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Examinai As Escrituras

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05 - 07 de Setembro de 1998

JOINVILLE - SC

Edições Hebrom
Rua Ministro Calógeras, 394
89.201-500 - Joinville - SC
EXAMINAI AS ESCRITURAS - Seminário Intensivo Para Líderes da Igreja _______________________________________

INTRODUÇÃO

Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e estudar pessoalmente a Palavra


de Deus. Hoje em dia existem muitas traduções da Bíblia ao alcance de todos, tornando fácil o acesso
a ela para quem quer que saiba ler. Todavia, a nossa geração parece estar produzindo um povo
biblicamente iletrado. Mesmo entre cristãos conscientes a Bíblia é pouco mais que um livro devocional,
no qual se pode “encontrar” Deus. O aprofundamento em busca das grandes verdades é deixada aos
teólogos e outros “experts”. É como se estivéssemos voltando aos dias anteriores à Reforma.
No entanto, a presença do Espírito Santo e as ferramentas disponíveis combinam-se para dar-
nos tudo o que precisamos para estudar e interpretar as Escrituras. Jesus repreendeu severamente os
judeus de Seu tempo por sua incapacidade de compreender quem Ele era, atribuindo este fracasso
diretamente à ignorância das Escrituras:

“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim
testificam” (Jo 5.39).

“Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29);

Nosso objetivo, com este Seminário, é que despertemos para uma nova realidade de amor e de
dedicação ao Senhor e à Sua Palavra. Nestes tempos de grande colheita, precisamos, mais do que
nunca, de pastores e líderes que conheçam a a mensagem de Deus a ser levada ao mundo, na sua
integridade e pureza.
Por outro lado, estamos atravessando tempos de apostasia e de grande operação do erro.
Portanto, para a Igreja crescer em bases sólidas, e não ser enganada pelos ardis que se nos
apresentam, temos que conhecer profundamente as Escrituras e nos aprimorar no estudo da Palavra de
Deus.

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se
envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15).

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CONTEÚDO

Veracidade e Atributos das Escrituras .................................................... 01


Introdução ........................................................................................ 01
O Conhecimento Precede a Fé - A Fé em Fatos ................................. 02
Deus e a Sua Palavra - O Testemunho de Deus ................................. 02
A Bíblia é Única - Provas e Evidências .............................................. 02
Principais Atributos da Bíblia ............................................................ 08
Porque Estudar as Escrituras .................................................................. 09
A Necessidade de Recursos Humanos ............................................... 09
Barreiras para o Entendimento das Escrituras ................................... 09
Visão Geral do Processo de Estudo Bíblico ............................................. 12
Observação das Escrituras ....................................................................... 14
Exemplo de Observação de Um Versículo ......................................... 14
Orientações Para uma Leitura Proveitosa .......................................... 16
Orientações Quanto ao Que Procurar ................................................ 17
Interpretação das Escrituras ................................................................... 25
Princípios de Interpretação ............................................................... 25
Aplicação das Escrituras .......................................................................... 33
Alguns Substitutos para a Prática da Palavra ..................................... 33
Quatro Passos na Aplicação .............................................................. 34
Considerações .................................................................................. 38
Desenvolvimento ............................................................................. 38
A Importância dos Princípios ............................................................ 41
Apêndice .......................................................................................... 43
A Idoneidade de Jesus para Ensinar ....................................................... 45
Alguns Princípios para a Liderança ................................................... 47
Estudo de um Livro .................................................................................. 48
Obtendo uma Visão Panorâmica do Livro ......................................... 48
Estudo de Capítulos ou Passagens .................................................... 49
Organizando o Estudo ...................................................................... 50
Estudo de Tópicos .................................................................................... 51
Estudo de Palavras ........................................................................... 51
Estudo de Tópicos Mais Abrangentes ............................................... 53
Estudo de Personagens ............................................................................. 54
Ferramentas para Estudo Bíblico e Livros Recomendados .................... 55
Oficina - Estudo de 1Co 10.1-14 .............................................................. 58
O Texto ............................................................................................ 58
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O Livro em Panorama ....................................................................... 59


Observando o Texto ......................................................................... 62
Interpretando o Texto ....................................................................... 64
Aplicando o Texto ............................................................................ 68
Bibliografia ............................................................................................... 73

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VERACIDADE E ATRIBUTOS DAS ESCRITURAS

INTRODUÇÃO
1. A importância das Escrituras e a Verdade

2. Jesus e as Escrituras

• A autoridade de Jesus estava baseada nas Escrituras- Foi reconhecida por isto. Lc.
24.44 - Jesus lhes disse : “São estas as palavras que vos falei estando ainda convosco,
que era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de
Moisés, nos Profetas e nos Salmos.”
Jesus não apareceu e... pronto : “Eu sou...”.

• Jesus se expôs às Escrituras – A verdade se expõe ao exame.


Jo 5.39: “Examinais as Escrituras, porque julgais Ter nelas a vida eterna, e são elas
que de mim testificam”.

• Jesus reconhece a autoridade das Escrituras demonstrando conhecê-las profundamente.


Mt. 22.29: “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” ( ver o
contexto e a continuação do texto).
Em Lucas 2 , vemos Jesus desde criança envolvido com as Escrituras.

• Jesus reconhece o Cânon sagrado.


Lc 11.51: “...desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias ,que foi morto entre o
altar e o templo. Assim ,vos digo, será requerido desta geração”.
O primeiro e o último mártir
O primeiro e o último livro do Cânon sagrado judeu.
De Gênesis a II Crônicas ( As Escrituras ).

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O CONHECIMENTO PRECEDE A FÉ – A FÉ EM FATOS


A fé dos discípulos de Jesus não é uma fé cega.
A fé não é um salto no escuro. É um salto para a luz.
É a ponte sobre o abismo muito bem iluminada.
Lc 1.1-4
At 1.3
Jo 20.29-31
Mc 1.1-2
Mt 1.1-17, 22
1 Jo 1.1

D EUS E A SUA PALAVRA - O TESTEMUNHO DE DEUS


Homens trabalhando 20, 30, 40 anos na elaboração e pesquisa da palavra.
Pesquisando escritos antigos , grego, hebraico.
Garimpeiros, ourives.
Jr 1. l2
Sl 138. 2

A BÍBLIA É ÚNICA – PROVAS E EVIDÊNCIAS


Arejamento da Fé pela história.
A credibilidade das Escrituras é racional.
Deus na história é real e documental.

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A Bíblia é única, diferente de todos os outros livros:

1. É coerente
• Foi escrita durante um período de mais de 1500 anos;
• Escrito durante mais de 40 gerações;
• Por mais de 40 autores;
• Nos mais diversos lugares;
• Em 3 continentes : Ásia, África, Europa;
• Em 3 Idiomas: Hebraico, Aramaico, Grego;
• Trata de centenas de temas controversos que geram opiniões diferentes. Entretanto são
tratados com coerência pelos autores. Há harmonia .Harmonia de Deus.
De Gênesis a Apocalipse revela-se o Amor de Deus, a redenção do homem por Deus.
Há coerência e coesão, sem que ninguém tenha sentado para escrever a Bíblia. A Bíblia
jamais se contradiz.

2. Circulação
A Bíblia é o livro mais lido e editado de toda a história da humanidade .
É o livro mais acessível, disponível, traduzido

3. Sobrevivência - Como chegou até nós.


Os livros da bíblia foram escritos a mão e com pena.
Em papiros e pergaminhos. Em cópias sucessivas.
Até o Século III eram rolos de papiros de 6 a 10 metros de comprimento.
A tinta era água, carvão e cola.
Estes manuscritos foram assim copiados até meados do Século XV, quando Guttemberg
inventou a imprensa e o primeiro livro impresso foi a Bíblia. A Vulgata Latina.
Dos quase 35 séculos dos escritos canônicos, somente nos últimos 5 eles foram impressos
(1500 AC e 1500 AD).
A tradição judaica de copiar a palavra de Deus foi fundamental para isto. Deus preparou todas
as coisas.

4. Sobreviveu as perseguições
Como nenhum outro livro a Bíblia tem sido perseguida.

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• Roma proibia e queimava;


• O comunismo e outras religiões foram implacáveis e ainda o são;
• As perseguições intelectuais tentam desacreditá-la e com certeza causam um estrago
maior.

Todos batem na Bigorna. Os martelos sempre quebram:

• Voltaire (1778) – renomado filosofo francês disse: “Daqui cem anos o Cristianismo terá
desaparecido. Será História.” 50 anos depois ele tinha morrido, passou para a história mas
sua casa e gráfica eram usadas pela Sociedade Bíblica de Genebra para imprimir Bíblias.
Que ironia!
• Diocleciano imperador romano em 303 AD mandou queimar os livros dos cristãos e
persegui-los. O novo imperador, Constantino, 25 anos depois mandou às custas do
estado fazer 50 cópias das Escrituras.
• “A Alta Crítica” de décadas passadas, pela “Hipótese Documental”, dizia que no tempo
de Moisés não havia um sistema de escrita. Moisés não poderia ter escrito o
Pentateuco. Foi escrito depois. Logo depois, foram descobertos o Obelisco Negro com o
Código de Hamurabi detalhado e o Reino de Elba com escritos perfeitos em l7000
tabletes cerâmicos. O Primeiro, 300 anos antes de Moisés. O segundo, 1000 anos antes.
Infelizmente muitas destas teorias, e outras semelhantes, são ensinadas em escolas e
seminários “Bíblicos”.
Com base em argumentos como estes, várias doutrinas foram formuladas e inseridas na
“Igreja” pela Teologia Moderna:
− Negação da inspiração total da Bíblia;
− Limitação de Deus pelos homens que Ele usou;
− Adaptação dos Princípios e da Moral ensinados pela Bíblia, aos nossos tempos.

5. Mas que evidências e/ou provas há da fidelidade e confiabilidade da Escrituras?


Primeiramente vejamos algumas provas e/ou evidências quanto a credibilidade histórica das
Escrituras, não quanto a inspiração.

Deve-se testar a credibilidade das Escrituras pelos mesmos critérios usados para testar todos
os documentos históricos.

Há três princípios básicos;


A- O teste bibliográfico
B- O teste das evidências internas
C- O teste das evidências externas

A- O teste Bibliográfico.
Testa a credibilidade das cópias que temos (não temos os originais) em relação ao número de
manuscritos e o intervalo de tempo transcorrido entre o original e a cópia existente.
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Com relação ao Novo testamento, nenhum outro documento da História antiga se compara a
ele.
O Novo Testamento tem 24633 cópias manuscritos.
A Ilíada de Homero tem 643( é o documento antigo com o maior número de cópia).

O intervalo entre o original e a cópia mais antiga do Novo Testamento é 25 anos; o da Ilíada é
500 anos

OBRA DATA CÓPIA INTERVALO N. de CÓPIAS

Homero 900 AC 400 AC 500 anos 643


N. Testam. 40-100 AD 125 AD 25 anos 24.000

A maioria das cópias completas mais antigas datam de 250 a 300 A.D. A totalidade dos
documentos históricos antigos, encontram-se bem abaixo destes números, entretanto, são
tratados como preciosidades e cheios de credibilidade pelos estudiosos, e mesmo, pela
sociedade moderna de um modo geral.
Há ainda as citações do N.T. em todos os escritos dos chamados Pais da Igreja: Inácio,
Policarpo, Barnabé, Hermes, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipolito, Justino Martir, etc,
período este que vai de 70 a 212 AD.
O Velho Testamento, de uma forma diferente, também tem um padrão igualmente confiável de
Palavra de Deus. A cópia mais antiga é de 900 AD, 1300 anos após a conclusão do último
livro, por volta de 400 AC. Entretanto, a tradição dos copistas judeus é inigualável na história
da humanidade. Para eles, copiar era copiar a Palavra de Deus. Precisão! Contavam tudo que
se podia contar. Cópia com qualquer erro era normalmente eliminada. Havia grupos de
homens com funções específicas : Escribas , Copistas e Massoretas. Quem alguma vez
contou as letras, sílabas ou parágrafos dos textos de Platão, Aristóteles, Sócrates, Cícero ou
Seneca?
Nos textos de Shakespeare, com menos de 300 anos, há inúmeras dúvidas quanto a
autenticidade de alguns de seus escritos.
Para a confecção das cópias existiam 17 leis ou princípios que deveriam ser obedecidos.

Ex.: - A largura do documento deveria ser de 30 letras. O comprimento de 48 a 60 linhas. Se


3 palavras ficassem fora desta linha a cópia era eliminada;
- O 5º livro de Moisés deveria terminar exatamente no final de uma linha;
- Entre cada letra o espaço era de um fio de cabelo.
Quando em l947 foram descobertos os rolos do Mar Morto nas Cavernas de Qumram, uma
cópia de Isaías, datada de 125 AC, sendo assim 1000 anos mais antiga que as cópias
existentes, datadas de 900 AD, tinha apenas 5% de diferença. Erros óbvios de cópia e
ortografia. Das l66 palavras de Isaías 53 apenas 17 letras apresentavam alguma dúvida. Dez
eram uma simples questão de ortografia, que não afetava o sentido do texto. Quatro eram só
uma questão de estilo. As três últimas formam a palavra luz, que não altera o sentido do texto.

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Só que um outro fragmento encontrado continha esta palavra e a Septuaginta também (300 AC
– 72 anciões , 72 dias). Mil anos de transmissão. Apenas uma palavra de três letras de
diferença.
Estes princípios faziam das cópias um documento mais importante que o original, pois o original
já estava se desfazendo, apagando- se, etc. O original podia então ser destruído. Por isso não
há originais mais antigos.
Entretanto, a maior prova da autenticidade e credibilidade do V. T. é o uso e citações dele
por parte de Jesus e dos Apóstolos.

B- Teste das Evidências Internas

A regra básica é : “ Em caso de dúvida deve-se favorecer o próprio documento e não a


posição questionadora do crítico”.

1) Fontes Primárias: Testemunhas oculares


• Lc 1.1-3: Investigação pessoal com testemunhas oculares - uma exposição em
ordem.
• 2Pe 1.16: Nós mesmos fomos testemunhas oculares;
• Outros textos: 1Jo 1.3; At 2.22; Jo 19: 35; Lc 3.1; At 26.24-26

2) Fontes Secundárias: datação dos escritos originais


• Pelos Conservadores: de 50 a 80 AD
• Pelos Liberais: de 50 a 170 AD

C- Teste das evidências Externas

“Outros materiais históricos confirmam ou negam o testemunho fornecido pelos próprios


documentos?
• Eusébio historiador;
• Inácio Bispo de Antioquia – conheceu todos os apóstolos. Discípulo de Policarpo, que era
discípulo de João;
• Policarpo matirizado aos 86 anos em 156 A.D.;
• Flávio Josefo- Historiador Judeu. Comprova ou menciona vários fatos históricos e nomes
do Evangelho;
• Clemente de Roma;
• Irineu, Bispo de Lion e discípulo de Policarpo;
• Muitos outros.

6. A Confirmação pela Arqueologia

Em primeiro lugar, e também em todos os outros, a Arqueologia séria tem só comprovado as


Escrituras, tem até melhorado o entendimento dos costumes e dos intervalos históricos não
relatados pelas Escrituras. A principal autoridade é Willian Allbright.
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• O reino de Elba, descoberto no norte da Síria, datado de 2500 A.C. e seus tabletes
cerâmicos com inscrições que lançaram por terra a teoria do Moisés analfabeto dos
estudiosos, também falam das cinco cidades da planície de Gen 14 e na mesma ordem:
Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar;
• Os relatos de Lucas concentram a maior atenção. Pois ele diz: “havendo me informado
minuciosamente...”. Então os Críticos aproveitam e dizem : “Não houve censo na época
de Jesus, Quirino não era Governador, e ninguém teve que voltar a terra natal”.
Descobertas arqueológicas revelaram que os romanos realizavam cadastramento e censo de
contribuintes a cada 14 anos.
A volta a terra natal é mencionados em papiros descobertos no Egito.
Inscrições em Antioquia mencionam Quirino como Governador da Síria por dois períodos.
• Sir Willian Ransey, um dos maiores arqueólogos, após 30 anos de trabalho diz: “Lucas é
um historiador de primeira linha... Deve ser colocado entre os maiores historiadores“.

7. Como Foi Feita a Bíblia


Ninguém a fez!! “A bíblia não é o tipo de livro que um homem escreveria caso pudesse, nem
que poderia escrever, caso quisesse” ( Lewis S. Chafer).
Quando fala de seus personagens retrata-os como foram, com seus erros e acertos, inclusive as
falhas morais. Ela revela Deus e sua ação para com o homem caído. Que diferença das
biografias do mundo. Quanto ao material, já falamos do papiro, pergaminho, tinta, etc.
A Bíblia é chamada também de o Cânon Sagrado. Palavra de raiz hebraica (cana, junco) e do
grego, Kanon., padrão. Isto é, uma Lista de livros oficialmente aceitos.
A Igreja não criou o Cânon nem os livros, apenas reconheceu a inspiração dos livros já aceitos
por testemunho de Deus, no seu meio.
Não sabemos exatamente quais foram os critérios usados, mas alguns princípios sabemos:
• Revela autoridade? Veio da parte de Deus? Tem o ”Assim diz o Senhor “?
• É profética? Foi escrito por um homem de Deus?
• É autêntica ? (Os Pais da Igreja primitiva tinha a prática de “em caso de dúvida jogue fora
“).
• É dinâmico ? Veio acompanhado do poder divino de transformação de vidas ?
• Foi aceito, guardado, lido e usado? Foi recebido pelo povo de Deus?
Pedro reconheceu os escritos de Paulo em pé de igualdade com o V. T.
Quanto ao Velho Testamento, Jesus da testemunho dele quando diz: “que importa se
cumprisse tudo que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos”.
A definição do cânon sagrado foi definida em 393 A.D., no Sínodo de Hipona. Trabalho feito
antes por Agostinho e Jerônimo. Esta definição foi necessária, pois:
1- Marcion, um herege divulgava um cânon próprio;
2- As igrejas orientais estavam usando livros estranhos;
3- Pelo edito de Diocleciano que ordenava a destruição das Escrituras dos cristãos. A
igreja precisava saber quais preservar.

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Os livros fora deste padrão foram chamados de Apócrifos. Somente em 1564 no concilio de
Trento é que a igreja de Roma introduziu e recebeu os livros apócrifos como canônicos.
A divisão da Bíblia em capítulos e versículos, se deu em 586 A.C. com o Velho Testamento.
Só em 900 A.D. foi feita a divisão em versículos. Em 1227 Estêvão Langton, um professor da
Universidade de París, e depois arcebispo da Cantuária, dividiu a Bíblia no atual sistema de
capítulos.
A Vulgata Latina foi a primeira versão a incorporar tanto a divisão de capítulos como de
versículos conforme conhecemos hoje.

PRINCIPAIS ATRIBUTOS DA BÍBLIA


1. Infalível
A Bíblia é infalível. As Santas Escrituras são uma regra e um guia certos, seguros e confiáveis
em todas as questões. Especialmente em seus autógrafos originais. Todas as suas afirmações e
promessas, negativas ou positivas, são a palavra de Deus. Ela foi inspirada por Deus. Portanto :
“A lei do Senhor é perfeita“ (Sl 19.7)

2. Inerrante
A Bíblia não é somente infalível mas é acima de tudo inerrante. Não é só infalível no seu todo
mas também em suas partes. Geografia, Matemática, Ciências, Anatomia, Sociologia,
Psicologia, Psiquiatria, etc.
NÃO HÁ UMA PARTE INSPIRADA E OUTRA NÃO. TODA AS ESCRITURAS, EM
SEUS AUTÓGRAFOS, FORAM INSPIRADAS POR DEUS.
“Toda palavra de Deus é pura... nada acrescentes tu às suas palavras, para não te
repreenda e sejas achado mentiroso” (Pv 30.5-6).
“Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão
escritas neste livro. E se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus
lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro”
(Ap 22: 18,l9).

