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Bioetica SONIA 1

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ESCOLA PRIMARIA DO DONDO

DISCILPLINA: Filosofia , 11ª Classe

Turma BO2

Tema do Trabalho: Bioética

Discente:
Diocleusia José Manuel Gomes

Professor:
João Chitato Morcene

Dondo Aos Maio de 2023


2

ÍNDICE

1. Introdução..................................................................................................................2
2. Bioetica......................................................................................................................3
2.1. Conceito de Bioetica...............................................................................................4
2.2. Objectivo da bioetica..............................................................................................4
2.3. Funcao da bioetica..................................................................................................5
2.4. Antecedentes da bioetica........................................................................................5
2.5. Tematica da bioetica...............................................................................................6
3. ABORTO...................................................................................................................6
3.1. Conceito de aborto..................................................................................................7
3.2. Tipos de aborto.......................................................................................................7
3.3. Consequencias do aborto........................................................................................8
3.3.1. Imediatas.............................................................................................................9
3.3.2. Tardias................................................................................................................9
4. EUTANASIA.............................................................................................................9
4.1. Conceito de eutanasia.........................................................................................9
4.2. Tipos de eutanasia................................................................................................10
4.2.1. A ortotanásia ou eutanásia passiva...................................................................10
4.2.2. Eutanásia Voluntária.........................................................................................10
4.2.3. Eutanásia Não-Voluntária.................................................................................10
4.2.4. Eutanásia Involuntária......................................................................................10
5. Drogas e consumo de alcool....................................................................................11
5.1. Causas do uso de drogas e consumo de alccol....................................................11
5.2. Consequencias......................................................................................................11
5.3. Vendas de orgaos humanos.................................................................................12
5.3.1. Tráfico de órgãos e partes do corpo humano em Moçambique........................13
5.3.2. Causas e consequências do Tráfico de pessoas................................................13
6. Conclusão.................................................................................................................15
7. Referencias. Bibliográficas......................................................................................16
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1. Introdução

A Bioética tem como objetivo facilitar o enfrentamento de questões éticas/bioéticas que


surgirão na vida profissional. Sem esses conceitos básicos, dificilmente alguém
consegue enfrentar um dilema, um conflito, e se posicionar diante dele de maneira ética.
Assim, a Bioética surge no século 20 como uma proposta de integração do ser humano à
natureza. A crescente complexidade das intervenções científicas, especialmente na área
da saúde, provocou uma reflexão sobre essas questões. A Bioética, que antes era uma
resposta a problemas, amplia a sua abrangência ao reflectir pró-activamente sobre novas
situações, utilizando um amplo referencial teórico para dar suporte às suas discussões.

Neste contexto ela tenta perceber varias questões como o tráfico de pessoas, órgãos e
partes do corpo humano, independentemente das formas que possa revestir, constitui,
sem dúvida, uma das mais graves violações dos direitos humanos, podendo ser
considerado como uma verdadeira “epidemia mundial” lesiva da dignidade humana e da
liberdade individual.

Em pleno século 21, pessoas ainda são traficadas no mundo, comercializadas como
objetos de consumo e lucro. E no contexto Moçambicano o tráfico de pessoas, órgãos e
partes do corpo humano ainda é uma cruel realidade, sendo um país vulnerável à
mercantilização de pessoas, seja como fonte, trânsito ou país de destino (Goredema,
2013).
4

2. Bioetica

A bioética se enquadra facilmente em várias áreas da tradição filosófica. Podemos por


exemplo estabelecer uma relação entre bioética e a filosofia da natureza do mundo
antigo, moderno e contemporâneo ou com a história da deontologia médica de
Hipócrates até hoje ou finalmente ligar a bioética com a filosofia dos direitos do homem
e teorias do meio ambiente.

Com foco em discutir questões, a área tenta encontrar a melhor forma de resolver casos
e dilemas que surgiram com o avanço da biotecnologia, da genética e dos próprios
valores e direitos humanos, prezando sempre a conduta humana e levando em
consideração toda a diversidade moral que há e todas as áreas do conhecimento que, de
alguma forma, têm implicações em nosso dia a dia.

