Recurso Israel Novo

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AO DOUTO JUIZ DO 3º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CAMPINA GRANDE/PB

AUTOS nº 0821626-45.2023.8.15.0001

ISRAEL NEVES DE OLIVEIRA, já qualificado nos autos em epígrafe, na Ação Revisional


c/c Danos Morais que move em face de BANCO VOTORANTIM S/A, também já qualificada,
vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, por seus advogados, com fulcro no artigo
41 da Lei 9.099/95, interpor:

RECURSO INOMINADO

Em face da sentença, id 82041100 dada nos autos do processo já supramencionado,


que indeferiu o pedido autoral.

Assim, requer-se o recebimento do recurso em seu efeito devolutivo, com a


intimação da parte contrária para que, querendo, apresente contrarrazões no prazo do
artigo 42, § 2º da Lei 9.099/95, com a posterior remessa dos autos à Turma Recursal para
processamento e julgamento.

Termos em que pede e espera deferimento.


Campina Grande, PB. Data de Assinatura Eletrônica
JEFFERSON MAIA DE OLIVEIRA LIMA
Advogado Criminalista
OAB/PB 24.391

EGRÉGIA TURMA RECURSAL


DA JUSTIÇA GRATUITA

Preliminarmente, observando o momento processual oportuno para o requerimento


da concessão da gratuidade de justiça, torna-se necessário mencionar que a Constituição
Federal de 1988 tutela tal beneficio à aqueles pobres na forma da lei, que não possuem
condições para arcar com as custas processuais sem comprometer o sustento próprio e
familiar. Veja-se o que estatui a Carta Magna em seu art 5, inciso LXXIV:

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e


gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos;

Ainda, há de mencionar que o Estado da Paraíba possui uma das custas processuais
mais cara de todo o país, dessa forma, considerável expor a súmula 29 do tribunal de Justiça
do nosso Estado, que reconhece o direito do requerente sobre a concessão da gratuidade
no processo.

SÚMULA – 29 DO TJPB Não está a parte obrigada, para


gozar dos benefícios da Assistência Judiciária, a recorrer
aos serviços da Defensoria Pública.

Haja vista ainda, que o processo que trata-se esse recurso diz respeito ao estado
econômico e financeiro do Autor, sendo elementar tal concessão de inteira JUSTIÇA.
Conforme demonstra comprovante em anexo abaixo.
TEMPESTIVIDADE
Se faz crucial alegar que o presente recurso encontra – se dentro do prazo de 10 dias
úteis para sua apresentação, desde dada a ciência da sentença, de acordo com o Art. 42
CAPUT da lei 9.099/95, de modo que encontra – se tempestivo.

RAZÕES DO RECURSO INOMINADO


Não obstante, a sentença proferida e homologada pelo juízo a quo, impõe-se a reforma,
pelos motivos de fato e de direito que passa a expor:

I - SINTESE DOS FATOS / HISTÓRICO PROCESSUAL


Trata-se do ajuizamento da Ação Revisional Cumulada Com Danos Morais em face do
Banco Votorantim, promovida pelo Autor, na qual, alega percentuais abusivos em relação
aos juros cobrados de um contrato de financiamento para compra de um veículo para uso
próprio, não se enquadrando na média estipulada pelo banco central, ferindo o direito do
consumidor.
Oportunamente, a empresa Reclamada apresentou Contestação em 05/09/2023,
apresentando o argumento de impossibilidade de limitação aos juros remuneratórios
pactuados, como também, indicando que não há relevante discrepância entre a taxa média
do mercado divulgado pelo BACEN e a taxa contratada. Inequivocamente, a própria
Reclamada comprovou que a taxa pactuada, é maior em percentuais, ultrapassando o limite
do Banco Central.
Seguindo os trâmites processuais, a impugnação a Contestação, apresentou mais
provas de que há ilegalidade quanto a cobrança de seguro e de título de capitalização
premiável em contrato de financiamento.
Neste sentido, foi proferida a sentença que deu improcedência a pretensão autoral,
no ínterim da decisão verifica – se alguns pontos que merecem ser apreciados e
reanalisados por esta turma recursal, de modo a alcançar a mais pura justiça. Assim,
demonstra – se através dos fatos e fundamentos a seguir:

