6 - Estágio Curricular Obrigatório
6 - Estágio Curricular Obrigatório
6 - Estágio Curricular Obrigatório
A CONCEPÇÃO
O Estágio Supervisionado do Curso de Fisioterapia, pela sua natureza, é uma
atividade curricular obrigatória, de caráter profissionalizante, a ser desenvolvido sob
supervisão docente, conforme previsto nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs)
para os cursos de Fisioterapia (Resolução CNE/CES 4, de 19 de fevereiro de
2002). A Conclusão do Curso, bem como a expedição do diploma, está
condicionada ao cumprimento integral e obrigatório da carga horária destinada ao
estágio curricular obrigatório.
Ainda de acordo com as DCNs, a carga horária mínima do estágio curricular
obrigatório deve alcançar 20% da carga horária total do curso, devendo assegurar a
prática de intervenções preventivas e curativas nos diferentes níveis de atuação
(primário, secundário, terciário, quaternário e quintenário).
O estágio curricular obrigatório deve ser realizado sob acompanhamento e
avaliação de professor orientador fisioterapeuta, preferencialmente nos cenários do
Sistema Único de Saúde, permitindo ao estudante conhecer e vivenciar as políticas
públicas de saúde em situações variadas de vida, de organização do sistema de
saúde vigente e do trabalho interprofissional, em equipe multidisciplinar.
O estágio curricular obrigatório promove a formação em serviço, podendo ser
realizado em serviços próprios ou conveniados, em regime de parcerias
estabelecidas por meio de convênio firmado entre entes públicos e/ou privados,
conforme posto na legislação vigente sobre o estágio.
Além das recomendações previstas nas DCNs, o estágio curricular obrigatório
deve respeitar:
Resolução do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia
Ocupacional (COFFITO) n° 431 de 27 de setembro de 2013 (que dispõe
sobre o exercício acadêmico de estágio obrigatório em Fisioterapia);
A lei federal Lei n° 11.788 de 25 de setembro de 2008 (que dispõe sobre
o estágio de estudantes brasileiros)
Resolução do COFFITO n° 424, de 08 de julho de 2013 (que estabelece
o Código de Ética e Deontologia da Fisioterapia).
Em 9 de novembro de 2020, o COFFITO tornou público o Acórdão nº
404/2020, que autoriza a ampliação da relação de estudantes em estágio curricular.
A publicação do Acórdão levou em consideração, dentre outros aspectos, a
necessidade de manter a formação de qualidade e o estado de pandemia
ocasionado pela COVID-19. Por meio desse Acórdão, foi autorizada a ampliação da
relação de 06 (seis) para até 10 (dez) estudantes na assistência por docente
supervisor, desde que mantida a observância das regras sanitárias instituídas pelas
autoridades locais. A decisão flexibiliza a exigência do art. 3º, caput, da Resolução-
COFFITO nº 431/2013. Entretanto, para os estágios desenvolvidos em comunidade
(domicílio), Unidades de Terapia Intensiva, Semi-Intensiva e Centro de Tratamento
de Queimados, a Resolução-COFFITO nº 431/2013 recomenda no máximo 03 (três)
estagiários para cada docente supervisor fisioterapeuta.
A PRÁTICA
O estágio é um ato educativo supervisionado, que deve ser desenvolvido em
cenários de prática diversificados, permitindo a articulação ensino-serviço. Ademais,
o estágio visa o aprendizado, à aquisição de competências e habilidades próprias da
especificidade da atividade profissional, bem como da vivência da prática multi e
interdisciplinar, objetivando o desenvolvimento do acadêmico para a vida cidadã e
para o trabalho.
Os estágios em Fisioterapia envolvem assistência responsável sob os
preceitos éticos e legais, além da realização de procedimentos técnicos adequados
às necessidades de saúde da população. O estágio obrigatório deve proporcionar
uma formação profissional de natureza generalista, humanista, crítica e reflexiva,
capacitando o estudante a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base
no rigor científico e intelectual, através de uma visão ampla e global, respeitando os
princípios éticos/bioéticos, e culturais do indivíduo e da coletividade.
O estágio deve possibilitar ao acadêmico uma experiência de aprendizagem
profissional direta e real, durante a qual, sob supervisão profissional habilitada e
competente, o mesmo se torne progressivamente responsável por tarefas típicas do
seu campo de ação profissional, considerando a normatização legal vigente.