2.1. Conceito de Bioetica

O início da Bioética se deu no começo da década de 1970, com a publicação de duas


obras muito importantes de um pesquisador e professor norte-americano da área de
oncologia, Van Rensselaer Potter. Van Potter estava preocupado com a dimensão que os
avanços da ciência, principalmente no âmbito da biotecnologia, estavam adquirindo.

Assim, propôs um novo ramo do conhecimento que ajudasse as pessoas a pensar nas
possíveis implicações (positivas ou negativas) dos avanços da ciência sobre a vida
(humana ou, de maneira mais ampla, de todos os seres vivos). Ele sugeriu que se
estabelecesse uma “ponte” entre duas culturas, a científica e a humanística, guiado pela
seguinte frase: “Nem tudo que é cientificamente possível é eticamente aceitável”.

Um dos conceitos que definem Bioética (“ética da vida”) é que esta é a ciência “que tem
como objetivo indicar os limites e as finalidades da intervenção do homem sobre a vida,
identificar os valores de referência racionalmente proponíveis, denunciar os riscos das
possíveis aplicações” (LEONE; PRIVITERA; CUNHA, 2001).

2.2. Objectivo da bioetica

A Bioética tem como objectivo facilitar o enfrentamento de questões éticas/bioéticas


que surgirão na vida profissional. Sem esses conceitos básicos, dificilmente alguém
consegue enfrentar um dilema, um conflito, e se posicionar diante dele de maneira ética.
5

Assim, esses conceitos (e teorias) devem ficar bem claros para todos nós. Não se
pretende impor regras de comportamento (para isso, temos as leis), e sim dar subsídios
para que as pessoas possam reflectir e saber como se comportar em relação às diversas
situações da vida profissional em que surgem os conflitos éticos. Para isso, a Bioética,
como área de pesquisa, necessita ser estudada por meio de uma metodologia
interdisciplinar. Isso significa que profissionais de diversas áreas (profissionais da
educação, do direito, da sociologia, da economia, da teologia, da psicologia, da
medicina etc.) devem participar das discussões sobre os temas que envolvem o impacto
da tecnologia sobre a vida.

2.3. Funcao da bioetica

A bioética tem a função de assegurar o bem-estar das pessoas, garantindo e evitando


possíveis danos que possam ocorrer aos seus interesses. O dever da bioética é
proporcionar ao profissional e aos que são atendidos por ele, o direito ao respeito e a
vontade, respeitado suas crenças e os valores de cada indivíduo. A Bioética e o Direito
devem estar lado a lado, cada um cumprindo o seu papel, a Bioética no campo da
obrigação moral e o direito elaborando leis legítimas que regulem as atitudes humanas
visando à proteção da VIDA. Assim, o Biodireito torna-se um dos pilares da Bioética.

2.4. Antecedentes da bioetica

O nascimento da Bioética tem suas raízes ideológicas nas ruínas da 2ª Guerra Mundial
quando se estimulou a consciência dos homens a uma profunda reflexão, com o intuito
de se estabelecer uma fronteira entre a ética e o comportamento. A partir desse marco,
estimulou-se a exigência de uma ética no campo biomédico, fundamentada na razão e
nos valores objetivos da vida e da pessoa.

Potter depois traria a visão original do compromisso global frente ao equilíbrio e


preservação da relação dos seres humanos com o ecossistema, e a própria vida do
planeta com uma nova definição: “Eu proponho o termo Bioética como forma de
enfatizar os dois componentes mais importantes para se atingir uma nova sabedoria, que
é tão desesperadamente necessária. A corrente principialista iniciou-se com o Relatório
Belmont (1979), com princípios básicos na solução dos problemas éticos surgidos na
pesquisa com seres humanos.
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No mesmo ano, Beauchamp & Childress apresentaram a bioética sob o mesmo prisma.
Baseada nos quatro princípios prima facie (não absolutos):

 princípio do respeito da autonomia ;


 princípio da não –maleficência;
 princípio da beneficência ;
 princípio da justiça;

A rigor, a bioética não é nem uma disciplina, nem uma ciência, nem uma nova ética,
pois sua prática e seu discurso se situam na interseção entre várias tecnociências (em
particular, a medicina e a biologia, com suas múltiplas especializações); ciências
humanas (sociologia, psicologia, politologia, psicanálise.) e disciplinas que não são
propriamente ciências: a ética, para começar; o direito e, de maneira geral, a filosofia e a
teologia.

