Tempo, 09 - Professores de História
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Resumo
A presente discussão combina uma reflexão teórica e Cyntia Simioni França
metodológica para compreender como o computador vem Doutoranda em Educação pela Universidade
sendo utilizado no ensino de história, em escolas públicas e Estadual de Campinas – Unicamp. Mestre
particulares, no ensino fundamental e médio. O artigo tem em História Social pela Universidade
como referência a prática de professores de história em Estadual de Londrina – UEM. Professora da
Londrina e região, no estado do Paraná. Foram abrangidas 18 Universidade Norte do Paraná – UNOPAR
cidades e investigadas 61 escolas, sendo 49 do sistema Brasil
público e 12 pertencentes ao ensino particular. A cyntiasimioni@yahoo.com.br
investigação, com base em questionários respondidos pelos
professores, possibilitou identificar as principais questões
relacionadas à inserção das novas tecnologias no ensino de
Cristiano Biazzo Simon
história e refletir sobre as possibilidades e limites de sua
Pós doutor pela Universitat Autònoma de
utilização. Além disso, permitiu sublinhar a importância da
Barcelona. Doutor e Mestre em História
formação continuada de professores para tal inserção e
Social pela Universidade de São Paulo – USP.
refletir sobre ela. A preocupação central do trabalho reside
Professor da Universidade Estadual de
na identificação de como e em que medida tal utilização
Londrina – UEL
conseguiu contribuir para alcançar os objetivos da disciplina,
Brasil
que é de propiciar aos alunos a condição de pensar
simon@uel.br
historicamente, problematizando sua condição de ser social
dentro de seu próprio momento histórico.
DOI: 10.5965/2175180306122014186
http://dx.doi.org/10.5965/2175180306122014186
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Cyntia Simioni França, Cristiano Biazzo Simon
& Argumento
History teachers: the use of
computers in the
construction of educational
historical knowledge
Abstract
In the present paper a discussion concerning
theoretical and methodological reflections was made,
in order to comprehend how computers have been
used in history teaching, in public and private schools,
elementary and high school in the region of Londrina,
Parana state. Eighteen cities were covered; forty‐nine
schools from public system and twelve from private
system were investigated. Researches from
questionnaires completed by teachers enabled us to
identify the main issues related to inclusion and also
to reflect on the possibilities and limits of the use of
new technologies during the history teaching process.
Moreover, it also enabled us to emphasize the
importance of continued training of teachers for such
insertion. The main concern of the work was to
identify how and in which steps such use has been
able to contribute to achieving all the objectives of
the subject, based on providing students conditions
for the development of a historical thinking,
discussing their condition of being social from
historicity.
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Introdução
Diante das transformações tecnológicas, surgem novas exigências sociais,
refletindo‐se na educação, impondo questionamentos sobre o papel da escola. Duas
grandes preocupaçõesnessa direção, aqui colocadas em forma de indagações, nortearam
a presente reflexão; a ela se imbricam e com ela dialogam, a saber: Como as novas
tecnologias (em especial o computador) foram incorporadas à escola? No caso específico
desta pesquisa, como essa ferramenta pedagógica pode contribuir no ensino de história?
Este pressuposto implica práticas pedagógicas focadas não apenas nos conceitos
disciplinares, mas na pesquisa e seleção das informações adquiridas para a resolução de
problemas ligados ao seu contexto social, bem como à produção do conhecimento
escolar de história. Portanto, exige‐se um repensar do ensino de história, incompatível
com memorização, repetição de fatos e a condição do professor como exclusivo detentor
do saber.
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ensino de história, que envolve procedimentos de problematização, observação, registro,
documentação, e até formulação de hipóteses (CIAMPI, 2003).
Convém lembrar que, como qualquer outro recurso tecnológico, este deve ser
entendido como um dos meios alternativos para construir o conhecimento escolar de
história, visto que propicia aos sujeitos se interligar com o mundo, possibilitando escolas
menos autoritárias, cedendo lugar a ambientes de aprendizagem mais estimuladores e
criativos, desde que submetidos a um olhar crítico, forem considerados apropriados.