3. Completa
A Bíblia é portanto completa . Contém tudo o que diz respeito à vida eterna, ao homem, ao
plano de salvação feito por Deus, a toda as suas implicações, presente, passada e futura, bem
como, a toda revelação da eternidade que Deus quis dar ao homem.

4. Autoritativa
Ela é perfeita e completa. É a última palavra. É Deus quem fala, portanto todos devem ouvir.

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PORQUE ESTUDAR AS ESCRITURAS

A NECESSIDADE DE RECURSOS HUMANOS


Jesus é Deus-Homem. Por um lado é Deus, e por outro lado é Filho do Homem. Ele é único.
Não podemos compará-lo com qualquer outro homem. Ele é o verbo encarnado. A mesma coisa
descobrimos com a Bíblia: sendo um livro divino, também podemos achar nele elementos humanos. É
também um livro incomparável, único em todo o Universo.
Por que precisamos usar recursos humanos para estudar as Escrituras? Por que precisamos
usar nossa mente e nosso intelecto? É porque Deus nos deu esse livro com elementos humanos. Assim,
precisamos de faculdades humanas para poder apreciar e entender esses elementos humanos. Não
podemos negligenciar os elementos humanos das Escrituras, pois o Espírito Santo os utiliza como
plataforma de Sua revelação. Por causa disso precisamos saber ler e conhecer os recursos gramaticais
da linguagem humana para podermos entender o que Deus está querendo nos dizer. Devemos orar
como o salmista: “ Dá-me entendimento para que eu aprenda os Teus mandamentos. Porque,
Senhor, as Tuas mãos me fizeram e me afeiçoaram” (Sl 119.73). Ele fez o nosso intelecto para
podermos aplicá-lo a sua Palavra.
Mas essa é apenas uma parte da história. Se Deus não nos revelar a sua Palavra, jamais iremos
entendê-la. Ef. 1.18 diz “... sendo iluminados os olhos do vosso coração para que saibais....”. Isto
quer dizer que o Senhor tem que abrir nossas faculdades espirituais para podermos compreender as
Escrituras. Somente o nosso espírito pode tocar o Espírito da Palavra de Deus. Precisamos da
iluminação do Espírito Santo.
Muitos eruditos tentam usar os métodos deste mundo para interpretar a Bíblia. Eles consideram
este livro como qualquer outro. Isto é uma blasfêmia. Este livro é singular, este livro é espiritual. Para
interpretar as Escrituras precisamos usar recursos históricos, literários, textuais, filosóficos, entre outros,
porém, sem os recursos espirituais jamais iremos conhecer a Palavra de Deus. Em Cl 1.9 Paulo ora
para que os crentes sejam “cheios do conhecimento da vontade de Deus, em toda a sabedoria e
entendimento espiritual”. Outro exemplo é o de Daniel: nenhum dos sábios do império de Belsazar
foi capaz de dizer o que estava escrito na parede, a não ser Daniel, porque o Espírito de Deus estava
com ele.

BARREIRAS PARA O ENTENDIMENTO DAS ESCRITURAS


Por que nós devemos estudar a Escrituras? Por que não apenas abrir a Palavra, ler o que se
supõe que se deve fazer e obedecer? Por que despender um enorme esforço para compreender o
texto? A resposta, como já vimos, está ligada aos elementos humanos presentes na Bíblia. O
tempo e a distância têm erguido grandes barreiras entre nós e os escritores bíblicos, que dificultam
nosso entendimento e precisam ser sobrepujadas. Para isso devemos consultar outras fontes, além das
Escrituras, que nos servirão de ferramentas para entender melhor o que estamos lendo.

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1. Barreiras de Linguagem
A Bíblia foi escrita em três línguas: O Antigo Testamento em Hebraico e algumas poucas partes
em Aramaico, e o Novo Testamento em Grego. Nossas traduções em Português, embora muito bem
feitas por conselhos editoriais compostos por grandes eruditos nessas línguas, muitas vezes não
conseguem achar palavras da nossa língua que correspondam perfeitamente às do idioma original.
Também, é difícil fazer a transposição do tempo, da voz e do modo dos verbos das línguas originais
para a nossa língua.
Exemplo 1: Em 1Co 4.1 Paulo diz: “ Que os homens nos considerem, pois, ministros de
Cristo ...” Ministro na nossa língua é uma palavra sofisticada, usada para designar altas posições,
como os ministros do Presidente da República. Mas, no grego, a palavra é huperetes, que significa
servo, escravo, servente. Esse termo era usado para designar os escravos remadores das naus
romanas. Esse conhecimento certamente irá nos ajudar a compreender melhor o que Paulo está
querendo dizer.
Exemplo 2: Em Gn 1.1 o texto diz: “No princípio criou Deus os céus e a terra.” A
palavra traduzida por Deus é a palavra hebraica Elohim. Esta palavra, embora singular, tem um sentido
de pluralidade. Podemos então enxergar aí o Deus Trino, e ver a pessoa de Jesus já no primeiro verso
das Escrituras . Aleluia!
Ferramentas Úteis: Concordâncias, Dicionários Bíblicos, Auxílios para o grego.

2. Barreiras Culturais
A Bíblia é o produto de culturas que são dramaticamente diferentes entre si. Para apreciar um
texto temos que reconstruir o contexto cultural em que foi escrito. Quais os costumes e o ambiente do
povo? Que tipo de influência sofriam?
Exemplo 1: A Parábola das Dez Virgens poderá ser melhor entendida se conheceremos os
costumes relacionados ao noivado e casamento do povo oriental na época de Jesus.
Exemplo 2: No Capítulo 8 de 1 Coríntios, Paulo discute o problema de comer comida
sacrificada aos ídolos, um problema que não é crítico hoje em dia. Porém, o conhecimento do contexto
cultural relacionado a este problema nos facilitará aplicar os princípios de Deus que se encontram nesta
passagem em problemas similares que encontramos hoje em dia na nossa cultura.
Ferramentas Úteis: Dicionários Bíblicos, Enciclopédias Bíblicas e Manuais Bíblicos.

3. Barreiras Históricas
Também, o conhecimento da História atrás de uma passagem ajudará sua compreensão.
Devemos sempre perguntar em que ponto da revelação a respeito de Deus o autor se encontra. É
claro que o entendimento de Paulo é muito diferente do entendimento de Moisés, ou Jó, pois a
revelação de Deus é progressiva através da História. Portanto é importante considerar as diversas
passagens no seu contexto histórico. Se você está estudando Jeremias estará depois dos dez
mandamentos, depois de Davi, mas antes do Sermão do Monte e antes de João 3.16. O pano de
fundo histórico é muito importante!
Exemplo 1: Algum conhecimento a respeito do Gnosticismo existente no tempo em que
Colossenses foi escrito irá nos ajudar a compreender melhor este livro, bem como as cartas de João; se

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soubermos da existência dos judaizantes se movendo entre as igrejas gentias, entenderemos melhor o
livro de Gálatas.
Exemplo 2: Se não conhecermos o pano de fundo histórico, especialmente o compreendido
entre o cativeiro na Babilônia e a chegada do Império Romano, vamos entender muito pouco do livro
de Daniel. Muitas profecias lá proferidas se cumprem na História e o conhecimento desses fatos nos
abre uma nova perspectiva de entendimento desse livro.
Ferramentas Úteis: Enciclopédias Bíblicas, Manuais Bíblicos.

4. Barreiras Geográficas
Muitas cidades, províncias, regiões, rios, mares, entre outros conceitos geográficos aparecerem
na Bíblia, muitos dos quais desapareceram ou contam com pouca informação a seu respeito. Todos os
dados que pudermos coletar nos ajudarão a interpretar as Escrituras.
Exemplo 1: Em Marcos 4 vemos o milagre de Jesus acalmando a tempestade no Mar da
Galiléia. Estudando a Geografia da Palestina verificamos que o Mar da Galiléia fica a 220 metros
abaixo do nível do mar, rodeado por montanhas, e, por isso, propicia freqüentemente grandes
tempestades. Se aqueles homens se assustaram, eles que eram na sua maioria pescadores,
acostumados a essas intempéries, deve ter sido realmente uma tempestade muito terrível.
Exemplo 2: Temos muito pouca informação sobre o monte Moriá, onde Isaque foi oferecido
por Abraão. Na verdade trata-se de um conjunto de montes. Porém, a constatação que foi nesse
mesmo lugar que Jesus foi oferecido por nós, nos proporciona um entendimento muito maravilhoso dos
propósitos de Deus.
Embora encontremos diversos tipos de dificuldades. temos que procurar sobrepujá-las, pois é
impossível aplicar a palavra de Deus a nossa vida sem que a compreendamos. É por isso que Davi
diz: “Dá-me entendimento, para que eu guarde a Tua lei e a observe de todo o meu coração” (Sl
119.34). A Palavra de Deus corretamente aplicada tem grande poder. Em At 8.26-40, depois que
Filipe interpretou as palavras de Isaías para o eunuco, este prosseguiu seu caminho com uma nova
perspectiva de vida, e o evangelho pode alcançar a África.
Ferramentas Úteis: Atlas Bíblicos, Manuais Bíblicos, Enciclopédias Bíblicas.

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VISÃO GERAL DO PROCESSO DE ESTUDO BÍBLICO

No capítulo anterior, mostramos a necessidade de estudar as Escrituras. Veremos, agora,


como fazê-lo. Em 1 Tm 4.13, Paulo diz o seguinte a Timóteo:

“Até que eu vá, aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino.”

Estas três palavras: leitura, ensino e exortação estão ligadas, respectivamente, à observação,
à interpretação (ou explicação) e à aplicação. O processo geral de estudo da Bíblia consiste destas
três etapas essenciais, realizadas nesta mesma ordem:

1. Etapa de Observação

Nesta etapa, procura-se identificar os fatos, o que o texto está dizendo. A pergunta chave nesta
etapa é: O que eu vejo?
Observar é o ato de reconhecer e anotar fatos ou ocorrências. O propósito da observação no
estudo da Bíblia é saturar-se do conteúdo da passagem das Escrituras, familiarizar-se o quanto
possível com tudo que o escritor bíblico está dizendo, explícita ou implicitamente.
A identificação dos termos relevantes, da estrutura gramatical e literária do texto, do seu
gênero literário e da atmosfera que o cerca é importante para reconhecer o que o autor está dizendo
e constitui informação imprescindível para a realização das etapas seguintes do estudo bíblico.
Paulo, ao ler Gênesis, observou que a palavra “descendente” estava no singular: “Apareceu,
porém, o Senhor a Abraão, e disse: Ao teu descendente darei esta terra.” (Gn 12.7).
“Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus
descendentes, como falando de muitos, mas como de um só” (Gl 3.16a). Isto é
observação!
Para que se consiga realizar uma observação de qualidade, são necessárias basicamente duas
coisas: saber ler com proveito e saber o que procurar. Estes dois temas são desenvolvidos no
próximo capítulo.

2. Etapa de Interpretação

Nesta etapa, busca-se o significado do texto. Aqui, a pergunta chave é: O que significa? Neste
ponto do estudo, procura-se explicar a passagem, compreender o sentido que as palavras tinham para
o escritor quando as escreveu e descobrir a mensagem que ele está querendo comunicar.
No capítulo 8 de Neemias, há uma passagem valiosa a este respeito. Vejamos primeiramente o
que diz o versículo 1:
“Então todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça diante da porta
das águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de
Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel.”
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Quando chegamos ao versículo 8, descobrimos um princípio importante:

“Assim leram o livro, na lei de Deus, distintamente; e deram o sentido, de


modo que se entendesse a leitura.”

Paulo deu sentido à observação feita a respeito da singularidade da palavra “descendente” em


Gênesis: “Ora, a Abraão e a seu descendente foram feitas as promessas; não diz: E a seus
descendentes, como falando de muitos, mas como de um só.: E a teu descendente, que é
Cristo” (Gl 3.16). Ele interpretou o significado da promessa feita a Abraão. Agora podemos entender
melhor.

Não devemos somente ler a Palavra; devemos, também, procurar saber o significado daquilo
que está escrito. Este é o alvo da interpretação.

2. Etapa de Aplicação

Nesta etapa, o alvo é descobrir como a Palavra de Deus se aplica a mim e aos outros. A
pergunta chave aqui é: Como funciona? Primeiramente, os ensinos devem ser aplicados a minha vida,
para em seguida repassá-los a outros.
Paulo faz a aplicação a respeito de Cristo ser o descendente: “E, se sois de Cristo, então
sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3.29). Aleluia! Eu e você
somos herdeiros de Abraão.
Há algumas perguntas que podem ser feitas ao texto para se obter mais facilmente as
aplicações, isto é:
• Há um exemplo a ser seguido?
• Há um pecado a ser evitado?
• Há uma promessa a ser reivindicada?
• Há uma oração a ser repetida?
• Há um mandamento a ser obedecido?
• Há uma condição a ser satisfeita?
• Há um versículo a ser memorizado?
• Há um erro a ser mostrado?
• Há um desafio a ser enfrentado?

O estudo jamais deve encerrar-se sem a aplicação em nossas vidas (a prática da Palavra de
Deus). O alvo final de todo estudo bíblico não é a aquisição de conhecimento, mas a transformação
das nossas vidas, para que glorifiquem mais e mais ao Rei da Glória.

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OBSERVAÇÃO DAS ESCRITURAS

Neste capítulo, detalharemos o processo de observar um texto. No Salmo 119.18, lemos:


“Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.”
Esta é a nossa oração. Sem Deus nos ajudar, não teremos proveito no nosso estudo, nada que
seja duradouro, eterno será acrescentado.

EXEMPLO DE OBSERVAÇÃO DE UM VERSÍCULO


Começaremos com um exemplo, para introduzir o conteúdo e o processo da observação.
Usaremos, para este fim, Atos 1.8:
“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis
testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os
confins da terra.”

1. Identifique o contexto
Quando lemos o texto acima, nos deparamos com a palavrinha “Mas”, que nos leva
imediatamente a pesquisar os versículos anteriores e posteriores a At 1.8. Fazendo isto, chegamos à
conclusão que os versículos 6 a 11 tratam de um só tema básico: o último diálogo de Jesus com os
seus discípulos, momentos antes da Sua ascensão. É neste contexto literário que o versículo 8 está
inserido. De fato, podemos retroceder um pouco mais até Atos 1.1 e dali a Lucas 24, onde é relatada a
ressurreição e as aparições de Jesus, além de estendermos nossa visão até Atos 1.14. Fazendo isto,
teríamos um contexto literário mais abrangente e mais algumas informações a respeito daqueles dias
que se seguiram à ressurreição.

2. Procure estabelecer a atmosfera


O mais importante a observar neste aspecto é, sem dúvida, a iminente partida (v 9-11) do
Emanuel. Em decorrência disto, um misto de sentimentos deve ter invadido os discípulos naqueles
dias: por um lado, indescritível alegria por causa da ressurreição e da presença do Cristo ressurreto
entre eles; por outro lado, expectativa pelo que estava para acontecer, a partida de Jesus e a vinda
prometida do Espírito Santo. Alguns estavam um pouco confusos, ainda não entendendo qual a sua
área de competência, de interesse e atuação (note o contraste que Jesus faz nos versículos 7 e 8). Com
certeza, estes últimos momentos, as palavras finais (registradas nos versículos 7 e 8) e a ascensão de
Jesus, a inigualável emoção que sentiram marcaram profundamente as vidas destes primeiros discípulos.

3. Descubra as pessoas envolvidas, o lugar e a ocasião


Identifique as pessoas envolvidas. Estavam presentes ali os apóstolos e outros discípulos
(veja At 1.2,3 e também At 1.13-15). Os apóstolos caminharam com Jesus durante três anos, foram

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escolhidos para estarem com Ele, a fim de serem preparados para uma missão que nenhum deles
jamais poderia sequer ter sonhado. Além disso, eram homens comuns e vários deles tinham sido
pescadores. Todos os presentes eram judeus, conheciam o ensino de Jesus, viram os Seus milagres e
gastaram muito tempo com o Senhor.
Preste atenção ao lugar. Eles estão no Monte das Oliveiras em Jerusalém (At 1.12), perto de
Betânia, um lugar especial para Jesus. Alguns dados sobre Jerusalém podem ser úteis a uma melhor
compreensão do texto:
• uma cidade importante na região
• o Templo está ali
• é uma cidade familiar a eles
• é onde Jesus foi crucificado
• é o lugar do fracasso deles
• um lugar hostil a eles

E eles deveriam começar a sua missão evangelizadora justamente por Jerusalém!


Descubra a ocasião, a época. Quarenta (40) dias após a ressurreição (At 1.3) e a dez (10)
dias do Pentecostes.

4. Identifique os termos principais (verbos e substantivos)

Verbos: Descer - vem de cima, de Deus, de fora do homem


Receber - é uma dádiva, pois deveriam somente permanecer em Jerusalém
para ganhá-la, sem merecimento, de graça
Ser - não se trata de dar testemunho somente, mas de ser testemunha;
também não se trata de ser evangelista

Substantivos: Espírito Santo, Poder, Testemunhas, Jerusalém, Judéia, Samária, Confins


da Terra

Observamos uma ordem nestes termos, isto é:

descer Espírito Santo


⇓ ⇓
receber poder
⇓ ⇓
ser testemunha
juntamente com

Jerusalém ⇒ Judéia ⇒ Samária ⇒ Confins da Terra

5. Procure relações de causa e efeito


A Causa: A Vinda do Espírito Santo
O Efeito: O Recebimento de Poder

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Este poder não viria de dentro, mas de fora, por meio de uma pessoa: O Espírito Santo de
Deus. Os discípulos precisavam deste poder? Sem dúvida. É só retrocedermos à ocasião da
crucificação e lembrarmos o que fizeram, amedrontando-se, abandonando o Senhor e até O negando,
que não teremos qualquer dúvida a respeito.

A Causa: Recebimento de Poder


O Efeito: Ser Testemunhas

Ser testemunha é conseqüência (o efeito) do poder recebido (a causa) com a vinda do Espírito
Santo.

6. Defina os termos mais importantes


Um dos termos que merece uma definição neste versículo é a palavra testemunha, cujo original
grego corresponde à palavra mártir na língua portuguesa. Uma testemunha é alguém que viu,
presenciou, experimentou algo; neste caso, testemunhas de Cristo, de quem Ele é, do que Ele fez e está
fazendo em nós. Esta palavra ou derivadas dela aparecem vinte (20) vezes no livro de Atos. Realmente,
este é o livro do testemunho do Espírito Santo e da Igreja.

7. Relacione o versículo com o livro como um todo


Considerando tudo o que observamos até aqui sobre este versículo, poderíamos levantar a
seguinte questão: É possível que este versículo seja, de algum modo, um esboço do livro? De fato,
o livro pode ser dividido de acordo com as localidades ali citadas: Jerusalém ⇒ Judéia ⇒ Samária ⇒
Confins da Terra, pois foi nesta ordem que o testemunho de Cristo se propagou nos primórdios da
história da Igreja.

ORIENTAÇÕES PARA UMA LEITURA PROVEITOSA


A leitura da Bíblia deve ser sempre como se fosse a primeira vez, com perspectiva renovada.
Além disso, deve-se lê-la com total atenção, interesse e envolvimento, sorvendo cada palavra,
apaixonadamente, como se fosse uma carta de amor. São as seguintes orientações que gostaríamos de
enfatizar:

1. Leia muitas vezes


Reserve tempo para ler o texto do princípio ao fim. Se possível, use várias traduções. Leia,
também, em voz alta e ouça gravações da Bíblia, pois o som introduz uma nova dimensão, o que
contribui para a familiarização com o conteúdo envolvido.