De frisar que a palavra ‘bioética’ designa um conjunto de pesquisas, de discursos e


práticas, via de regra pluridisciplinares, que têm por objecto esclarecer e resolver
questões éticas suscitadas pelos avanços e a aplicação das tecnociências biomédicas

2.5. Tematica da bioetica.

Os temas de discussão na bioética são, basicamente, oito principais temas: aborto,


clonagem, células tronco, eutanásia, ética médica, transplante de órgãos, consentimento
informado e experimentos em seres humanos. A Bioética na Cancerologia discute,
dentre alguns temas polémicos: eutanásia, distanásia, autonomia, como dar más notícias,
alocação de recursos, ordens de não ressuscitação, suspensão ou não instalação de
alimentação e /ou hidratação artificial, sedação paliativa (sedação controlada) e finitude
da vida.

Um conflitos frequentes em Cuidados Paliativos é o de decidir, junto com o paciente e


família ou seu responsável, que condutas ou estratégias de cuidados devam ser tomadas
frente ao óbito iminente ou quando medidas clínicas não controlam os sintomas. Sendo
assim a bioética aborda também acerca da distanásia (morte lenta e com muito
sofrimento).
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3. ABORTO

O aborto é a interrupção da gestação antes do início do período perinatal, definido pela


OMS (CIE 10) a partir de 22 semanas completas (154 dias) de gestação, quando o peso
ao nascer é normalmente de 500 g. Costuma-se classificar o aborto como precoce
quando ocorre antes de 13 semanas da gravidez, e como tardio quando se dá entre as 13
e 22 semanas

O aborto é uma prática bastante comum, e realizada no mundo em todo, entre as


mulheres que possuem uma gravidez indesejada e que não pretendem dá continuidade à
gestação. Tal prática nem sempre foi objecto de reprovação, sendo o aborto uma prática
estimulada nas civilizações da antiguidade, funcionando como um método de controle
de natalidade.

3.1. Conceito de aborto

A palavra aborto vem do latim ab-ortus que significa privação do nascimento,


interrupção voluntária da gravidez com a expulsão do feto do interior do corpo materno,
resultando na morte do produto da concepção (Pierangeli, 2005, p.109).

Do ponto de vista médico, o aborto induzido é o nascimento forçado antes de 20


semanas. Refere-se à expulsão de um embrião ou feto de forma intencional pelo uso de
medicamentos ou de meios mecânicos (Moore, 2008, p. 23) . Filósofo australiano, Peter
Singer é um dos principais estudiosos de bioética da atualidade. Em seu livro Ética
prática, Singer defende o aborto como uma prática que, se feita até a 12ª semana de
gestação, não provoca sofrimento ao feto e evita o sofrimento futuro da mãe de uma
gestação indesejada e da criança que crescerá sem condições materiais de existência.

3.2. Tipos de aborto

O aborto pode ser;

O aborto natural, assim como o acidental, não é crime e ocorre quando há uma
interrupção espontânea da gravidez, podendo ter sido ocasionado por diversas causas. Já
o aborto criminoso é aquele realizado intencionalmente e a pedido da gestante, é
considerado crime, sendo vedado pelo ordenamento jurídico Moçambicano .

O legal ou permitido se subdivide em: aborto terapêutico e eugénico.


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 O aborto terapêutico ou necessário ocorre quando há risco de vida para a


mãe ou nos casos em que a indicação é de carácter psiquiátrico (graves
psicoses e debilidade mental).
 O aborto eugénico é aquele feito para interromper a gravidez em caso de
vida extra-uterina inviável, como por exemplo, os casos de fetos com
anencefalia. (Verardo apud BENITEZ, 2015, p. 11).
 Há também o aborto sentimental, que é aquele realizado por mulheres
grávidas vítimas de violência sexual.

