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Máquinas Elétricas Unidade 1 PDF

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INSTITUTO FEDERAL

ESPÍRITO SAt~TO
Campus Vitórta

Máquinas Elétricas
Unidade 01

SAMUEL ALVES DE SOUZA

Vitória,- ES, 2014


UNIDADE 01
.. . . .
APRESENTAÇÃO

Este material é o resultado das notas de aulas utilizadas na disciplina


máquinas Elétricas do Curso de Eletrotécnica da Escola Técnica Federal do
Espírito Santo. Não constitui um material completo, são apenas notas de aulas
que devem ser complementadas durante as aulas, sendo necessário também a
leitura de livros e revistas que tratam do assunto.

O objetivo deste material é oferecer melhores condições para o processo


ensino aprendizagem, e será de grande valia contribuições como sugestões,
textos, figuras, etc ...

Prof: Samuel Alves de Souza

.
-
SUMÁRIO

Unidade I- Transformadores

1.1-lntrodução-Transformadores e suas Aplicações. _ _ _ _ _ _ 001

1.2-Definição-Segundo ABNT . _ _ _ _ _ _ 001

1.3-Classificação dos Transformadores. ----~001

1. 4-Características Construtivas. _ _ _ _ _ _ 002

1.5-0 Transfonnador Ideal. _ _ _ _ _ _ 012

1.5.1-Funcionamento à Vazio. _ _ _ _ _ _ 012

1.5.2-Funcionamento com Carga. ----~013

1.5.3-Relação de Transformação. _ _ _ _ _ _ 014

1.5.4-Impedância Refletida. _ _ _ _ _ _ 014

1.6-0 Transformador Real e Circuito Equivalente. _ _ _ _ _ _ 017

1. 7-Circuitos Equivalentes para Transformadores de Potência. 019

1.8.1-Relação de Transformação e Relação de Espiras.


- - - - - 021
1.8.2-Relação entre V, <I>""", f. 02\
1.8.3-Forma de Onda da Corrente de Excitação. _ _ _ _ _ I)J2

1.9-Detenninação dos Parâmetros do Circuito Equivalente


Baseado nos Ensaios À vazio e em Curto circuito.
-----02.4
1.10-Transformação Trifásica.
02~

1.11-Conexões a um Sistema Trifásico.


------031
1.12-Adaptação dos Ensaios À vazio e em Curto-circuito
para Transformadores Trifásicos. _ _ _ _ _ 035

1.13-Rendimento dos Transfonnadores. _ _ _ _ _ o?,+


1.14-Rendimento Diário.
l.lSwRegulação de Tensão de um Transformador.
l.i\
1.16-Deslocamento Angular nas Conexões Trifásicas .
-----44
1.17-Acoplamento em Paralelo de Transformadores. _ _ _ _ _ S2
1.18-Auto-Transformadores. _ _ _ _ _ g!,

1.18.1-Definição. _ _ _ _ _ cp,
1. 18. 2-Princípio de Funcionamento.
~
1.18.3-Relação de Transformação.
<;"J
1.18.4-Potência Nominal de um Auto-Transfonnador. {,ti
1.18.5-Comparação Auto-Transfonnadores & Transformadores. _ _ _ _ _ {;5
Máquinas Elétricas Transformadores

UNIDADE 01 - TRANSFORMADORES

J.J~lntrodução- Transformadores e suas Aplicações

A localização das fontes de energia de que se dispõe na natureza, geralmente


encontram-se afastadas dos centros de utilização originando grandes distâncias geográficas de
separação entre usinas geradoras e centros consumidores. O aproveitamento energético destas
fontes está vinculado. além de outros fatores, a condução econômica de blocos de energia
desde o manancial até a região de consumo, o que implica no emprego de elevadíssimas
tensões de transmissão, com o objetivo de reduzir perdas e diminuir bitola dos condutores,
viabilizando-se tecnicamente a construção de linhas de transmissão.
Por outro lado, devido. a fatores de segurança de operação e isolamentos incipientes,
os geradores elétricos das usinas normalmente não ultrapassam a faixa de 25 KV de tensão
gerada, surgindo o transformador, dispositivo este capaz de elevar a tensão elétrica, além da
faixa de 1 MV, possibilitando a criação das tensões elevadas tão necessárias em grandes
sistemas de transmissão.
Além de elevar tensões, o transformador também permite o rebaixamento destas
tensões adequando~as aos equipamentos elétricos de utilização.
A aplicação dos transformadores abrange todo o campo da eletrotécnica,. desde
unidades minúsculas de alguns V A, usados em controle e equipamentos eletrônicos, até os
grandes transformadores da ordem de GVA

1.2-Dejinição - Segundo ABNT

11
.-. Chama·se transformadores estáticos ou simplesmente transfonnadores os
dispositivos, sem partes necessariamente em movimento, os quais, por meio de indução
eletromagnética, transferem energia elétrica de um ou mais circuitos(primário) para outro ou
outros circuitos(secundário, terciário), mantida a mesma frequência, mas geralmente com
tensões e intensidades de corrente diferentes."

1.3-Classificação dos Transformadores

a)Quanto a função:
- Elevadores, Abaixadores, isoladores;
- Medidores;
~ Casadores de impedância.

b)Quanto ao número de fases:


- Monofãsicos. Bifásicos, Trifãsicos.

c)Quanto a aplicação:
~Transmissão, Distribuição;
-Instrumentos (TP, TC);
- Audio, RF (Rádio Frequência).
I
Máquinas Elétricas Transformadores

d)Quanto ao tipo de núcleo


- Núcleo de ar - Rádio frequência
- Núcleo ferromagnético -Potência

e)Quanto a forma do núcleo:


- Núcleo envolvido
- Núcleo envolvente

t)Quanto a refrigeração:
- Secos - Parte ativa envolta pelo ar
- A óleo - Parte ativa imersa em líquido isolante

1.4-Características Construtivas

1.4.1-Parte Ativa

-Núcleo;
O núcleo é constituído por um material ferromagnético, que contém em sua
composição o silício, que lhe proporciona características excelentes de magnetização e perdas.
Porém este material é condutor e estando sob a ação de um fluxo magnético alternado, dá
condições de surgimento de correntes parasitas. Para minimizar este problema, o núcleo, ao
invés de ser uma estrutura maciça, é contruído pelo empilhamento de chapas finas isoladas
entre si. Estas chapas de aço, durante sua fabricação na usina, recebem um tratamento especial
com a finalidade de orientar seus grãos. É este processo que toma o material adequado a
utilização em transformadores, devido a diminuição das perdas específicas.

- Enrokunentos;
Os enrolamentos, primário e secundários. são constituídos de fios de cobre, isolados
com esmalte ou papel, de seção retangular ou circular. O secundário,ou ,dependendo do caso,
BT, geralmente constitui um conjunto único para cada fase, ao passo que o primário é
fracionado em "panquecas11, por motivos de isolamento e para facilitar a manutenção. São
dispostos concentricamente com o secundário ocupando a parte interna e consequentemente o
primário a parte externa, por motivos de isolamento e econômicos, uma vez que é mais fácil
de "puxar" as derivações. Chamamos de derivação, aos pontos, localizados no enrolamento
primário, conectados ao comutador.

- Dispositivos de prensagem, calços e isolamento.


Para que o núcleo se tome um conjunto rígido, é necessário que se utilize dispositivos
de prensagem das chapas. São vigas dispostas horizontalmente, :fixadas por tirantes
horizontais e verticais. Devem ainda estar projetadas para suportar o comutador, os pés de
apoio da parte ativa, suporte das derivações e ainda o dispositivo de _fixação da parte ativa. ao
tanque. Os calços são usados em vários pontos da parte ativa e tem várias finalidades. Servem
para constituir as vias de circulação de óleo, para impedir que os enrolamentos se movam,
como apoio da parte ativa (neste caso chamado pé), e outras. Os materiais dos calços são
vários e dentre eles podemos destacar o papelão(presspan), o fenolite e a madeira. O
isolamento se faz necessário nos pontos da parte ativa onde a diferença de potencial seja
expressiva, nos condutores, entre camadas dos enrolamentos, entre primário e secundário,
entre fases e entre enrolamentos e massa.

2
,Máquinas Elétricas Trafl§[ormadores

1.4.2·Comutador de Derivações
Tem por finalidade adequar a tensão do transformador à tensão de alimentação.
~Tipo painel (maior durabilidade, menor custo);
-Tipo rotativo (facilidade de operação);
-Acionamento externo (não é necessário abrir o Trafo)
Os comutadores descritos só podem ser acionados com o transfonnador desconectado
da rede de alimentação.

1.4.3-Buchas- Alta Tensão e Baixa Tensão


Permite a passagem dos condutores dos enrolamentos ao meio externo.
Constituição:
- Corpo isolante - Porcelana vitrificada
- Condutor passante - Cobre eletrolítico ou latão
-Terminal - Latão ou bronze
-Vedações - Borracha e papelão hidráulico

1.4.4-Tanque
Invólucro da parte ativa e recipiente do liquido isolante.
Lateral, fundo, Tampa.

Acessórios Normais:
- Gancho ou olhais para suspensão;
- Sistema de fechamento da tampa; .).. ~-~

-Janela de inspeção;
- Dispositivo de drenagem e amostragem do líquido isolante;
- Conectar de aterramento;
- Radiadores;
Todo-o calor gerado na parte ativa se propaga através do óleo e é dissipado no
tanque (tampa e sua Jate"ral). As elevações de temperatura do óleo e dos enrolamentos são
normalizados e devem ser limitadas para evitar a deteriorização do isolamento e do óleo.
Dependendo da potência do transformador, ou melhor, de suas perdas, a área da superfície
externa poderá ser insuficiente para dissipar este calor e é então necessário aumentar a área de
dissipação. Para tal usam-se radiadores que poderão ser tubos ou elementos.
- Furo de passagem das buchas;
- Visor do nível do líquido isolante;
-Placa de identificação.

Acessórios Especiais:
- Conservador de líquido isolante com respirador, com indicador de nível de líquido
isolante e bujão de drenagem.
- Comutador de derivações manobrável externamente;
- Previsão para termômetro;
- Torneira para amostragem para filtro;
- Rodas bidirecionais;
- Conexões para filtro prensa;
-Previsão para desumidificador de ar (silica-gel);
Tem por finalidade eliminar a humidade do ar que entra no tanque de expansão,
quando do movimento de dilatação e contração do líquido isolante no interior do
mesmo(respiração), afim de que sejam mantidos elevados ínQices dielétricos do óleo do
transformador.

3
Máquinas Elétricas Transformadores

-Azul -Seco
- Vermelho - Húmido
- Relé de gás (tipo Bulhhoz);
É um dispositivo que tem por finalidade de proteger aparelhos elétricos que trabalham
imersos em líquidos isolante, normalmente transformadores.
-Branco ou cinza - Papel
- Amarelo - Madeira
- Preto - liquido isolante
-Termômetro mostrador com contato elétrico para alarme e desligamento;
-Válvula de sobrepressão (alivio de pressão);
- Relé de súbita pressão.

1.4.5-Placa de Identificação
-Fabricante;
- Número de série de fabricação;
-Mês e ano de fabricação;
- Potência - KVA;
- Norma utilizada para fabricação;
- Impedância percentual Zo/o;
- Tipo de liquido isolante;
-Tensão primário, tensão secundário;
- Diagrama de ligação;
-Diagrama fasorial (trifásico) e polaridade;
- Volume do líquido isolante em litros;
- Massa total em kg;
- Número da placa de identificação;
- Tipo de identificação.

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Máquinas Elétricas Transformadores

1. Bucha de alta teiiSiio


1.1 Termlna!dealtetanoão
2. Tampa
3. Abertura para inspeçQo

·-=
4. GuamiçAo
5. Comutador

1. NOO!ao
a. BobinBS
B. 1 Bobina de BT
B.2 Bobina de AT
a T""'""
9.1- Olhai de suspunsão
9.2 Radiedor
9,3 Suporte para fiXaç!o ao posiEI
10. Bu~hadebai~atftlldo
1o. 1 :renmna1 de baixa lensllo
11. Plaea de ldentillcaçâo
12. Disposill'lo de aterramanlo

5
MáQuinas Elétricas Transformadores

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Máquinas Elétricas Transformadores

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7
Máquinas Elétricas Transformadores

• ACESSÓRIOS mexê-la constantemente, até a recuperação total de sua cor


caraeterfsllca. Seu contato com óleo, ou com os menores
vestfgios do mesmo, deve ser evitado a todo custo, para que
Desumldlflcadores de ar (slllcla-gel) não perca sua cor azul, Ungindo-se de marrom e até de preto,
tomando-se imprestável. Após a regeneração, a smca-gel
. Generalidade$ deve ser imediatamente conservada num recipiente seco,
A fim de que sejam manlióos elevados (ndices dielétric:os do henneücamente ftlchado.
óleo dos transformadores, estes si!ío equipados com seca(!(l..
res de ar, os quais devidos à capacidade de absorção de
umidade, secam o ar aspirado que flui ao transformador.
...,
-procedimentos pam Instalação tfo desumldfflcadar

construçic
O secadOt de ar é composto de um recipiente metálico, no
qual está contido o agente secador, e uma antecâmara para
óleo, colocada diante do recipiente (que contém o agente)
isolandCK> da atmosfera (figura 4.1.2). Durante o funciona·
mento normal do transfoiTJlador, o óleo aquece e dilata, ex·
pulsando o ar do conservador através do secador. Havendo
diminuição da carga do transfoiTJlador ou da temperatura am·
biente, também haverá abaixamento da temperatura do óleo,
acompanhada da respecüva redução do volume.