2. Leia com atenção


Concentre-se totalmente na leitura, evite distrações. Não ponha sua mente em ponto morto,
mas leve-a a pensar, a julgar, a se envolver com o texto.

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3. Seja paciente
Bons resultados de estudo bíblico não acontecem rápido. Não queira alcançar tudo já nos
primeiros dias. O estudante da Bíblia é melhor comparado a um maratonista do que a um velocista.
Seja paciente e a mensagem de Deus será revelada, e você achará os tesouros da sabedoria.

4. Leia orando
Ore pedindo a Deus sabedoria, entendimento, revelação. Em João 16.13, Jesus nos diz que o
Espírito Santo nos guiará a toda verdade.

5. Leia telescopicamente
Observe os detalhes, mas não se perca neles. Procure ver as partes à luz do todo, junte as
partes. Caso não o faça, terá apenas um amontoado de fragmentos. A identificação dos assuntos
tratados e palavrinhas de ligação como - mas, e, portanto – ajudam nesse trabalho.

6. Tome nota do que descobrir durante a leitura


Leia algumas vezes sem tomar nota de nada, para começar a familiarizar-se com o livro (ou o
texto), com os assuntos que ele desenvolve. Após as primeiras leituras, comece a anotar os
personagens, os fatos e as idéias mais evidentes, as dificuldades, e tudo que obtiver do processo de
observação que será abordado a seguir.

ORIENTAÇÕES QUANTO AO QUE PROCURAR


1. Gênero Literário
A presença de diversos gêneros literários nas Sagradas Escrituras é mais um dos seus atrativos,
expondo a multiforme sabedoria de Deus numa grande variedade de formas literárias, visando alcançar
todo homem. Muitos dos sessenta e seis (66) livros da Bíblia apresentam mais de um gênero literário.
O próprio Jesus não se ateve a uma pregação expositiva somente, mas usou especialmente de
parábolas, procurando atingir os mais endurecidos de coração e entenebrecidos no entendimento.
Dentre os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia, podemos citar: o Poético (quase todo o
livro de Jó, Salmos), o Narrativo, que inclui especialmente o Histórico (Josué, Ester) e o Biográfico (Os
Evangelhos), o Expositivo (As Epístolas), o Parabólico (As parábolas de Jesus), o Profético (partes
do livro de Daniel, Apocalipse), e o Sapiencial (Provérbios). Cada um deles possui suas próprias
regras de composição e de interpretação.

2. Contexto
A palavra contexto significa: o que acompanha o texto. Por extensão, passou também a
significar o ambiente em que alguma coisa habita, o cenário em que alguma coisa existe ou acontece. É
o contexto que dá significação ao texto (que pode ser uma só palavra), é ele que dita as regras que nos
levam à interpretação. Por isso, é muito importante verificar o contexto e assinalar os seus limites.

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O contexto é determinado, observando-se cuidadosamente o que é repetido no texto e vendo


como tudo se relaciona, procurando descobrir onde um assunto ou episódio começa e onde termina.
Somente uma observação minuciosa e cuidadosa do texto levará à identificação do contexto. Se você
encontrar muita dificuldade, saiba que algumas Bíblias modernas estão divididas em parágrafos, cada
um dos quais encerra um assunto.

3. Atmosfera
Aqui, além de observação, é necessário também de imaginação. Observe as circunstâncias, os
sentimentos e tente compor, imaginar o cenário relacionado ao texto. Por isso, é necessário
transportar-se para dentro do texto, vivenciá-lo. Se há um pôr-do-sol, veja-o; se há um odor, cheire-o;
se há angústia, sinta-a.
Um exemplo marcante é Filipenses 4.4:
“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.”
Quando Paulo disse isto, ele estava preso em Roma. O conhecimento das circunstâncias em
que se encontrava o autor dá uma nova força à exortação ali expressa.

4. As seis perguntas chave


Leia o texto com espírito de investigador, de detetive. Enquanto lê, tenha em mente as seguintes
seis perguntas-chave:

Quem?
Identifique as pessoas envolvidas. Procure saber algo sobre elas. Faça perguntas como:
• Quem são as principais personagens?
• Quem escreveu? A quem o autor está falando? Sobre quem está falando?
• Quem disse? A quem disse?

O Que?
Procure investigar do que se trata. Faça perguntas como estas:
• O que está acontecendo?
• Quais são os acontecimentos principais?
• Que idéias estão expressas?
• Quais os resultados?
• Quais são os principais ensinamentos?
• Quais as características das pessoas?

Onde?
Identifique o lugar. Procure descobrir algo a respeito de antecedentes históricos, costumes e
crenças importantes. Faça perguntas como estas:
• Onde a narrativa teve lugar?
• Onde está o escritor?
• Onde estão as pessoas? De onde elas vêm? Para onde vão?

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Quando?
Identifique o tempo, a ocasião, o fundo histórico, a data se possível. Bombardeie o texto com
perguntas como:
• Quando os eventos aconteceram?
• Quando irá acontecer?
• Quando foi escrito?
Por que?
Aqui se procura descobrir o propósito, a razão. Questione o texto, perguntando-lhe, por
exemplo:
• Por que isto está aqui?
• Por que esta ordem?
• Por que esta pessoa disse isto?
• Por que tanto ou tão pouco espaço foi reservado para este ou aquele acontecimento ou
ensino?
• Por que esta referência foi mencionada?

Como?
Finalmente, pergunte ao texto:
• Como se realizaram as coisas? Com que eficiência? Com que rapidez? Por meio de qual
método?
• Como isto afeta a minha vida?
• Como essa verdade é exemplificada?

5. Propósito através da estrutura gramatical


A Bíblia é um livro cuidadosamente escrito, não um amontoado de ditos e histórias; ela possui
uma estrutura e devemos procurá-la, pois nos ajuda a descobrir o propósito do livro (ou texto).
Sujeito, Verbo e Objeto. Um segredo de como se fazem boas observações é discernindo a
ação ou movimento de uma passagem. Gramaticalmente, a ação é expressa pelos verbos, que nos
revelam o que está sendo feito, o movimento, o fluxo da passagem. O sujeito realiza a ação (expressa
pelo verbo) sobre o objeto.
Em Hebreus 11, é repetida várias vezes o seguinte tipo de estrutura: “... pela fé, Abel ofereceu
a Deus ... pela fé, Noé preparou uma Arca ... pela fé, Abraão obedeceu ...”, indicando que o crente
desempenha um papel essencial na vida de fé; é de sua responsabilidade responder ao que Deus está
fazendo em sua vida.
Por outro lado, em Efésios 1.3-14, vemos reiteradamente o seguinte tipo de estrutura: “...Deus
nos abençoou ..., nos elegeu ..., nos predestinou ..., nele, fomos feitos herança ..., fostes selados
com o Espírito Santo ...”, indicando que o crente sofre influência. A ênfase está naquilo que é feito
para o crente, e não naquilo que ele faz ou deve fazer.
Devemos prestar atenção, igualmente, aos tempos e modos dos verbos, se é passado,
presente, futuro, indicativo (indicando uma afirmação), imperativo (indicando uma ordem, um
mandamento), subjuntivo (indicando uma possibilidade). Por exemplo, Romanos 6.2: “...
morremos para o pecado ...” afirma algo já realizado, passado. Romanos 5.1, que diz: “...

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temos (tenhamos) paz com Deus ...” foi traduzido em algumas versões com o verbo no indicativo
(temos), afirmando uma realidade presente (a paz com Deus), e em outras no subjuntivo (tenhamos),
dando a idéia de algo (a paz com Deus) que ainda não possuímos.
Modificadores. Modificam o significado das palavras. Em Filipenses 4.19, lemos: “Meu Deus
suprirá todas as vossas necessidades ...” A presença desta palavrinha enfatiza o cuidado de Deus
para conosco, além de produzir um benéfico efeito colateral: o aumento da nossa confiança e da nossa
admiração por este Pai amoroso.
Preposições. Indicam onde a ação está acontecendo (em, sobre, através de ...).
Conjunções. São elementos de ligação, que nos ajudam a discernir o fluxo dos assuntos
abordados, a fazer a ligação entre eles e a obter uma visão panorâmica do texto. Eis algumas
palavrinhas que desempenham estas funções:
• e
• mas, porém (indicam que a seguir vem um contraste)
• portanto (introduz um sumário de idéias ou resultados)
• se (introduz condição)
• porque, ou, pois, então (introduzem uma razão ou resultado)
• para que, a fim de que (expõem um propósito)

6. Propósito através da estrutura literária

Estrutura Biográfica: A chave são os personagens principais (Gênesis 12-50, Juízes, I-II
Samuel).
Estrutura Geográfica: A chave é o lugar (o livro de Êxodo depende fortemente dos lugares
visitados por Israel).
Estrutura Histórica: A chave são os eventos (os livros de Josué, de João – 7 milagres e
do Apocalipse).
Estrutura Cronológica: A chave é o tempo, os eventos acontecem seqüencialmente (os
livros de I-II Samuel e de Lucas).
Estrutura Ideológica: A chave são as idéias e conceitos, a argumentação em torno de uma
idéia principal (a maioria das cartas de Paulo é assim).

7. Coisas Enfatizadas
A ênfase de um texto pode ser mostrada ou identificada por meio de quatro modos:

a) Pela quantidade de espaço utilizado


• Gênesis possui 50 capítulos, dos quais os 11 primeiros tratam da criação, da queda, do
dilúvio e do episódio de Babel, enquanto os restantes 38 capítulos tratam de quatro
personagens, isto é: Abraão, Isaque, Jacó e José. A ênfase, portanto está na família que
Deus escolheu.

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• Em Mateus, dos seus 1062 versículos, 342 são relativos aos discursos de Jesus.
• Alguns evangelhos reservam muito mais espaço para a crucificação do que para outros
eventos da vida de Jesus.
• Efésios 1-3 (doutrina), 4-6 (prática); Romanos 1-11 (doutrina), 12-16 (prática).

b) Pelo propósito estabelecido


• No evangelho segundo João, são relatados apenas sete (7) dos muitos milagres de
Jesus. Só em João 20.31 é declarado o propósito destes sinais e do livro como um
todo: “estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho
de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”
• No livro de Provérbios, o propósito é estabelecido logo no início (Pv 1.1-6), servindo
de baliza para o leitor, à medida em que avança na sua leitura do livro.
c) Pela ordem
• A ordem como as pessoas, eventos, idéias estão dispostos pode trazer luz quanto à
intenção do autor. No capítulo 4 de Lucas, o batismo de Jesus, juntamente com a
manifestação de sua aprovação por Deus, ocorre primeiro. Somente após isso, Ele é
tentado pelo diabo.
d) Pelo movimento do menor para o maior, ou vice-versa
• Há um clímax em Atos 2, no episódio da descida do Espírito Santo no dia de
Pentecostes (sem este capítulo, o livro não existiria). O mesmo acontece em I Samuel
17, o relato da luta entre Davi e Golias, com respeito a I e II Samuel.

8. Coisas Repetidas
A repetição desperta a atenção, reforça o aprendizado. Jesus usou a expressão “quem tem
ouvidos para ouvir, ouça” 9 vezes nos Evangelhos e mais uma vez no Apocalipse. Ele realmente
queria capturar nossa atenção.

a) Repetição de termos, frases, cláusulas


• No Salmo 136, a frase sua misericórdia dura para sempre aparece 26 vezes. O que
isto pode despertar em nós, senão confiança e amor por este Deus misericordioso?
• No evangelho segundo João, a palavra crer aparece 79 vezes, sempre como um verbo.
É uma palavra-chave, essencial para o que o autor tem a dizer neste livro.
• Em Hebreus 11, o termo pela fé aparece 18 vezes, caracterizando a descrição de um
estilo de vida.
• 1 Coríntios 15.12-28, a palavrinha se é usada 7 vezes, para mostrar que tudo que
cremos está condicionado à ressurreição.

b) Repetição de um padrão

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• Barnabé, cujo nome significa filho da exortação, encorajamento (At 4.36), é


identificado como modelo de mentor espiritual. Atos 9.26,27 relata que Barnabé
acreditou em Paulo e o trouxe para o círculo dos irmãos; em Atos 11.25,26, vemos o
mesmo Barnabé buscando Paulo em Tarso e o colocando a funcionar na igreja de
Antioquia. Novamente, Atos 15.36-39 registra um episódio em que Paulo se nega a
levar João Marcos, pois este os havia deixado na viagem anterior, mas Barnabé decide
dar-lhe uma nova chance.
• No livro dos Juízes, a seguinte fórmula: os filhos de Israel faziam o que era mal aos
olhos do Senhor – eram entregues nas mãos dos seus inimigos – arrependiam-se –
Deus levantava um juíz que os livrava e os reconduzia de volta a Deus se repete
até Juízes 21.25, onde o problema é identificado, pois “cada um fazia o que parecia
bem aos seus olhos.”
• Saul e Davi: o que Saul fazia de errado, Davia fazia certo; Saul foi a escolha segundo o
povo, Davi foi a escolha segundo o coração de Deus.

c) Passagens do VT citada no NT
• Se o Espírito Santo repete uma passagem do VT no NT é porque Ele quer enfatizá-la.

9. Coisas Relacionadas
Coisas que estão ligadas, que interagem entre si, também devem ser procuradas e identificadas.
Três tipos de relacionamento:

a) Entre o todo e suas partes


Entre uma categoria e seus membros, entre um quadro e seus detalhes. Quando
encontramos uma declaração geral, ampla, devemos procurar os detalhes específicos a ela
associados. Por exemplo:
• Em Mateus 6.1, é estabelecido um princípio geral: “Guardai-vos de fazer as vossas
boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles ...”, ao qual estão
relacionadas três áreas de aplicação, isto é: generosidade (Mt 6.2-4), oração (Mt
6.5-15) e jejum (Mt 6.16-18).
• Em Gênesis 1.1, é dada a visão panorâmica do quadro da criação: “No princípio criou
Deus os céus e a terra.”, e no restante do capítulo, a descrição dos seus detalhes.

b) Perguntas e Respostas
As perguntas nos estimulam, nos envolvem, demandam nossa atenção, além de serem,
geralmente, acompanhadas de respostas.
• O livro de Romanos é um modelo clássico. Veja, por exemplo Romanos 6.1-2: “Que
diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que abunde a graça? De modo
nenhum. Nós, que já morremos para o pecado, como viveremos ainda nele?”
• A estrutura do livro de Malaquias é definida pelas perguntas e respostas nele contidas.

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• Os capítulos 38-41 do livro de Jó formam uma estrutura interessante, em que as


perguntas que Deus faz a Jó não são acompanhadas das respectivas respostas de Jó.
Elas já carregam suas próprias respostas.

c) Causa e Efeito
• Em Atos 8.1, discernimos uma causa - a perseguição aos primeiros cristãos em
Jerusalém - e o efeito produzido - a pregação e difusão do evangelho.
• No caso da história do povo de Israel, há relações de causa e efeito evidentes, e
importantes como exortação para nós. O pecado de Israel (a causa) ocasionou o seu
exílio (o efeito). O arrependimento do povo (a causa) permitiu o seu retorno à palestina
(o efeito).

10. Coisas Semelhantes


As coisas parecidas (gêmeos, por exemplo) sempre nos chamam a atenção. Com respeito ao
texto bíblico, devemos procurá-las e estudá-las, pois podemos aprender muito sobre uma, examinando
a que lhe é semelhante.

a) Comparação entre duas coisas


Em geral, é caracterizada pelas palavras como, semelhantemente
• Salmo 42.1: “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma
anseia por ti, ó Deus!”
• 1 Pedro 2.2: “Desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim
de por ele crescerdes para a salvação”
• João 3.14: “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o
Filho do homem seja levantado” Jesus compara o episódio da serpente de bronze
levantada no deserto a sua própria crucificação (ainda por acontecer).

b) Metáfora (a comparação está implícita)


• João 15.1: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o viticultor.” É como uma
pintura que ilustra o relacionamento do Pai com o Filho e com os crentes.
• João 3.7: “... Necessário vos é nascer de novo.” O nascimento físico nos fornece o
equipamento para vivermos esta vida terrena; através do nascimento espiritual, somos
equipados para a vida eterna.

11. Coisas Contrastantes


Pelos contrastes, podemos aprender tanto ou mais do que pelas semelhanças. Por isso,
devemos ficar atentos a eles.
• A pequena palavrinha “Mas” indica contraste, mudança de direção. Em Gálatas 5.18,
temos: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.” Em Mateus 5,
podemos encontrar diversos exemplos.
• Em Lucas 18, Deus é contrastado com um juiz iníquo.

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• Um interessante exercício para casa é descobrir os contrastes entre Marta e Maria, em João
11.1-46, e aprender com eles.

12.Coisas que são Verdades para a Vida


• O que o texto diz a respeito da realidade, de como é a vida? Que aspectos do texto ecoam
na sua experiência?
• Procure por princípios, pois eles não mudam com a cultura ou a época.
• Aprenda com os personagens da Bíblia: virtudes e defeitos, atitudes e reações, erros e
acertos, fé e obras, relação com Deus, o testemunho que deram, enfim com os exemplos
reais de vida que nos deixaram.
• Noé: Homem justo, temente a Deus. Entretanto, após o dilúvio, teve uma crise de depressão
e embebedou-se. A Bíblia não o descreve como alguém perfeito, mas real, falho também.
• Abraão: Como ele deve ter se sentido quando estava para oferecer seu filho em sacrifício a
Deus?
• Moisés: Um líder incrível, talvez não tenha havido outro igual, mas não entrou na terra
prometida. Por que? Porque destemperou-se e feriu a rocha duas vezes (Nm 20.1-13).
Como ele se sentiu por não poder entrar na Terra Prometida? Como respondemos às
conseqüências nos nossos pecados?
• Davi: O pastor de ovelhas, o músico, o poeta, o cantor, o soldado valente, o homem de fé,
o rei, o homem segundo o coração de Deus. No entanto, um homem que adulterou e enviou
o seu fiel soldado e marido da mulher com quem havia pecado para a morte na frente de
batalha.
• Pedro: Ele nos faz lembrar muito de nós mesmos, disposto a morrer por Cristo num
momento, negando-O, porém, logo a seguir.

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INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

A interpretação procura responder a pergunta: “Que significa?”. Neste ponto do estudo você
procura explicar a passagem, compreender o sentido que as palavras tinham para o escritor quando ele
as escreveu e descobrir a mensagem que ele está querendo comunicar.
No decorrer dos séculos muitos “homens da Palavra” estudaram a Bíblia e descobriram que
ela tem uma simetria, uma estrutura, uma lógica, uma grande mente e uma grande sabedoria. Esses
irmãos descobriram certos princípios relacionados ao estudo das Escrituras e com esses princípios
podemos entender mais e mais a Palavra de Deus. Alguns desses princípios são apresentados a seguir.
Esses princípios tem como substrato o fato de que a Bíblia é a Palavra de Deus, não apenas
contém a Palavra de Deus. Portanto o pressuposto é que a as Escrituras, como um todo, são
inerrantes e infalíveis. Elas formam um mundo todo seu, completamente auto-consistente e coerente.
Não erros, não há contradições. A Bíblia sempre está de acordo consigo mesma.

PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO
1. Princípio da Declaração Direta
A primeira abordagem sobre o significado de um texto deve ser o seu sentido natural e óbvio.
Isto eqüivale a dizer que o texto diz o que ele está realmente dizendo. Procure primeiramente o ensino
claro e mais direto, não algum significado oculto. A primeira regra é “não espiritualizar”.
Exemplo 1: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom
de Deus; não vem das obras para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Aqui a interpretação deve ser
literal. A interpretação rígida de textos como esse fez com que muitas verdades das Escrituras
pudessem ser redescobertas pelos reformadores, como a “justificação pela fé”.
Por outro lado, identifique e entenda as figuras de linguagem, interpretando-as adequadamente.
As vezes, ao interpretar literalmente um texto podemos chegar a resultados absurdos. Temos então que
procurar seu sentido natural, numa forma simbólica. Quando lidamos com linguagem figurada, temos
que nos ater aos aspectos pertinentes dos símbolos usados, que sempre reforçam o ponto central da
passagem. Detalhes dos símbolos não considerados no texto devem ser tratados com muito cuidado.
Exemplo 2: “Desvenda os meus olhos para que eu veja as maravilhas de tua lei” (Sl
119.18). É claro que o tirar a venda dos olhos é uma linguagem figurada para o fato de buscarmos ter
um espírito receptivo para a Palavra do Senhor.
Exemplo 3: “ O justo florescerá como a palmeira , crescerá como o cedro do Líbano” (Sl
9.12). Através dessa figura de linguagem podemos considerar a importância de termos raízes firmes no
Senhor para crescermos n’Ele. Porém, um estudo sobre os “cupins” dessa árvore, que poderiam se
rebelião, inveja, entre outros pecados, por mais bonito que seja, não tem nada a ver com o que o texto
está dizendo.

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Exemplo 4: “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti, pois convém
que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt 5.29).
O Senhor não está ensinando aqui que temos que nos mutilar. Temos que ser cuidadosos, pois essa
interpretação literal iria contrariar outras partes das Escrituras. Lembre-se que nosso corpo é templo do
Espírito Santo (1Co 6.19-20).

2. Princípio do Contexto Imediato


Interprete as Escrituras observando o contexto imediato. Quando lemos determinadas
passagens da Bíblia não podemos considerar só uma frase ou um versículo isolado. Precisamos
colocá-lo dentro do contexto, analisando alguns versículos antes e alguns versículos depois daquele
versículo. Muito freqüentemente esse procedimento trará muita luz ao que está sendo estudado.
1o. Exemplo: “Assim pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha
presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor
e tremor” (Fl 2.12). Será que esse texto está querendo dizer que devemos produzir a nossa salvação?
A justificação é pela fé ou pelo que fazemos? Porém, ao continuarmos a leitura, o próximo versículo
nos esclarecerá: “ Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo sua
boa vontade”. Então podemos entender que quando trabalhamos, é Deus que está trabalhando dentro
de nós e enxergamos o verso 12 com uma nova luz.
2o. Exemplo: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a
Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Muitas vezes usamos este
versículo em situações onde queremos consolar alguém que está passando por uma experiência difícil.
Exemplificando: “Não se preocupe, você perdeu esse carro, mas Deus tem um carro melhor para lhe
dar. Todas as coisas cooperam para o nosso bem!” Será que estamos aplicando corretamente o texto?
O versículo seguinte diz assim: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou
para serem conformes a imagem de seu Filho”. Entendemos então que o que Deus tem de bem
para nós não se refere ao carro novo, mas que todas as coisas cooperam para que sejamos
transformados á imagem de Cristo, inclusive a perda do carro.
Na poesia hebraica não são as palavras que rimam, mas as idéias, numa estrutura de sentenças
paralelas. Esse paralelismo pode nos ensinar muitas coisas. Vejamos os exemplos:
3o. Exemplo: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de
Suas mãos” (Sl 19.1). Aqui céus e firmamento são sinônimos; também proclamam e anunciam; bem
como glória de Deus e obras das suas mãos.
4o. Exemplo: A oração do Pai Nosso é uma poesia hebraica. Considere as sentenças “Venha
o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu” (Mt 14.17). Na estrutura
poética essas frases são paralelas, e assim podemos definir o Reino do Deus como sendo aquele em
que Sua vontade está sendo feita , como é feita no céu.
5o. Exemplo: “O filho sábio alegra a seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe”
(Pv 15.20). Aqui o paralelismo é invertido, onde o sentido de uma frase é contrário ao da outra.

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3. Princípio do Contexto Correlato


Interprete as Escrituras comparando textos correlatos. A base deste princípio encontra-se em
Is 28.10: “Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito, regra sobre regra, regra e
mais regra, um pouco aqui, um pouco ali”. Assim é a Palavra de Deus, um pouco aqui, um pouco
ali, um pouco em Gênesis, em pouco em Salmos, um pouco em Lucas.... São as Escrituras
interpretando as Escrituras. Se quisermos entender certas verdades temos que procurar em toda a
Bíblia. Ao estudarmos uma passagem temos que ver como ela se relaciona com o restante daquilo que
a Bíblia ensina. Este é um princípio muito importante. Comparando textos correlatos poderemos ganhar
muito entendimento. Ás vezes, textos correlatos podem parecer conflitantes; no entanto, porque as
Escrituras são inerrantes, uma estudo mais aprofundado nos dará uma compreensão mais aprimorada
do assunto.
1o. Exemplo: “Se alguém vem a mim e não aborrece seu pai, e mãe, mulher, e filhos,
irmãos e irmãs, e ainda sua própria vida, não pode ser meu discípulo”( Lc 14.26). Quando lemos
este versículo poderemos pensar: ”Será que esta tradução está correta? Como estará no grego?” Mas
no grego está igualzinho: “Se alguém vem a mim e não odeia seu pai ...” Parece então que este
versículo não confere com o mandamento de honrar nossos pais e com o ensino geral da Palavra de
Deus sobre amar a todos. Porém, Mt 10.37 nos resolve esse impasse: “Quem ama seu pai e sua mãe
mais do que a mim não é digno de mim”. Então podemos entender: a condição para ser um discípulo
do Senhor é que nosso amor para com Ele seja maior do que por qualquer outra pessoa. E ao amor
menor a Bíblia denomina ódio. Essa interpretação confere com Gn 29.30-31, onde se afirma que Jacó
amou a Raquel mais do que a Léia, e por isso Léia era tida como odiada.
2o. Exemplo: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
Ou o que dará o homem em troca de sua alma?”(Mt16.26). A palavra aqui é alma. Como podemos
definir alma? Temos aprendido que alma é a personalidade do homem. Como podemos provar isso?
Se examinarmos o texto paralelo em Lc 9.25 temos: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo
inteiro se vier a perder-se e causar dano a si mesmo?”. Então, comparando esses versículos
podemos comprovar que a alma é realmente o nosso ego.
3o. Exemplo: Jesus diz em Jo 14.3: “E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos
tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também”. Em relação a essa volta
de Jesus, como podemos entender? Será que está se referindo á sua ressurreição? Será que está
falando do aparecimento dele para nos receber quando estivermos morrendo, como no caso de
Estevão? Será que é essa vinda é através do Espírito Santo? Ou será a sua vinda pessoal, em glória,
no final dos tempos? Nossa dúvida será respondida se estudarmos 1Ts 4.16-17: “O Senhor
mesmo descerá dos céus com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os
que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos
arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, e assim estaremos para sempre com o Senhor”.
Repare que as duas passagens são absolutamente paralelas, e sem dúvida se referem ao mesmo
acontecimento. Portanto a vinda do Senhor em João 14 refere-se á sua vinda pessoal em glória.
4o. Exemplo: O livro de Romanos nos ensina claramente que o justo é justificado pela fé. Rm
4.2-3 diz assim: “Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem que se gloriar, mas não
diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como
justiça”. Por outro lado, em Tg 2.24 encontramos: “Vedes então que é pelas obras que o homem é
justificado, e não somente pela fé”. Aparentemente temos uma contradição. Porém, uma análise
cuidadosa desses textos nos mostrará que Paulo se refere em Romanos á justificação diante de Deus, e
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isto é pela fé. Tiago, no entanto, refere-se ao fato de que se alguém é justificado pela fé, também deve
ser justificado pelas obras, mas diante dos homens. O conflito então pode ser resolvido, possibilitando
que aprimoremos nossa compreensão a respeito da justificação.
5o. Exemplo: Muitas profecias se cumprem parcialmente numa geração, com o restante
cumprindo-se noutra época. É muito semelhante com o que acontece quando olhamos para as
montanhas e vemos apenas a primeira fileira delas. Quando os profetas olhavam para a vinda do
Messias, viam os seus dois adventos como um só. É o que se dá em Is 61.1-2: “O Espírito do Senhor
Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-
me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de
prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus“.
Comparando com o trecho de Lc 4.17-21, Jesus disse: “Hoje se cumpriu a Escritura que acabais
de ouvir”, mas note que Êle omitiu as palavras “e o dia da vingança do nosso Deus”. Esta parte
refere-se à Sua segunda vinda.

4. Princípio da Primeira Menção


Ao estudarmos a primeira vez que uma palavra ou conceito são mencionados nas Escrituras
sempre obtemos algo que nos ajudará a entender melhor o seu significado.
Exemplo 1: A primeira vez que a palavra “amor” aparece na Bíblia está em Gn 22.2, onde
Deus diz a Abraão: “Toma agora teu único filho, Isaque, a quem amas; vai á terra de Moriá, e
oferece-o ali em holocausto sobre um dos montes que eu te mostrar”. Ai está a definição do amor,
o amor de Deus por seu único Filho, dado por nós. A segunda vez que a palavra “amor” aparece está
em Gn 24.67, onde se diz que Isaque amou a Rebeca. Vemos aí o amor de Cristo pela Igreja.
Exemplo 2: Se quisermos saber o significado de fé devemos localizar na Bíblia a primeira
menção desta palavra, em Gn 15.6: “Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado por justiça”.
Vemos aqui então a justificação pela fé e começamos a entender a relação entre fé e justiça.
Exemplo 3: A primeira profecia da Bíblia nos dá a chave para as outras profecias: “Porei
inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça e tu
lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15).

5. Princípio da Menção Progressiva


É o princípio pelo qual Deus revela seus propósitos de maneira cada vez mais clara á medida
que sua Palavra vai se desenvolvendo nas Escrituras. A revelação que Deus faz de si mesma é
progressiva, porém o Seu caráter é imutável: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto,
descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tg 1.17).
Exemplo 1: O que a Bíblia fala sobre o Cordeiro? Em Gn22.8, no acontecimento do
oferecimento de Isaque, podemos ver o Cordeiro Profetizado: “Deus proverá”. Em Êxodo 12 temos
o cordeiro da Páscoa: era o Cordeiro Tipificado: “o cordeiro sem defeito”. Em Is 53.7 temos o
Cordeiro Personificado: “o cordeiro levado ao matadouro”. Em Jo 1.20 é o Cordeiro Identificado -
“Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Em 1Pe 1.19 vemos o Cordeiro Sacrificado.
E finalmente chegamos a Ap 22.1, o Cordeiro Glorificado.

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Exemplo 2: Vejamos este princípio aplicado aos milagres de Jesus. Se estudarmos


cuidadosamente sua cronologia, veremos que eles foram progressivos. Primeiro ele mostrou seu poder
sobre a natureza inanimada: o primeiro milagre foi transformar água em vinho. Depois, ele exercitou seu
poder sobre as enfermidades. Já há uma progressão. Em terceiro lugar Ele demonstrou seu poder
sobre a natureza animada, na pesca maravilhosa. Continuando, manifestou seu poder sobre os
demônios, sobre os espíritos malignos. Finalmente, o último milagre antes da crucificação, a
ressurreição de Lázaro, onde mostrou seu poder sobre a morte.
Exemplo 3: A mensagem do Novo Testamento é o cume da revelação. Ela incorpora e
engloba a revelação do Antigo Testamento, cumprindo-a e ampliando-a. Nesse sentido o Novo
Testamento explica o Velho Testamento. Por exemplo, o livro de Hebreus explica o livro de Levítico:
“Porque a lei, tendo a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, não pode
nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem de ano em ano, aperfeiçoar
os que se chegam a Deus... É nessa vontade dele que temos sido santificados pela oferta do
corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. Ora, todo sacerdote se apresenta dia após dia,
ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados;
mas Cristo, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, assentou-se para sempre à
direita de Deus” (Hb 10.1,10-12). Por outro lado o Antigo Testamento monta o cenário para a
correta interpretação do Novo Testamento. Sem estar familiarizado como sistema do tabernáculo, do
sacerdócio e dos sacrifícios, não poderemos entender o livro de Hebreus. Por isso, ao estudar a Bíblia,
temos que considerar os dois testamentos como duas partes do mesmo livro, não dois livros separados.

6. Princípio da Menção Completa


Por este princípio, assuntos vitais para nossa vida espiritual são tratados de modo completo em
algum lugar das Escrituras. Deus ajunta os fragmentos espalhados e os coloca em uma declaração
exaustiva que expressa sua mente completa a respeito de uma verdade.
Exemplo1: Em 1 Coríntios 15 Deus expressa Seu ensino sobre a ressurreição dos corpos dos
salvos. Se você quer saber sobre esse assunto, encontrará nesse capítulo tudo o que precisar.
Exemplo 2: Na Bíblia há referência sobre a língua em muitos lugares. Mas no capítulo 3 de
Tiago, de alguma forma, o Espírito Santo procurou ajuntar todos os fragmentos espalhados em um só
capítulo. Quando estudamos esse texto praticamente conhecemos a completa vontade de Deus sobre
esse assunto.
Exemplo 3: Os capítulos 12, 13 e 14 de 1 Coríntios expressam a mente de Deus sobre o tema
dos dons espirituais. Aqui há uma espécie de sanduíche. Os capítulos 12 e 14 tratam mais
especificamente dos dons, enquanto que o capítulo 13 fala de como os dons devem ser exercidos: em
amor.
Exemplo 4: Se quisermos conhecer o que é a Palavra de Deus temos que estudar o Salmo 119.
Esse é o capítulo em que a Escritura fala de si mesma e onde Deus mostra toda a beleza e o poder da
Sua Palavra.

7. Princípio da Menção Repetitiva

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O princípio da Menção Repetitiva afirma que sempre que Deus repete algum assunto, como
vemos freqüentemente nas Escrituras, há acréscimo de detalhes não dados anteriormente.
Exemplo 1: O livro de Deuteronômio é um bom exemplo. A palavra Deuteronômio significa
“segunda lei”, o que significa a repetição da Lei. É a Lei sendo repetida para a geração seguinte.
Exemplo 2: Nos livros de 1 e 2 Reis e 1 e 2 Crônicas há muita repetição. Porém, lendo e
comparando esses quatro livros descobrimos propósitos diferentes para eles: Enquanto 1 e 2 Reis nos
falam da história do povo de Israel, 1 e 2 Crônicas nos revelam a interpretação do Espírito Santo
sobre essa história. Em Reis temos as narrativas dos fatos, e em Crônicas temos os “porquês”.
Vejamos 1 Re14.21-22: “Reinou em Judá Roboão, filho de Salomão. Tinha quarenta e um anos
quando começou a reinar e reinou dezessete anos em Jerusalém. ... E fez Judá o que era mau aos
olhos do Senhor; e com seus pecados que cometeram provocaram-no a zelos, mais do que
fizeram seus pais”. Agora, o texto paralelo em 2 Cr 12.13-14 nos mostra o que causou essa situação
de pecado: ”Fortaleceu-se, pois, o rei Roboão em Jerusalém, e reinou. Roboão tinha quarenta e
um anos quando começou a reinar, e reinou dezessete anos em Jerusalém.... Ele fez o que era
mau, porquanto (porque) não dispôs o seu coração para buscar o Senhor”. Também, em Reis
vemos mais o lado político, ligado aos reis, enquanto que em Crônicas vemos o lado espiritual,
relacionado com o sacerdócio. Em Reis as guerras de Ezequias ocupam três capítulos, do 18 ao 20, e
há apenas três versículos (18.4-6) sobre o avivamento espiritual que ocorreu em seu reinado. Em
Crônicas isso esse fato se inverte: o envolvimento nas guerras ocupa apenas o capítulo 32, enquanto
que três capítulos, do 20 ao 31, são destinados ao avivamento espiritual.
Exemplo 3: Sabemos que Deus repete bastante nos quatro evangelhos, mas essa é exatamente
a riqueza deles, cheio de simetria e beleza. O tema de Mateus é que Jesus é o nosso Rei. Em Marcos
Ele é apresentado como o Servo de Deus. Lucas nos revela que Ele é o Filho do Homem. No
evangelho de João Ele é apresentado como o Filho de Deus. Mateus foi escrito para os judeus,
Marcos para os romanos, Lucas para os gregos e João para cristãos, mas todos para nós.

8. Princípio da Menção Explícita


Por este Princípio entendemos que nenhum exemplo bíblico ou acontecimento tem autoridade
doutrinária se não for amparado por uma declaração explícita.
Exemplo 1: Jesus Cristo é o homem perfeito. Se há uma vida digna de ser imitada é a Sua. Ele
usava veste longas e sandálias, normalmente andava a pé e nunca se casou. Transparece imediatamente
que não se espera que você siga o exemplo de Cristo em áreas como essas, porque não há ordens
explícita nas Escrituras para elas. Jesus e Paulo não se casaram, mas esse fato não pode ser base para
a doutrina do celibato no ministério. O matrimônio é amplamente amparado pelas Escrituras e muitos
líderes da Igreja foram casados, como Pedro e Apolo;
Exemplo 2: Mc 1.35 relata a respeito de Jesus: “Tendo levantado de madrugada, ainda bem
escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava”. Depois de meditar e orar você
percebe que Deus quer que você passe um tempo com Ele todas as manhãs, bem cedo. Esta seria uma
aplicação apropriada, e sem dúvida, beneficiaria sua vida espiritual. Contudo, tentar fazer dessa
experiência uma base doutrinária para aplicar a outros seria tomar um exemplo da Bíblia como se fosse
uma ordem. Nenhuma ordem da Escritura diz que a oração deve ser feita de manhã, conquanto seja a
hora em que Jesus a fez e talvez seja a melhor hora para você.

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Exemplo 3: Alguns personagens bíblicos tiveram mulheres e concubinas. Jacó, por exemplo,
teve duas mulheres e duas concubinas. Embora Jacó seja um patriarca da Bíblia, e pai do povo de
Israel, sua experiência não pode servir de base doutrinária que nos permita imitá-lo.

9. Princípio da Centralidade de Cristo


No livro de Apocalipse nos é dito que o Senhor Jesus Cristo é o Alfa e o Ômega. O alfa é a
primeira letra do alfabeto grego e ômega é a última. Isto significa que Deus soletra sua vontade por
Cristo. Cristo é o alfabeto, e através desse alfabeto Deus se expressa. Então descobrimos que essas
letras estão em todas as partes, isto é, Cristo está em toda a Escritura.
Deus faz convergir em Cristo todas as coisas: “... fazendo-nos conhecer o mistério da sua
vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos
tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que
estão na terra” (Ef 1.9-10). Assim também é com Sua Palavra. Jesus Cristo é o centro das
Escrituras, e a chave para sua interpretação. Martinho Lutero disse certa vez: “Se quisermos
interpretar corretamente a Palavra de Deus, levemos Cristo conosco”. Quando estudamos a Bíblia
temos que encontrar Cristo.
Exemplo 1: Após a ressurreição Jesus aparece àqueles dois discípulos a caminho de Emaús.
Eles estavam desanimados, mas o Senhor passou a lhes explicar a Palavra de Deus. Então passou a
lhes falar sobre si mesmo, e como estava revelado em todas as Escrituras: “E, começando
por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as
Escrituras”(Lc 24.27). Então esse texto continua dizendo que o coração desses discípulos foi
aquecido. Logo depois Jesus aparece também aos demais discípulos, come com eles e, nos versículos
44 e 45 lhes diz: “São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importa se
cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então
lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras”. Sem vermos Cristo não podemos
compreender as Escrituras.
Exemplo 2: Em Gn 2.15 Deus diz assim á serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhes ferirás o
calcanhar”. Aqui podemos ver Jesus, o descendente da mulher, ferindo mortalmente a Satanás.
Exemplo 3: Nm 21.9: “Então disse o Senhor a Moisés: Faze uma serpente de bronze e
põe-na sobre uma haste; e será que todo mordido que olhar para ele viverá”. Compare com
Jo3.14-15: “E como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do
Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê tenha vida eterna”.
Exemplo 4: 1 Cr 22.5: “Porque dizia Davi: Salomão, meu filho, ainda é moço e tenro, e a
casa que há de edificar para o Senhor deve ser magnífica em excelência, de renome e glória para
todas as terras”. Podemos ver nesse texto Salomão como um tipo de Cristo, e a Casa de Deus como
Sua Igreja.
Exemplo 5: Sl 22.1: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que estás
afastado de me auxiliar e das palavras do meu bramido?” Compare com Mt 27.46: “Cerca da
hora nona bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani, isto é, Deus meu, Deus
meu, porque me desamparaste?”