Este se enquadra na classificação de aborto legal, pois é hipótese permitida pelo nosso
ordenamento jurídico pátrio, e ainda, esta dentro da categoria de aborto terapêutico, uma
vez que, como decorrência de forte abalo psíquico produzido pelo estupro, a gestante
tem sua saúde mental abalada. Enquadrando-se também na categoria de aborto
eugênico porque não se conhece a saúde do estuprador, o que o possibilita de ser
portador de factores hereditários patógenos ou doenças adquiridas, que podem ser
transmitidas à criança (Verardo apud BENITEZ, 2015, p. 12).

O aborto e um ato proposital na morte do nascituro (vida inter ventrum). Tendo, porém
vários tipos de aborto como: aborto espontâneo, aborto introduzido e o aborto legal. O
aborto espontâneo: surge quando a gravidez é interrompida involuntariamente por
vontade da mulher, que pode ser por vários factores biológicos (gestão precoce). Sendo
que o aborto espontâneo acontece quando uma gravidez termina antes que o feto tenha
atingido uma idade gestacional viável. O aborto espontâneo e mais comum na
complicação de uma gravidez.

Por fim, conforme aponta Morais (2008, p.1) tem-se o aborto miserável ou económico,
que é aquele praticado por motivos de dificuldades financeiras, prole numerosa. E
também, o aborto honoris causa, que é feito para salvaguardar a honra no caso de uma
gravidez adulterina ou por outros motivos morais.

3.3. Consequencias do aborto

O aborto provocado vem se destacando amplamente nos dias atuais. Trazendo grandes
consequências para a saúde pública envolvendo valores sociais, religiosos, económicos
e jurídicos. As consequências podem ser imediatas e tardias;
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3.3.1. Imediatas
 As consequências imediatas do aborto englobam as que acontecem logo após a
interrupção da gravidez..
 A hemorragia uterina;
 Complicação infecciosa;
 Perfuração uterina;
 Ruptura uterina;
 A morte materna pode resultar de complicações hemorrágicas ou infecciosas,
referidas anteriormente.
3.3.2. Tardias

As principais consequências apontadas do aborto em gestações subsequentes são o


abortamento espontâneo, anomalias da placentação, parto pré-termo e distúrbios do
humor. No entanto, estes dados resultam maioritariamente de estudos observacionais e,
por isso, estão sujeitos a eventuais factores de confusão. Elas são as seguintes;

 Abortamento Espontâneo;
 Anomalias da placentação em gestações subsequentes;
 Parto pré-termo (PPT) em gestações subsequentes;
 Morbilidade psiquiátrica;
4. EUTANASIA
4.1. Conceito de eutanasia

O termo Eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como "boa morte" ou
"morte apropriada". O termo foi proposto por Francis Bacon, em 1623, em sua obra
"Historia vitae et mortis", como sendo o "tratamento adequado as doenças
incuráveis".

De maneira geral, entende-se por eutanásia quando uma pessoa causa


deliberadamente a morte de outra que está mais fraca, debilitada ou em sofrimento.
Neste último caso, a eutanásia seria utilizada para evitar a distanásia. Actualmente, a
concepção de eutanásia liga-se á ideia de provocar conscientemente a morte de
alguém, fundamentado em relevante valor moral ou social, por motivo de piedade
ou compaixão, introduzindo outra causa, que, por si só, seja suficiente para
desencadear o óbito.
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4.2. Tipos de eutanasia

A eutanásia possui dois elementos configurativos, que são a intenção e o efeito da


acção, configurando a “eutanásia ativa”, ou uma omissão, a não realização de uma ação
terapêutica, denominando a “eutanásia passiva”. Alguns autores, como Maria de Fátima
Freire de Sá (2005, p.39) entendem que a eutanásia passiva e ortotanásia são sinônimas.