Desde a década de 1970, existem propostas de modernização do ensino apoiadas na
utilização das tecnologias de comunicação e informação (TIC), como televisores, rádios,
videocassetes, retroprojetores e informática. Nas instituições escolares, contudo, sua
implementação e utilização estava embasada quase toda em concepções tecnicistas.
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Para que haja mudanças, é preciso que os professores se libertem da racionalidade
técnica do ensino que os mantém a eles e aos alunos mecanizados sobre seus fazeres.
A simples incorporação das TIC não gera processos de inovação, nem mesmo de
melhoria do processo de ensino e aprendizagem. “A utilização dos recursos das
tecnologias de informação e comunicação pela escola não garante mudanças na
qualidade da educação. É necessário repensar os paradigmas existentes para adoção de
novas práticas educativas” (GOMES, 2002, p. 120).
Apesar dos avanços nessas questões, pode‐se afirmar que o uso instrumentalista
das tecnologias ainda continua dominante no ensino de história, independentemente da
existência de propostas diferenciadas, que se podem considerar um passo para a
transformação futura.
Mesmo que hoje o computador seja absolutamente popular, Nova (1999) explica
que no ensino a sua função não está clara para os professores. Entretanto, segundo
Ferreira, é preciso:
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[...] habilitar os docentes para a utilização didática das NTIC revela‐se sine
qua non para o desenvolvimento de sua prática pedagógica no mundo
atual. Assim, é importante que a formação docente enfoque a
incorporação crítica destas ferramentas como ponto central para sua
utilização no universo educativo (FERREIRA, 2004, p.61).
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e desenvolver estratégias para o uso da informática simplesmente, mas de refletir sobre
sua utilização no e para o ensino de história.
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uma generalizada utilização para fins burocráticos. Enquanto isso, os laboratórios
instalados, fechados, protegidos com grades de segurança, viraram máquinas sucateadas
devido à falta de interesse e de iniciativa tanto da escola quanto do governo em preparar
devidamente os docentes. É curioso deparar‐se com máquinas novas, sem uso eobsoletas
por conta do tempo.
Há, conforme Libâneo (1998, p. 68), “[...] temor pela máquina e equipamentos
eletrônicos, medo da despersonalização e de ser substituída pelo computador, ameaça
ao emprego, precária formação cultural e científica ou formação que não inclui a
tecnologia”. Postura questionável, já que o computador é apenas um meio que por si só
“não vai a lugar algum”, já que para ser iniciado ou fornecer dados, precisa dos comandos
do professor (REIS, 2006).
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Considera‐se que o computador possui muitas potencialidades no ensino e
contribui de forma relevante nas pesquisas históricas; ao utilizá‐lo em sala de aula, porém,
deve‐se atentar para a melhor metodologia de ensino. Isso envolve mudanças complexas
no sistema educacional de ensino, como a reestruturação dos currículos, a formação
inicial e continuada dos professores e a inserção de equipamentos tecnológicos,
softwares e acesso à internet com os esperados subsídios para uma mudança de
processo gradual e eficaz na prática pedagógica.
Em relação à atuação em sala de aula no ensino de história, apenas 17% contam até
10 anos de tempo de trabalho;66,66% exercem a docência de 11 a 20 anos; 15,68% contam
1
A pesquisa tinha como objetivo investigar professores da rede estadual de ensino; porém, 12 professores
também trabalhavam na rede particular.
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mais de 21 anos de trabalho.
Entre os professores, isto não é uma tarefa fácil, fato que leva 80,39% deles a
considerar necessário inserir uma disciplina na estrutura curricular voltada à informática
no ensino de história. No entanto, 15,69% não a consideram necessária. Buscando
identificar este segmento da amostragem, verificou‐se que metade já utiliza a ferramenta,
enquanto a outra metade simplesmente não trabalha com ela em sua prática pedagógica.
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respondidas, não seria uma disciplina no curso que faria a diferença. Entende‐se,
portanto, que não se trata de uma solução simples; há outros fatores responsáveis por
sua reduzida utilização.