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Exemplo 6: Is 11.1,10: “Então brotará um rebento do toco de Jessé (pai de Davi) e das
suas raízes um renovo frutificará....Naquele dia a raiz de Jessé será porta por estandarte dos
povos, à qual recorrerão as nações”. Comparte com Ap 22.16b: “Eu sou a raiz e a geração de
Davi, a resplandecente estrela da manhã”.

10. Princípio do Conferir


É importante conferir aquilo que interpretamos com o que Deus já tem revelado ao restante do
Corpo de Cristo: “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana,
conferindo coisas espirituais com espirituais” (1Co 2.13). Deus não se revela apenas a uma pessoa.
Pelo contrário, suas verdades são manifestadas á sua Igreja, como Corpo. Considere o texto de Ef
3.17-19: “...que Cristo habite pela fé nos vossos corações, afim de que, estando arraigados e
fundados em amor, possais compreender, com todos os santos, qual a largura, e o comprimento,
e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para
que sejais cheios até a inteira plenitude de Deus”. Aqui o Senhor nos revela um segredo para
podermos crescer na Sua compreensão: isso só é realizado “com todos os santos”. Não posso
alcançar sozinho. Tenho que me apropriar das riquezas que ele tem depositado no seu Corpo. Charles
H. Spurgeon, o famoso pregador inglês, disse certa vez: “Parece estranho que certos homens que falam
muito do que o Espírito Santo lhes revela pensem tão pouco do que Ele revelou a outros”. Aliás, os
mestres na Palavra podem ser uma garantia contra nossa própria interpretação. Devemos ser cauteloso
se chegarmos a encontrar algo que ninguém jamais viu antes. É difícil que, por quase dois mil anos,
homens consagrados e grandes estudiosos da Bíblia, não tenham enxergado isso.
Por outro lado, temos que ter cuidado para não cairmos em outro extremo. Em primeiro lugar é
nosso dever, a exemplo dos crentes de Beréia, conferir nas Escrituras tudo aquilo que recebemos de
outros: “... estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a Palavra
com toda avidez , examinando as Escrituras todos os dias, para ver se as coisas eram, de fato,
assim” ( At.17.11).
Em segundo lugar, não devemos criar dependência de ninguém para entender a Palavra de
Deus, pois nenhum mestre humano é infalível. At 8.39 diz: “Quando saíram da água, o senhor
arrebatou a Filipe, não o vendo mais o Eunuco. E este foi seguindo o seu caminho, cheio de
júbilo”. Assim deve ser conosco. Vamos reter o que é bom e prosseguir dependendo apenas de Deus.
A dependência da revelação de apenas uma pessoa têm levado a grandes desvios da fé.
O nosso verdadeiro mestre e instrutor é o Espírito Santo, e este sim é indispensável e infalível:
“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará
todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26).

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APLICAÇÃO DAS ESCRITURAS

Ao estudarmos e meditarmos na Palavra de Deus fielmente, o que deveria acontecer? Que


diferença prática ela faria em nossas vidas?
A Aplicação é a parte mais negligenciada, ainda que é o estágio mais importante no processo.
Se estudarmos e lermos tão somente para interpretar a palavra, ela não produziu o seu trabalho.
Entendimento só é considerado como tal se produz no dia a dia a prática. Entendimento sem prática é
como um aborto. A criança é concebida, mas não vem à luz, morre antes. A Palavra de Deus não é
para satisfazer a curiosidade de quem quer que seja. Os homens que Deus usa são os que permitem-se
serem trabalhados por Ele. Este é o ministério (o serviço) da Palavra (At 6.4). Nossa
profundidade espiritual está diretamente ligada ao quanto permitimos a Ele tratar conosco. A sabedoria
só se manifesta através do fazer, da prática. Vejamos:

“Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o


vosso entendimento” (Dt 4.4-6)
“O conhecimento da verdade, que é segundo a piedade” (Tt 1.1)

ALGUNS SUBSTITUTOS PARA A PRÁTICA DA PALAVRA


A- Interpretação
Vamos ver um exemplo para ilustrar isto: Kitty Genovese, uma jovem, em Nova York, foi
atacada brutalmente, espancada, estuprada e finalmente assassinada num bairro residencial
moderno em N.Y.. Repórteres entrevistaram muitos vizinhos para saber se havia alguma pista. O
incrível é que descobriram que 38 pessoas escutaram os gritos de Kitty. De fato, vários deles
testemunharam o ataque, mas nenhum deles socorreu. Somente um deles chamou a polícia, e isto
após o 3º e fatal ataque.
Desenvolvemos uma sociedade onde nos tornamos indiferentes ao real sentimento das pessoas.
Vemos os fatos, nos informamos das coisas e isto satisfaz. Não produz nenhuma ação prática.
Jesus chamou a atenção para isto (Mt 13.12; Lc 12.48; 6.46; Mt 7.22).

Um clássico exemplo nas Escrituras: - O nascimento de Jesus (Mt 2 )

B- Obediência superficial ao invés de mudança de vida


O Problema aqui está na dificuldade em identificar isto. Em algumas áreas já estávamos
aplicando a verdade, mas por isto nossa visão pode ser ofuscada para não enxergar novas áreas
que precisam de mudanças, e assim, continua-se com as mesmas fragilidades. Por exemplo: A
questão de honestidade. Posso estar sendo parcialmente honesto, mas isto pode dizer que estou

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bem, e que não há nada mais para ser mudado. Não enxergamos os pontos cegos em nossas
vidas. Isto levará a um terceiro ponto:
C- Substituir o arrependimento por racionalização
Quando a verdade fica tão perto de nós e tão clara, ao invés de nos arrependermos, tomamos o
caminho da autodefesa. Nossa estratégia favorita é nos defender ao invés de nos arrepender do
pecado. Ou, pode ocorrer uma “admissão parcial”: “pequei, mas...”.

D - Substituir uma decisão volitiva por experiência emocional


Muitas vezes o impacto da palavra produz uma forte emoção. Não há nada de errado com as
emoções, mas se ficar somente nisto, algo está errado. (Tg. 1.21)

QUATRO PASSOS NA APLICAÇÃO


Qual é a diferença que a Palavra de Deus faz em nossas vidas? Crescimento espiritual é um
compromisso com mudanças. O coração humano resiste fortemente a mudanças. Vamos avaliar isto,
considerando alguns aspectos para quebrar a inércia espiritual.
Passos para a Aplicação:

CONHECER

A - Conhecer o texto
A aplicação é baseada na interpretação, assim, se a interpretação de uma passagem está
errada, sua aplicação também o será.
Estando correta a interpretação, haverá correta aplicação.

Exemplo - visão da Igreja e prática da Igreja

B- Conhecer a si mesmo
I Tm 4.16; Lc 4.23; Mt 7.1-5;

A importância da consciência

Se você não conhece a ti mesmo, será difícil ajudar outras pessoas a aplicar a Palavra
em outras vidas.

Nós somos um termômetro de Deus. Ele começa conosco, para então, por meio de nossas
vidas, atingir a outros. A ênfase do Senhor não é o uso que Ele faz dos homens, senão, os
próprios homens. Não se necessita de maiores dons, mas sim, de homens. O que importa é

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aquilo que sai de nós, o que somos. O princípio do verdadeiro ministério é dar Jesus. Agora,
para isto a cruz vai tratar com tudo o que é desmedido em nossas vidas. A base do nosso
serviço está claramente colocada por Paulo em II Co 2.14-17; 3.5- 6; 4.11-13.

Estudar I Tm. 4.1-2. Paulo trata da questão de uma consciência cauterizada e,


conforme o contexto, as pessoas mencionadas ali são mestres, ou seja, estão
ensinando. Medite: por quê uma pessoa chega ao ponto de ter a consciência
cauterizada?

Conhecendo o contexto e a nós mesmos estamos dando um importante passo para a


vivenciação da verdade da Palavra. Vendo todas as nossas deficiências, podemos ver o quanto
Deus pode realizar em nossas vidas. Ninguém é Mestre como Ele.

RELACIONAR

Uma vez que conhecemos a verdade da Palavra de Deus, precisamos relacioná-la a nossa
experiência. O padrão bíblico para isto é: II Co.5.17. Quando nos tornamos cristãos, o
senhorio de Jesus Cristo se estabelece em nossas vidas, afetando cada área: pessoal, familiar,
com os irmãos em Cristo, no trabalho, negócios, na comunidade. Enfim, a palavra de Deus
atingirá toda a nossa existência e áreas de relacionamento.
Assim, nos tornamos mais sensíveis quanto ao nosso cônjuge, aos pais, e de uma maneira geral,
sensíveis ás pessoas.

Obs. Ver apêndice no final – pg 32

A operação da Palavra
Quando percebemos que Jesus Cristo quer impactar toda nossa vida de uma maneira
profunda, vamos perceber que a Palavra atuará em nossas vidas trazendo a luz todo o nosso
ser. Ela opera nos que a recebem e crêem, 1Ts 2.13.

Esta operação efetiva da Palavra (Hb 4.12-13) trará luz sobre:

a - _____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
b - _____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
c - _____________________________________________________________________
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d - _____________________________________________________________________
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A Palavra também:

a - _____________________________________________________________________
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b - _____________________________________________________________________
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c - _____________________________________________________________________
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_____________________________________________________________________
d - _____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
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O Senhor trabalha em nós por meio de Sua Palavra e do Espírito Santo (Ef. 5.25-27).

MEDITAR

Já vimos a importância da meditação na Observação, mas também é absolutamente importante


na Aplicação. A meditação aqui está ligada ao processo de unir nosso pensamento ao
pensamento da Bíblia. Mas para isto é necessário permitirmos que nossos pensamentos sejam
quebrantados por Deus.
Podemos ter opiniões, posições firmadas, radicalismos arraigados em nossos corações, assim,
tornam-se obstáculo a ação do Espírito Santo. O fruto da sua leitura será seus próprios
pensamentos. Por isto, acrescento um fator ao processo de meditação, o qual é aprender a
pensar os pensamentos de Deus, isto é: ter revelação, intimidade com o espírito da Palavra.
Agora, isto vem de um processo contínuo, dia a dia. Nossa leitura da Palavra não é pobre por
falta de instrução, mas sim porque nossos pensamentos não estão subjugados ao Senhor, falta-
nos o quebrantamento. Quanto mais quebrantado, mais tocamos o Espírito da Palavra. A Bíblia
é mais do que palavras, idéias e pensamentos. A característica mais sobresselente deste livro
é que o Espírito de Deus é liberado por meio dele. Isto tudo mudará a nossa maneira de ver as
coisas.

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PRÁTICA

O alvo supremo do estudo bíblico é a prática da verdade. Você não pode conscientemente
aplicar toda a verdade que descobre num estudo bíblico de uma vez, mas pode
consistentemente começar a aplicar algo em tua vida. Assim, você perguntará a si mesmo: Há
alguma área de minha vida que esta verdade está tocando? Vamos ver então, algumas
perguntas de aplicação que podemos fazer sempre que a palavra vem a nós:

1- Há um exemplo a ser seguido?


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2- Há um pecado a evitar?
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3- Há uma promessa para reivindicar?


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4- Há uma oração para repetir?


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5- Há um mandamento para obedecer?


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6- Existe alguma condição que preciso preencher?


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7- Há algum verso para memorizar?


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8- Existe algum erro a reparar ou corrigir?


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9- Há algum desafio a encarar?


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CONSIDERAÇÕES
A pergunta básica é: estamos abertos para as mudanças? Estamos realmente preparados para tomar
os desafios do Senhor. Precisamos estar com um espírito ensinável, tratável, honesto, para que Sua
obra seja completada em nossas vidas. Em Tiago 1.2-8, temos o modo com que Deus trabalha em
nossas vidas. Também revela as nossas deficiências. Observe as palavras:
“..._________________ e ___________________sem _______________________________.
E, se algum de vós _________________________...”

O texto fala do alvo e do processo para atingi-lo. Se não compreendemos isto, seremos apenas
ouvintes esquecidos, conforme os versos posteriores nos dirão (22-26). O processo de Deus começa
em nossas vidas com o novo nascimento. Somos gerados pela palavra da verdade (v. 18), agora
necessitamos recebê-la (v.21) para que o processo de desenvolvimento ocorra em nossas vidas. Todo
o contexto da carta de Tiago está relacionado a prática: “Assim a fé, se não tiver obras, é morta em
si mesma (2.17)”. Ele fala da verdadeira sabedoria, a qual se expressa na nossa vida diária. Deus nos
dá princípios pelos quais Ele faz Sua obra. Necessitamos conhecê-los.

DESENVOLVIMENTO
Vamos observar agora, o desenvolvimento da nossa vida no Senhor, relacionando o contexto
original das Escrituras e o contexto contemporâneo em que nós vivemos. O contexto faz profunda
diferença em como uma pessoa aplica a verdade bíblica.

Nunca mude a verdade para adaptá-la a um mundo de contínua transformação.

Lembra-te de Gênesis 2.24, quando Deus instituiu o casamento?


Neste texto temos o padrão de Deus. Em seguida vemos o pecado entrando na humanidade
trazendo uma série de conseqüências para o casamento. Agora, quem escreveu Gênesis? Moisés.
Observe a cultura em que ele foi criado. Como era o Egito quanto ao casamento? A poligamia era uma
prática comum. Houve uma mudança de contexto.

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Mais tarde, encontramos Jesus discutindo com os fariseus (Mt 19.1-9). Neste tempo o divórcio se
tornara comum. Mas Jesus cita Gênesis 2 para reforçar a santidade do casamento. Os seus ouvintes
ficaram chocados com esta afirmação, mesmo os discípulos. Por quê? Era a mesma verdade bíblica,
mas em um contexto completamente diferente.
Mais tarde quando Paulo escreve aos Efésios no capítulo 5 sobre o casamento, ele reafirma a
verdade sobre o casamento. Qual era o contexto de Éfeso? Sêneca, um filósofo romano, descreve
assim:
“Eles se divorciam e em seguida tornam-se a casar. Eles se casam em
seguida se divorciam.”
Então, Paulo chega em Éfeso trazendo um novo e estranho ensino para eles (At 19.23-41). Na
sua carta a Éfeso, vemos uma revelação mais profunda ainda sobre o casamento. Como soou isto aos
ouvidos daqueles novos crentes no séc. I ?
E hoje, como soa aos nossos ouvidos estas afirmações da Palavra de Deus? Qual é o contexto em
que nós vivemos a respeito de casamento, fidelidade conjugal, pureza sexual? Como uma casal pode
praticar o princípio de ser uma só carne no casamento dentro deste clima cultural?
O ponto é que a Palavra de Deus é eterna e imutável, mas nosso mundo não é. Se vivermos fora da
verdade de Deus, iremos fazer uma adaptação da verdade para a nossa cultura e, ao invés de sermos
confrontados pela Palavra, não faremos o menor esforço para mudanças. Mudaremos a verdade de
acordo com nossas conveniências.

Contexto, contexto, contexto


Como pode isto acontecer? Como podemos tomar uma mensagem escrita durante o século I
ou antes e fazer uso dela no século 20 e mais tarde? A chave é o contexto. Qual era o
contexto, então? Qual é o contexto agora?
Vimos a importância do contexto na interpretação. Também o é na aplicação. Quanto mais
estudamos a cultura em que uma passagem foi escrita e qual foi a aplicação original, mais
acurado será nosso entendimento e estaremos mais aptos para usá-la em nosso contexto
cultural. Mas isto não é tudo. Precisamos entender nossa própria cultura. Onde estão os pontos
de pressão? Onde estão especificamente nossas necessidades das verdades bíblicas? Qual é a
dinâmica cultural que torna difícil a prática da verdade, e aparentemente impossível? O que
influencia nosso comportamento ou atitudes espirituais? O que os apóstolos de nosso Senhor
diriam a nós se estivessem escrevendo à Igreja hoje? Onde Cristo seria atuante se ele andasse
entre nós hoje?

Observe, no tempo de Davi, os filhos de Issacar (I Cr. 12.32).

Precisamos de pessoas que entendam ambos, a palavra de Deus e o mundo, pessoas que
conhecem o que Deus quer deles nesta sociedade, pessoas que não são somente bíblicas mas
que também sabem comunicar a verdade a sua própria geração.

Estudando a cultura

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Portanto, entender a cultura não é tão fácil parece. Temos que discernir nossa cultura para
poder comunicar a verdade de maneira clara. Isto não significa conformar-se com o mundo, ou
usar de métodos mundanos, mas assim como os profetas aplicaram a verdade dentro de suas
culturas, precisamos trazer esta verdade à nossa geração.
Devemos não só pregar a palavra de acordo com o pensamento de Deus de muitos séculos;
devemos saber também como o Espírito aplica hoje, aos homens, esta palavra.

Vamos considerar alguns pontos para ajudar-nos a discernir nosso contexto cultural:

Poder
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Comunicação
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Dinheiro
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Etnia
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Gênero
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Gerações
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Religião e a visão sobre o mundo


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As artes
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A História e o tempo
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Lugar
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_____________________________________________________________________
_____________________________________________________________________
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Se respondermos a questões como estas sobre o mundo em que estamos, desenvolveremos


uma profunda visão de como de como nossa sociedade opera. Mas como casar estes dados
com a verdade da palavra? Como fazer a conexão.

A IMPORTÂNCIA DOS PRINCÍPIOS


A palavra de Deus tem somente uma interpretação, mas muitas aplicações. Existem algumas coisas
específicas que a palavra de Deus não menciona. Por exemplo: algum mandamento específico sobre os
vícios, como cigarro, álcool, drogas, e outros. Mas isto não significa que ela não tem nada a dizer sobre
o assunto. Pelo contrário, ela fala-nos das verdades fundamentais ou princípios que Deus aplica ao
todo das necessidades do ser humano.
O que queremos dizer por um “princípio”?
Um princípio é uma sucinta afirmação de uma verdade universal. Quando falamos de princípios,
saímos do específico para o geral.

Exemplo 1: Pv 20.2

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(a respeito de autoridade e poder do governo)

Exemplo 2: 1Co 8
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___________________________________________________________________________
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(consideração ao outro, da consciência)

Exemplo 3: Dn 6.1-5 (Daniel sob o rei Dario)


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___________________________________________________________________________(
Estude particularmente a vida de José em Gênesis)

Podemos aprender a viver como homens de Deus em um sistema secular, maligno?

PRINCÍPIOS QUE GOVERNAM PRINCÍPIOS


Se você pode discernir princípios do estudo das Escrituras, irá ter poderosas ferramentas para
ajudá-lo a aplicar as verdades bíblicas. Mas como nos guardar de cair em extremismos ou,
também, em generalização dos textos bíblicos, de maneira que se dilui a verdade, tornando-a
tão leve que o pecado já não é mais pecado? O ponto principal aqui é estar sempre conferindo
com irmãos maduros, cujas vidas demonstrem um equilíbrio entre o ensino e a prática da
palavra. Mas, além disto, vamos considerar 3 guias que nos ajudarão a discernir:

1- Os Princípios devem estar correlacionados ao ensino geral das Escrituras


Veja o exemplo de Pv 20 citado: ele está correlacionado com outras porções das
Escrituras? (Compare com Rm13.1-7; I Pd 2.13-17)
Exemplos negativos:
Gn 3.22 (um exemplo de má interpretação)
Deus quer que eu case com esta mulher (não convertida).