4.2.1. A ortotanásia ou eutanásia passiva

A ortotanásia ou eutanásia passiva significa morte correta - orto: certo, thanatos: morte.
Significa o não prolongamento artificial do processo de morte, sendo, portanto, o
processo natural do morrer. Ocorre quando se deixa morrer, deliberadamente, o
paciente, por omissão de cuidados ou tratamentos que são necessários ou razoáveis.
Portanto deve ser praticada pelo médico, que permite que o processo da morte
desenvolva-se naturalmente.

4.2.2. Eutanásia Voluntária

É quando a morte é provocada atendendo a uma vontade do paciente, ou seja, quando


uma pessoa ajuda outra a acabar com a sua vida. Asseveram que a legalização da
eutanásia, permitindo aos pacientes a possibilidade de deliberarem se a sua situação é ou
não suportável estaria muito mais em concordância com o respeito pela liberdade
individual e pela autonomia.

4.2.3. Eutanásia Não-Voluntária

A eutanásia não-voluntaria é aquela em que a vida do paciente é terminada sem que o


mesmo tenha consentimento, ou tenha expressado qualquer desejo nesse sentido, seria
causar a morte de um ser humano incapaz de tomar decisões entre a vida e a morte.

Seriam os bebês deficientes ou que sofram de doenças ditas e incuráveis e as pessoas


que já perderam a capacidade de compreender o problema em questão, por motivo do
acidente, doença ou velhice ou em casos que a pessoa se encontra em coma.

4.2.4. Eutanásia Involuntária

É aquela ocorrida sem o consentimento do indivíduo por que: ele optou pela vida e
mesmo assim mataram ou pelo motivo de não lhe terem feito esse questionamento
embora fosse capaz de respondê-lo, torna – se evidente a sua procedência. Mesmo
11

apenas sendo considerada eutanásia os casos em que o motivo da morte é o desejo de


impedir o sofrimento.

5. Drogas e consumo de alcool

Álcool e outras drogas são substâncias que causam mudanças na percepção e na forma
de agir de uma pessoa. Essas variações dependem do tipo de substância consumida, da
quantidade utilizada, das características pessoais de quem as ingere e até mesmo das
expectativas que se têm sobre os seus efeitos. O uso de drogas vem desde a Antiguidade
e até hoje é bastante comum entre nós. O problema é quando esse hábito vira vício e a
pessoa passa a se orientar somente pelo uso da substância, colocando-se em situações de
risco. Sabemos que quando bebemos exageradamente nossos sentidos e reflexos ficam
comprometidos. Porém, muitas vezes insistimos em dirigir alcoolizados(as), o que pode
ocasionar acidentes.

5.1. Causas do uso de drogas e consumo de alccol

De acordo com pesquisas, a droga mais consumida por adolescentes e jovens é o álcool.
Os problemas de saúde que mais acometem os homens jovens decorrem do uso de
álcool e outras drogas. Muitas vezes o contexto de vida de quem usa álcool e outras
drogas está associado a situações de violência e ao definir estratégias de ação nesse
campo é essencial considerar que a violência ocorre em cada localidade de forma
específica e pode estar relacionada com questões de género.

Enfim, é importante considerar as concepções e atitudes que orientam o uso (quem,


quando, em que condições ) e os sentimentos dos(as) educadores(as) que buscam o
enfrentamento das situações, em que também se sentem inseguros(as), seja pela
sensação de se sentirem obrigados(as) a eliminar “o problema da droga “ ou incapazes
de inserir a temática no contexto de trabalho de forma transversal.

5.2. Consequencias

Segundo a Organização Mundial de Saúde, essa organização afirma que toda droga
(inclusive o álcool e o cigarro) provoca dependência, seja psicológica e/ou física. A
dependência física diz respeito a certas drogas às quais o organismo se adapta de tal
forma que faz com que, quando uma pessoa para subitamente de usá-la, fique com um
mal-estar físico muito grande. Já a dependência psicológica ocorre quando a droga
12

começa a ocupar um lugar muito importante na vida de alguém, que a usa


constantemente e pensa o tempo todo em quando vai poder utilizá-la.

Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais.


