda
pública ao desenvolvimento, desde 1997. A austeridade aplicada pelos países europeus
resultou numa queda de 2,7 por cento em 2011, relativamente ao ano anterior, do volume de
contribuições internacionais para ajuda ao desenvolvimento. Está muito longe a meta
acordada no quadro da União Europeia, em que cada Estado-membro deveria destinar 0,7 por
cento do rendimento nacional bruto à ajuda pública ao desenvolvimento.
Os défices em muitos dos países doadores resultou num corte no orçamento à cooperação e
«pode aumentar a pressão sobre outros doadores para fazerem o mesmo nos próximos anos»,
antecipa J. Brian Atwood, presidente do CAD. Isto num cenário de muitos desafios para os
Estados de África, nomeadamente de crescimento da população e de água potável
insuficiente.