II – DO DIREITO / REFORMA DA DECISÃO

II.I DA RELAÇÃO DE CONSUMO

Inicialmente, é inquestionável a caracterização da relação de consumo no presente


caso, uma vez que, o Supremo Tribunal de Justiça reconheceu haver sujeição das
instituições financeiras às regras da lei consumerista, de modo a conferir aos consumidores
de serviços bancários um grau maior de proteção, diante de uma relação de consumo
marcada pelo uso generalizado dos contratos de massa e pela expressiva desproporção
entre os polos contratuais. Dessa forma, detém a súmula 297 do STJ:

O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras

Portando, o tribunal reconheceu que os bancos fornecem os produtos de massa, não


cabendo questionar a aplicabilidade do CDC no setor bancário, tão pouco, no contrato
objeto de lide.
Dessa maneira, o estatuto que rege o Código de Defesa do Consumidor, disciplina
em seu artigo 3, § 2º, in verbis:
Art. 3º Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como
os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade
de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou
comercialização de produtos ou prestação de serviços.
§ 2º Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado
de consumo, mediante remuneração, inclusive as de
natureza bancária, financeira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

Ainda, contextualizando a relação de consumo no setor bancário, com


propósitos que servem ao país a prática de juros remuneratórios compatível com uma
margem de ganho saudável, asseverou Nelson Abrão (2010, p. 542):

Congregando a relação de consumo um novo fator


delimitador da conduta da instituição financeira, no
horizonte da Súmula 297 do STJ e também da
interpretação preconizada pelo STF, os bancos assumem
papel definido de não apenas permitir o acesso ao
crédito, mas, sobretudo, evidenciar a responsabilidade
diante de políticas públicas organizadas, em prol da
redução dos spreads e, mais ainda, consubstanciando
taxa de juros ao alcance das expectativas do mercado.

Portanto, não tendo mais no que se discutir sobre aplicabilidade do CDC no presente
caso, o artigo 6, inciso V traz em seu texto fundamento suficiente para coibir os abusos
praticado pela instituição bancária.

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


V - A modificação das cláusulas contratuais que
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua
revisão em razão de fatos supervenientes que as
tornem excessivamente onerosas;
Diante disso, vê-se nos juros bancários do presente caso em tela, a necessidade de
analisar os juros cobrado de fato, já que o consumidor se apresenta hipossuficiente na
relação bancária, por outro lado, é extravagante o poder econômico do sistema bancário
com influência em diversas áreas do governo federal, estadual e municipal, como também
exercem influências no legislativo e no judiciário. Isto posto, é imprescindível que declarada
a abusividade na relação contratual, é possível realizar a revisão do contrato bancário, de
acordo com art. 51, §1º, do CDC.

II.II DA NULIDADE CLAUSULA ABUSIVA E RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS

Ora como já demonstrado, o Autor busca a revisão contratual e a nulidade dos juros
capitalizados, assim como a restituição dos valores já pagos até o presente momento, que já
somam 10 parcelas.
Nesse sentido, cita-se a jurisprudência dos tribunais pátrios:
AGRAVO INTERNO NA APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO
CONTRATUAL C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO. TAXA DE JUROS
REMUNERATÓRIOS SUPERIOR À MÉDIA DE MERCADO.
ABUSIVIDADE CONSTATADA. DEVOLUÇÃO DOS
VALORES DEVIDA. REFORMA DA SENTENÇA.
PRECEDENTES DO TJPB. MANUTENÇÃO.
DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. “Constatada a
abusividade na taxa de juros remuneratórios fixada
contratualmente, possível sua revisão para ajustá-la à
taxa média praticada pelo mercado, regulada pelo
BACEN, à época da contratação. Precedentes STJ.” (TJBA;
AP 0572864- 68.2017.8.05.0001; Salvador; Terceira
Câmara Cível; Rel. Des. Moacyr Montenegro Souto; Julg.
19/03/2019; DJBA 22/03/2019; Pág. 510)