Por exemplo, uma pessoa acostumada a consumir bebidas alcoólicas sentirá os efeitos
do álcool com menor intensidade, quando comparada com outra que não está
acostumada a beber. Dentro da estratégia de redução de danos para uso de bebidas
alcoólicas, recomenda-se:

 lembrar que álcool também é droga;


 procurar bebidas com menor teor alcoólico;
 beber moderada e vagarosamente;
 consumir água ou líquidos não-alcoólicos junto com o consumo das bebidas
alcoólicas;
 evitar qualquer tipo de bebida alcoólica ou beber moderadamente quando houver
ingestão de medicamentos.
5.3. Vendas de orgaos humanos

O problema do Tráfico de pessoas e de órgãos humanos em Moçambique é complexo,


pois reveste-se de múltiplas facetas, que incluem a comercialização de seres humanos
para fins de exploração sexual, trabalhos forçados e determinadas práticas tradicionais
que visam o enriquecimento rápido e ilícito. Esta realidade agudiza-se pelos constantes
fluxos migratórios, aliados ao recrutamento e exploração de pessoas mais vulneráveis,
sobretudo crianças, mulheres e portadores de albinismo

Esta comunicação pretende contribuir para um melhor entendimento e compreensão do


fenómeno do tráfico de pessoas, órgãos e partes do corpo humano em Moçambique,
apresentando especificamente os principais factores que contribuem para sua
ocorrência. Para responder ao objectivo proposto foi realizada uma pesquisa documental
e bibliográfica, tendo como base três projetos investigativos que versam sobre a
temática O tráfico humano é “uma forma de poder em que se utiliza a vulnerabilidade
das pessoas para as explorar e controlar, em troca de pagamentos e outros benefícios,
como oferta de emprego, obtendo deste modo o consentimento das vítimas.

Estas são colocadas numa situação em que perdem por completo os seus direitos,
ficando sob a dependência dos traficantes (Monteiro, Osório, 2009). Sendo por natureza
13

um negócio complexo, secreto, perigoso, de difícil acesso e enfrentamento, são poucas


as vítimas deste crime que têm coragem de testemunhar contra os traficantes por receio
de retaliação, de recriminação e por falta de confiança na acção da justiça” (Mariano,
Moreira, 2021, p. 12).

5.3.1. Tráfico de órgãos e partes do corpo humano em Moçambique

O tráfico de pessoas é um fenómeno universalmente difundido. No entanto, em algumas


áreas do contexto africano, tem sido reportado que a extracção de órgãos humanos não
tem finalidades cirúrgicas, mas se destina a prática de “rituais de feitiçaria ou magia. Há
relatos de roubo de genitais na África Central e Ocidental e de modo particular em
Moçambique. Acredita-se que os órgãos genitais masculinos roubados são vendidos aos
médicos tradicionais para uso em cerimónias (Lombard, 2013)

Segundo a UNESCO (2006), a África do Sul é um mercado importante onde se acredita


que os órgãos sexuais, coração, olhos e cérebro são usados na medicina tradicional para
curar doenças decorrentes do VIH/SIDA, impotência sexual e infertilidade, e ainda,
aumentar o poder e riqueza do indivíduo.

5.3.2. Causas e consequências do Tráfico de pessoas

Esta comunicação de cunho exploratório não se apresenta como um debate acabado,


devido à complexidade que a temática em si comporta, no entanto, aponta elementos
que confirmam a existência do fenómeno, a dois níveis: o interno e o externo. Ao nível
interno as pessoas são traficadas do campo para as cidades, com especial destaque para
a capital do país, Maputo. Por outro lado, há vários registos de ocorrência de tráfico de
pessoas e de órgãos e partes do corpo humano para fora de Moçambique,
particularmente para a África do Sul e o Zimbabwe. Estamos perante a um fenómeno
impulsionado pelas desigualdades sociais.