Este fato, embora possa ser justificado pelo período de formação dos professores,
tempo em que a informática na universidade era incipiente e o acesso às máquinas era
restrito, dado o elevado seu valor de aquisição em relação à atualidade, também pode ser
associado a uma não‐compreensão ou compreensão limitada das potencialidades dessa
ferramenta para fins pedagógicos, já que as transformações das tecnologias foram
exacerbadamente mais intensas do que a capacidade de qualificação profissional
demonstrada pela universidade na formação e da escola na formação continuada dos
professores. Hoje, este fenômeno é ainda mais impactante e evidente.
Outra situação que a pesquisa revela, e que é muito contundente para o todo das
reflexões, é que os professores em início de carreira que não utilizam essa ferramenta em
suas aulas apresentam o mesmo perfil dos formados há muito mais tempo, confirmando
não ser esta uma questão apenas de idade, de acesso restrito ou amplo ao universo da
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informática, mas também, e quem sabe principalmente, cultural. Tal observação reforça
não ser uma questão de resolução simples e envolve vários fatores. Além disso, chama a
atenção para o fato da necessidade de conhecimento das ferramentas tecnológicas na
formação, mas que não seja dissociada da epistemologia da história.
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O mesmo pesquisador acrescenta que também na Universidade de Santa Catarina,
no curso de pós‐graduação, foi implantada uma linha de pesquisa sobre história e
informática, constituída por quatro disciplinas, totalizando 12 créditos: “Introdução à
História e Computação; Computadores Pessoais e Pesquisa Histórica I; Computadores
Pessoais e Pesquisa Histórica II; Computadores Pessoais e a Comunicação do
Conhecimento Histórico.” É interessante notar que o trabalho com estas novas disciplinas
exige do historiador conhecimentos que extrapolam sua área específica, o que o remete
ao diálogo com outras áreas.
Ciampi (2003) considera que tal postura se justifica tendo em vista que estamos
diante de novas exigências para o ensino de história e a educação de um modo mais
amplo, o que implica pensar na necessidade de se partir do princípio da
interdisciplinaridade. Esta ideia está ligada à interação das diferentes áreas do
conhecimento e não é simplesmente a uma justaposição dos conteúdos, pois aumentar
os horizontes disciplinares pode contribuir para trabalhar com novos objetos de pesquisa.
São registros que revelam um movimento ainda tímido em relação ao impacto das
novas tecnologias na contemporaneidade, mas num contexto em que podemos verificar
que várias instituições universitárias já estão envidando esforços no sentido de as
articular propostas em seus currículos, de modo a se habilitarem para as transformações
sociais.
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duas questões: a carga horária em sala de aula e as características dos processos de
formação continuada em que estiveram envolvidos.
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Do total de 26 professores de história que declararam utilizar o computador em
suas aulas, apenas um disse frequentar o laboratório de informática de uma a duas vezes
por semana; quatro declararam fazê‐lo uma vez por semana. O maior índice relativo a
essa frequência foi o de oito docentes, que disseram utilizar com seus alunos o referido
laboratório uma vez por mês. Pudemos, ainda, identificar que apenas três professores
fazem uso dessa ferramenta uma vez por bimestre. A partir desses dados, serão
apresentados os motivos por eles alegados para frequentar tão pouco o laboratório de
informática com seus alunos.
Para enfatizar a questão, vale resgatar como funciona a organização das escolas
no Paraná, nas quais atuam esses professores. O Paraná, desde a década 90, vem
estabelecendo políticas de inserção de tecnologias na escola. No início, ocorreu pela
implantação de laboratórios de informática nas escolas com maior número de alunos e
nas cidades‐polo do estado.
Já nos últimos seis anos, na gestão de um mesmo governo, esta política foi
ampliada, juntamente com outras do governo federal. Dentre os projetos implantados,
destaca‐se o Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo2), responsável pela
disseminação da informática nas escolas.