Figur11 4.1.3- Montagem do dewmidillcador de ar

• Aeürar o tampão locaUzado na parte inlerlor do tanque de


expansão (não ê necessãrio reUrar o óleo do tanque),
• Retirar a tampa superior do desumldificador de ar e intro-
duzir a sn!ca-gel no seu interior,
• Reeolocar a tampa do desumidificador de ar.
• Fixar o desumidilicador de ar na parte inferior do tanque de
expansão, com o vidro voltado para baixo.
• Após fixá-lo, retirar a parte Inferior de vidro do desurnidifl-
i • cador de ar e colocar o mesmo óleo do transformador até a
indicação em vermelho existente.
-
I ''Vi
L
. _:_
'·' ~
• Recolocar cuidadosamente a parte de vidro no desumidlfl·
cadorde ar.
- -- • Certificar-se da perfeita fixação do mesmo de modo a evllar
penetração de umidade no transformador.
FlgU1114.1.2
Relé de gás (tipo Buchho!z)
Forma-se, então, uma depressão no conservador e o aram-
biente é aspirado através da antecàmera e do agente seca- Generalidades
dor, o qual absorve a umidade conüda no ar, que entrará em O relê Buchholz (figura 4.2.1} tem por finalidade proteger apa-
contato com o óleo. Desde que a granulação seja correta, um relhos elétricos qoe trabalham imersos em Jfquido isolante,
crivo montado na parte inferior do recipiente ellita que o geralmente transformadores.
agente caia na antecâmara de óleo, sujando-o •

• Agente secador
O agente secadOt, denominado silfcia-gel, é vftreo e Çuro,
quimicamente quase neutro e altamente higroscópico. E um
s~fcico, impregnado com cloreto de cobalto, tendo, quando
em estado aüvo, a cor azul ceieste, de aspecto cristalino. É
capaz de absorver água até 40% de seu próprio peso.
Oevldo à absorção de égua, toma-se róseo, devendo, então,
ser subsülufdo. Tem a vida muito prolongada e através de um
processo que pode ser aplicado repetidas vezes, pode ser
regenerado e reutffizado.

Regenera96D da sllica-gel
A h!grosoopicidade da snica-gel pode ser restabeleclda pelo
aquecimento em temperatura de 200 a 300 "C, evaporando
desta maneira a ãgua absorvida. Para tal fim, pode-se utilizar
qualquer gãs limpo (como por exemplo, o gás de fomo ou
simplesmente ar quente}, sendo sulicien!e uma pressão de
100 a 200 mm de coluna de égua. O aquecimento poderâ ser
feito também indiretamente num cadinho. Recomenda-se
como combuslfvel, usar o mais barato do lugar (carvão, gés
ou óleo). A f1m de acelerar o processo de secagem, convém Figura 4.a.1

8
Máquinas Elétricas Transformadores

Enquanto sobrecargas e sobrecorrentas são fenômenos


controlâveis por melo de relês de máxima intensidade de cor•
rente, defeitos tais como, perda de óleo, descargas Internas,
isolação defeituosa dos enrolamentos, do ferro ou mesmo
contra a terra, ocorridos em transformadores equipados com
um relê de mãxima, podem causar avarias de grande monta,
caso o deleito permaneça desapercebido do operador du-
rante algum tempo.
Os ralés Buchholz são instalados em transformadores, jus-
tamente para, em tempo útil, assinalar por melo de alarme ou
através do desligamento do transformador, defeitos como os
acima citados e deste modo evitarem a continuidade dos
mesmos.
- .:
Descrição e prlncfplo de funcionamento ' "<'"'
O relê Buchholz é normahlente montado entre o tanque prin- ',--,·:·:~~.,~~\,,t_;/.-~'".,.:--
·,- .._,
t1;'
cipal e o tanque de eJ~pansão de transformadores. A carcaça ,.,r ~ •' "'•
... ~- ~·

..,_. ::.
do relê é de ferro fundido, possuindo duas aberturas flangea·
das e ainda dois visares providos de uma escala graduada .;:-·_ ... .:, .--
indicativa do vOlume de gâs. Internamente encontram-se
duas bóias montadas uma sobre a outra. Quando do acOmukl
de uma certa quantidade de gãs no relê, a bóia superbr é flgura4.3.1- TermOmem
forçada a descer, Se, por sua vez, uma prcduçi!io excessiva
de gãs provoca uma circulação de óleo no relê, é a bóia infe- O termOmetro possui na extremidade um bulbo que é coloca·
rior que reage, antes mesmo que os gases formados atinjam do no ponto mais quente do 61eo,logo abaixo da tampa.
o re!é. Em ambos os casos, as bóias ao sofrerem o deslo-- O bulbo contém em seu Interior uma coluna de mercíírio {Hg)

·-
camento, ligam um contato elétrico. que transmite as variações da temperatura até o b!metâlico
existente, indo à agulha indicadora de temperatura.·
. Instruções de Slllrviço
O alarme soa sem que o transformador seja desligado. Deve-
se desligar imediatamente o transformador, e em seguida fa- Pelo controle externo os ponteiros limites poderão ser movi-
zer-se o teste do gás. mentados à vontade,
De acordo com o resultado do teste, os seQt.lintes defeitos Ponteiro indicador de temperatura mãxima do perfodo: Após a
podem ser distinguidos: inspeção periódica do termômetro voltar o ponteiro indicador
a) Gás combuslfvef. presença de acetileno. até encostar no ponteiro principal atraris do controle exter-
Neste caso deve haver um deleito a ser reparado na parte
elétrica. ""·
b) Gás incombusffvel, sem acetReno. .lndlcactor ele nfvel de óleo
Neste caso temos ar puro. O transformador poderá ser li·
gado novamente sem perigo. O ala1me soando repetida· • Generalidades
mente, indica ar penetrando no transformador. Desligue e Vs indicadores magnéticos de nfveltêm por finalidade indicar
repare a falha. com perfeição o nfvel de Uquidos, tais como água, óleo, etc.,
c) Nenhuma formação de giJ.s, nrvel de gás no re/é estS b~ cuja densidade não ultrapasse 10 graus Engler, e ainda,
xanr:io e uma quantidade de ar estiJ. sendc sugada através quando providos de contatos para alarme, servtrem como
da torneira aberta. aparelhos de proteção à máquina, tais como transformado-
Neste caso o nfvel do óleo está muilo baixo, possivel- res, etc.
mente devido a um vazamento. Preencha com óleo até o
nlvel e controle a estanqueidade. Deseriçio e principio de funcionamento
d) O transformador é desligado sem alarme p~vio. Os indicadores magnéticos de nfvel (figura 4.4) possuem a
Neste caso o transformador deve ter sido sobrecarregado sua carcaça em alumfnio fundido, sendo que a indicação de
termicamente. ·ugue novamente ap6s um Intervalo para nl've! é feita por ponteiro acoplado a um fmã permanente, de
refrigeração. grande sensibilidade, fato este que o toma bastante preciso.
O deleito poderá ser encontrado no contato de curto-cir·
cuito ou no sistema de relês.
e) O alarme soa e o transformador é desHgado imedlafa..
mente antes ou após ter soado.
Neste caso uma das falhas já descritas sob a), b} ou c)
devem ser a causa.
Faz-se o teste do gás e procede--se do mesmo modo aci-
ma mencionado.

Terrn6metro
..
. Apllcaç:Ao
O termômetro {figura 4.3.1), possui dois ponteiros de ligação
e um de indicação de temperatura máxima atingida em perb-
do. :·--· -~··:..· '•

Estes três ponteiros s.!io controláveis externamente, sendo ' . _.;~·; ·-


que os dois primeiros movimentam-se apenas por ação e><· .-~-· ;:!·,<-. ···-.:r
terna, enquanto que o ííllimo ê impulsionado pela agulha de . '-.·;·--;(:-'·---
temperatura, apenas quando em ascensão desta, pois, na ' -." .
redução ele fica imóvel, sujeito apenas à ação externa, pos·
sibmtando-se a veriHcação da temperatura máxima atingida
em um dado per/odo.
._.t( •. ;P"
"'--"""·--'"'~ --~_..,... .
Figura 4.4- Indicadores n~~~gnt\licos de nfve!
...._..-...;; __ :.. ~.;;.· ?'
,._....._,_......:...;,.~-:,~."""'·"""

9
Máquinas Elétricas Transformadores

O mostrador dos Indicadores magnéticos de nfvef possu'1 três A pressão Jntema do transformador é rapidamente reduzida a
lndiéações, ou sejam, MIN, que corresponde ao nfvel mlnimo, valores normais em conseqüência do escape pela válvula, e
25 •c, que corresponde à temperatura ambiente assinalada e as molas (7) reconduz.em o disco (3) para a posição de re-
MAX, que corresponde ao nfvel mãximo. pouso, vedando novamente a válvula. Um pequeno orifício de
sangria do espaço compreendido entre as gaxetes (4 e 5)
Válvula de alivio de presdo evita que a válvula opere desnecessariamente em caso de
A vâlvula de alivio de pressão de fechamento automático (fi. vedação imperfeita entre o disco (3) e a gaxeta (4) ocasiona·
gura 4.5) é instalada em transformadores imersos em liquido da por partfculas estranhas depositadas sobre a gaxeta {4).
isolante C001 a finalidade de protegê-los contra possrvel de- A válvula é provida na tampa {6} de um pino oolorido {8), lndi·
formação ou ruptura do tanque, em casos de defeito interno cador mecânico da atuação da válvula. O p!no estA apoiado
com aparecimento de pressão elevados. sobre o disco (3) e levanta-se com ele durante a abenura,
sendo mantido na posição de vãlvula aberta pela gaxeta {11}.
O pino é claramente vlsfvel a grande distancia, indicando que
a válvula operou, podem ser rearmada manualmente, empur-
rando-o para baixo .até encostar no disco (3),
A válvula também é provida de uma chave selada e a prova
de tempo {9), montada na tampa, com contatos de atuaçlio
simultânea. A chave é acionada pelo movimentO do disco (3)
e deve ser rearmada manualmente por meio da alavanca (10)
ap6s o funcionamento.

· . Relé de pressão súbita

• Genentlldades
O relb de pressao súbita {f~gura 4.6} é um equip.amento de
proteção para transformadores do tipo selado. E instalado
acima do nrvel máximo do lfquido, no espaço com gás com-
preendido entre o liquido e a tampa do transformador.
O relê é projetado para atuar quando ocorrem defeitos no
transformador que -produzem pressão Interna anormal, sendo
sua operação ocasionada somente pelas mudanças rápidas
Flgur~~4.S- Vâl-rola de aiMo de prassáo da pressêo Interna, Independente da pl"essão de operação ·oo
translonnador.
A válvula é extremamente sensfvet e rápida (opera em me-
nos de dois milésimos de segundo), !echa•se automatica·
mente após a operaçao, impedindo assin a entrada de qual-
quer agente externo no interior do transformador•

. Caractertsticas e funcionamento
A vãJvula de all'vlo de pressão, de fechamento automático, é
uma válvtda com mola provida de um sistema de ampnflca·
ção Instantânea da força de atuação.

Flgufl!l4,5.1 - Valwla de alfvlo de pr$$11!o am corto Figura 4.6- Relé de preSSI'Io s!lb!ta

O cone (figura 4.5.1) mostra a válvula montada sobre o Para aumentos de pressão de 0,4 atm/seg o relé opera em
transformador por meio de parafusos que a prendem à flange cerca de 3 ciclos. Para aumentos de pressão mais rápidos (1
(1), vedada pela gaxeta (2). abnlseg) a operação dá·se em menos de um ciclo. Por outro:
O disco da vâlvula (3) ê apertado pelas molas (7} e vedado lado, o re!é não opera devido a mudanças lentas de pressão
por meio das gaxetas {4 e 5). A operaçAo da vãlvula dA·se próprias do funcionamento normal do transformador, bem
quando a pressão que atua na área defmida pelo diâmetro da corno durante perturbações do sistema {raios, sobretensAo
gaxeta (4) excede a contrapressão de abenura exercida pe- de manobra ou curto-circuito) a merlos que tais perturbações
las molas (7). produzam danos no transformador.
logo que o disco {3) levanta-se ligeiramente da gaxeta (4), a
pressão Interna do transformador passa Imediatamente a agir Construçio e furu:Jonamenlo
sobre toda a área do disco delimitado pelo diâmetro da ga- O re!é é composto essencialmente de um elemento sensível
xeta (5), resultando uma força muito maior que aciona o disco à pressao, com microrruptor.
para cima e causa a abertura imediata e total da válvula até a a) O elemento sensfvel à pressão (llgura 4.6a) consUtui-se
altura das molas (7) em posição de compressão. de:

10
Máquinas Elétricas Transformadores

• Uma caixa totalmente fechada (pos.1), flangeada sobre Relé de pressão sliblta
uma aberlura do tanque do translonnador, localizada
acima do lfquldo isolante. A caixa comunica com o inte-
rior do transformador somente através de um pequeno
oriffcio equaUzador da pressão existente no p!ug de latão
(pos.2).
• Um fole metálico (pos. 3), em liga não corrosiva!.
• Um microrruptor {pus. 4), acionado pelo fole quando
este alonga devido a desiquilfbrios de pressão entre o
transformador e o interior da caixa {pos. 1) do relê.
• Uma caixa de lenninais (pos. 5), com bomes (pos. 6) do
microrruptor.
• Um bujão de teste (pos. 7),

Quando a pressão no interior do transformador muda lenta-


mente durante o funcionamento nonnal, o oriffcio equaHzador
é suftciente para Igualar a pressão 'do interior da caixa de ralé Figura 4.&:- Curvas de 11mpo o pressAo
oom a pressão do interior do transformador. Desta maneira o
fole não se defo1ma e o retê não dá alanne, permiUndo a ope-
ração normal do transformador.

Figura 4.611- Relé da



~o mlbitl (eleme!'!UI sensfW! B preS5&o)
Peoo aproximado: 12,5kg

30 r:

~I
r
Figura ot,6b- Flsngo tio nnslmmiiÓX pare ~o do relê

Por outro lado, se houver no interior do transformador au-


mentos de pressão mais rápidos dos que os verlllcados nor-
malmente, o pequeno ort!fcio equalizador faz com que per-
sista por um certo perlodo de tempo, na caixa do relê, uma
pressão mais baixa que a do transformador.lsto ocasiona a
alongamento de fole e conseqfientemenle o acionamento do
microrruptor.