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2- Os Princípios devem falar às necessidades, interesses, questões e problemas da


vida real hoje.
Conferir um princípio com o padrão da Escritura é uma parte da batalha. Precisamos
também conhecer onde as pessoas estão, suas dores, dúvidas, enganos, para que tenhamos
a palavra correta, atingindo seus corações, nos seus anseios mais profundos.

Veja o exemplo de Neemias

3- Os Princípios devem apontar para uma ação prática.


A palavra de Deus não foi dada para satisfazer a curiosidade de quem quer que seja, mas
sim, para produzir frutos para Deus. A palavra atua de modo que produz em nós
transformação.
“Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos,
é mentiroso, e nêle não está a verdade” (1Jo 2.4).
“Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e
produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a
bênção de Deus” (Hb 6.7)

Dar um passo diante da verdade é a expressão prática da fé. Dietrich Bonhoeffer, no livro
Discipulado diz:
“Só o crente é obediente, isso consideramos compreensível. A obediência
resulta da fé como os bons frutos de uma árvore saudável. Dizemos:
primeiro a fé, depois a obediência.... Há que se dar um primeiro passo
obediente, para que a fé não se transforme numa piedosa ilusão ou na
graça que chamamos barata” pg 25.
A palavra experimentada levará a maturidade, a multiplicação da verdade.

APÊNDICE
Um inventário espiritual

Você quer aplicar A palavra de Deus à tua vida? Vamos considerar algumas
questões para ver melhor nossos hábitos e comportamentos.

Na vida pessoal:
• Como estão tuas disciplinas pessoais - aquelas relacionadas com o
desenvolvimento espiritual, tais como estudo bíblico, oração, leitura, etc.?
• Como estão os hábitos e condições físicas, tais como comer, exercícios físicos,
descanso, etc.?

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• Que áreas de tua vida você deseja vencer: temperamento, ou engano,


decepção, ou cobiça sexual, etc...?
• Que comportamento você deseja estabelecer: paciência, ou hospitalidade, ou
perseverança, etc.?

Na vida familiar:
• Você tem um tempo onde a família pode contar com você?
• Você namora tua esposa regularmente?
• Você tem um tempo desimpedido, onde pode se envolver com teus filhos?
• Você mantém responsabilidades para com teus pais, etc.?

Na vida da Igreja:
• Você se coloca sempre debaixo da instrução da Palavra?
• Você coopera fielmente com alegria, com a causa de Cristo, ajudando a
sustentar a obra de Deus, sendo sempre generoso?
• Está orando regularmente por aqueles que te ensinam a palavra, bem como
pelos irmãos de um modo geral?

• Tem procurado servir na Casa de Deus, de modo que estás comprometido com
a Casa (Igreja), estando sempre disposto a cooperar para a saúde dela?

No trabalho:
• Tens tido uma atitude honesta no trabalho, tanto para com o empregador,
como para com os colegas?
• Você cumpre com os compromissos assumidos com aqueles com quem trata
de negócios?
• Procura desenvolver na tua área de modo a fazer o melhor, não para aparecer,
mas para a glória do Senhor?
• Você procura olhar as pessoas como seres humanos, prestando atenção nas
suas necessidades, para ajudá-las, levá-las a Cristo?

A relação com a cidade e país:


• Você zela do patrimônio público, agindo como um verdadeiro cidadão, e
principalmente como cristão?
• Você paga os impostos?
• Como está tua carteira de motorista?
• Você está consciente das necessidades dos pobres e procura fazer alguma
coisa para suprir suas necessidades?

Estas perguntas são somente para nos ajudar a enxergar nossas deficiências e colocar nossas
vidas diante de Deus com transparência, sinceridade e permitir o Senhor tocar nelas.

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A IDONEIDADE DE JESUS PARA ENSINAR

Nosso Mestre, exemplo a seguir, tudo em todos, aquele que é o nosso capacitador. Necessidade
primordial de nossa vida: Crer no Espírito Santo e na Sua Obra, comungar com o Espírito Santo para
que sejamos vasos úteis.

Alguns pontos chaves quanto à vida de Jesus que o qualificou para discipular/ensinar:

1. Encarnação da Verdade
Em João 1.1, vemos que um exemplo vale mais do que mil conselhos. Aquilo que você é
troveja tão alto que não posso ouvir o que você diz. A realidade não é o que aprendemos, e sim com
quem aprendemos.
Nossa vida é a lição que mais apela ao coração do discípulo. Isto de fato é assim, porque a
verdade mais se apanha do que se ensina. Jesus disse: "Eu sou ... a verdade" (Jo 14.6). A
encarnação da verdade pelo Mestre afetava o seu ensino pelo menos de duas maneiras. Em primeiro
lugar, dava-lhe um tom de autoridade que se não via nos escribas e rabinos do seu tempo (Mc 1.22).
O seu modo de viver reforçava e dava peso aquilo que dizia. Segundo, inspirava confiança naquilo que
dizia. O povo viu corporificado no que ele praticava aquilo que ele queria que eles fizessem.
A maior coisa que seus discípulos aprenderam de seus ensinos não foi a doutrina, e sim, sua
influência. A maior coisa foi o terem eles estado com Jesus.

2. O Desejo de Servir
Outra chave para discipular/ensinar é o interesse que devemos ter pelo povo e o desejo de
servi-lo bem, de ajudá-lo. Nada pode suprir a falta de interesse pelo bem estar de nossos semelhantes.

Podemos ter conhecimento, mas isto não substitui o interesse profundo que devemos ter pelo
próximo. Por outro lado, amando e desejando servir bem aos discípulos, teremos suprido em boa parte
as deficiências de conhecimento e de técnica. Mais cedo ou mais tarde, os discípulos compreendem
esse amor e interesse daquele que ensina, e a eles respondem.
Jesus se interessou mais por pessoas do que por credo, tradições, cerimônias, organizações,
etc. Ele via o povo. (Mc 6.34; Mt 9.35-38; Mc 10.1,41)
O Mestre não só se interessou pelos problemas humanos, mas sempre buscou fazer alguma
coisa para solucioná-los (Mt 20.29-34). Não se julgou tão cansado que não pudesse conversar sobre
a água da vida com uma decaída junto ao poço de Sicar (Jo 4; Lc 15).
O vivo desejo de servir é indispensável ao ensino vitorioso.

3. A Crença no Ensino
Jesus não pertencia a nenhuma classe de líderes ou doutores de sua época. Era carpinteiro.
Não estava na classe dos que interpretavam minuciosamente a Lei, não, ele ensinou.

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Ênfase no ministério - ensino e oração: Lc 4.32,34; 5.3,17(16); 6.6,12; 9.18,28,29; 11.1;


13.10,22; 19.47,48; 20.1; 21.37,38 (A vida de Jesus); 2Tm 2.1,2,15,24,25; 3.8,10-12 (ensino), 14-
17; 4.1-5.
Ele foi chamado Mestre, Professor ou Rabi (Jo 3.2). Nos evangelhos, Jesus é chamado Mestre
nada menos do que 45 vezes, e nunca se fala dele como pregador. L. J. Sherril diz que, somando-se
todos os termos equivalentes a mestre, temos o total de 61.
Fala-se de Jesus ensinando, como vemos em Mt 4.23.
A Palavra cristão é usada apenas 3 vezes no N.T. e assim mesmo uma vez em tom de
zombaria. No entanto, vemos a palavra discípulo, que significa aluno ou aprendiz, empregada 243
vezes para referir-se aos seguidores de Jesus.
Devíamos ter como título no sermão do monte "O Ensino do Monte". Ele ensinava em
qualquer lugar.
Jesus cria no seu ensino, requisito indispensável a qualquer que discipula.
Convicção no que dizemos e fazemos (1Ts 1.5) - muita certeza.
Palavras, poder no Espírito Santo. (1Ts 2.1-4)

4. Conhecimento das Escrituras


Toda a nossa fé está embasada na Palavra Escrita de Deus (Mt 4.1-11; Lc 24.27)
Jesus não só conhecia as Escrituras como também as assimilou de tal modo que as podia
aplicar livre e perfeitamente às necessidades e ocorrências do dia.
Aprendeu as Escrituras no seu lar, e ali cresceu em sabedoria como em estatura.
Jesus também aprendeu na sinagoga, pois, nos dias dele, estava ela espalhada por todos os
lugares, e a freqüência a ela era hábito arraigado, quando não coisa obrigatória. Lc 4.16 diz "No
sábado, Jesus entrou na sinagoga, como era seu costume". Nela havia exercícios religiosos aos
sábados, nas segundas e quintas-feiras, nos dias de festa e jejum.
A lei era lida por uma pessoa, um intérprete explicava versículo por versículo, aplicando a
leitura à vida do povo em geral. Assim, se lia toda a lei de 3 em 3 anos e meio. A segunda leitura era
tirada dos profetas sendo lidos e explicados 3 versículos a cada vez. Desta natureza foi a leitura que
Jesus fez na sinagoga de Nazaré (Lc 4.17-19). Havia perguntas, recitavam em uníssono certas
passagens escriturísticas. Assim foi que Jesus aprendeu a lei e os profetas, habilitando-se para refutar
os rabinos e perguntar-lhes: "Não lestes ?".
Ligada à sinagoga havia uma escola elementar para os meninos, que funcionava nos dias de
semana. Freqüência obrigatória.
O menino judeu começava a freqüentar escolas com 6 anos, e estudava as Escrituras até os 10
anos, começando com Levítico. De 10 a 15 estudava as interpretações orais da lei, e aos 13 anos era
considerado filho da lei, membro responsável da congregação da sinagoga. Percebe-se que Jesus
conhecia de cor quase todas as Sagradas Escrituras não só pelas citações diretas que delas fazia, mas
também pelas numerosas alusões que fez da lei, de Isaías, etc.

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Jesus citou pelo menos 20 livros do A.T. de cor em muitas circunstâncias, em crises, frente aos
mais severos críticos de sua época.
5. Compreensão da Natureza Humana
Não se pode aplicar bem as Escrituras à vida a não ser que se compreenda bem o discípulo e
suas necessidades. Nós somos inicialmente o campo de prova, Deus trata conosco para sermos úteis
em suas mãos como termômetros para compreendermos nosso semelhante.
Propósito das Escrituras 2Tm 3.14-17. Jesus conhecia a natureza humana. Jo 2.25 Jesus
discernia o coração humano, suas intenções e desvios, pecados e sentimentos, etc.
Mt 9.4; Jo 6.61,64; Mc 12.15; Jo 1.47; 4.17,18; Mc 7.14-23.
Jesus conhecia as pessoas e ensinava para solucionar-lhes as suas necessidades profundas e
ocultas, não poucas vezes desconhecidas delas próprias.
Jesus nunca esperou momentos especiais para ensinar, todos os momentos eram especiais e
oportunos para o Mestre dos mestres.
Precisamos ser aptos para ensinar, 2Tm 2.19-26; 3.1.
Senhor, queremos andar nas pisadas de nosso mestre.

ALGUNS PRINCÍPIOS PARA LIDERANÇA (BASEADO EM Dt 17.14-20)

1. O Líder é Escolhido por Deus


Precisa ser aceito aos olhos de Deus e do povo: verso 15.

2. Cuidados na liderança
a) Não possuir cavalos (poder) - não depender de nós mesmos. Não confiar em si
mesmo. Muitos dependem de métodos e forças do mundo. Tudo que atrai a carne, como os
reis de Israel que dependiam de seus cavalos. (Foge destas coisas 1Tm 6.7-11).
b) Poluição própria - Para si multiplicar mulheres. Desviar o coração. Um líder imoral
perceberá que o seu coração se desvia do Senhor. Sua mente se desviará de si mesmo.
Como líderes podemos facilmente ter nossos corações desviados por não atentar para isto.
c) Auto-indulgência (auto-piedade). Multiplicar o dinheiro. 1Tm 6.10: desejo de controlar
e manipular. É tão fácil desejar o carro que o outro tem, sem perceber que a cobiça está
tomando conta. Devemos achar a vontade de Deus, e este é o ponto chave.
d) Auto-edificação - Versos 18-20. Escrever a lei de Deus, para não haver dúvidas.

Os três primeiros princípios destroem, o quarto está ligada à edificação pessoal.


Duas coisas que Satanás procura roubar de nossas vidas:
- Oração
- Meditação na Palavra

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Se queremos ser eficazes na obra do Senhor, deveremos nos guardar nestes pontos.

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ESTUDO DE UM LIVRO DA BÍBLIA

Daremos aqui alguns passos práticos para se estudar um livro da Bíblia. Se você é principiante
em estudo metódico, comece com um livro mais fácil e não muito grande. Uma boa indicação é a carta
aos Tessalonicenses, ou a Primeira Carta de João.
Anote as descobertas do seu estudo. Sugerimos que você use três folhas de papel: a primeira
para Observação, a segunda para Interpretação e a terceira para Aplicação. Anote tudo que encontrar.
Procure não deixar nada desapercebido. Mais tarde você poderá selecionar as anotações mais
pertinentes. Todos os passos abaixo devem ser feitos com oração, dependendo do Senhor, não da
nossa própria sabedoria.

1. Obtendo uma visão panorâmica do livro


• Leia o livro de modo corrido no mínimo cinco vezes, sem se deter em detalhes, e sem se
preocupar em anotar nada. Apenas consulte um Dicionário de Português e um Dicionário
Bíblico para se informar das palavras e lugares que desconhece;
• Leia o livro mais algumas vezes, mas desta vez tomando nota, nas folhas correspondentes,
de tudo que for descobrindo, seja de Observação, de Interpretação ou de Aplicação.
Procure ler traduções diferentes para melhorar a compreensão;
• Observação: Identifique o gênero literário e a estrutura literária do livro.
• Observação: Identifique os personagens do livro e os acontecimentos relativos a cada um,
procurando entender a atmosfera emocional e o ambiente em que o autor está escrevendo.
Examine o cenário histórico e procure localizar o livro no contexto da Bíblia, e em que ponto
da revelação a respeito de Deus o autor se encontrava;
• Observação: Procure responder as perguntas: Quem é autor do livro? Que revela ele
acerca de si mesmo? Para quem ele escreveu? Onde foi escrito? Quando foi escrito? O que
estava acontecendo quando foi escrito? Que tipo de pessoas eram os destinatários? Em que
circunstâncias o autor escreveu o livro?
• Observação e Interpretação: Procure alcançar uma visão da Estrutura de Assuntos do
livro. Para isso, descubra as palavras e expressões chaves usadas pelo autor. Muitas vezes
as palavras e expressões chaves se repetem para exprimir as idéias ou as finalidades que o
autor tinha ao escrever.
As palavras e expressões chaves revelam os Assuntos, e os Assuntos revelam o Tema
do Livro
• Interpretação: Procure obter o Tema do Livro como um todo e compreender o propósito
do autor ao escrever o livro;
• Aplicação: Procure no livro quais as mensagens de Deus para você;
• Confira suas conclusões consultando textos de Visão Panorâmica da Bíblia, que podem ser
encontrados em livros específicos para esse fim, em Bíblias de estudo, ou nas introduções
de Comentários Bíblicos sobre o livro em estudo, que sempre inicialmente apresentam uma
visão geral a seu respeito. Complemente suas anotações.

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• Ferramentas: Dicionário de Português, Dicionário Bíblico, Textos de Visão Panorâmica da


Bíblia e Mapas de Cronologia Bíblica (ver última página desta apostila).
2. Estudo de Capítulos ou Passagens do livro
Agora devemos nos deter em cada detalhe do texto. Neste ponto do Estudo devemos analisar
cuidadosamente cada assunto, bombardeando-o com perguntas como: quem?, que? , como? onde,
quando, por que?
A exemplo do passo 1, anote todas as suas descobertas nas folhas correspondentes de
Observação, de Interpretação e de Aplicação.
• Observação e Interpretação: Leia diversas vezes a passagem certificando de
contextualizá-la em relação ao livro;
• Observação: Identifique claramente os Assuntos do capítulo ou da passagem;
• Observação: Identifique as pessoas e os substantivos principais do texto. Substantivos
são “coisas”, substâncias, como por exemplo: amor, vida, fé, salvação, verdade, medo,
alegria, céu, mar, santuário, tabernáculo, pássaro, lírio, etc;
• Observação: Identifique os principais verbos do texto. Os verbos indicam ação e
movimento: amar, correr, desenvolver, fazer, criar, ordenar, temer, olhar, etc. Verifique
também os tempos dos verbos, ou seja, se estão no passado, no presente, ou no futuro.
• Observação: Verifique cuidadosamente as relações de causa-efeito, procurando identificar
como os verbos se relacionam com os substantivos, ou seja, quem executa as ações e quem
recebe as ações, para entender o fluxo de pensamento do autor.
• Observação e Interpretação: Identifique os Parágrafos do texto, ou seja, as divisões
naturais do assunto, e observe o pensamento chave de cada parágrafo. O parágrafo é a
unidade básica do estudo, podendo conter apenas um versículo, ou ser composto de vários
versículos, expressando sempre um pensamento completo;
• Aplique no estudo as demais coisas que você aprendeu sobre Observação;
• Interpretação: Estude cada assunto comparando com os textos correlatos indicados pelas
referências marginais ou obtidos com uso de uma concordância;
• Faça um estudo das palavras principais (ver Estudo de Tópicos);
• Estude as pessoas (ver Estudo de Personagens) e os lugares mencionados
• Aplique no estudo os demais Princípios de Interpretação;
• Relacione as dúvidas não respondidas para serem objeto de futuras investigações;
• Interpretação e Aplicação: Construa uma paráfrase de cada parágrafo do texto,
aplicando-o à sua vida pessoal.
• Confira suas conclusões consultando Comentários Bíblicos de autores recomendados, que
creiam na inerrabilidade e na infalibilidade das Escrituras. Podemos aprender muito como
interpretar a Bíblia observando como fazem alguns mestres dados ao Corpo de Cristo. Há
muitos livros-modelo que podemos usar. Complemente suas anotações.

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• Ferramentas Úteis: Referências Marginais, Concordância, Dicionário Bíblico, Manual


Bíblico, Enciclopédia Bíblica, Atlas Bíblico, Auxílios para o Grego, Comentários Bíblicos
confiáveis;
2. Organizando o Estudo
Até este momento os resultados de nossos estudos encontram-se em três conjuntos de folhas
de papel, intitulados, respectivamente, Observação, Interpretação e Aplicação. É
importante agora que organizemos esse material para termos um estudo que tenha condição de ser
repassado para outros.
• Construa um esboço do livro como exemplificado abaixo. Para os assuntos e parágrafos
indique os versículos dentro de cada capítulo.

Livro Õ Descrição do Tema

Capítulo 1 Õ Descrição dos Assuntos


(1-12) Õ Assunto 1
(1-3) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(4-7) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave
(8-12) - Parágrafo 3 Õ pensamento chave
(13 -16) Õ Assunto 2
(13) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(14-16) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave

Capítulo 2 Õ Descrição dos Assuntos


(1-4) - Assunto 1
(1-2) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(3-4) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave
(5-7) Õ Assunto 2
(5-6) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(7) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave

Capítulo 3 Õ Descrição dos Assuntos


...