O governo paranaense, por sua vez, nos últimos anos, não só ampliou em
quantidade o número de escolas atendidas e de máquinas instaladas, mas também tem
oferecido um suporte para atendimento aos professores por meio do Núcleo Regional de
Ensino. Contudo, o número de máquinas é geralmente inferior à demanda das escolas, já
que a distribuição dos equipamentos depende mais do número de professores na escola
2
O Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo) é desenvolvido pela Secretaria de Educação a
Distância, em parceria com governos estaduais e municipais, destinado a introduzir as tecnologias de
informática e telecomunicações – telemáticas – na escola pública.
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do que dos alunos, fator preponderante que minimiza a frequência da sua utilização no
laboratório de informática.
Outra questão diz respeito à orientação do uso das máquinas. Conforme a fala de
uma das professoras entrevistadas, os “computadores não são para os alunos, é para o
professor preparar as aulas e gravar no pen‐drive (na hora‐atividade); são orientações do
NRE”.
Como o Estado equipou as salas de aula com TVs adequadas ao uso dos pen drives,
os professores são o público‐alvo do programa. Ou seja, os computadores são para que
eles pesquisem, preparem materiais didáticos e textos, para, posteriormente, trabalhar
em sala com o auxílio da TV.
Este fato entra em conflito com o discurso da própria Secretaria da Educação que,
via mídia, diz que a escola está equipada com computadores e os alunos têm acesso à
tecnologia. Na prática, porém, o uso do laboratório seguiu sendo apenas para os
professores e as tais “informações” por eles preparadas continuam sendo apresentadas
da forma expositiva e tradicional, mudados apenas os “recursos tecnológicos”.
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Na verdade, não funciona desta forma. Segundo o documento do CRTE, “[...] a
quantidade de terminais e mobiliário do PRD existe em função do número de professores
que compõem o quadro docente do estabelecimento [...]”.
O governo, com isso, não apresenta a realidade escolar, pois os professores não
estão conectados com seus alunos e muito menos adequadamente preparados para o
uso desta tecnologia. Além disso, o quadro descrito se agrava ainda mais no sentido de
dificultar quando se deparam com outros problemas e dificuldades no cotidiano escolar,
entre as quais os inúmeros procedimentos burocráticos, as regras e responsabilidades
encontradas e exigidas na escola, que limitam seu uso.
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de informática. O formulário do plano de ensino enviado pela Secretaria do Estado do
Paraná, embora tenha como objetivo o planejamento pedagógico do professor, permite
ser “lido” como excessiva burocratização do processo quando acrescentado às outras
atividades burocráticas que cabem ao professor no sistema de ensino. Tal fato é
apontado como desmotivador.
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profissionais de informática. Em base às respostas ao questionamento sobre a atuação do
NTE (Núcleo Tecnológico Educacional) ‐ se foi suficiente ou não ‐, podem‐se fazer pelos
menos três observações: atualmente, não há uma relação direta entre a atuação do NTE e
o uso do computador na escola; há uma distância entre a proposta do governo e a prática
na escola; a atuação do NTE é efêmera e circunstancial, ou seja, insuficiente.
Os profissionais que trabalham nos núcleos são capacitados pelo Proinfo para
ajudar a instituição escolar em todas as fases do processo de incorporação das novas
tecnologias. Portanto, o NTE atua na escola no processo de inclusão digital, orientando
professores e alunos quanto ao uso do computador no laboratório de informática, bem
como no que se refere à manutenção do equipamento. Sua função é orientar sobre o uso
desses instrumentos para promover o desenvolvimento dos alunos e a alcançar bons
resultados, não apenas na escola.
Esta constatação, por isso, conduz à seguinte questão: embora o estado do Paraná
tenha uma política de inserção de novas tecnologias nas escolas, com grupo de
assessores técnicos específicos, não pudemos verificar uma mudança de fato na postura
dos professores, já que todos estão sendo treinados de forma generalista e tecnicista, e
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não sendo formados em diálogo com os conhecimentos específicos com que trabalham.
Nos cursos oferecidos, os conteúdos específicos não são atrelados aos conteúdos
pedagógicos das diversas áreas de conhecimento, mas simplesmente voltados à técnica
como um fim em si mesmo e não como meio para alcançar as propostas na melhoria do
ensino; neste caso, o de história.