Forma de lnstalaçio
Normalmente o relê de pressão súbita é montado em uma
das paredes laterais do tanque do transformador, no espaça
entre o nlvel máximo do lfquida isolante e a tampa. Entretanto,
é aceitâvel também a montagem horizontal, sobre a tampa da
transformador.
Quando a transformador é transportado cheio de lfqu!do iso-
lante ou é enchida no campo com vácuo, é importante verifi-
car que não penetre liluido isolante no oriffcio equalizadarde
pressão ou no Interior do relê.
Normahlente o flange ao qual se aplica o relê é fornecido
com tlange cego de vedação. O retê ê fornecido em separa·
do, devendo ser montado após conclufcla a instalação do
transformador e o enchimooto com lfquido isolante.

11
Máquinas Elétricas Transformadores

1.5-0 Transformador Ideal

Considere um transformador com um enrolamento primano de N1 espiras e um


enrolamento secundário de N 2 espiraS, como mostrado na figura 01. Suponha-se que as
propriedades deste transformador são idealizadas no sentido de que as resistências dos
enrolamentos são desprezíveis, todo o fluxo está confinado ao núcleo e se concatena com
ambos enrolamentos, as perdas no núcleo são desprezíveis, e a permeabilidade magnética do
núcleo é tão alta que apenas urna corrente de excitação desprezível é necessária para
estabelecer o fluxo. Estas propriedades são aproximadas mas nunca realmente atingidas nos
transformadores reais. Um transformador hipotético tendo estas propriedades é
frequentemente chamado de transformador ideal.

1.5.1-Funcionamento a Vazio.

Considere· um transformador ideal , de núcleo de ferro, como mostrado na


figura OI:

lm . --· ........,_.... m:-,.- -- ----.---- ........... .... ·.


HI » x,
• • ,....
E2~ ~ ~

r
H2 N1. __
'"'
··-···· ....................

Fig. O1 - Transformador ideal a vazio


---·-·-·- -- ------- - - y,
x,

A tensão Vi quando aplicada aos terminais da bobina de N 1 espiras faz circular


por esta uma corrente que produz o flux:.o <Pm no circuito magnético.
A variação de tPm no tempo induz uma fcem Ei no enrolamento primário, que pela lei
de lens, tem sentido contrário a causa que lhe deu origem, Vi . A variação no tempo também
induz a fcem E,.

Im

Fig. 02 - Diagrama vetorial , transformador a vazio

Im defasado 90" de V 1 • pois o circuito é puramente indutivo.


E 1 , E 2 com mesma polaridade e opostos a Vi.

12
Máquinas Elétricas Transformadores

J.5.2~Funcionamento com Carga

Considere um transformador ideal, de núcleo de ferro, como mostrado na


figura 03:

Hl Im+I't --->--- < -R-- ------, ,, x,


• I
• l
f- p
~v,
v
c;-
' r-
:r---r--- El f- p
f- p
x,
ZL

T
"' N.l ____ ---- Nl

Fig. 03 -Transformador ideal com carga

Supondo que a carga ZL seja indutiva, esta produzirá uma corrente I 2 atrasada em
-~ relação a E 2 de um ângulo 8 2 .
Esta corrente passando pelo secundário faz com que os amperes espiras secundários
criem um fluxo de reação desmagnetizante , Q>R , que reduz o fluxo mútuo , cl>m , resultante no
circuito magnético, provocando a redução instantânea de E 1 e E 2 . Esta diminuição causada
pela diminuição do fluxo resultante no circuito magnético faz o fluxo criado pela corrente
primária reagir tendendo a diminuir o efeito desmagnetizante do fluxo de reação ci>R . Para isto,
mais corrente primária é drenada da fonte. Como a corrente de magnetização é considerada
constante, ao acréscimo de corrente primária surgido pela diminuição de E, e E 2 ,
denomina-se componente pçimária da corrente de carga, I 1' . Esta corrente I 1' é taJ que, para
que o fluxo resultante seja restabelecido em seu valor original , os amperes espiras primários
criados por esta corrente 11' deverão ser iguais aos amperes espiras secundários N 1 I,· = N 2 12
Desta fonna vê-se que a corrente primária I 1 é a soma vetorial desta componente de
carga 11• com a corrente de magnetização Im .

9j• ~ 92

N!l'l ~N2!2

Fig. 04 - Diagrama vetorial , transformador com carga

13
Máquinas Elétricas

I. 5.3-Re/açllo de" Transformação

E, =N, l!.<Pm
XTt
l!.<Pm
E1=N2x(;J

a.= Relação de Transformação

Como a força magnetomotriz incrementai ( N1 I1' ) é igual a força rnanetoriz


desmagnetizante (N2 I,):

N 1 I,·~N,J,

1.5.4-Impedíincia Rçfletida

Considere um transformador ideal, de núcleo de ferro, como mostrado na figura 05:


Há uma impedância Zt no secundário do transformador, qual o valor esta teria no lado
primário?

Fig.05 - Transfonnador ideal

14
Máquinas Elétricas Tran:;forma4ores

Para qualquer valor de impedãncia de carga ZL , a impedância vista do secundário é:

Considerando que I 1' = 11 ( ( >>Im) , a impedância vista do primário é:

Z,=-
v,
J,

v,=· N2
N, x v2

.-

z, =(~r xZ2
IZ,=a2 xZ2J
A Transferência de uma impedância de um lado do transformador para outro é
chamada referir a impedância ao outro lado.

Os dois circuitos das figuras abaixo são idênticos desde que seu desempenho seja
observado dos terminais ab.

li
:;;.. Iz :;;.. II ;:.
a a

VIr V2 Zz VIr zz(~


b b
NI N2

15
Máquinas Elétricas Transformadores

Exercícios:

01-Um transformador de 4,6 KVA, 23001!15 V, 60Hz foi projetado para ter uma
fem induzida de 2,5 volts/espira. Imaginando~o um transformador ideal, calcule:
a)O número de espiras do enrolamento de alta, Na; (920 espiras)
b)O número de espiras do enrolamento de baixa, N,; (46 espiras)
c)A corrente nominal para o enrolamento de alta, I,; (2 A)
d)A corrente nominal para o enrolamento de baixa, I,; (40 A)
e)A relação de Transfonnação funcionando como elevador. (0,05)
f)A relação de Transformação funcionando como abaixador. (20)

02~0 lado de alta tensão de um transformador abaixador tem 800 espiras e o lado de
baixa tensão tem 100 espiras. Uma tensão de 240 V é aplicada ao lado de alta e urna
impedância de carga de 3 .Q é ligada ao lado de baixa tensão, calcule:
a)Corrente e tensão secundárias; (lO A, 30 V)
b)Corrente primária; ( 1,25 A)
c)Impedância de entrada do primário a partir da relação entre tensão e a corrente
primárias; ( !92 Q)
d)Impedãncia de entrada do primário por meio da eqnação Z 1 = a.2 X Z2.
03-Um servo-amplificador CA tem uma irnpedãncia de saída de 250 Q e o
servo-motor CA, que ele deve acionar, tem uma irnpedância de 2,5 n. Calcule:
a)Relação de transformação do transfonnador que faça o acoplamento da impedância
do servo-amplificador à do servo-motor; (10)
b)Número de espiras do primário se o secundário tem lO espiras. ( 100 espiras)

16
Máquinas Elétricas Transformadores

1. 6-0 Transformador Real e Circuito Equivalente

Num transformador real deve-se considerar as perdas no núcleo, os fluxos dispersos


no primário e secundário, bem como as resistências dos fios dos enrolamentos.
Na análise e resolução de certos problemas encontrados no cotidiano é de muita valia
um modelo matemático que descreva com razoável aproximação e clareza o comportamento
de um transformador de potência. Este modelo matemático denomina-se circuito equivalente.
Através da técnica do circuito equivalente baseada no raciocínio fisico foi
desenvolvido o circuito equivalente do transformador real. cuja representação é dada abaixo
na figura 05 :

Tranformador ideal

v.

Fig. 05 - Circuito equivalente de um transformador real

R, Resistência ohmica do enrolamento primário~


R, Resistência ohmica do enrolamento secundário~
X,., Reatância indutiva de dispersão do enrolamento primário;
Xu Reatância indutiva de dispersão do enrolamento secundário;
R, Resistência relativa as perdas no núcleo;
X,.. Reatância indutiva relativa a magnetização do núcleo;
-. I, Corrente relativa as perdas no núcleo;
!, Corrente relativa a magnetização do núcleo;
I.I, Corrente de excitação; r ..•.J,.,.. y., .. ~.' ~· "· .. ·.. :. '"
Componente primária da corrente de carga;
I,' Corrente drenada da rede pelo primário;
I, Corrente fornecida a carga pelo secundário;
E, Tensão induzida no enrolamento primário;
E, Tensão induzida no enrolamento secundário;
v, Tensão da rede aplicada ao primário;
v, Tensão nos terminais do secundário do transformador.

17
Máquinas Elétricas TransfOrmadores

Diagrama Vetorial a Vazio

Y1
I l<lf<\

Im. I<l

<p o ~ fator de potência a vazio

Diagrama Vetorial com Carga (carga indutiva)

E'J=-EJ
I' I
Im

<p 2 ---)>o fator de potência da carga C:V


1 ~ fator de potência do transformador

18
Máquinas Elétricas' TransfOrmadores

1. 7wCircuitos Equivalentes para Transformador de Potência

Circuito equivalente de um transformador de potência referido ao primário


(sati#'az as condições a vazio e carregad-O, modelo mais co'!1pleto)

a 2 r2
l't
----;.

~1 0
~Im
X[m

Circuito equivalente aproximado de um transformador .de potência referido ao


primáno
(satisfaz as condições a vazio e carregado, modelo aproximado, facilita o trabalho de
cálculo, despreza a queda de tensão na impedáncia do primário devido a corrente de
excitação)

r 1 + a. 2 r2
~ AH
vyv
~lo REI XEt

Vt
h::i ::
'p< >
fm aVz li <t2ZL I
X[m
'•'

Circuito equivalente simplificado de um transformador de potência referido ao


primário
(satisfaz a condição carregado, despreza a corrente de excitação, útil na solução de
problemas de regulação de tensão, e cálculo de curto-circuito)

-.
~ _AAA
V:V
''
X

~
zE,
Vt a v, la2ZL!

19
Máquinas Elétricas Trans(onnadores

Circuito equivalente simplificado para transformador de potência de várias centenas de


KVA referido ao primário
(satisfaz a condição carregado, despreza a corrente de excitação e a resistência
equivalente referida ao primário(R8 J, útil para cálculo de regulação de tensão e curto
circuito)

----'»
''

VI crvz li f1-
2
ZLj

Exercícios:

04--Um transformador abaixador de 500 KVA, 60 Hz, 2300/230 V, tem os seguintes


parâmetros: R 1=0,1 0:, Xu=0,3 O., R 2 =0,001 Q, XL2=0,003 .Q. Quando o transformador é
usado como abaixador e está com carga nominal, calcule:
a)Correntes primária e secundária; (I,~2J7,5 A, I,~ 2175 A)
b)Impedâncías íntemas primária e secundária; (Z,~0,316 Q e z,~o,003!6 Q)
c)Quedas internas de tensão primária e secundária; ( I 1Z 1=68,8 V e IzZ2=6,88 V)
d)Fem induzidas primária e secundária, imaginamdo-se que as tensões nos tenninais e
índuzídas estân em fase; (E 1 ~2.231,2 V e E,~236,88 V)
e)Relação entre as fem induzidas primária e secundária, e entre as respectivas tensões
terminais.
(~
E
=9
2 '
7 __ 2V
2
=r o)
05-Apartir das tensões terminais e correntes primárias e secundárias do exercício
anterior, calcule:
a)lmpedâncía de carga; (ZL=0,!055 Q)
b)Impedâncía primária de entrada; (Z,~!0,55 Q)
c)Compare ~ com Z 2 e Zp com Z 1; •
d)Estabeleça as diferenças entre as impedâncias do item (c).

06-Para o transformador dado no exercício 04, calcule:


a)A resistência interna equivalente referida ao primário; (RE 1=0,2 0)
b )A Reatância interna equivalente referida ao primário; (XE 1=0,6 Q)
c)A impedância interna equivalente referida ao primário; (ZE 1=0,632 .Q)
d)A impedância secundária equivalente a uma carga de 0,1 .Q:(resistiva) referida ao
primário; (I O Q)
e)A corrente primária de carga se a fonte é de 2300 V. (225 A)

20
Máquinas Elétricas Transformadores

1.8-0bservações e Relações Complementares

1.8.1-Relação de Espiras e Relaçt1o de Transformação


Relação de Espiras

Onde E 1 e E 2 são as fem nos enrolamentos primário e secundário, transfonnador a


vázio.

Relação de Transformação

v1 N1
ar=-::t:-
V2 N2
Onde V1 e V, são os módulos da tensão nos terminais do primário e secundário,
transfonnador com tensão nominal, frequência nominal e carga nominal (potência, fator de
potência)

1.8.2-Relação entre Tensão(V) , Fluxo nuíximo(tP.,a.x J , Frequência (f) e Número de


Espiras (N)

valor máximo do fluxo


frequência e Hz

O valor eficaz da fem induzida E 1 será:

Se a queda de tensão na resistência for desprezível


Nestas condições, se uma tensão senoidal for aplicada a um enrolamento, deverá
estabelecer-se um fluxo no núcleo variando senoidalmente e cujo valor máximo(Wmh) satisfaça
-- a exigência de que E 1 iguale o valor eficaz V 1 da tensão aplicada, isto é:

21
Máquinas Elétricas Trw1sformqdores

Isto significa que o fluxo é determinado pela tensão aplicada, frequência e número de
espiras.
A equação acima estabelece o máximo fluxo mútuo permissível, ou a máxima,
densidade de fluxo pennissível a uma dada frequência e urna dada tensão.
Com isto conclue-se que os transfonnadores projetados para operação a uma dada
frequência não podem ser operados a outra frequência sem as correspondentes alterações na
tensão aplicada, para não alterar a indução máxima. Isto é necessário para que o
transformador não sobreaqueça.