• Elimine todas as notas que julgar não mais pertinentes, ou desnecessárias;


• Para cada assunto, faça uma composição, envolvendo as notas de suas observações,
interpretações e aplicações, de forma a ter um fluxo lógico de pensamento. Dessa formar
você terá seu estudo organizado, podendo facilmente repassar a outros;

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• O melhor modo de aprender é repassar. Quando ensinamos, somos os maiores


beneficiados, pois aquilo que aprendemos bem para ensinar fica retido em nós. Quando
alimentamos alguém, alimentamos também nosso próprio coração. E a responsabilidade
para ensinar é também uma motivação para estudar a Palavra de Deus.

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ESTUDO DE TÓPICOS

Consiste em examinar o que as Escrituras ensinam a respeito de um tópico, como Fé, Graça,
Amor, Salvação, Tipos de Cristo, Personalidade do Espírito Santo, etc. Jesus certamente usou este
método, pois Lc 24.27 nos diz: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o
que dele se achava em todas as Escrituras”. Este modo de estudar a Bíblia é uma das aplicações
mais importantes do Princípio do Contexto Correlato.
A exemplo dos estudos anteriores, anote todas as suas descobertas em folhas correspondentes
a Observação, Interpretação e Aplicação. Faça tudo com oração.

1. Estudo de Palavras
• Muitas vezes o estudo de um tópico pode se resumir ao estudo de uma palavra nas
Escrituras. Comparando a utilização de uma mesma palavra no decorrer das Escrituras,
poderemos entender melhor seu significado;
• Para Estudo de Palavras você deve fazer uso de uma Concordância Bíblica. Uma
concordância é como um índice que mostra onde cada palavra é usada através da Bíblia em
uma dada versão (Revista e Corrigida, Revista e Atualizada, Contemporânea, etc). Você
deve procurar a palavra na concordância por ordem alfabética. Se for um verbo, procure
sua forma básica, não conjugada (ex.: façamos Þ procure fazer); se for um substantivo ou
adjetivo, sua forma masculina singular (ex.: justas Þ procure justo);
• De preferência, utilize uma concordância que, para cada palavra em português, indique as
várias palavras do idioma original que correspondam a ela. Por exemplo, a palavra amor
pode ser tradução de duas palavras gregas: ágape (amor de Deus) ou fileo (amor fraternal).
Se estudarmos a palavra ágape, poderemos compreender melhor a respeito do amor de
Deus. Sem fazer essa distinção o estudo da palavra amor fica prejudicado, pois estaremos
estudando tanto ágape como fileo . É importante frisar que para utilizar esse tipo de
concordância não é necessário conhecer nada de grego ou hebraico;
• Examine cuidadosamente cada passagem referente à palavra a ser estudada, aplicando o
que você aprendeu sobre Observação, Interpretação e Aplicação. Não se esqueça de
verificar o contexto de cada uma. Leia traduções diferentes para melhorar a compreensão;
• Interpretação: Selecione as passagens que tragam algum esclarecimento, para as quais
você conseguiu descobriu um ou mais pensamentos chaves relativos à palavra estudada,
enunciando-os com suas próprias palavras;
• Interpretação: Com base nos pensamentos chaves encontrados, procure encontrar o
significado da palavra;
• Confira suas conclusões com livros que tratam de estudo de palavras e com Comentários
Bíblicos autores recomendados;
• Organize seus estudos, elaborando um esboço contendo o significado da palavra, os textos
que a explicam e os respectivos pensamentos chaves;

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Exemplo de Estudo de Palavra

Vamos supor que estamos interessados em estudar a palavra “transformai-vos” do texto de


Rm 12.2:
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da
vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita
vontade de Deus”.
Entrando com a palavra “Transformar” no Volume II da Concordância Fiel do Novo
Testamento (Português - Grego), encontramos:
Rm 12.2 século, mas transformai-vos pela renovação 3339

Note que apareceu o número 3339. Esse número indica o código da palavra grega a ser
estudada e tem a finalidade de facilitar o acesso ao Grego a qualquer pessoa interessada. Se entrarmos
com esse número no Volume I (Grego - Português), veremos que a palavra grega correspondente a
“transformar”, código 3339, é metamorphoo, e obteremos os seguintes textos onde essa palavra
aparece no Novo Testamento:
Mt 17.2 foi transfigurado diante deles; o seu rosto
Mc 9.2 alto monte. Foi transfigurado diante deles;
Rm 12.2 mas transformai-vos pela renovação da vossa
2 Co 3.18 somos transformados de glória em glória, na

Observação e Interpretação: Ao observarmos a palavra grega metamorphoo nos


lembramos imediatamente da palavra “metamorfose”, a transformação da crisálida em borboleta. Esse
fato então nos leva ao primeiro pensamento chave Õ transformação é mudança radical, de algo feio,
incompleto, para algo bonito e completo.
Observação e Interpretação: Ao estudarmos os textos de Mateus e Marcos indicados
acima, observamos que se trata da transfiguração (transformação de Jesus) diante de Pedro, Tiago e
João, onde o Seu rosto resplandeceu como o sol, e a Suas vestes tornaram-se brancas como a luz, tais
como nenhum lavandeiro da Terra as poderia branquear. Podemos então imaginar que essa é a
plenitude da transformação a que Deus quer nos levar, e ficamos maravilhados com a beleza e com a
glória do Nosso Senhor. Pensamento chave Õ Cristo é a plenitude da glória a que Deus quer nos levar.
Observação e Interpretação: Estudando a passagem de 2 Coríntios vemos que beleza e a
gloria que poderemos expressar, pela transformação operada em nós, na realidade são apenas o refletir
da glória de Cristo. É como a glória da Lua, que só possível pela glória do Sol. E há um progresso na
transformação: ela é de glória em glória. O pensamento chave aqui é Õ A transformação da nossa vida,
de glória em glória só é possível se olharmos continuamente para o nosso Senhor e refletirmos sua
glória.
Significado da Palavra: transformação é o processo maravilhoso pelo qual Deus quer nos
levar á plenitude de Seu filho. Este processo é progressivo, de glória em glória, e só é possível se
mantivermos comunhão com Cristo, para podermos refletir sua glória.

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2. Estudo de Tópicos mais abrangentes


• Muitas vezes o tópico a ser estudado expressa algum conceito mais abrangente que uma
palavra e temos que procurar passagens correlatas que expressem esse conceito. Por
exemplo, se quisermos saber o que a Bíblia ensina sobre autoridade, muitas vezes uma
passagem importante não usa a palavra autoridade, mas de alguma forma trás um ensino
sobre ela.
• Para esse tipo de estudo, além das Concordâncias, as ferramentas indicadas são as
Referências Marginais e/ou as Bíblias de Estudo com Enciclopédia de Assuntos;
• Começando com uma passagem relativa ao tópico, examine cuidadosamente cada passagem
indicada pela referências marginais. Cada uma dessas passagens também indicará suas
próprias referências marginais, e assim sucessivamente;
• Alternativamente, procure pelo tópico a ser estudado no índice de uma Enciclopédia de
Assuntos. O índice indicará os números de diversos estudos, de onde se obterá muitos
textos correlatos relativo ao tópico. Examine cuidadosamente cada texto;
• Aplique nos textos o que você aprendeu sobre Observação, Interpretação e Aplicação.
Não se esqueça de verificar o contexto de cada passagem;
• Interpretação: Selecione as passagens que tragam algum esclarecimento para o assunto
estudado. Descubra um ou mais pensamentos chaves para cada uma dessas passagens,
enunciando-os sempre com suas próprias palavras;
• Organize o resultado de seus estudos, elaborando um esboço contendo suas observações,
interpretações e aplicações, bem como os textos selecionados, com os respectivos
pensamentos chaves, de forma a ter um fluxo lógico de raciocínio. Dessa forma, seu estudo
poderá ser facilmente repassado para outros;

Exemplos sugestão: Usando a Bíblia Vida Nova estude os tópicos “Rebelião” (tópicos 3231 e
3232) e “Tipos de Cristo” (tópico 4121), ambos com natureza mais abrangente que uma palavra.

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ESTUDO DE PERSONAGENS

As Escrituras apresentam a história de muitos personagens, relatando suas vitórias, derrotas,


lutas, momentos de êxtases e momentos de depressão. Estudar a vida e o caracter desses personagens
nos dá a oportunidade de aprender com seus erros e seus acertos e observar como Deus tratou com
eles: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa, de
nós outros sobre quem os fins dos tempos têm chegado” (1Co 10.11).
Sobre alguns personagens bíblicos há muito material escrito. Neste caso talvez seja conveniente
restringir o estudo a certas áreas como, “A vida de Jesus como nos é revelada no Evangelho de João”,
ou “Moisés durante o Êxodo”.
Depois de Escolher o personagem que deseja estudar, procure seguir o seguinte procedimento:

• Usando o sistema de referências marginais de sua Bíblia, ou uma concordância, ou um


dicionário bíblico, ou uma Enciclopédia de Assuntos, reuna as passagens bíblicas que citem
o personagem;
• Examine cuidadosamente cada passagem, lembrando a importância de verificar o contexto
de cada uma. Como nos outros modos de estudo, anote todas as suas descobertas em
folhas correspondentes a Observação, Interpretação e Aplicação;
• Observação: Procure o significado do nome do personagem. Nas Escrituras, muitas vezes,
o nome do personagem está ligado ao seu caracter;
• Observação: Levante os principais dados históricos do personagem, como, quem foram
seus pais, de que região procedeu, em que época viveu, com quem se casou, se teve filhos,
fatos incomuns em sua vida, quantos anos viveu, e a maneira como morreu;
• Observação e Interpretação: Analise o caracter do personagem. Para isso, observe
coisas como realizações, vitórias, derrotas, fraquezas, dificuldades suprepujadas, abusos de
privilégio, negligência, medo, confiança, erros e acertos;
• Observação e Interpretação: Examine a vida espiritual do personagem, como sua vida de
oração, de obediência, e de dependência de Deus;
• Interpretação: procure alguma relação do personagem com Cristo, como tipo, crente,
amigo, inimigo, parente, etc;
• Interpretação: Escolha um versículo-chave para sua vida;
• Interpretação e Aplicação: procure a lição de vida que pode ser tirada a partir do
personagem;
• Consulte um dicionário bíblico ou um livro de referência sobre o personagem. Isto pode
ajudar a reforçar o que aprendeu.
• Organize o resultado de seus estudos, elaborando um esboço contendo um resumo da vida
e dos fatos mais importantes relativos ao personagem , a lição que pode ser tirada de sua
vida e o versículo-chave que o caracteriza. Dessa forma, seu estudo poderá ser facilmente
repassado para outros;

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FERRAMENTAS PARA ESTUDO BÍBLICO


E LIVROS RECOMENDADOS

Em At 8.26-40 vemos s história de Filipe e o Eunuco. Quando o eunuco encontrava dificuldade


para entender as Escrituras, um anjo apareceu a Filipe e disse: “Vai para o sul”. Felipe obedeceu, e
quando este viu a carruagem, o Espírito Santo lhe falou: “ Aproxime-se dessa carruagem”, e Filipe
pode então ensinar o eunuco. Por que o anjo e o Espírito Santo não se manifestaram diretamente ao
eunuco? Há um principio aqui que devemos seriamente considerar: Deus usa o Corpo de Cristo para
nos ensinar Sua Palavra.
Já estudamos no Princípio do Conferir como é importante considerar as riquezas que o Senhor
tem depositado no seu Corpo. No primeiro século muitos irmãos estudaram a Palavra, e assim também
nos séculos seguintes. Eles começaram a transcrever ou escrever aquilo que iam descobrindo e
passaram os escritos para as gerações que se seguiam. O Senhor Jesus é a Palavra Encarnada, a Bíblia
é a Palavra Escrita de Deus. Para entendermos melhor a Palavra Encarnada e a Palavra Escrita de
Deus vamos encontrar nesses vinte séculos muitos tesouros escritos.
Há muitos livros versando sobre todos os temas da Bíblia. Por exemplo, somente sobre a
pessoa do Senhor Jesus, em língua inglesa, se conhecem mais de 80.000 livros. Ninguém mais neste
mundo chega a despertar tanto interesse. O Senhor Jesus é mesmo único, inigualável, como também a
Bíblia é única, inigualável.
Se formos sábios devemos ler e utilizar bons livros, além das Escrituras, porque a riqueza do
Corpo de Cristo vai fluir através de você e vai fazer parte de você. Paulo, escrevendo a Timóteo, diz: “
quando vieres a Trôade, traze ... os livros, especialmente os pergaminhos” (2Tm 4.13). Ele
certamente fazia isso.
Abaixo apresentamos uma lista de ferramentas para estudo bíblico e também alguns livros que
recomendamos que sejam lidos e estudados. A exemplo de Paulo a Timóteo dizemos: “aplica-te á
leitura, á exortação e ao ensino” (1 Tm 4.13).

1. Bíblias de Estudo
• A Bíblia Vida Nova - Contém Enciclopédia de Assuntos, Visão Panorâmica dos livros da
Bíblia e Esboço de Doutrina Cristã.
• Bíblia de Referência Thompson - Contém Enciclopédia de Assuntos, Visão Panorâmica dos
livros da Bíblia, Suplemento Arqueológico e Concordância Abreviada.
• Bíblia de Estudo Indutivo - Kay Arthur - Vida

2. Concordâncias
• Concordância Bíblica Abreviada - Imprensa Bíblica Brasileira (vem junto com a Bíblia).
• Concordância Bíblica Abreviada - Vida
• Chave Bíblica - Sociedade Bíblica do Brasil
• Concordância Fiel do Novo Testamento - Editora Fiel
Primeiro Volume: Grego/Português - Segundo Volume: Português/Grego

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1. Dicionários Bíblicos
• O Novo Dicionário da Bíblia - J.D. Douglas - Vida Nova
• Dicionário Bíblico Universal - Buckland - Vida
• Dicionário da Bíblia - John D. Davis - Casa Publicadora Batista
• Pequena Enciclopédia da Bíblia - Boyer - Vida

4. Enciclopédias e Manuais Bíblicos


• O mundo da Bíblia - Edições Paulinas
• Manual Bíblico - Halley - Vida Nova
• Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos - William Colleman - Editora Betânia
• Panorama do Novo Testamento - R.H. Gundry - Vida Nova
• Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã - Walter A. Elwer - Vida Nova

5. Comentários Bíblicos
• O Novo Comentário da Bíblia - Davidson - Vida Nova
• Estudo Panorâmico da Bíblia - H.C. Mears - Vida
• Através da Bíblia - Myer Pearlman - Vida
• Comentário Bíblico Devocional - F.B. Meyer - Editora Vida
• Comentário Bíblico Moody - 5 volumes - Imprensa Batista Regular
• Pentateuco - C.H. Mackintosh - Depósitos de Literatura Cristã
• Zacarias - F.B.Meyer - Vida
• João - F.F. Bruce - Vida Nova
• Romanos - F.F. Bruce - Vida Nova
• Gálatas - John R.W. Stott - ABU
• Filipenses - F.F.Bruce - Vida Nova
• 2 Timóteo - John R.W. Stott - ABU
• Hebreus - Depois do Sacrifício - Walter A. Henrichsen - Vida
• I, II e III João - John R.W. Stott - Mundo Cristão
• Apocalipse - George Ladd - Vida Nova

6. Auxílio para o grego


• Concordância Fiel do Novo Testamento - Editora Fiel
• Léxico do Novo Testamento Grego/Português - Gingrich e Danker - Vida Nova
• Pocket Interlinear New Testament - Green - Baker Book House - códificada
numericamente para a Concordância Fiel do Novo Testamento
• Chave Linguística do Novo Testamento Grego - Rienecker e Rogers - Vida Nova
• Palavras Chaves do Novo Testamento - Willian Barclay - Vida Nova
• Dicionário de Teologia do Novo Testamento - 4 volumes - Colin - Vida Nova

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7. Atlas
• Atlas Vida Nova
• Atlas da Bíblia - Mundo Cristão

8. Alguns livros recomendados


• Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Myer Pearlman - Vida
• Evidência que Merece um Veredito - Josh McDowell - Candeia
• A vida de Cristo - James Stalker - Imprensa Batista Regular
• A Mensagem do Sermão do Monte - John R.W. Stott - ABU
• Opções Contemporâneas na Escatologia - Millard J. Erikson - Vida Nova
• Verdades Atuais - Iverson e Scheidler - Comunidade Cristã de Curitiba
• A Escatologia do Novo Testamento - Russel Shed - Vida Nova
• O Supremo Propósito - DeVern F. Fromke - Literatura Cristã
• O Maior Privilégio da Vida - DeVern F. Fromke - Editora Betânia
• O Peregrino - John Bunyan - Mundo Cristão
• Discipulado - Dietrich Bonhoeffer - Editora Sinodal
• O Discípulo - Ortiz - Editora Betânia
• A Formação de um Discípulo - Keith Phillips - Vida
• A Dinâmica da Vida Autêntica - Ray C. Stedman - Sepal
• Liderança Espiritual - J.O. Sanders - Mundo Cristão
• O melhor de W. A. Tozer - Mundo Cristão
• Curando os Enfermos - Charles e Frances Hunter - Hunter Books
• O Plano Mestre de Evangelismo - Coleman - Mundo Cristão
• O Clamor do Mundo - Oswald Smith - Vida
• Intercessão Mundial - Johnstone - Vida Nova
• Poder Através da Oração - E.M. Bounds
• Experimentado as Profundezas de Jesus Cristo - Mme. Guyon
• Autoridade Espiritual - W. Nee - Vida
• Oremos - W. Nee - Vida
• A Vida Cristã Normal - W. Nee - Editora Fiel
• A Vida que Vence - W. Nee - Edições Tesouro Aberto
• A liberação do Espírito - W. Nee - CLC
• Vendo Jesus no Novo Testamento - 6 volumes - Stephen Kaung - Literatura Cristã
• Religiões, Seitas e Heresias - J. Cabral - Coleção Reino de Deus
• Verdadeiros e Falsos Profetas - Don Basham (encomendar em nossa secretaria)
• Criação de Filhos - Keith Bentson (encomendar em nossa secretaria)

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OFICINA - ESTUDO DE 1Co 10.1-14

O TEXTO
1 Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e
todos passaram pelo mar;

2 na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés,

3 e todos comeram do mesmo alimento espiritual;

4 e beberam todos da mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os
acompanhava, e a pedra era Cristo.

5 Mas Deus não se agradou da maior parte deles; pelo que foram prostrados no deserto.

6 Ora, estas coisas nos foram feitas, para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas
más, como eles cobiçaram.

7 Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo
assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar.

8 Nem nos prostituamos, como alguns deles fizeram; e caíram num só dia vinte e três mil.

9 E não tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram pelas serpentes.

10 E não murmureis, como alguns deles murmuraram, e pereceram pelo destruidor.

11 Ora, tudo isto lhes acontecia como exemplo, e foi escrito para aviso nosso, para quem já
são chegados os fins dos séculos.

12 Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia.

13 Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará
que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio
de saída, para que a possais suportar.

14 Portanto, meus amados, fugi da idolatria.

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O LIVRO EM PANORAMA

- O contexto global da mensagem do autor nos apresenta um quadro maior e nos ajuda a
estabelecer os contornos do livro. A visão panorâmica do livro nos ajuda a:
* Ver a mensagem do livro como um todo, no conjunto;
* Compreender o propósito do autor ao escrever;
* Identificar o tema principal do livro;
* Tomar consciência da estrutura do livro;
* Compreender a correlação dos versículos e dos capítulos entre si e com o livro como
um todo;
* Ter uma base sólida para a interpretação precisa e para a aplicação correta.

- Leia muitas vezes o Livro sem anotar nada, depois leia várias vezes anotando, sempre
com oração.

- Gênero literário: expositivo (epístola = carta).