O fato é que, mais uma vez, se confirma a contradição entre o discurso do Estado
e os depoimentos dos professores. Não há propriamente um curso de formação
continuada, mas apenas assessores pedagógicos e técnicos para ir à escola e, ainda,
quando solicitados pela instituição escolar para sanar as dúvidas técnicas e orientar os
professores sobre funcionamento do computador, como digitação, salvamento de
arquivos, construção de slides para apresentação em aula, transferências de músicas,
imagens e semelhantes. Mais, tais operações são para aqueles professores que já
possuem certo domínio básico em relação à máquina; caso contrário, limita‐se ainda mais
à simples digitação. Portanto, há uma distância entre este grupo técnico, a realidade da
escola e a necessidade do professor de história. Mas, pergunta‐se, em que sentido?
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No caso da escola pública, há sempre um forte apelo ao Estado para ampliar e
melhorar as políticas voltadas à educação; entre elas, as relacionadas à formação
continuada do professor. Isto é certamente válido e necessário, pois o investimento na
formação continuada do professor é um dos caminhos para melhorar o ensino de
história. Contudo, essa política só será sólida se os programas contarem com a própria
demanda dos professores e não por imposição hierárquica, mas num sistema de
construção conjunta de processos formativos, em que os professores sejam ouvidos, suas
experiências consideradas e compartilhadas com o grupo e motivados a participar
efetivamente dos programas.
Por outro lado, também há que se pensar na autonomia que o professor deve ter
quanto à própria qualificação. Ou seja, não se pode pensar em um educador que fica à
espera de uma proposta apenas externa, seja do Estado, seja da iniciativa privada. Ele
mesmo deve estar à frente do seu tempo e buscar respostas para suas dúvidas,
inquietações cotidianas e, sobretudo, constituir‐se sujeito de sua própria formação.
Nas palavras de Paim (2007), tais mudanças devem ocorrer pela postura do “fazer‐
se professor”, bem como pela partilha de experiências cotidianas, dos processos de lutas,
conquistas, memórias, em que os educadores passam a ser sujeito do processo de
mudança e construtores da sua própria história.
Para que se efetive na prática esta sua autonomia, é de suma importância que a
escola rompa com a divisão dos saberes. E isto só é possível a partir do momento em que
se debata a importância da participação desses professores e se tornem públicas as
discussões com os setores dirigentes para apresentar suas divergências e suas posições
na busca de soluções conjuntas. Sublinhamos, ainda, a necessidade de debates
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educacionais que atinjam principalmente o âmbito da sala de aula, pois é nelas,
diretamente entre alunos e professores, que se constroem as relações mais essenciais ao
processo de ensino e aprendizagem.
Considerações finais
Com as pesquisas e a partir delas, pudemos entender que a utilização dos
computadores pelos professores de história nas escolas investigadas tem ocorrido de
forma alheia às necessidades da comunidade escolar, principalmente por falta de
condições de preparo antecipado dos docentes para utilizá‐los no processo de
construção do conhecimento escolar de história.
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docentes e à insuficiência de máquinas para um trabalho adequado a alcançar os
objetivos da disciplina.
Esta visão tecnicista e limitada deveria ser substituída por outra em que o centro
das atenções fosse o processo de ensino e aprendizagem. Por quanto pudemos verificar,
tudo tem sido feito dentro do que há de mais retrógrado e lamentável quando se trata de
processos educacionais: a preocupação com a forma sem alteração do conteúdo, no
sentido de ressignificar e, assim, aprimorar e atualizar práticas e posturas.
Embora haja uma carência de políticas públicas realmente efetivas, que valorizem
o trabalho docente e melhorem qualitativamente as condições de trabalho do professor,
também é necessário romper com as práticas pedagógicas inadequadas e
descomprometidas com os princípios que devem reger um ensino de história preocupado
com o aprimoramento da construção, em curso, da cidadania que na atualidade se deve
pautar pela formação de sujeitos autônomos, capazes de dialogar com os processos
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sociais em que estão inseridos, enfrentar suas mudanças, não mais se limitando aos
métodos de apenas apreender conteúdos históricos.
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Recebido em 31/03/2014
Aprovado em 03/08/2014
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