O objetivo primordial do estágio curricular é a aproximação e integração da
teoria com a prática profissional para aquisição de experiências nas diversas áreas
de atuação da Fisioterapia. Ademais, devem ser oferecidas ao estudante
oportunidades de atuar em equipe; desenvolver capacidades, como a de
cooperação e de iniciativa; e, por meio de reflexão crítica, identificar possibilidades e
limitações de seu campo de atuação, buscando superá-las dentro de uma prática
profissional ética e amadurecida.
Ao ser exposto de forma prática à realidade de saúde da população, o
estudante terá oportunidade de desenvolvimento pessoal, científico visto que a
vivência prática é um lócus privilegiado para a iniciação científica por estimular a
curiosidade acadêmica.
O estágio deve ser um processo dinâmico de aprendizagem, que valorize a
experiência e a atividade do estagiário, com sua efetiva participação. Para tal, deve
utilizar estratégias de desenvolvimento, acompanhamento e avaliação discente.
Assim como em qualquer outra disciplina que compõe a matriz curricular do
curso de Fisioterapia, o estágio supervisionado deve dispor de um Plano de Ensino,
contendo a descrição das atividades a serem executadas durante o estágio.
Durante o estágio, o estudante deve exercitar as práticas de avaliação do
paciente, utilizar instrumentos necessários à elaboração do diagnóstico físico-
funcional, interpretar exames, discutir casos em reuniões clínicas e passagens de
plantões, estabelecer metas e objetivos terapêuticos, eleger os procedimentos
fisioterapêuticos adequados a cada caso, avaliar, reavaliar e dar alta aos pacientes.
Além disso, o estágio deve proporcionar ao estudante o desenvolvimento do
olhar crítico e de habilidades para identificação e atuação diante das intercorrências.
Durante o estágio, além da assistência ao paciente, devem ser oportunizadas
aos estudantes atividades que promovam o desenvolvimento de competências e
habilidades previstas nas DCNs, como por exemplo: tomada de decisões,
comunicação, liderança, empreendedorismo, administração e gerenciamento de
processos.
O estágio deve configurar-se como um espaço integrador entre ensino,
pesquisa, extensão e assistência, onde os conteúdos dos componentes curriculares
profissionalizantes são aplicados na prática, proporcionando aos acadêmicos de
fisioterapia condições de transformação pessoal e social na busca do significado do
conhecimento aprendido.
Através do estágio, espera-se instrumentalizar o estudante para se inserir no
mundo do trabalho, contribuindo para o processo de construção de conhecimentos,
alicerçando a formação de um profissional crítico, questionador, investigador e ético.
Durante o acompanhamento e supervisão do estágio, cabe ao docente
supervisor:
Desenvolver mecanismos operacionais que garantam a efetividade e
qualidade do funcionamento do estágio supervisionado;
Acompanhar sistematicamente o desenvolvimento das atividades de
estágio supervisionado, garantindo que as mesmas sejam realizadas de
forma segura, ética e proveitosa;
Observar as normas do Regulamento de Estágio Curricular institucional,
cumprindo e fazendo cumprir pelo corpo discente;
Agir e orientar os acadêmicos no cumprimento das tarefas profissionais
respeitando os princípios éticos morais e profissionais;
Transmitir princípios, conhecimentos teóricos e indicar referências
bibliográficas aos acadêmicos para o aprimoramento da sua atuação.
Assim como os demais elementos da matriz curricular, o estudante deve
apresentar frequência mínima de 75% da duração do estágio e obter desempenho
avaliado dentro da média estabelecida pela IES.
Os estudantes devem ser acompanhados através de instrumentos específicos
de avaliação, para que seu desempenho seja adequadamente verificado. A
avaliação deve ser composta por aspectos atitudinais (organização, pontualidade,
relacionamento com pacientes, colegas, supervisor e equipe multidisciplinar,
iniciativa, disponibilidade, atitude ética, busca de estratégias para suprir limitações) e
referentes às habilidades (conhecimento teórico, participação nas discussões
teóricas, capacidade de correlacionar teoria e prática, segurança no atendimento,
qualidade das evoluções avaliações e relatórios, criatividade, adequação das
técnicas terapêuticas, expressão oral e escrita).
É importante que o estudante compreenda que não há vínculo empregatício
com as instituições onde são realizadas as atividades do estágio. Essas atividades
existem para propiciar a vivência de situações reais do campo de trabalho, de modo
a ampliar o conhecimento e a formação teórico-prática construídos durante o curso.
Por fim, cabe ao docente supervisor primar pelo respeito à legislação relativa
aos estágios, denunciando ao Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia
Ocupacional (CREFITO) qualquer fato que caracterize o exercício ilegal da profissão
pelo acadêmico ou submissão do acadêmico a situações que não garantam a
qualificação técnico científica do mesmo.