1.8.3-Forma de Onda da Corrente de Excitação

Devido às propriedades magnéticas não lineares do ferro (B x H), a forma de onda da


corrente de excitação difere da forma de onda da de fluxo. A forma de onda da corrente de
excitação em função do tempo pode ser determinada graficamente apartir das características
magnéticas do núcleo, conforme ilustrado abaixo:

~ ~
~ ___ __________
~c c ____._L11L:::7.

o t

'"
••

I ' " '\


I '
,.,, "
..
I \
'\ ' I
I I
I '
v '
' I
\ ''

22
Máquinas Elétricas Transformadores

Procedimento gráfico:

-Para um certo t determinamos o correspondente fluxo($);


-Para este valor de fluxo(~) verifica-se na curva de histerese o io;
-Transporta-se para aquele t, o valor de io e tem-se um ponto da curva i0 = f(t);
-Traça-se todos os pontos para obter io= f\t).

Se a corrente de excitação for analisada por série de fourier, verifica-se que ela se
compõe de uma fundamental e urna família de harmônicas ímpares. A principal harmônica é a
terceira. Para transformadores de potência típicos, a terceira harmônica é usualmente cerca de
40% da corrente de excitação.
Excetuando-se os problemas referentes diretamente aos efeitos da~ harmônicas, as
peculiaridades da forma de onda da corrente de excitação usualmente não precisam ser
consideradas, pois a corrente de excitação em si mesma é pequena. Por exemplo, a corrente de
excitação de um transformador de potência típico é cerca de 5% da corrente de plena carga,
consequentemente os efeitos das harmônicas usualmente são sobrepujados pelas correntes
senoidais de outros elementos lineares no circuito. A corrente de excitação pode então ser
representada pela sua "onda senoidal equivalente" que tem o mesmo valor eficaz e mesma
frequência, e produz a mesma potência média que a onda real.

23
Máquinas Elétricas Transformadores

1.9-Determinação dos Parâmetros do Circuito Equivalente baseado nos Ensaios à Vazio e


em Curto-circuito.

Quando não se tem em mãos os valores dos parâmetros cedidos pelo fabricante,
pode-se obtê-los através da manipulação matemática dos resultados colhidos nos ensaios à
vazio e em curto-circuito.

1.9.1-Ensaio à Vazio

Com este ensaio pode-se determinar:

-Perdas no núcleo (histerese e foucault);


- Corrente a vazio;
- Relação de transformação teórica;
- Paràmetros do ramo magnetizante;
- Impedância equivalente;
-Rendimento.

Perdas por Histerese

Quando um material ferromagnético é submetido a uma intensidade de campo


~

magnético (H) ele possui uma propriedade de resistir ao movimento imposto aos seus
domínios causando um atraso na orientação dos mesmos (hister.ese). Todo movimento dos
domínios é acompanhado de fricção, que produz calor no núcleo do material ferromagnético
ou seja há dissipação de energia sob forma de calor.
Para reduzir as perdas por histerese usa-se materiais doces com baixa coercitividade
com introdução de certa percentagem de silício no ferro.

f• = 11 x B 1•6 xfx 10 8 Watts/Kg I


Ph Perdas por histerese
11 Coeficiente de Stemmetz (depende de ferro utilizado)
B Indução máxima (densidade de fluxo)
f Frequência

Perdas por Corrente Parasitas aoucaultJ

A variação do fluxo magnético no tempo induz uma força eletromotriz no núcleo


ferromagnético (material condutor de alta resistividade), consequentemente aparecem
correntes induzidas circulares no núcleo ferromagnético que dissipam energia sob forma de
calor, originando perdas. Estas perdas são acentuadas quanto mais livre for o caminho deixado
para circulação da corrente. Se a peça é volumosa e única o caminho pode ser longo e as
perdas acentuadas. Por isso utiliza-se pacotes de lâminas de pequena espessura, para diminuir

24
Máqyinas Elétricas Transformadores

o caminho disponível para corrente, isoladas entre si por vernizes e ou óxidos na construção
do núcleos de Transformadores.

11
lfr=2,22xfxB 2 xa 2 xiO Watts/Kgl

Pf Perdas por foucault


f Frequência
B Densidade de fluxo
a Espessura do material condutivo

Ligação Típica para Ensaio à Vazio

Fonte CA
Ajustável
v,

Hz
Procedimento do Ensaio

l-Ajusta-se a fonte CA regulável desde zero até a tensão nominal do enrolamento em


que o voltímetro está ligado.
2-Lê-se a potência a vazio (P a tensão nominal (V e a corrente de excitação (IJ,
0
),
0
),

nos respectivos instrumentos.

Como a maioria dos transformadores de potência possuem um ou mais enrolamentos


de tensão muito alta, é usual e mais seguro, executar-se o ensaio a vazio utilizando-se o
enrolamento de mais baixa tensão existente, tomando-se cuidado de isolar os terminais do
enrolamento de a1ta tensão.
As perdas por histerese e pelas correntes parasitas, tomadas em conjunto, constituem o
que se denomina perdas no núcleo (ferro), supondo que a voltagem aplicada (VJ ao
transformador permanece constante, o fluxo de magnetização üPm) será praticamente
constante, independente da carga, desta forma as perdas no núcleo são constantes para todos
os valores de cargas.
Como a corrente a vazio é relativamente pequena, bem como a resistência do
enrolamento de baixa tensão, é usual tornar-se a leitura do wattímetro como o valor das
perdas no núcleo, sem subtrair as pequenas perdas no cobre produzido pela corrente a vazio.

Po Perdas a vazio
PN Perdas no núcleo (PH + PF)
P co Perdas no cobre a vazio (despreza-se)
25
Máquinas Elétricas Transformadores

Circuito Equivalente do TransfOrmador no Ensaio à Vazio

lo r, XL2
----;.
lp Vo
~1 0

.!;r ~1m
Vo 1m ------- --- lo
Xfm
<l>m

Po ~Vo x lo x Cosc:p 0

]p ~Ia x Cosc:po

Pa~Voxlp

lp~-
Po
Va

1.9.2-Ensaio em Curto Circuito

Com este ensaio pode-se detenninar:

- Perdas no cobre;
- Queda de tensão interna;
- Resistência, .reatância e impedância percentuais;
-Regulação de tensão.
-Regulação
- Rendimento

26
Máquinas Elétricas Transformadores

Ligacão Típica para o Ensaio em Curto-Circuito

l l2 nominal

Procedimento de Ensaio

l-Ajusta-se a fonte CA regulável até que a corrente nominal primária, Il' seja lida no
amperímetro.
2-Lê-se a potência de çurto-circuito, P cc ,
A tensão de curto-circuito, Vcc , e a
corrente primária de curto-circuito; Ice == 11 nominal.

Circuito Equivalente do Transformador no Ensaio de Curto-Circuito

- ____,.
I~ Rcc Xcc

1
r1 + a?r2 xu+ a?xu
- v~
~ IJ,ominol

ZEI

Pode-se observar que estando o secundário curto-circuitado, a tensão necessária para a


circulação de correntes nominais é bem inferior ao correspondente valor nominal. Assim, a
tensão necessária para a realização do ensaio ·apresenta valores, geralmente em tomo de 1O %
-
. do valor nominal .
cJ
Sendo V a décima parte da tensão nominal, a indução do núcleo será reduzida 1O
vezes (B = A~mi>x e (-"
'f'máx xN xf) . Com 'tsto, as
= 4 ,44V,
1
pe~d as por h'tsterese fitcarao
-

reduzidas de (10) 1' 6 = 40 vezes, e, as perdas por correntes parasitas de (10) 2 == 100 vezes, o
que leva a concluir que as perdas no núcleo são desprezíveis face as perdas no cobre, no
ensaio em curto-circuito
Portanto fazendo circular as correntes nominais, o wattímetro inseridO registra a
potência perdida por efeito joule nos dois enrolamentos.

27
Máquinas Elétricas Transformadores

Pcc :::.PJ

P cc Perdas de curto-circuito

PN Perdas no núcleo (PH + PF ) , despreza-se

P1 Perdas no cobre a corrente nominal

Vcc
Z cc=--
Icc

Nas raras vezes em que é utilizado o circuito equivalente completo, os valores


aproximados das resistências e reatâncias de dispersão individuais de primário e secundários
podem ser obtidos supondo que R1 = a 2R2 = R~c e XLI= a 2XL2 = X~c quando todas
as impedâncias estão referidas ao mesmo lado. ·

Exercícios

07-Um transformador monofásico, 30 KVA, 2300/230 V, 60Hz, foi ensaiado à vazio


e em curto-circuito. Com base nas medidas obtidas nos ensaios, determine o circuito
equivalente aproximado referido ao lado de alta tensão.
P0 ~ 180 W P,, ~ 637,7 W
a vazio V0 = 230 V em curto Vcc = 103 V
I, ~ 6,4 A I,, ~ I, nominal
BT (secundário) AT (primário)

08-Um transformador monofásico, 150 KV A, 2400/240 V, 60Hz, foi ensaiado à vazio


e em curto-circuito. Com base nas medidas obtidas nos ensaios, determine o circuito
equivalente aproximado referido ao lado de alta tensão.
P,~558W P,,~J85!W
a vano V0 = 240 V em curto Vcc = 240 V
10 = 5A Ice= 11 nominal
BT (secundário) AT (primário)

28
Máquinas Elétricas TraJJs(ormadores

1.10-Transformação Trifásica

As transformações trifásicas podem ser feitas com um transfonnador trifásico ou com


um banco de três transformadores monofásicos. ·
As vantagens do transformador trifásico em relação ao banco de três transformadores
monofàsicos podem assim ser resumidas:

-Menor espaço ocupado na instalação (mais compacto);


- Menor peso;
-Menor custo.

As de$vantagens do transformador trifásico em relação ao banco de três


transformadores monofásicos podem assim ser resumidas:

- Reserva mais cara;


- Maior peso por unidade;
- Transporte mais dificil;
-Defeito em uma fase pode comunicar às outras fases.

1.10.1-Transformador Trifásico Tipo Núcleo Envolt•ido

t··o·······t o·····t
tA <!>a te
--- ··--- .. --- .

Núcleo trifásico tipo envolvido

O diagrama vetorial dos fluxos nas três colunas do núcleo, está indicado na figura a
seguir, o qual mostra que a resultante dos fluxos em duas colunas quaisquer, como indicado
pelas linhas pontilhadas, é exatamente igual e oposta ao fluxo na terceira coluna. Isto quer
dizer que, em um instante qualquer, a soma dos fluxos para cima em duas colunas é igual ao
fluxo para baixo na terceira coluna.

cjlA

Diagrama vetorial dos fluxos no núcleo do transformador trifásico tipo envolvido.


29
Máquinas Elétricas Transformadores

1.10.2-Transformador Trifásico Tipo Núcleo Em,olvente

Núcleo trifásico tipo envolvente

-Valares do fluxo no núcleo com todos os enrolamentos conectados da mesma form


(primário e secundário com mesma poladidade).
- As partes D e. E possuem metade das partes A, B, C, e as partes F e G possue
,866 das partes A, B, C.

<j>A

i
F~ <j>A
_l_~
<I> c G=_l_<j>B ~
2

-Valores do fluxo no núcleo com enrolamento primário e secundário do núcleo


·nvertidos. ·
-As partes D, E, F e G possuem metade das partes A, B, C.

Diagrama vetorial dos fluxos no núcleo do transformador trifásico tipo envolvente.

Os fenômenos da indução eletromagnética que regem o funcionamento de um


transformador trifásico são mesmos que para um transformador monofásico. · A diferença
reside no fato de se ter tensões aplicadas ao primário defasadas de 120°, fluxos produzidos no
núcleo defasados de 120° e tensões induzidas também defasadas de 120°.

30
Máquinas Elétricas Tratl§/ormadores

l.ll~Conexões a um Sistema Trifásico

As três fases de um transformador trifásico podem ser ligadas a um sistema trifásico de


três maneiras distintas.
l.JJ.I~Conexão em Estrela ou Y

Conhecendo-se a polaridade de cada enrolamento, isto é, o princípio e o fim de cada


bobina, a conexão em estrela consiste em ligar os fins de cada fase a um ponto comum N, e os
princípios a,b,c, às linhas do sistema trif'asico.

A
IAN • IAN
>

VcA
VAB
r luN
~
• B
N
ICN lBN

-- Voe~ • c
I II;=If I
ICN

VcA VAB
--

VAB=VAN-VBN

VBc = VBN -VCN

VcA=VcN-VAN

VL=Vl Vr

VBc

31
Máquinas Elétricas · Transfonnadores

1.11.1-Cone:xiin em Triângulo ou Delta (11}

A conexão em triângulo ou delta (Ll) é feita ligando-se o fim do enrolamento de uma


fase com o início do enrolamento da fase seguinte.

A
IAB --=..- ryy\
_.I.

• B
vABl lnc ..!4 'ryy\
VcA

Vnc~ ICA
I
-4 fYY'
• c~ VcA Vnc

IAB=IA-IB
-IB 1-
IBc=IB-Ic
ICA= le-IA

IL= Vl I f

~······"-IA ~· IBc

32
Máquinas Elétricas TransfOrmadores

1.11.3-Conexão em Zig-Zag ou Z
A conexão em zig-zag ou Z é uma derivação da conexão em estrela, com a diferença
que o enrolamento de cada fase é dividido em duas metades, dispostas sobre duas colunas
distintas, agrupadas em série entre si, em sentido contrário uma em relação a outra e a
conexão entre os seis enrolamentos assim obtidos é feita como indica o diagrama da figura a
seguir:

Vxst

Xl

- Vxt Vxs
• •
vcl c
-
N

• •
~l B'
vcJ C'

® ©

-VA•
L VX35
t.;.