Grande parte da população em Moçambique vive em condições de extrema


precariedade, facto que promove estratégias dramáticas de sobrevivência, e a exposição
a uma variedade de risco. Neste contexto de falta de oportunidades e pouca esperança
de realização individual, a pobreza vai empurrando os mais marginalizados e
vulneráveis para as redes do tráfico. Mas, como vimos, há também outros factores de
vulnerabilidade, como é o caso de determinadas crenças populares e a própria
desigualdade de gênero.
14

A exploração pode ser sexual (violação conjugal, prostituição forçada e pornografia) ou


económica (trabalho doméstico e mendicidade forçada) e o casamento forçado pode ser
o objectivo final do tráfico (venda de uma vítima como esposa)”. Há numerosos relatos
de moças que desapareceram depois do casamento. Recentemente, a Assembleia da
República de Moçambique adotou uma Lei que proíbe o assim chamado “casamento
prematuro”, mas há numerosas dificuldades em sua concretização. Durante a actividade
de campo, as pessoas partilharam experiências de desaparecimento de pessoas nas
comunidades, profanação de túmulos para retirada de ossadas humanas (sobretudo de
pessoas portadoras de albinismo).

Nestes termos, os médicos tradicionais (curandeiros) têm sido apontados como sendo os
instigadores destas práticas. Por outro lado, as desigualdades sociais têm criado revolta
nas comunidades e geralmente o sucesso de uns versus insucesso de outros encontra
explicações nas práticas de feitiçarias, ou seja, a extrema riqueza contraposta com a
extrema pobreza só encontra explicações fundamentadas por práticas de feiticeiras
15

6. Conclusão

Como observado ao longo desde trabalho, a bioética se enquadra facilmente em várias


áreas da tradição filosófica. Podemos por exemplo estabelecer uma relação entre
bioética e a filosofia da natureza do mundo antigo, moderno e contemporâneo ou com a
história da deontologia médica de Hipócrates até hoje ou finalmente ligar a bioética com
a filosofia dos direitos do homem e teorias do meio ambiente.

A eutanásia, modalidade pretendida quando o paciente acometido de doença grave não


possui condições de uma boa vida, não possui previsão legal para a sua prática. É certo
que, mesmo não tendo sido contemplado pelo ordenamento jurídico pátrio, já existem
tentativas para a sua legalização. Esta modalidade vem sendo realizada, através da
concessão de permissões mundo afora. Ressaltando a respeito dos direitos
fundamentais, encontrou-se, no princípio da dignidade da pessoa humana, um
fundamento assegurar para uma morte digna, sem sofrimento.

E realça-se a importância em averiguar as causas que levam a mulher a optar pela


interrupção voluntária da gravidez, assim como em obter dados precisos das
consequências a curto e longo prazo, de modo a melhor a prestação na assistência à
saúde. E para além da finalidade lucrativa, que caracteriza o Tráfico Humano em nível
internacional, o Tráfico de órgãos e partes do corpo de seres humanos em Moçambique
é motivado também por crenças populares2 3, o que torna ainda mais difícil o
enfrentamento.

De acordo com um estudo da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH, 2016), a
região Centro de Moçambique é a que mais regista casos de tráfico no país, sendo que
quase 70% dos casos de extração de órgãos ocorrem na região de Tete, Zambézia,
Manica e Sofala.
16

7. Referencias. Bibliográficas

Araújo, Teo W.; Calazans, Gabriela. Prevenção das DST/aids em adolescentes e jovens:
brochuras de referência para os profissionais de saúde. São Paulo: Secretaria da
Saúde/Coordenação Estadual de DST/Aids, 2007. Disponível em: . Acesso em: 18 jul.
2008.08

Fellows, Simon. Tráfico de partes de corpo em Moçambique e na África do Sul. Liga


Moçambicana dos Direitos Humanos, 2009

Martins, Ives Gandra da Silva. Direito fundamental à vida. São Paulo: QuartierLatin,
Centro de Extensão Universitária, 2005.

Moreira, Andrea; Mariano, Esmeralda. Estudo Comparativo sobre o Tráfico de Pessoas,


Órgãos e Partes do Corpo Humano em Moçambique. 2021.

Unesco. Tráfico de Pessoas em Moçambique: Causas Principais e Recomendações.


Policy Paper n. 14.1(P). Paris, 2006.

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