- Estrutura Literária: Estrutura Ideológica - a chave são as idéias e conceitos, a argumentação
em torno de uma idéia principal: A Conduta Cristã.
- Quem escreveu o livro? → (1.1) Paulo e Sóstenes
- Quem era Paulo?
* Nascido em Tarso, importante cidade da Cilícia (At. 21.39);
* Israelita da tribo de Benjamim (Rm 11.1);
* Criado em Jerusalém, aos pés de Gamaliel;
* Cidadão Romano(At 16.37, 22.25-28) → nascer livre como cidadão romano significa
nascer de um pai que tinha a cidadania romana;
* Zeloso membro do partido dos fariseus(At.23.6);
* Ex-perseguidor da Igreja. Converteu-se em Damasco. Foi para Tarso. Barnabé o buscou
para Antioquia. Profeta e/ou mestre em Antioquia. Fez várias viagens missionárias.
Morreu em Roma.
- Quem era Sóstenes?
* Chefe principal da sinagoga judaica de Corinto e sucessor (ou talvez colega) de Crispo,
que se converteu ao Cristianismo durante a 2ª viagem missionária de Paulo. Foi
espancado diante do tribunal depois que Galio se negou a considerar uma acusação dos
judeus contra Paulo (At 18.5-17).
- De onde foi escrita?
* De Éfeso (1Co 16.5-8).
- Onde era Éfeso?
* Ver Atlas: onde hoje é a Turquia - centro de cultura helenística (grega).
- Quando foi escrita?
* Ao final do 3º ano de residência de Paulo em Éfeso (At 19; 20.17,31).
- A quem foi escrita?
* À igreja de Deus que estava em Corinto (1Co1.2).

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- Onde era Corinto?


* Ver Atlas: na Grécia. Augusto tornou-a capital da Província da Acaia, então separada da
Macedônia.
- Como era a cidade?
* Uma cidade portuária cosmopolita da Grécia;
* Era rota de comércio e contava com diversas indústrias (especialmente a cerâmica);
* Tinha um antigo templo dedicado a Afrodite, a deusa do amor, cujo culto deu origem a
imoralidade na cidade;
* Possuía muitas prostitutas cultuais;
* Desde o fim do século quarto até 198 A.C. nas mãos dos macedônios, quando então foi
libertada. A cidade foi destruída em 146 A .C. e reedificada por César em 46 A.C.
- Como era o povo da cidade?
* Buscavam a sabedoria e o conhecimento terreno, Gnosticismo (1Co 1.22);
* Cultuavam ídolos, especialmente Afrodite e/ou Vênus;
* Eram imorais.
- Qual era relação de Paulo com os Coríntios?
* 2ª viagem missionária (At 18.1-18):
- De Atenas, veio para Corinto;
- Encontro com Áquila e Priscila que tinham vindo da Itália, pois Cláudio tinha
decretado que todos os judeus saíssem de Roma;
- Morou com eles e faziam tendas juntos;
- Todos os sábados discursava na sinagoga, persuadindo judeus e gregos;
- Os judeus se opuseram, mas Crispo, o principal da sinagoga creu no Senhor;
- Paulo foi aos gentios, entrando na casa de Tício Justo, que era temente a Deus;
- Paulo foi consolado pelo Senhor numa visão à noite, o qual lhe disse para não temer
e proclamar o evangelho aos coríntios;
- Paulo ficou ali um ano e seis meses ensinando a Palavra;
- Paulo foi então para Éfeso levando junto Priscila e Áquila;
* 3ª viagem missionária:
- Paulo voltou a Corinto na 3ª viagem (At 19);
* Paulo anunciou aos corintos o testemunho de Deus (1Co 2.1);
* Paulo reivindicou a paternidade espiritual dos corintios para si (1Co 4.15);
* Paulo disse que os coríntios eram fruto do seu trabalho no Senhor, e que os coríntios
eram o selo do seu apostolado (1Co 9.1-2).
- Qual foi o motivo da epístola?
* Uma carta dos corintios à Paulo, indagando sobre alguns assuntos, tais como:
casamento (I Co 7:1) e alimentos oferecidos aos ídolos (1Co 8.1);
* Paulo estava grandemente preocupado por causa de notícias recebidas de Corinto sobre
divisões que estavam se aprofundando, brigas crescentes e outros problemas
(1Co 1.10-12);
* Por causa da imoralidade que havia entre eles, sem haver julgamento (incesto: I Co 5).
- Como era a igreja de Corinto?
* Era grande (At 18.10);
* Alguns judeus, mas maioria gentios (gregos);

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* A igreja sofria forte influência dos problemas da sociedade corintiana, tais como
imoralidade, culto de ídolos, soberba, etc.
- Qual era a condição da Igreja de Corinto?
1. Aspectos positivos
* Eram enriquecidos em Cristo, na Palavra e no conhecimento (1.5);
* Confirmava o testemunho de Cristo (1.6);
* Notavelmente dotados com dons espirituais (1.7).
2. Aspectos negativos
* Havia divisões e contendas entre eles (1Co 1.10-13; 11.17-19);
* Haviam imoralidades não julgadas entre eles (1Co 5.1-2);
* Eles estavam ensoberbecidos (1Co 5.2; 8.1-2);
* Eles tinham dúvidas sobre questões importantes, como: casamento, comida sacrificada à
ídolos, hierarquia de autoridade (Cap 7-8);
* Eles partiam o pão indevidamente (11.20-34);
* As mulheres estavam em proeminência (14.34-35; 11.3);
* Usavam indevidamente nos dons (Cap 12,13,14).
- Qual o tema geral do livro?
* Os assuntos examinados são diversos, mas todos podem ser relacionados com o tema
geral: A conduta cristã.
- Quais os principais assuntos do livro?
1. Problemas de desordens na Igreja
* Cap 1.1 – 4.21 - Divisões na igreja de Corinto
* Cap. 5.1 – 6.8 - Repreensão à imoralidade x disciplina ordenada
* Cap. 6.9 – 7.40 - A santidade do corpo e o casamento cristão
* Cap. 8 - Coisas oferecidas aos ídolos
2. Exemplos: como um “sanduiche”
* Cap. 9 - Bons exemplos de Paulo
* Cap. 10 - Maus exemplos de Israel
3. Ensinos Diretivos
* Cap. 11 - A ordem cristã e a ceia do Senhor
* Cap. 12,14 - Os dons espirituais e o seu uso em amor
* Cap. 15 - A ressurreição do corpo
* Cap. 16 - Instruções e saudações pessoais

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OBSERVANDO 1Co 10:1-14 (FOCALIZANDO NOS DETALHES DO TEXTO)

Ore, leia com envolvimento, leia orando, leia telescopicamente, anote enquanto estiver lendo,
em folhas de observação (o que eu vejo), interpretação (o que significa) e aplicação (como
funciona)

O QUE EU VEJO:
1. Contexto do capítulo (situá-lo no contexto do livro)
− Como começa o capítulo?
______________________________________________________________________
− O que indica?
______________________________________________________________________
− O que diz o contexto próximo? (9:25-27)
______________________________________________________________________
2. Atmosfera
− Geral da carta : Paulo exortando aos coríntios por causa de sua soberba e carnalidade;
− Do capítulo na carta : Paulo contrastando a carnalidade dos coríntios com a humildade
do seu apostolado, sem reivindicações pessoais e mostrando que mesmo os mais
experientes podem ser desqualificados;
3. Investigando o capítulo
− O que Paulo não queria?
______________________________________________________________________
− Quem eram esses pais?
______________________________________________________________________
− O que eles deveriam saber sobre os pais?
(v1) - Todos estiveram ___________________________________________________
(v1) - Todos passaram ____________________________________________________
(v2) - Todos batizados ___________________________________________________
(v3) - Todos comeram ____________________________________________________
(v4) - Todos beberam ____________________________________________________
− Quem era a pedra espiritual que os seguia? ____________________________________
− O que aconteceu com os pais? ______________________________________________
− O que eles fizeram que desagradou a Deus?
(v6) - Eles cobiçaram _________________________ Quando? __________________
(v7) - Eles se tornaram ________________________ Quando? __________________
(v7) - Eles assentaram-se para __________________ Quando? __________________
(v8) - Eles se________________________________ Quando? __________________
(v9) - Eles _________________________________ Quando? __________________
v(10)- Eles _________________________________ Quando? __________________
− O que aconteceu aos pais como conseqüências de seus atos?
(v5) - Foram prostrados ________________________ Quando? __________________
(v8) - Caíram num só dia _________________Quando ? Nm 25-1.9_______________
(v9) - Pereceram______________________________ Quando? __________________
(v10) - Pereceram _____________________________ Quando? __________________

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− O que estas coisas representam? (v6,11)______________________________________


− Por que estas coisas foram escritas? (v11)_____________________________________
− A quem são estes exemplos? (v11) __________________________________________
− O que Paulo nos adverte?
(v6) - A não___________________________________________________________
(v7) - A não_______________________________________________________________________
(v7) - A não____________________________________________________________
(v8) - A não____________________________________________________________
(v9) - A não____________________________________________________________
(v10)- A não____________________________________________________________
− Quem deve ter cuidado para não cair?________________________________________
− O que significa a conjunção “pois”?__________________________________________
− Deus permite que sejamos tentados? _________________________________________
− Como são as tentações? *__________________________________________________
*__________________________________________________
− O que devemos fazer em vista disso tudo? v 14 -_______________________________

4. Elementos Gramaticais
− Identifique os verbos, seus modos e seus tempos (sublinhe no texto).
Observe que todos os verbos para os quais os sujeitos são “os pais”, estão no passado,
enquanto que todos os verbos para os quais os sujeitos são, ou Paulo, ou os coríntios
(e portanto nós), estão no presente.
O versículo 14 é o único em que o verbo está na voz imperativa, e portanto trata-se de
uma ordem, ou exortação: “Fugi da idolatria”.
− Identifique os sujeitos (circular no texto).
− Identifique as preposições e conjunções (entre chaves no texto).
5. Identifique coisas repetidas:
− Termos repetidos: - “todos”: versos 1, 2, 3 e 4
- “exemplos”: versos 6 e 11
- “não (nem)_______, como alguns deles ______”: versos 7, 8, 9, 10
− Passagens do V.T. citadas:
* Diretamente: - (v 7) : Ex. 32.6
* Indiretamente: - _______________ - _______________ - _______________
- _______________ - _______________ - _______________

6. Identifique coisas relacionadas.

CAUSA Versos EFEITO


. Idolatria 5-7 . formam prostrados no deserto
. praticaram imoralidade 8 . caíram num só dia 23 mil
. colocaram o Senhor à prova 9 . pereceram pela mordedura das serpentes
. murmuraram contra o Senhor 10 . pereceram pelo exterminador

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7. Identifique coisas semelhantes


* Comparação entre duas coisas.
Nós não devemos fazer como nossos pais (v 6, 8, 9, 10, 11)
* Metáforas.
. Pedra de onde saia água = Cristo (o texto interpreta)

8. Identifique coisas contrastantes.


. Cristo os seguia mas . Os pais se tornaram rebeldes
. Não vem tentação sobre humana e mas . Os pais caíram e nós também podemos
nem sem livramento cair
9. Identifique coisas que são verdades para a vida.
* Aprendendo com os personagens: As coisas que sobrevieram aos pais foram escritas e
se tornaram exemplos para nós (v 11) (o texto faz a aplicação). Portanto, aquele que
pensa estar em pé, veja para que não caia (v 12).
10.Assuntos do Texto
O texto apresenta apenas um assunto, que pode ser enunciado como: “A necessidade de
vigiar para não cair”

INTERPRETANDO 1Co 10:1-14

1. Revisão
Na interpretação se busca o significado do texto. Procura-se na interpretação:
• Explicar a passagem,
• Compreender o sentido que as palavras tinham para o escritor quando as escreveu,
• Descobrir a mensagem que ele está querendo comunicar.

2. Contexto Próximo
Paulo inicia o capítulo 10, com uma conjunção (pois ou ora), para contrastar seu exemplo
de comportamento e fervor (9, 23 e 27) como apóstolo de Cristo, com a experiência dos
“nossos pais” (v 1). Seu objetivo era alertar aos coríntios para que não caíssem nos
mesmos erros do povo de Israel quando da peregrinação pelo deserto.
‘Pois não quero que ignoreis que nossos pais .....’ (v 1)

3. Divisão em Assuntos
No item anterior (Observando 1Co 10.1-14), detectamos que a passagem em estudo
apresenta apenas um assunto: “A necessidade de vigiar para não cair”.

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4. Divisão do Assunto em Parágrafos


O texto pode ser dividido facilmente em três parágrafos:

* Versos 1-5 Õ Pensamento Chave: Os israelitas participaram de todas as


bênçãos e privilégios espirituais, mas
foram reprovados.
* Versos 6-11 Õ Pensamento Chave: Estas coisas nos foram dadas como
exemplo.
* Versos 11-14 Õ Pensamento Chave: Não podemos ter desculpa, pois a
tentação não é maior do que podemos
resistir.

5. Análise do Primeiro Parágrafo


Pensamento Chave: Os israelitas participaram de todas as bênçãos e privilégios espirituais,
mas foram reprovados.

* Contexto Correlato
O contexto correlato principal deste parágrafo é o Salmo 78, especialmente os
versículos 11-17 , 24-25 e 33. Observe que Paulo se baseou nessa passagem. Porém há
outros textos que podemos citar:
v 1 - todos debaixo da nuvem Sl 78.14 Ex 13.21-22; Nm 9.17-18
v 1 - todos passaram pelo mar Sl 78.13 Ex 14.21-22; Nm 33.8
v 2, todos foram batizados - Rm 6.3; Gl 3. 27
v 3 - todos comeram Sl 78.24-25 Ex 16.14-15
v 4 - todos beberam Sl 78.15-16 Ex 17.6-7

* O que representava a nuvem, o mar, o alimento espiritual e a bebida espiritual?


______________________________________________________________________
* O que significa ser batizado em Moisés?
______________________________________________________________________
* Qual o paralelo para nós desse batismo?
______________________________________________________________________
* Há algum paralelo para nós do comer e do beber?
______________________________________________________________________
* Há algum paralelo para nós da nuvem e do mar?
______________________________________________________________________
* Além da pedra, citada no texto, onde mais podemos ver Cristo na experiência do
deserto?
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________

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* Deus pode também não se agradar de nós? Porque?


_________________________________________________________________________
* As Escrituras falam de alguém de quem Deus se agradou?
_________________________________________________________________________

6. Análise do Segundo Parágrafo


Pensamento Chave: Estas coisas nos foram dadas como exemplo.
A história do A . T. não vale somente como registro de fatos passados, mas também como
instrução no conhecimento de Deus. Paulo adverte os coríntios que se acautelem à vista do
que aconteceu aos filhos de Israel, e assim não cometam os mesmos pecados

* Contexto Correlato
O contexto correlato principal deste parágrafo continua sendo o Salmo 78,
especialmente os versículos 8,17-19,30,32,41-43,56-64.. Porém há outros textos que
podemos citar:
v 6 - ... não cobicemos coisas más Sl 78.29-30 Nm 11.4-6
v 7 - ...idólatras, como alguns deles Sl 78.58 Ex 32,6
v 8 - Nem nos prostituamos como alguns deles Sl 78. Nm 25, 1 e 2
v . 9 - Não tentemos ao Senhor, como alguns deles Sl 78.41,56 Ex 17, 2 a 7
v 10 - Não murmureis como alguns deles Sl 78.19 Ex 16, 2 e 3

* Como a cobiça se manifestou com os pais e com os coríntios?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
Tinham comida para o seu sustento, mas não estavam satisfeitos. Por isso pediram para
alimentar suas cobiças.
Cobiça →raiz de todos os males.
* Como a idolatria se manifestou com os pais e com os coríntios?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
* Como a prostituição se manifestou com os pais e com os coríntios?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
* Como a murmuração se manifestou com os pais e com os coríntios?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
* Para quem já são chegados os fins dos séculos?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

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7. Análise do Terceiro Parágrafo


Pensamento Chave: Não podemos ter desculpa, pois a tentação não é maior do que
podemos resistir.
* O que o autor quis dizer com “aquele, pois, que pensa estar em pé?”
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
* O que você entende por cair?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
* V 13 → tentação (peirasmos, gr): colocando a prova para experimentar
Tg 1.13 e 15 → Deus a ninguém tenta. Somos tentados pela nossa própria cobiça;
Jr 29.11 → Deus tem bons pensamentos a nosso respeito;
Tg 5.11 → ... felizes os que perseveram;
Mt 6.13 → ... não nos deixe cair em tentação.

* Por que podemos suportar as tentações?


_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

* O versículo 14 fecha o assunto, iniciando com a palavra “pois”, que quer dizer
“portanto”, e conclama os coríntios com o imperativo: “Fugi da Idolatria”. Por que?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________

* A mensagem que Paulo quis transmitir aos coríntios


Paulo acabava de dizer nos versículos finais do capítulo 9, que se esforçava ao máximo
para não ser rejeitado. Isto era um alerta aos coríntios. Deviam então levar a sério a fé
que tinham professado.
A maioria que escaparam do Egito pereceram antes de atingir a Terra Prometida, apesar
dos sinais que todos receberam da parte de Deus. As tentações que os fizeram cair a
beira do caminho assemelha-se muito as que os coríntios estavam enfrentando (idolatria,
deleites lascivos, murmuração).
Eles precisavam reconhecer isto, deixar toda a soberba de lado e voltar-se para a
verdadeira sabedoria (1.24), porque Deus na sua fidelidade os livraria de toda tentação
(de cair).

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APLICANDO 1Co 10:1-14

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BIBLIOGRAFIA USADA NA REALIZAÇÃO DESTA APOSTILA

1. Como Estudar sua Bíblia pelo Método Indutivo - Kay Arthur


2. Discipulado - Dietrich Bonheffer - Editora Sinodal
3. Evidência que Merece um Veredito - Josh McDowell - Candeia
4. How to Study The Bible - John MacArthur - Moody Press
5. How to Study The Bible - R. A. Torrey - Whitaker House
6. La Liberacion del Espíritu - Watchaman Nee - Editorial Logos
7. Living By the Book - Howard G. Hendricks e William D. Hendricks - Moody Press
8. Merece Confiança o Novo Testamento? - F.F. Bruce
9. Métodos de Estudo Bíblico - Walter A. Henrichsen - Mundo Cristão
10. Princípios de Interpretação da Bíblia - Walter A. Henrichsen - Mundo Cristão
11. Seminário Dá-me Entendimento - Christian Chen - À Maturidade
12. Seminário Traze os Livros - Christian Chen - À Maturidade
13. Ye Search the Scriptures - Watchman Nee - Christian Fellowship Publishers

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PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO

1. Princípio da Declaração Direta


2. Princípio do Contexto Imediato
3. Princípio do Contexto Correlato
4. Princípio da Primeira Menção
5. Princípio da Menção Progressiva
6. Princípio da Menção Completa
7. Princípio da Menção Repetitiva
8. Princípio da Menção Explícita
9. Princípio da Centralidade de Cristo
10. Princípio do Conferir

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ESBOÇO DO LIVRO

Livro Õ Descrição do Tema

Capítulo 1 Õ Descrição dos Assuntos


(1-12) Õ Assunto 1
(1-3) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(4-7) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave
(8-12) - Parágrafo 3 Õ pensamento chave
(13 -16) Õ Assunto 2
(13) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(14-16) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave

Capítulo 2 Õ Descrição dos Assuntos


(1-4) - Assunto 1
(1-2) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(3-4) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave
(5-7) Õ Assunto 2
(5-6) - Parágrafo 1 Õ pensamento chave
(7) - Parágrafo 2 Õ pensamento chave

Capítulo 3 Õ Descrição dos Assuntos


...

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PORQUE ESTUDAR AS ESCRITURAS

A NECESSIDADE DE RECURSOS HUMANOS

BARREIRAS PARA O ENTENDIMENTO DAS ESCRITURAS

1. Barreiras de Linguagem
2. Barreiras Culturais
3. Barreiras Históricas
4. Barreiras Geográficas

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