33
Máguinas Elétricas Transformadores
v .
Chamando de 2 a tensão em cada metade do enrolamentc de cada fase, a tensão de
fase da conexão zig-zag será:

V 10 ·
V!z=Ix,;3 = VXI = VX3= Vxs=0,866V

A tensão composta ou entre fases será:

Se a conexão fosse estrela, ligando-se em série cada metade do enrolamento de cada


fase, teríamos:

E a tensão composta entre as fases:

Portanto a relação entre as tensões entre fases das conexões em estrela e zig-zag será:

VLy_2x/3_
VL- 3 - 115
'
z

Conclui-se então que para se obter a mesma tensão com a conexão em zig-zag teremos
que ter mais 15 % de espiras que no caso da conexão em estrela.

34
Máquinas Elétricas TransfOrmadores

1.12-Adaptação dos Ensaios em Curto-Circuito e À l'azio para Transformadores Trifásicos

- Corrente à vazio

lo= lo, +/o2 +/o3


3
10 Corrente à vazio dada pela média aritmética das correntes a vázio de cada fase

- Relação de Transfonnação

r---------------xi

Vu ~V2L = V2f

VIL x2

«3----------------~

Relação de transformação - Enrolamento monofasico

Relação de transformação - Enrolamento trifásico

~ N, --> t.
~

35
Mágy.inas Elétricas Transfonnadores

1.13-Rendimento dos Transfornwdores

Definição: O rendimento de um transformador é definido pela relação entre potência


elétrica fornecida pelo secundário e a potência elétrica correspondente absorvida pelo circuito
primário do transformador.

Potência Potência
de TRAFO de
Entrada Saída

T]; f sAlDA
F ENTRADA

p ENTRADA = p SAÍDA + p PERDAS

Os transformadores comuns apresentam um rendimento bem elevado (acima de 95%).


O rendimento, por conseguinte, não pode ser detenninado com muita precisão por meio de
medições diretas de potência entregue e recebida, visto que as perdas são da ordem de 1 a 3%.
A diferença entre as leituras dos instrumentos registradores de potências entregue e recebida é
tão pequena que um desvio de instrumento não maior que 0,5% causará um erro de
aproximadamente de 15% nas perdas. É mais correto e exato calcular o rendimento por meio
das perdas.

TJ; -------~V~2 ~x~/~2 ~x~c~o~s~e~,~~~-­


v, x h x cose,+ CP NÚcLEo+ I~RE2)

O numerador da equação acima representa a potência útil transferida do primário ao


secundário e à carga.
O termo entre parênteses do denominador~ representa as perdas que ocorrem durante
esta transferência.
A potência útil de saída e as perdas equivalentes no cobre são ambas função de 12
(corrente secundária).
A fim de determinar o rendimento máximo é necessário derivar esta expressão em
relação a~ e igualar a primeira derivada a zero.

PNÚCLEO ; I~ X RE2
37
Máquinas Elétricas TransfOrmadores

O rendimento máximo ocorre quando as perdas fixas e variáveis são iguais.


O valor de corrente secundária para qual ocorre o máximo rendimento é

I2 = JPNúCLEO
,.11!Á>: Rm

Para um mesmo valor de corrente I 2 , se o fator de potência diminuir, o rendimento


também diminui e vice-versa.
Com cargas relativamente leves, as perdas fixas são elevadas em relação a saída e o
rendimento é baixo. Para cargas relativamente pesadas as perdas variáveis são elevadas e o·
rendimento é novamente baixo.

Exercícios

11-Um transformador monofásico de distribuição de 500 KVA, 2300/208 V, 60 Hz


teve seus testes de aceitação constando de um ensaio a vazio e um de curto-circuito, antes de
ser colocado em serviço como transformador abaixador. A partir dos dados obtidos dos
ensaios, calcule:
P,~ 1.800W P 00 ~ 8.200 W
a vazio v,~2o8 v em curto V 00 ~ 95 V
1, ~85A Ice= 11 nominal
BT (secundário) AT (primário)

a)A resistência equivalente referida ao lado de baixa; RE 2= 0,001417 .Q


b)A resistência do enrolamento do lado de baixa tensão apenas; Rz= 7,lx10-4 O
c)As perdas no cobre do enrolamento de baixa durante o ensaio à vazio; Pco =5,125W
d)As perdas no núcleo do transformador quando a tensão nominal é Aplicada;
PNÜcu;o= 1.794,9 W
e)Podem as perdas à vazio, obtidas do respectivo ensaio, ser usadas como perdas no
núcleo? Explique;
f)O rendimento do transformador quando este é carregado por uma carga resistiva
pura (fator de potência unitário) correspondendo a 114 , 112 , 3/4 , I , 5/4 da carga nominal.
Tabele todas as perdas, potência de saída e potência de entrada em função da carga;
(98,18%, 98,47%,98,25%, 98,1% ,-97,8%)
g)Repita (f) para as mesmas condições de carga, mas sendo o fator de potência 0,8 em
atraso; (97,7%, 98,25%, 97,9"/o, 97,6%, 97,25%)
h)A corrente de carga para qual ocorre o máximo rendimento, independente do fator
de potência; I, = Ll25 A
·- i)A fração de carga para a qual ocorre o rendimento máximo; f c= 4 7%
j)O máximo rendimento para fator de potência unitário. 11 = 98,48%

38
Máquinas Elétricas Transformadores

12-Um transformador monofásico 20 KV A , 60Hz, 2400/240 V , foi ensaiado à vazio


e em curto-circuito.
P, = 126,6W Pcc=284 W
a VaziO V,=240 V em curto Vcc= 57,5 V
I, = 1,066 A Ice= 11 nominal
BT (secundário) AT (primário)
Determine:
a)Rendimento para corrente de plena carga e tensão nominal , com fator de potência
0,85 indutivo;
b )A fração de carga para a qual ocorre o máximo rendimento;
c)O máximo rendimento para tensão terminal nominal e fator de potência unitário.

1.14-Rendimento Diário dos Transformadores

Definição: É a relação entre a energia total entregue por um transformador à carga e a


energia total recebida pelo transformador, durante um periodo de 24 horas.

l]a- ---------~~~(~V~,~x~/L2~x~t~x~c~os~8~2~)_________
- ~(V2 x!, x tx cos8,)+ ~Rm x x l+24PNúcLEoIl
Os transformadores para redes de distribuição de energia elétrica trabalham com uma
carga muito variável, cujo ciclo diário típico está representado na figura seguinte e fornecem
aos consumidores em 24 horas. uma energia muito menor do que poderiam fornecer se a sua
carga fosse constante. Durante poucas horas por dia o transformador trabalha a plena carga.

KW

• 12 18 24 h
Curva típica de carga - Rede de distribuição
Para que o rendimento diário desse transformador seja máximo é necessário que o
termo 24PNÚCLEo , seja o menor possível, ou seja , a perda no núcleo seja reduzida em relação a
perda nos enrolamentos a plena carga.
Os transformadores para essa aplicação recebem o nome de transformadores de
distribuição , e são projetados para perda nos enrolamentos a plena carga igual a
aproximadamente três vezes a perda no núcleo, e seu rendimento máximo se dará em tomo de
1/2 carga.

39
Máquinas Elétricas Transformadores

'Jlo/o

95
90
85
80

114 1/2 3/4 4/4 Carga


. Curva característica de transformadores de distribuição
Os transformadores de potência são os transformadores que trabalham em
subestações elevadoras nas centrais elétricas ou abaixadoras nas extremidades da linha de
transmissão, funcionam quase constantemente à plena carga, pois as unidades geradoras nas
centrais e os bancos de transformadores nas subestações são colocados ou retirados de serviço
de acordo com a variação de carga no sistema. São portanto transformadores de perda no
núcleo nonnal, enquanto os de distribuição são de perda no núcleo reduzida

TJ%
95
90
85
80

1/4 1/2 3/4 5/4


4/4 Carga
Curva característica de transformadores de potência
Os transformadores industriais são fabricados com caracteristicas de distribuição até a
potência de 500 KVA e com características de potência acima de 500 KV A.
Exercícios
13-0 transformador monofásico de distribuição de 500 KVA do exercício 12 tem
supostamente, os seguintes requisitos de carga para um período de 24 horas:
20% da carga nominal cos82 =O, 7 indutivo, durante 4 horas;
40% da carga nominal cos92 = 0,8 indutivo, durante 6 horas;
800/o da carga nominal cos6 2 = 0,9 indutivo, durante 6 horas;
Carga nominal cos82 = 1,0, durante 6 horas;
125% da carga nominal , cos92 = 0,85 indutivo, durante 2 horas;
Admitindo constante a tensão de alimentação e constante as perdas no núcleo, calcule:
a)As perdas no núcleo durante o período de 24 horas; PNLrcLEo= 43,2 KWh
b)A energia total perdida durante o período de 24 horas; EPERDmA= 158,7 KWh
c)A energia total entregue durante o período de 24 horas; ~NTREGUE= 7.462 KW
d)O rendimento diário. '1~ 98%

40
Máquinas Elétricas Transformadores

I.IS.Regulação de Tensão dos Transformadores

Definição: A regulação de tensão de um transformador é a variação na tensão terminal


do secundário, entre o circuito aberto e em plena carga, e é usualmente expressa como
porcentagem do valor da tensão em plena carga.

Reg"lo = v,FZ - V2PC x I 00


v2PC
V2vz Tensão secundária à vazio

V2PC Tensão secundária a plena carga (carga nominal)

Para o estudo da regulação utiliza-se o circuito equivalente simplificado de um


transformador referido ao secundário.
:;:"' .. JllJI
•; '
f:Ea 'f.. f();
ltL I
v.:vt: \J-'fG

A queda de tensão absoluta será V2vz - VJ.Pc . Esta queda será positiva , isto é ,
V2PC < V2vz quando o fator de potência da carga for indutivo e pode ser negativa , isto é ,
aumento de tensão ao invéz de queda de tensão , V 2PC > V2vz , quando o fator de potência da
carga for capacitivo. tAa..lor
Pela fónnula da regulação de tensão , pode-se observar que quanto for a
regulação, maior será a tensão secundária V2 em carga, com a mesma tensão primária, isto é ,
melhor será a regulação de tensão do transformador.
Diagrama Vetorial- CargaResistica ( Cos82-l)

:;:"i f-.,
/
/

Ia. VJ.fC :r~ lt'.~-

V2PZ= j(V2Pc+hRE2) 2 +(J,XE2) 2

4-i
Máquinas Elétricas Transformadores

Diagrama Vetorial Carga Indutiva· (Cose~ em atraso}

Diagrama Vetorial - Carga Ca_pacitiya ( Cos92 adiantado)

Fónnula Geral

sinal+ Cargas resistivas e indutivas


sinal- Cargas capacitivas
Máquinas Elétricas Transformadores

Exercicios

, ~Medidas feitas num transformador. de 500 KVA , 2300/230 V conduziram aos


seguintés valores para reatância e resitê~:t-cias equivalentes referidas ao secundário (lado de
baixa tensão); X,,= 0,006 Q e &,., = 0,002 O. Calcule:
a)A fem induzida, E 2 , quando o transfonnador estiver entregando a corrente nominal
secundária a uma carga de fator de potência unitário;
b)Repita (a) para uma carga com cose,= 0,8 em atraso;
c)Repita (a) para llllllt<:arga com cose, = 0,6 em avanço;
d)A regulação de tensão para (a), (b), (c), respectivamente;
e)Comente as diferenças na regulação de tensão.

f ~S:.um transformador abaixador de 20 KVA, 2300/230 V , é submetido ao ensaio


de curto-circuito com Olado de baixa tensão curto~circuitado. Os dados lidos no lado de alta
tensão são:
leitura do wattímetro = 250 W
leitura do voltímetro = 50 V
leitura do amperimetro = 8, 7 A
Calcule:
a)A impedância , a reatância e a resistência equivalentes referidas ao lado de alta
tensão;
b)A impedância • a reatância e a resistência equivalentes referidas ao lado de baixa
tensão;
c)A regulação de tensão a fator de potência ~tário.
d)A regulação de tensão a fator de potência O, 7 em atraso;
e )A regulação de tensão a fator de potência O, 7 em avanço;
fiComente ~s djfoqmcas na remdacãn de tensão
1.16'-Des/ocamento Angular nas Conexões Trifásicas

Charna~se
deslocamento angular de um transformador o ângulo que define a posição
recíproca entre o triângulo das tensões concatenadas primárias e o triângulo das tensões
concatenadas secundárias.
Como regra geral pode-se dizer que o deslocamento angular entre os bomes ATe BT
é medido pelo ângulo compreendido entre as duas retas HoHI e xoxl definidas pelos vértices
correspondentes H, e X 1 e pelos centros ~ dos triângulos. De acordo com a ABNT o
ângulo deve ser medido de BT para AT no sentido antihorário. sequência 1,2,3.

iü Ho -o
'f.i ' /<v - 0

O deslocamento angular é indicado no mostrador de uÍn relógio cujo ponteiro grande


(minutos) se acha parado em 12 e coincide com o fasor da tensão entre o ponto neutro (real
ou imaginário) e um terminal de linha do enrolamento de alta tensão e cujo ponteiro pequeno
(horas) coincide com o fasor da tensão entre o ponto neutro (real ou imaginário) e o tenninal
de linha do enrolamento de baixa tensão.

