Capítulo I - Noções Gerais 4. Carateres Do Direito Processual Civil 4.1. D
Capítulo I - Noções Gerais 4. Carateres Do Direito Processual Civil 4.1. D
Capítulo I - Noções Gerais 4. Carateres Do Direito Processual Civil 4.1. D
Presença de normas processuais derrogáveis:O facto de o DPC ser direito público não significa que
as normas processuais sejam inderrogáveis. Pelo contrário, o interesse público será melhor
realizado se forem as partes a decidir qual o sistema a aplicar e, portanto, existe um predomínio das
partes.
Existem setores na disciplina jurídica dos pressupostos processuais que podem sofrer a
interferência de acordos das partes destinados a alterar o respetivo regime legal.
Ex: permite-se que as partes criem, mediante «negócio», situações de legitimidade plural, onde seria
observada a regra da legitimidade singular na ausência de tal acordo.
Ex: dá-se espaço às partes para, dentro de certos limites e atendendo aos seus interesses, alterarem as
regras que fixam a competência interna, mediante pactos de competência ou de aforamento (art.95º),
ou a competência internacional celebrando pactos de jurisdição (art.94º).
Assim, apesar de se estar no campo do Direito público, podem existir estas modificações em questões
fundamentais.
Veja-se o art.280º, que mostra que, no próprio campo do Direito público, pode haver interferência da
autonomia privada, através de acordos que interferem com o funcionamento do processo.
A confissão, a desistência e a transação são atos de vontade unilaterais nos quais as partes
influenciam a decisão do tribunal, limitando-se o juiz a condenar ou a absolver nos precisos termos em
que essa vontade se manifestou (art.290º/3).
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Raquel Cardoso 2015/2016
P. ex. o processo necessita de prazos, os prazos são instrumentos indispensáveis para assegurar uma
ordem no andamento do processo e tornar previsível os momentos em que o atos processuais irão ser
praticados. Mas o processo tem ónus i.e. para que o processo possa ser impulsionado, criam-se
situações desfavoráveis para a parte que não preencha determinados comportamentos de que o
processo necessita para poder andar. O processo necessita do impulso das partes, e para que estas se
sintam estimuladas a impulsionar o processo, criam-se determinados momentos em que se produzem
situações desfavoráveis para a parte que não toma a iniciativa de provocar o andamento do processo. P.
ex. no caso de o réu contestar i.e. tomar a iniciativa de responder às alegações do autor, a lei
(art.567º/1) sanciona o réu, como considerando confessados os factos assinalados pelo autor. Estas
consequências são gravosas e podem deformar o resultado do processo. Daí a importância prática de
conhecer os mecanismos de que o legislador se serve.
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Raquel Cardoso 2015/2016
Caráter trilateral dessa relação jurídica: relação de ação, relação de contradição (ou de defesa) e
relação material controvertida.
A relação jurídica processual (a que a nossa lei chama instância) caracteriza-se por ser trilateral:
1) Temos o autor, que se dirige ao tribunal;
2) Temos o tribunal;
3) Temos o réu, que é contactado pelo tribunal para que se defenda.
Este aspeto permite-nos compreender os vários planos das questões sobre as quais o tribunal é
chamado a pronunciar-se. O tribunal tem dois tipos de questões para apreciar:
a) Aquelas que dizem respeito à relação processual propriamente dita ou instância;
b) Aquelas que dizem respeito à relação ao nível da qual se verifica a necessidade de intervenção do
Estado.
Pode haver falhas ao nível de qualquer uma destas relações. O tribunal tem o dever de procurar
remediar essas falhas ou dar oportunidade às partes para que pratiquem os atos necessários para
remediar estas falhas que se verificam ao nível da instância.
O processo existe para resolver o litígio real ao nível da relação material controvertida, e isso não se
pode fazer se há falhas ao nível da relação processual. Por conseguinte, é de interesse público que o
tribunal tenha a iniciativa de tomar medidas no processo no sentido de suprir as falhas.
→ Absolvição da instância: Se as falhas não forem ou não puderem ser ultrapassadas, o tribunal vai
ter que tomar uma decisão, no sentido de libertar as partes da relação processual, deixando de
apreciar a relação material controvertida. Trata-se de uma decisão formal, porque deixa a real
questão entre as partes por resolver.
Esta decisão de absolvição da instância pode ser recorrível mas, se não for, consolida-se. Não sendo
possível mais recursos, produz-se um caso julgado formal, porque o tribunal apenas se pronunciou
sobre questões formais que não impedem que a questão de mérito seja apreciada.
Pluralidade das partes, que tanto pode ser originária, como resultar da intervenção de terceiros
na pendência do processo (art.320ºss).
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Raquel Cardoso 2015/2016