Cena Realista: Rússia Revolução Russa 1917 Alemanha República de Weimar Meyerhold Erwin Piscator
Cena Realista: Rússia Revolução Russa 1917 Alemanha República de Weimar Meyerhold Erwin Piscator
Cena Realista: Rússia Revolução Russa 1917 Alemanha República de Weimar Meyerhold Erwin Piscator
Cena realista
Leve em consideração a dramaturgia moderna divulgada em larga escala, como as
telenovelas, por exemplo, onde existe um herói, um vilão e um enredo. Ao assistir, é como
se você estivesse lá, ou seja, os atores estão representando para um público, mas eles
fingem que não, eles não dialogam com você, a cena tenta ser realista ao máximo.
Se, por exemplo, representa-se uma conversa à mesa durante uma refeição, dentro da
cozinha, é como se esse ambiente só tivesse 3 paredes, pois a quarta parede é o
espectador.
Como disse anteriormente, o teatro grego serviu como base, mas se o retomarmos tal
como era, perceberemos um elemento fundamental: o coro. Ele era o intermediário entre o
ator e a plateia. Como um contador de histórias, o coro conversava com o público.
No teatro épico de Bertolt Brecht, há um resgate desse diálogo com o público, o que
normalmente se denomina "quebra da quarta parede".
Sem anestesia
Brecht escreveu seus textos na primeira metade do século XX, acompanhou um mundo
que passou por duas guerras mundiais, viu o surgimento do socialismo com a Revolução
Russa de 1917, sofreu a perseguição nazista... Seu teatro épico é uma forma de discursar
seus ideais para a plateia.
Segundo Fernando Peixoto, "Brecht recusa o espetáculo como hipnose ou anestesia: o
espectador deve conservar-se intelectualmente ativo, capaz de assumir diante do que lhe
é mostrado a única atitude cientificamente correta - a postura crítica".
É com a quebra da quarta parede e o diálogo do ator com o público que Brecht aspirou a
essa postura crítica da sociedade frente aos acontecimentos de sua época.
Efeito V
Um dos pressupostos do teatro épico é o efeito de distanciamento ou de estranhamento
(Verfremdungseffekt ou V-Effekt, em alemão) por parte do espectador. O ator não busca
identificação plena com a personagem. O cenário expõe toda sua estrutura técnica,
deixando claro que aquilo é teatro, e não a realidade. O enredo se desenvolve sem um
encadeamento linear cronológico entre as cenas, de modo a poder misturar presente e
passado, procurando evitar o envolvimento do ator e do espectador na trama, sempre com
o intuito de provocar a reflexão e de despertar uma visão crítica do que se passa, sem
levar ao desfecho dramático e natural. "Estranhar tudo que é visto como natural",[carece de
fontes]
segundo Brecht.
Ópera
Ainda tratando da ópera, mas definindo o que seria seu teatro, Brecht se posiciona contra
o conceito de obra de arte total (Gesamtkunstwerk, em alemão) proposto pelo músico e
compositor Richard Wagner.
Definindo o fundamental de sua poética, Brecht afirma que, no teatro, há que se renunciar
a tudo que pretenda provocar uma tentativa de hipnose e que pretenda provocar êxtase e
obnubilação.
Brecht defende que se deve conceder à música, como parte da cena, maior
independência, propondo que ela comente o texto e tome posição dentro da obra, não
apenas como forma de realce do texto, ilustração ou formadora de uma situação
psicológica da cena.
teatro épico
O conceito de teatro épico diz respeito a um teatro didático que procura uma distanciação entre
personagem e espectador para que este seja capaz de refletir e apreender a lição social proposta.
Este conceito é apontado, por volta de 1926, pelo poeta e dramaturgo alemão Bertolt
Brecht (1898-1956), que opõe ao teatro clássico e tradicional (teatro aristotélico) um teatro
narrativo que em vez de suscitar emoções e sentimentos desperta uma atitude crítica.
O teatro épico, proposto por Brecht, contrapõe-se à tragédia clássica para melhor conseguir o
efeito social. Enquanto o teatro clássico conduz o público à ilusão e à emoção, levando-o a
confundir o que é a arte com a vida real, no teatro épico a "distanciação" deve permitir o
envolvimento do espectador no julgamento da sociedade. Por isso, o teatro épico implica
comprometimento, crítica contra o individualismo, consciencialização perante o sofrimento dos
outros e a realidade social. Deve, na sua tarefa pedagógica, instruir os espectadores na verdade e
incitá-los a atuar, alertando-os para a condição humana. O espectador deve ter um olhar crítico
para se aperceber melhor de todas as formas de injustiças e de opressões.
De acordo com Brecht, o teatro épico é um drama narrativo que nos oferece uma análise crítica
da sociedade, procurando mostrar a realidade em vez de a representar, para levar o espectador a
reagir criticamente e a tomar posição. Propõe que o espectador seja um observador crítico capaz
de se indignar com as injustiças quotidianas. Para isso, opõe-se à conceção aristotélica de que o
espectador deveria sentir o que se passava no palco, naquele momento de representação, e
começa a defender o Verfremdungseffekt (ou efeito V), que se pode traduzir por "efeito de
distanciação".
Brecht, nos seus Estudos sobre Teatro, fala do efeito de estranheza e de distanciação, que o
recurso à história ou a um processo de construção de parábolas permite refletir sobre uma
realidade próxima. Brecht propõe um afastamento entre o ator e a personagem e entre o
espectador e a história narrada para que, de uma forma mais real e autêntica, possam fazer
juízos de valor sobre o que está a ser representado. O ator deve, lucidamente, saber utilizar o
"gesto social", examinando as contradições da personagem e as suas possíveis mudanças, que
lhe permitam acentuar o desfasamento entre o seu comportamento e o que representa. Isto
permite ao público espectador uma correspondente distanciação à história narrada e,
sequentemente, uma possível tomada de consciência crítica, aprendendo o prazer da
compreensão do real, a sua situação na sociedade e as tarefas que pode realizar para ser ele
próprio.
Este efeito de estranheza e de distanciação acaba por conduzir a uma aproximação entre o ator e
o espectador, na medida em que os dois se distanciam em relação à história narrada e podem,
como pessoas reais, discutir o que se passa em palco. Ao contrário do teatro clássico não há um
efeito alucinatório ou hipnótico que permita tomar a representação pela própria realidade.
Afirma Bertolt Brecht (in Estudos sobre Teatro):
"O espectador do teatro dramático diz: - Sim, eu já senti isso. - Eu sou assim. - O sofrimento
deste homem comove-me, pois é irremediável. É uma coisa natural. - Será sempre assim. - Isto
é que é arte! Tudo ali é evidente. - Choro com os que choram e rio com os que riem.
O espectador do teatro épico diz: - Isso é que eu nunca pensaria. - Não é assim que se deve
fazer. - Que coisa extraordinária, quase inacreditável. - Isto tem de acabar. - O sofrimento
deste homem comove-me, porque seria remediável. - Isto é que é arte! Nada ali é evidente. -
Rio de quem chora e choro com os que riem."