43- 44-
1- Conexão Y-Y:

a. Deslocamento_, Y-y _,primário e secundário com .a mesma polaridade

ill
X, x, X,


b. Deslocamento_, Y·y _ , primário e secundário com polaridade oposta

ill
X, X, X,

w.
11 - Conexão t;.. t;.:

a. Deslocamento_ ,D-d _,primário e secundário .com a mesma polaridade


b. Deslocam~miO _ ,D-d _ , primério e secundário com polaridade oposta

111 -Conexão A· Y:

a. DeslocamlmiO _ _ ,D-y _ , primário e secundário com a mesma polaridade

b. DeslocamlmiO _ ,D-y _ , f· •mátio e secundário com polaridade oposta


H, H, H,


x, X. X.

w.
c. DesloCIImento _ ,D-y _,primário e secundário com e mesma polaridade

d. DeSlocamento_ ,D-y _,primário e seeundáito com polaridade oposta

IV· Conexão Y· A:

a. Deslocamento_ ,Y-d _,primário e secundário com a mesma polaridade


b. Deslcn:amento _ _ ,Y-4 _,primário e secundário com polaridade oposta

c. Deslcn:amento _ , Y-4 _,primário e secundário com a mesma polaridade

ill
d. Deslocamento_, Y-4 _,primário e secundário com polaridade oposta

,.
H, H2 H3

~· ~·
ESCOLA TÉCNICA FEDERAl. DO ESPiR110 SANTO
Máguir.as Elétricas TramforttUJtlores

Exercícios:

T-14-Qual o deslocamento angular da conexão abaixo repre'!"ntada, utilize os


diagramas vetoriais de tensões e indique a Que grupo penence a conexão.

.. .

-~--
/.~Acoplamento em Paralelo de Transformadores

1.17.1-lntroduçiio
Suponha uma linha de transmissão fornecendo' energia a uma carga através de
um transfonnador. Se a carga aumentar muito além da capacidade nominal do transfonnador,
este deverá ser substituido por um outro de maior capacidade. Isto implica num alto
investimento (aquisição de outro transformador)
Este problema pode ser solucionado se for ligado um outro transformador em
palaJelo com o primeiro, com potência tal que somada a potência do primeiro resulte na
potência requerida pela carga.

1.17.2-Dqiniçiio
Dois ou mais transfonnadores são agrupados em paralelo entre si quando
recebem energia da mesma linha primária para transferi-la com tensão transfonnada sobre uma
mesma linha secundária.

- . .
1\·T·

#L U.o f!.L !/-;>..

Ti T.:z.
.
Máquinas Elétricas Transformadores

(l.{í~ 1.17.3-Vantagens da Operacão em Paralelo


.- '\."( - Se uma única unidade de grande potência constitui uma estação e, por uma
(:$~ razão qualquer, deixar de funcionar, com isto deixará de funcionar também a estação;
· enquanto que, se uma das várias unidades menores necessitar de um reparo, as demais ainda
estarão dispotúveis para fornecer o serviço necessário.
- Uma única unidade, para operar com rendimento máximo, deverá ser
carregada até a sua capacidade nominal. É antieconôrnico operar-se uma unidade grande se as
cargas supridas são pequenas. Várias unidades menores, operadas em paralelo, podem ser
removidas ou adicionadas, de fonna a atender as flutuações de demanda~ cada unidade pode
ser operada à sua capacidade nominal ou próxima dela, funcionando assim a estação ou o
sistema no seu rendimento máximo.
- Se há necessidade de um reparo ou de uma parada geral para manutenção, as
unidades menores facilitam as operações, do ponto de vista de peças de reposição ou reserva,
bem como dos serviços a executar.
- Quando aumentar a demanda média do sistema ou da central, instalar-se-ão
múdades adiciollj'j~. P:l{a acompanhar o acréscimo da demanda O capital empregado
inicialmente será ltiftfrb o seu crescimento corresponderá ao crescimento da demanda média.
- Há limites fisicos e econômicos para a capacidade possível de uma só
utúdade. Por exemplo, em uma detentúnada estação geradora, a carga pode chegar a I O
rtúlhões de KVA Embora existam operando múdade de até centenas de rtúlhares de KVA, não
se constroem unidades singelas de capacidade suficiente para suprir uma tal demanda da
central ou do sistema.

1.17.4-Condiçóes para Operação em Paralelo

Para a realização de um paralelismo de transformadores, algumas condições


devem ser satisfeitas:
a)Mesma relação de transformação;
b)valor nomlna! de tensão;
c)Mesma polaridade dos terminais ligados entre si;
d)Mesma sequência de fases;
e)Deslocamento angular nulo quando em conexões trifásicas;
t)Mesma frequência nominal;
g)Mesma porcentagem de Impedâncias ou valores muito próximos;
h)Mesma relação entre resistência e reatâncias relativa a um dos enrolamentos
ou valores muito próximos.

a)Mesma relacão de transformação.

Caso os transformadores tenham relações de transformação diferentes,


aparecerão correntes de circulação que compensem por meio de quedas de tensão nas
impedâncias internas, as diferenças entre as fem's individuais e a ddp comum dos terminais de
linha. Estas correntes compondo-se vetorialmente co a corrente de carga ocasionam
distribuição inadequada no carregamento dos transformadores, o que limita sensivelmente a
capacidade do conjunto.
Supondo 02 transformadores de relações de transformação ( a, , a, )
diferentes, o de menor relação dará tensão secundária maior pois a tensão primária é a
mesma, ou seja: se a.1 > a2 :::::> V22 > V21

53
Máquinas Elétricas Tran§[ormadores

..- -
T.i r.U l(_T' ~r~ t.:/,1.
T ;L.
•• .. •

v~
llU l.

1 It.. llc. 1
- - ~

V21<Vc<V22 Vc= V,- LI. V,

Considerando secundário sem carga, a soma vetorial de V 21 e V 22 • dá uma


tensão resultante VR no circuito _fonnado pelas resistências Rz1 e Rn e reatâncias ~~ e Xn·
Esta tensão VR aplicada a este circuito provoca o aparecimento de uma corrente de circulação
IR dada por:

IR= VR(v,- v,I)


- j(R,I +R,,) 2 +(X21 +X,,) 2

~
'f== ar:ctan x21 +X,,
R21 +R22

\) J. .L v11.. v" .,).


~~------~\)&')~&·~----~·
-.
\.r A.

As potências secundárias serão dadas por:

PTl == V22 x/R xcos8

Pn == v2J X IR X COS(1t-8)::;; -V21 xb X cose


Máquinas Elétricas TransfOrmadores

Analisando as expressões acima, conclui~se que o transformador T 2 fornece


Pn(Positiva) e o transformador. T 1 recebe potência PT 1(negativa). A soma destas duas
potências é a potência gasta por aquecimento nas resistências dos enrolamentos.

cose=~~

b)Mesmo valor da tensão nominal

Idem item a)

c)Mesma polaridade dos terminais ligados entre si


Caso o secundário de dois transformadores ligados em paralelo tenham
polaridades opostí;lS provocar-se-á um curto circuito devido a -soma das tensões secundárias e
surgirá correntes características de curto circuito na malha formada pelos enrolamentos dos
transformadores.

IR= VR(V22 +V")


j(R,. +R,) 2 +(X,, +X,,)'

d)Mesma següência de fases

Caso não se tenha a mesma sequência de fases provocar-se~á curto circuitos


períodicos devido a soma das tensões secundárias e surgirá correntes periódicas características
de curto circuito na malha formada pelos enrolamentos dos transformadores.

IR = VR(V22 + V2l)
j(R" +Rzz) 2 +(X21 +X,) 2

e)Deslocamento angular nulo quando em conexões trifásiçªs

Dois transformadores alimeritados pelas mesmas tensões primárias, as tensões


secundárias fornecidas pelos dois transformadores resultarão em fase quando os
transfonnadores possuirem o mesmo deslocamento angular. ou seja, pertencerem ao mesmo
grupo. Caso contrário, surgirá uma VR entre os bomes secundários dos transfonnadores
fazendo com que apareça urna corrente de circulação IR na malha formada pelos enrolamentos
dos transfonnadores. Dependendo dos grupos a serem ligados, VR pode ser tal que produza IR
tão elevada que caracterize uma corrente de curto circuito.
Máquinas Elétricas Transformadores

f)Mesma freguência nominal

Alteração do fluxo, o transformador irá trabalhar fora do fluxo nominal para o


qual foi projetado.

g)Mesma porcentagem de Impedâncias ou valores muito próximos

A fórmula I= f diz que para uma dada tensão V de um circuito, I será tanto
maior quanto menor for a impedância Z deste circuito. Desta forma pode-se dizer que ª
porcentagem de corrente fornecida por .cada transformador em paralelo é -inversamente
proporcional a porcentagem de inpedância de cada um. Uma vez que as porcentagens de
potências fornecidas pelos transformadores são proporcionais ás porcentagens de corrente
teremos que: 11 As porcentagens de potência fornecida por dois transformadores em paralelo
estão na relação inversa das p~rcen~de ~CÍ!t_~e.s~.~~~~~~ºores"
Sendo então ,S 1 e S2 , as porcentagens de potência fornecidas por dois
transformadores T 1 e T2 em paralelo e Z 1% e Z 2% as respectivas porcentagens de impedftncia,
teremos:

Como exemplo, considere o caso em que Z 2%=2XZ 1%, desta forma S1=2xS2•
Isto informa que, quando o transformador T 2 estiver com sua carga
nominal(lOO%), o transformador T 1 estará com 2000/o de sua potência( sobrecarga).
Então, quando as porcentagens de impedâncias são diferentes, a corrente dos
diversos transfonnadores em paralelo reparte-se na razão diretas das capacidades nominais
dos transfonnadores e na razão inversa da impedãncia de curto circui~o. independentemente
do fator de potência e da carga.
Na prática admite-se uma diferença entre as impedâncias percentuais que não
exceda de I 0% , sendo que este limite já é dificil de se conseguir em duas
unidades(economicamente) quando suas potências estão na relação 1:5. Em função disto, não
se recomenda acoplar em paralelo unidades cujas capacidades estejam acima da citada relação.
,4- (!1Sp<!.,i'!Wt:j4 bf!-C~64- PA/F'Sf...f.. fUlft>'eêr/.l/.-f( A-(JOTFfte!4 POS{bf/Õ.S
h)Mesma relação entre resistência e reatâncias relativa a um dos enrolamentos
ou valores muito próximos.

Quando, mesmo com impedâncias percentuais iguais, a.s componentes reativas


e resistivas são diferentes, a corrente se distribui proporcionalmente às respectivas potências
individuais, porém as defasagens ou fatores de potência dos transformadores são diferentes, o
que provoca uma diminuição do rendimento.
Considere o caso hipotético em que se tenha dois transformadores de mesma
potência nominal, mesma relação de transformação com tensões primárias e secundárias
iguais, mesma impedância percentual mas com R/x diferentes. Dai tem-se que a corrente no
transformador de menor resistência adianta-se de um ângulo e em relação a corrente de
consumo enquanto que no outro ocorre um atraso do mesmo ângulo e confonne mostra a
figura abaixo.

5G
Máguinas Elétricas Transformadores

Es --> Fem secundária para todos os transformadores em paralelo


Vs --> Tensão de linha nos terminais dos transformadores
Vz --> Queda de tensão na impedância interna ·dos transformadores
vRI.vm --> Componentes ôhmicas da queda de tensão nas impedâncias
Vn, Vn --> Componentes reativas da Queda nas impeâncias

Para se produzir a queda de tensão Vz na impedância, é necessário que


circulem correntes 11 e 12 pelos transfonnadores. Se o valor da queda de tensão na impedância
Vz coincide com a tensão de curto circuito à plena carga de ambos os transformadores, por
eles circulará precisamente a corrente de plena carga de cada um deles, ou seja. ambos os
transformadores estarão operando em suas capacidades nominais S1 e S2 respectivamente
sendo válida a relação:

A corrente de linha I , será então a soma geométrica de 11 e lz • entre os quais


existe a defasagem 28 .

Se houver variação na corrente de linha , I , suas componentes de ângulo fixo e


também variaram, e com elas as quedas de tensão parciais e a queda total Vz , conservando-se
para qualquer valor de I a relação:

Isto pode fazer com que um transformador venha a trabalhar com uma
sobrecarga excessiva e o outro não chegar a atingir sua capacidade nominal.
Quando as relações entre as quedas ôhmicas e reativas são iguais, a corrente
total do conjunto é resultado da soma aritmética das correntes de contribuição de cada
transformador (h +lz).
Quando as relações entre as quedas ôhmicas e reativas são iguais, a corrente
total do conjunto é resultado da soma aritmética das correntes de contribuição de cada
transformador (h +h). Em caso contrário , esta soma será vetorial e o rendimento será
reduzido a um excesso de perdas no cobre.
Então, se ~; são iguais para os transformadores , tem-se
Máquinas Elétricas Traniformadores

Quando as relações ~; são diferentes, a expressão é vetorial e o tratamento


análitico torna-se complexo.

1.18-Autotransformadores

1.18.1-Dejinição

Denomina-se ~sfonnadores os transfonnadores cujo enrolamentos


primário e secundários são conectados em série. A ABNT define o autotransformador como
sendo o transfonnador no qual , parte de um enrolamento é comum a ambos os circuitos,
primário e secundário a ele ligados.
::1:~
• ...
AJi A}J.
x...
• Vf
- :r...

1~~
/J~ }.)~
~~~ IJJ

1.18.2-Prindpio de Funcionamento

li>
A
~c. Z.,l. vf
~ .
~ I
, ~.l. rc. f B
::1:.,2.
~
r~~ I~LI
I
Mágyinas Elétricas Tra11!ffonnadores

A primeira vista pode parecer que o autotransformador aba.ixador ~a um


divisor de tensão, mas quando se faz uma análise do sentido de oorrente de I, vê-se que esta
tem sentido contrário à que deveria ter no caso de um divisor de tensão. Além disso num
divisor de tensão, 11 é maior que 12 ~ o que não ocorre aqui. Ic está para cima pois o
enrolamento comum pode ser tratado como ativo (corrente e tensão no mesmo sentido).
Outra forma de se obter o sentido de r, é lembrar que que s,~s,, logo V, xi,~V,xi, e, como
no autotransformador abaixador V, > v, , para que a igualdade continue deve-se ter L, > I, ,
e para que L, seje maior que I, , Ic deverá estar para cima, chegaado no ponto C , desta forma
tem-se:
!, ~h +/c
t>
A •
::r~ ~
• c.
;:; lj;l. I 'i L I
/
rcj
.. s ~
:1",),.
~ :r-.
"
Autotransfonnador elevador VI < v2

O Autotransformador elevador também não pode ser tratado como divisor de


tensão, pois para s,~s,, V, xi,~v,xi, e como v,>
v, , assim r, está para baixo , saindo do
ponto C , desta furma tem-se:
I, ~I, +Ic

1.18,3-Re/sç/lo de Transforlllilfllo

N.L.
Vp

v'a.
Máquinas Elétricas Tr!1!1§/ormadores

Da figura anterior tem-se que:


---.-+~ ___.___..--'""
V 1 ;;;:Vp+V2 como Jii=V2 logo V1=Vp+V2
_.-
Vp e V2 diferem das tensões induzidas pelo fluxo resultante (fcem e fem
respectivamente) no núcleo , apenas da parcela correspondente ao fluxo de dispersão
(reatãncia de dispersão).
Da figura acima anterior tem-se também que pelo futo de se ter uma polaridade
subtrativa, as tensões E'1 (fcem) e E'2 (fem) induzidas nos enrolamentos série e comum,
respectivamente, estão em fase. Da mesma fotma V 1 e V2 também estã.gjraticamente ~fase,
e, então para fins prático~~· Y. que a soma vetorial-r:' ~V::+ V, pode ser aproXJmada
por uma soma algébrica: V1 = ·v;+- V:
Para fins práticos , considera-se:

Que substituida em v, = Vp + V2 :

mas como v2 = ~

f8.
V,
= Nt +N
N,
2 => Relação de transformação do autotransfonnador

A relação de 'ÍI' I, e I, , desprezando-se a corrente de magnetização é obtida


de maneira análoga a ~~ e resulta:

J.If-4-Potência Nominal de um Autotransformador

A potência aparente de entrada do autotransformador é dada por: = v, X J, e,


A potência aparente de saída do autotransformador é dada por. 2 = V2 xJ, P
-1t!l'l-l,. ;r!.''.··: -7~·

Embora no autransformador as potências no primário e secundário sejam


calculadas de forma análoga ao transformador convencional, convém lembrar que, no
transformador convencional, a potência entre o primário e secundário é transmitida totalmente
de forma eletromagnética, isto é inão existe acoplamento elétrico entre primário e secundário.
Para o •utotransfonnador uma parte de sua potência disponivel é transferida de forma
eletromagnética e outra transferida simplesmente do primário para o secundário por condução.

Go
Máquinas Elétricas Tran:ifornuuiores

Potência total transferida para o secundário


Potência transferida por transformação (transformada)
Potência transferida por condução (conc~itiva)

Para um autotransformador abaixador tem~se:


l=j.

"
Vp ~ X.~
~
~ I>
.. i
""
\)';J, Ó' IJ;, r -e L 1

Potência transfunnada

Potência condutiva

Para o autotransformador elevador tem-se:


X ;:L
..
.
~'
v$
~ ... . §
iõ' \J~
I ~L I
~ V.!

J
Máquinas Elétricas Trl11l§[ormadores

V2 = V, + Vs (xh)

Potência transformada

Potência condutiva

Qualquer transformador de dois enrolamentos isolados pode ser convertido


num autotTansformador. Para isto, basta que se ligue em série os enrolamentos do primário e
secundário, como indica o exemplo abaixo:

a)Transformador original isolado, lO KVA.

l+.t 1U.

• •

l-lo

b,)Ligação como autotransformador elevador usando polaridade aditiva.

!1-.l '1-J.

• •

:53 ~ v
~
~
!lo 't-o
Máquinas Elétricas Traniformadores

b,)Ligação como autotransfonnador abaixador usando polaridade subtrativa.

o •

lto

c,)Tensões produzidas por polaridade aditiva.

. (ck!O \j

13J.o v
"i-1 •

c,)TensOes produzidas por polaridade subtrativa.

(;3
Máquinas Elétricas Tram;jonnadores

d)Figuras redesenhadas com o ponto inferior mostrando as relações de


corrente. ::t:;z...

'l-c

I!
!>
')(.r • r
~3.20 v
r
1QIQOV
Uc
4rc ELAJA.I>íJ R.
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A.B4-f "t-1/D{
!to {OfoV poL. SU!>~I!-7lV4
t
1;2vov lrc
l IH
o
I

Embora a capacidade original de um transfOrmador isolado seja de 1O KVA , a


disposição confonne as figuras acima resulta num considerável acréscimo de potência como é
demonstrado a seguir.
Considere-se um transformador monof'asico normal (convencional) STMN que
-.. tenha uma potência nominal SrMN= V1 xl1 . Tal transformador é conectado como
autotransfonnador sem alterar o número de ~pir~s das bobinas do primário e secundário.
IJ.
- ~
Jl!

v!T l t.h
}Ji
:rocA
.
~~

l
\l'!ft
NJ,
volT }J~
'""

I I
Máquinas Elétricas Tram!formadores

Das figuras acima pode-se notar que a tensão do circuito primário que para o
transformador convencinal era V 1 • no autotransformador será V Aura= V 1 + V2 , assim a
potência do autotransformador será:

SAuro=VAuroxlt=>SAuro=(Vt+V2)xlt como V2=V1xN2


R T T t' T t Nt

SAuro = (vt + V1 x Z
TT
2
1
) x/1 =
T
(1 +~2 ) x Vt xlt
1 TT

Observações:

l-A equação SAuro = STMN x ( 1 + Z~) mostra que qualquer que seja a relação
de espiras de um transformador convencional • se ele é convertido em um autotransformador ,
sua potência disponivel é maior. Com isto observa-se que para a mesma potência fornecida o
autotransformador é de tamanho menor , ou então , pode-se dizer que o custo do KVA para o
autotransformador é menor que para o transformador convencional.

2-Deve-se notar na figura abaixo que as junções B e C carregam as correntes


mais altas. Estas junções podem desenvolver pontos aquecidos que podem resultar em
circuitos abertos, por exemplo do ponto B , implicando na aplicação da tensão V, (AT) a
carga, colocando em perigo os equipamentos e as pessoas.
:t:i-,.

1.18.5-Comparação Autotra~ormador & Tra~ormador

O autotransforrnador apresenta as seguimos vantagens em relação ao


transformador convencional:
-Menor dimensão;
-Menor relação peso/potência;
-Menor custo;
-Menor corrente de excitação;
-Menores perdas;
Máquinas ElétricaS Transfonnadores

1.18. 5-Comparação Autotransformador & Tran!fformador

O autotransformador apresenta as seguintes vantagens em relação ao


transformador convencional:
-Menor dimensão;
-Menor relação peso/potência;
-Menor custo;
-Menor corrente de excitação~
-Menores perdas~
-Maior rendimento;
-Melhor regulação.

O autotransfmmador apresenta as seguintes desvantagens em relação ao


transformador convencional:

-Conexão elétrica entre os enrolamentos çle maior e menor tensão~


-Apresentdcorrentes de curto circuito mais elevadas;
-Quando a relação entre AT e BT é maior que 5 seu uso é muito específico e
por isso, seu emprego toma pouco comum.

Exercícios:

T-17-Um Transformador monofasico convencional isolado 10 KVA


1.200/120 V • 60 Hz é ligado como autotransformador elevador com polaridade aditiva
usando a capacidade do enrolamento de 120 V para determinar a capacidade do
autotransformador. Determine:
a)A ligação do transformador em autotransformador;
b)A corrente do enrolamento de 120 V do transformador;
c)A corrente do enrolamento de 1.200 V do transformador;
d)A capacidade do autotransformador em KVA;
e)I1 e Ic do autotransformador~
f)Sobrecarga percentual da capacidade do enrolamento de 1.200 V, quando
usado como autotransformador;
g)Os KVA transformados (PJ;
h)Os KVA condutivos{PJ

T-18-Um Transformador monofásico convencional isolado 10 KVA


1.200/120 V, 60Hz é ligado corno autotransformador abaixador com polaridade subtrativa
usando a capacidade do enrolamento de 120 V para determinar a capacidade do
autotransforrnador. Determine:
a)A ligação do transformador em autotransformador;
b)A corrente do enrolamento de 120 V do transformador;
c)A corrente do enrolamento de 1.200 V do transformador;
d)A capacidade do aototransformador em KVA;
e)I 1 e Ic do autotransformador;
:t)Sobrecarga percentual da capacidade do enrolamento de 1.200 V, quando
usado como autotransfonnador;
g)Os KVA transformados (P,);
h)Os KVA condutivos(PJ

66
CEFETES Transfonnadores

ENSAIO I - Medição da Resistência de Isolamento de


Transformadores

Objetivo: Determinação das resistências de isolamento do trafo trifásico.

Instrumentos: Transformador Y -~
Megôhmetro MG 5200 AS

Condições de Ensaio
O transformador dever estar desenergizado e imerso em líquido isolante.

Procedimento:

Curto-circuitar os terminais de alta tensão;

Curto-circuitar os temrinais de baixa tensão;

Conectar um dos bomes ·do instrumento ao terminal de alta tensão e o outro ao


terminal d~ baixa tensão;

Conectar o GUARD do megôhmetro na carcaça do transformador( Explique por


que?);

Medir a resistência de isolamento e anotar na Tabela a seguir:

Repita a operação para medir a resistência de isolamento entre os terminais de alta


tensão e a carcaça, conectando o GUARD no terminal de baixa tensão e anote o
valor na Tabela a seguir.

Repita a operação para medir a resistência de isolamento entre os terminais de baixa


tensão e a carcaça, conectando o GUARD no terminal de alta tensão e anote o valor
na Tabela a seguir.

OBS: Após efetuar uma medição, desligue o megôhmetro, aguarde seu "LED"
apagar para efetuar a outra ligação.

Tabela: Resistência de Isolamento

Ligações Resistência de
Isolamento (MQ)
AT!BT
AT/carcaça
BT/carcaça

Utilizando as equações 1, 2 e 3, verifique se as resistência de isolamento estão acima


do mínimo especificado por Norma (considerar a temperatura ambiente de 25\
Que conclusão pode-se chegar quanto ao o estado do isolamento do transformador?
CEFETES Transformadores

3 • Resistência de Isolamento
3.1 - Considerações Gerais

A medida da resistência de isolamento de um transformador é o processo mais


simples para a determinação do estado do material isolante.
Em um transformador em funcionamento existe diferença de potencial entre as
bobinas de alta tensão (AT) e baixa tensão (BT) - ".ó.V 1", entre estas bobinas e as partes
metálicas (carcaça e núcleo que estão aterrados)- "fl.V2 e 6.V3", e ainda ddp entre duas
espiras contíguas de um mesmo enrolamento - ".6.V4 ", como podem ser vistos na Fig.l.

Fig. 1 ·Diferentes ddp's encontradas em um transformador em operação

Uma falha no isolamento provocariam correntes de "fuga" através do isolante,


ocasionando perdas de potência, arcos voltáicos, deterioração do isolante e curto-
circuitos. A medição da resistência de isolamento pode detectar e previnir estas falhas.
A medição da resistência de isolamento é feita através dos Megôhmetros, que
consistem em uma fonte de elevada tensão em série com um amperímetro, conforme a
Fig.2, sendo disponíveis os terminais: Positivo(+), negativo (-R) e Guard.

+ v,, - Fonte de alta tensão


Hn - Resistência interna
-R Rx - Resistência a ser medida
A - amperímetro
+, -R, Guard- terminais do Megohmetro
amperímetro

L-------------~~G.uaro

Fig.2 ~ Diagrama interno de um M egôhmetro


CEFETES Transformadores

A fonte de tensão "Vin" pode fornecer tensões entre 500·e 2500 V, a ABNT
recomenda uma tensão mínima a ser aplicada em uma medição de 1000 V para
transformadores até 69 kV, e de no mínimo de 2000 V para transformadores de classe
superior a 69 kV.

3.2 - A importância do terminal GUARO

O emprego do terminal Guard permite tomar a medida realizada mais precisa, ou


seja independente das resistências indesejáveis que estejam associadas.
Um exemplo típico desta situação é o caso em que se deseja medir a isolação
entre o primário e o secundário de um transformador montado dentro de uma carcaça
metálica, conforme Fig.3.
RAT-BT

RAT-BT - Resistência de Isololamento


entre os lados ATe BT

AT BT
RAT-c - Resistência de Isololamento
entre o lado AT e a carcaça

RBT-c - Resistência de lsololamento


en~re o lado BT e a carcaça

c
Fig. 3 .. Circuito Equivalente das resistências de isolamento de um transfonnador

Se conectarmos os tenninais + e -R do megohmetro aos pontos AT e BT do


transfonnador, imaginando medir a resistência RAT-BT, estaremos incorrendo num erro,
pois como a resistência das espiras de cada lado do transformador é desprezível quando
comparada com as resistências de isolamento, para o megohmetro aparecerá RAT-BT em
paralelo com (RAT-c + RBT-c ).

Caso conectássemos o terminal Guard à carcaça do transformador o circuito


resultante seria aquele mostrado na Fig. 4. Neste caso a resistência RBT-c está em
paralelo com o amperímetro, equipamento de baixíssima resistência equivalente,
portanto sem influência na medida. Já pela resistência RAT-c circulará uma corrente que
não passa pelo o amperímetro , portanto não afeta a leitura.
ÇEFETES Transformadores

RAl'C
+
i'
RAHlf
R;n -R
i' RBl'C i2
vin
A

Guard

Fig. 4- Medição utilizando o tenninal Guard

3.3 -Valores Mínimos para as Resistências de Isolamento

Os valores das medidas deverão ser iguais ou superiores aos mostrados nas
expressões a seguir, especificados pela norma NBR 7036/91. Como a temperatura
influencia muito na medida, e a expressão (1) fornece a resistência mínima de
isolamento por fase para um valor medido à 75°, devemos conigi-la para a temperatura
em que foi realizado o ensaio, através das equações (2) e {3):

(J)

Rmt" =Rm?5' x2a (2)

75-t
a=-- (3)
10
onde,

=Resistência mínima de isolamento a 75°, por fase


=Resistência mínima de isolamento a uma temperatura to qualquer, por fase
=Classe de tensão do isolamento do transformador em kV
= Potência do transformador por fase em k V A
= freqüência de operação do transformador em Hz
CEFETES Transformadores

Para ensaios com transfonnadores nifásicos as buchas de BT e AT são curto-


circuitadas, portanto a resistência medida corresponde a um terço da resistência de
isolamento por fase, devido a associação em paralelo das mesmas. Portanto para se
efetuar as comparações, deve-se multiplicar o valor lido por três.

Índice de Polarização:
Outra maneira de se avaliar as condições da isolação se dá através da
determinação do índice de polarização (lP), que é calculado dividindo-se a resistência
de isolamento medida aos 1O minutos pela resistência medida a lminuto. Comparando o
valor encontrado com a referência dada na tabela abaixo.

CONDIÇAO DA ISOLAÇAO INDICE DE POLARIZAÇAO


Perigosa •. IP< 1,00
Pobre 1,00 < IP < 1,10
Questionável 1,10<1P< 1,25
Satisfatória I ,25 < IP < 2,00
Boa IP>2,00

IMPORTANTE:
Uma única e simples medição da resistência de isolamento utilizando-se o
megôhmetro nos dá uma idéia das condições do isolante de um equipamento, porém
esta medida não é decisiva Para se ter condições de avaliar com mais rigor o isolamento
é importante que se tenha um acompanhamento das medições ao longo do tempo de
operação do referido equipamento. Desta forma é possível inClusive fazer uma previsão
de até quando um equipamento pode permanecer em funcionamento, sob o aspecto do
isolamento.
CEFETES Transformadores

ENSAIO 11 -TESTE DE RIGIDEZ DI ELÉTRICA

Objetivo: Verificar as condições do óleo mineral quanto a sua rigidez dielétrica

Instrumentos:
Testador de Rigidez Dielétrica

Procedimento:

O método consiste em colocar o óleo sob teste em um recipiente adequado, onde


estará imerso dois eletrodos em forma de disco distanciados corretamente. Eleva-se a
tensão até o ponto chamado: "tensão· de ruptura'', quando há o rompimento do dielétrico.

A tabela abaixo mostra as tensões de ruptura e as respectivas condições do óleo


mineral, para a distância padrão de 2,54ffim (0, 1 pol.) entre os eletrodos.

Tensão de Ruptura Condições do


(distância entre eletrodos= 2,54mm) Isolante
Acima de 35 kV Excelente
De 30 a35 kV Muito Bom
De 25 a 30 kV Bom
De25a20kV Satisfatório
De 15A20Kv Duvidoso: Recomenda-se
tratamento
Abaixo de 15 kV Rejeitável: Tratamento
urgente

Valor encontrado no ensaio:

Conclusão:
CEFE1ES Transformadores

4 - Rigidez Dielétrica da Óleo Isolante

4.1 - Considerações Gerais

Rigidez dielétrica é a propriedade de um dielétrico de se opor a uma descarga


disruptiva medida pelo gradiente de potencial sob a qual se expressa esta descarga.
Na operação dos transformadores as perdas geradas sob forma de calor devem
ser transferidas para o meio externo, de modo a limitar a temperatura de trabalho dos
isolantes sólidos, isso ocorre através da convecção natural de um líquido transmissor de
calor. Este líquido além de boas características de condução térmica, deverá satisfazer
as exigências de eletroisolantes, ser compatível com os materiais utilizados na
construção dos transformadores, suportar diferenças de temperatura e apresentar
estabilidade química.
A vida útil do transformador está diretamente ligada à vida do material
empregado, em especial ao isolamento sólido ( papel e verniz dos enrolamentos). A
degradação do isolante sólido se dá com a elevação de temperatura do mesmc, daí a
importância de um sistema eficiente de troca de calor. Portanto a principal função do
isolante fluido é a refrigeração, e quanto melhores forem suas características dielétricas
menores serão as dimensões do transformador.

4.2- Tipos· de Lfquidos Isolantes

Óleos Minerais
São os mais antigos empregados como isolantes, e obtidos da destilação
fracionada do petróleo. Os óleos minerais são constituídos de hidrocarbonetos que, sob
a ação do calor reagem com o oxigênio dissolvido no óleo, gerando compostos
oxigenados com polaridade elétrica e água, reduzindo a rigidez dielétrica do mesmo.
·Portanto os princiPais ".inimigos" das boas condições do óleo isolante são o excesso de
temperatura e o contato com o oxigênio.
Para minimizar os efeitos da oxidação do óleo, os transformadores mais recentes
têm sido dotados de sistema de preservação do óleo selados (sem contato óleo-
oxigênio), podendo dobrar a vida útil estimada de um transformador.
Devido a sua inflamabilidade fácil, sua utilização é restrita a ambientes que
ofereçam segurança em relação a riscos de incêndio.

Ascaréis
São fluidos isolantes resistentes a fogo a base de PCB (befenilas policloradas),
com ótimas características dielétricas. Entretanto são composws insolúveis em água,
não biodegradáveis e altamente cancerígenos. No Brasil a fabricação do PCB foi
proibida desde 1980.

Süicones
Surgiu como solução para substituição do ascarél, suas principais características
são: boa estabilidade térmica e à oxidação, inércia química, elevado ponto de fulgor e
ignição, não tóxico e biodegradável. Sua rigidez dielétrica é afetada pela umidade e
impurezas sólidas. Tem como grande desvantagem o alto preço.
CEFETES Transformadores

Outros líquidos isolantes


Novas tecnologias estão sendo introduzidas lentamente e de forma experimental
nos mercados da Europa e EUA, dentre esses novos líquidos isolantes podemos citar:
Ésteres Orgânicos, Ugilec, Tetracloroetileno e R-Temp (óleo mineral de elevada massa
molecular).

4.3 - Acompanhamento do Liquido Isolante

Existem vários ensaios físico·químicos que podem avaliar as condições do óleo


isolante, depois de efetuado a coleta do material. Estes ensaios, bem como os
procedimentos para efetuar a coleta e os tipos de tratamento de óleo podem ser
estudados em literatura técnica específica. Dentre esses, o Ensaio de Rigidez Dielétrica
permite uma análise rápida das condições do material.
CEFETES Transformadores

Ensaio 111 - Teste de Polaridade

Objetivo: Determinação da polaridade de trafos monofásicos.

Instrumentos: Transformador monofásico;


Pilha 1,5V ou fonte CC;
Milivoltímetro;
Voltímetro.
Finalidade
O conhe.cimento da polaridade de tratos monofásicos se faz necessário para a conexão
de transformadores em série ou em paralelo ou em bancos trifásicos;

Condições de Ensaio
O transformador dever estar desenergizado.

Procedimento:

1) Golpe Indutivo

-Monte o esquema a seguir, considerando que o transformador possuí polaridade


adjacente.

1,5 v

H2

Observar que no voltímetro CC a polaridade importa no deslocamento do ponteiro;


neste caso, o ponteiro deve desloca-se para o fim da escala, quando a chave S for
fechada; caso contrário, significa que a polaridade assumida como adjacente não se
confirmou; sendo assim, a polaridade só pode ser invertida.
CEFETES Transformadores

2) Método da Corrente Alternada (três voltímetros)

-Ajustar a fonte de tensão para zero Volts;


-Ligar entre si os bornes adjacentes, um de tensão superior e outro de tensão inferior; os
de baixo, por exemplo. Ver Figura a seguir: ·

H?

-
-Ajustar a fonte de tensão para 70 Volts e anotar as tensões nos voltímetros V2 e V3;

Polarida Adjacente:

-Caso a tensão V2= VI ~ V3

Neste caso, a ligação é subtrativa.

Polarida Invertida:

-Caso a tensão V2=Vl+V3

Neste caso, a ligação é aditiva.

--
CEFETES Transformadores

Ensaio IV - Medição da Resistência dos Enrolamentos e


Determinação das Perdas Jóulicas de Tratos Trifásicos

Objetivo:
Este ensaio visa medir a resistência ôhmica dos enrolamentos e calcular as Perdas
Jóulicas de Transformadores Trifásicos

Instrumentos: Transformador Y-6


Ponte de Wheathstone

Vista Externa do Trafo Trif.: Esquema de Ligação Interna:

Hl H2 H3

Hl H2 H3
Rcua

Xl X2 X3 xo

Xl X2 X3 XO
Onde:
Rcua ~Resistência efetiva dos enrolamentos de alta tensão
Rcub - Resistência efetiva dos enrolamentos de baixa tensão

Procedimento
Antes de começar a medir as resistências, verifique se o transformador está
desenergizado.

-Medir as resistências dos cabos de medição para descontar do valor lido para as
resistências dos enrolamentos.

-Medir as resistências ôhmica entre os terminais de alta tensão ( Hl, H2, H3), descontar
a resistência dos cabos de ligação e anotar na tabela a seguir:

Obs.: Observar que essas medidas não são as resistências efetivas dos enrolamentos
(internas) do transformador, mas sim as dos terminais acessíveis.
CEFETES Transformadores

Terminais Resistência (m Q)
H!-H2
H2-H3
H!-H3
.
- Determine a resistencta efetiva dos enrolamentos de alta tensão .
~

Rcu, = 1,5. (R HI-H2 +R H2-H3 + RH1-H3) [m Q]


3
.-
-Medir as resistências ôhmicas entre os terminais de baixa tensão ( Xl, X2, X3),
descontar a resistência dos cabos de medição e anotar na tabela a seguir:

Terminais Resistência (m .Q)


Xl-X2
X2-X3
Xl-X3

Rcu.b =0,5.{RXI-X2 +RX2-X3+RXI-X3) [mQ]


~ 3

- Calcular as correntes de fase da alta (If.~) e baixa tensão (Ifb), usando os dados de placa
do transformador

Onde:
Pn - Potência nominal do transformador;
Vm11 - Tensão nominal do transformador de fase (lado de alta);
Vrnb- Tensão nominal (fase-neutro) do transformador (lado de baixa);

.- - Calcu1ar as perdas jóulicas no lado de alta e baixa do transformador, com os dados


obtidos anteriormente:

[W] [W]

- Calcular a perda jóulica total do trafo:

[W]

Preencher a Tabela a seguir:

Rcua = Rcub-
Alta !ta - Baixa Iib- Total
Pja- Pjb- Pt-
.~

Verifique o percentual que representam estas perdas em relação à potência nominal.


CEFETES Transformadores

Ensaio V - Ensaio a Vazio

Objetivo: Detenninação das perdas no núcleo e a corrente de excitação do trafo


trifásico.

Instrumentos:
Transformador Y -8
I Fonte Trifásica ca variável;
3 Voltímetro (O- 250 Vca);
3 Amperímetro 15 A;
3 ou 2 Wattímetros.

Esquema de Ligação

H
1
s

T
H
2
W2

L_----====t-x
~ Cuidado! Alta Tensão
X

Certificar se a fonte variável de tensão está em zero volts;

- Energizar os bornes de baixa tensão e ajustar a tensão nominal, no lado de baixa, do


trafo;
OBS.: Cuidado! Alta Tensão

- F 1ettura
t<aça a . das correntes, tensoes e potenc1as e anote na T a bel a a segurr:
Corrente (A) :t1• Tensão (V) ·1 Potência (W)
]o, - ~l Vo1- WoJ-
ii
loz - ·:y; V02- G Wo2-
]o, - VOJ- ,,
..
lo( média)- .· V o( média) i' W 0 (total)-
CEFETES Transformadores

- Calcular a percentagem da corrente a vazio em relação a corrente nominal;

Io% = 100. !,(média)/!,


- Compare os valores de potência total e da corrente de excitação (lo%) com os valores
máximos especificados na Tabela a seguir, que estão de acordo com as nonnas da
ABNT EB-91 e MB-128:

Potência do transformador lO 15 30 45 75 112.5 150


(KVA)

Perdas no ferro 90 120 200 260 390 520 640


(W)
Perdas totais a 75°C W
340 460 770 1040 1530 1070 2550
Corrente de excitação (%)
5,6 5.0 4,3 3,9 3,4 3,1 2,9
Impedância a 75"C (%)
3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5 3,5

Calcule os parâmetros do circuito equivalente para o ensaio a vazio do


transformador;

Verifique em valores percentuais quanto representa as perdas no núcleo em relação


à potência nominal .

.-
CEFETES Transformadores

Ensaio VI - Ensaio de Curto-Circuito

Objetivo: Determinação das perda,s totais produzidas nos enrolamentos do


transformador trifásico.

Instrumentos:
Transformador Y -Â
1 Fonte Trifásica ca variável;
3 Voltímetro (O- 250 Vca);
3 Amperímetro 15 A;
3 ou 2 Wattímetros.

c) Esquema de Ligação

Wl
s

W2

Certificar se a fonte variável de tensão está em zero volts;

Curto-circuitar os bornes de baixa tensão do transformador;

Energizar os bornes de alta tensão e ajustar uma tensão que faça circular a corrente
nominal, no lado de alta, do trafo; (CUIDADO: como o transformador esta em curto
as tensões aplicadas no lado AT são pequenas para fornecer a-corrente nominal-
portanto ajuste a tensão vagarosamente)

Faça a leitura das correntes, tensões e potências e anote na Tabela a seguir:

'
Corrente (A) tt;4 Tensão (V) ~J
;._
Potência (W)
"'-
lce1 - ~\; Vcc1 - \'i
-cl WcCI -
-_--, }'
lcez - à
{' VeC2 __,_
Wcc2-
--<'
lce2 - -'k- Vcc3-
·:>:
<::-,__ Vedmédia)= W ce(total) -
ledmédia)-
CEFETES Transformadores

- Calcular a percentagem da tensão de curto-circuito em relação a tensão nominal;

V cc% = 100 . Vcc(média)Nn

- Verifique em valores percentuais quanto representa as perdas nos enrolamentos em


relação à potência nominal.

- Por quê as perdas no núcleo podem ser desprezadas?

- Calcule os parâmetros do circuito equivalente para o ensato em curto-circuito


(irnpedância equivalente do transfornador);

- Calcule a corrente que circularia no transformador caso o curto fosse aplicado e a


tensão de alimentação fosse a nominal.

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