Outroassim, consta da fundamentação do REsp 293.778/RS, 4ª Turma, julgado em


29.5.2001, que é plenamente admitido o pleito autoral da presente ação:
"Não é pelo fato de cumprir com a sua prestação prevista
em contrato de adesão que o obrigado fica proibido de
discutir a legalidade da exigência que lhe foi feita e que
ele, diante das circunstâncias que avaliou, julgou mais
conveniente e prudente cumprir, para depois vir a Juízo
discutir a legalidade da exigência. Se não for assim,
estará sendo instituída uma nova condição da ação no
direito contratual: ser inadimplente. O princípio, se
aceito, seria um incentivo ao descumprimento dos
contratos, condição de acesso ao Judiciário. Além disso,
submeteria o devedor à alternativa de pagar e perder
qualquer possibilidade de revisão, ou não pagar e se
submeter a todas as dificuldades que decorrem da
inadimplência. Especificamente, em se tratando de
cumprimento de obrigações bancárias em geral, previstas
em contrato de adesão com garantias e sanções, entre as
quais se incluem a prisão civil, a expropriação forçada de
bens dados em garantia e a inscrição em bancos de
dados de inadimplentes, é muito comum e até
recomendável que o devedor efetue o pagamento da sua
prestação, para evitar os males conhecidos e que não são
poucos, mas isso não poderá significar a perda do direito
de discutir a validade da exigência feita." (Ver, também, o
AG. 389312/RS, 4ª Turma, de minha relatoria, DJ
30.10.2001).

No mesmo sentido o REsp 337.361/RS, 4ª Turma, rel. o Min. Sálvio de Figueiredo


Teixeira, DJ 13.11.2001:
(...) "Não fosse por isso, o cumprimento de contrato
bancário não afasta a possibilidade de discussão judicial de
eventuais ilegalidades. Conforme assinalado no REsp
230.559-RS (DJ 17.11.99), 'o direito a declaração de
invalidade de cláusula contratual não se extingue com a
prestação nele prevista, pois muitas vezes o obrigado
cumpre a sua parte exatamente para poder submeter a
causa a juízo, ou, o que é mais freqüente, para evitar o
dano decorrente da inadimplência, com protestos,
registros no SPC, SERASA e outros efeitos. Por isso, não há
razão para limitar o exercício jurisdicional na revisão de
contratos, especialmente quando a dívida, que é no último
reconhecida, ou que serve de ponto de partida para o
cálculo do débito, resulta da aplicação de cláusulas
previstas em contratos anteriores, em um encadeamento
negocial que não pode ser visto isoladamente, apenas no
último contrato. Portanto, não tem razão o banco quando
pretende estreitar o âmbito da revisão judicial.'
Neste cerne, é crucial saber-se que os juros pactuados inicialmente e acordado a
principio pelo Autor do processo não é impossibilitado de revisão, sendo determinante a
revisão para o caso, para que haja a possibilidade do Requerido prosseguir com o contrato
de financiamento e quitação das demais parcelas dentro do seu prazo de vencimento, se faz
necessário a pretensão do autor, que se infere como a correção das devidas ilegalidades
postas pelo demandante, solicitando a este juízo que seja revisto o valor das parcelas dos
juros remuneratórios descritos em contrato.
Cumpre mencionar que, no caso vertente, no tocante ao juros remuneratórios
anuais contratado, a parte Demandada alega em sua Contestação id 78777257 – pag 7 que a
taxa de juros anuais superior ao duedecuplo das taxas mensais está fundamentada de
acordo com decisão do STJ:

No entanto, o eminente Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, em sua obra


Responsabilidade Civil no Código do Consumidor e a Defesa do Fornecedor sobre o dever de
informação, asseverou, com propriedade:

“Não bastam instruções em letras minúsculas ou em


folhetos ilegíveis, devendo as informações e advertências
ser prestadas com clareza. No Brasil, como país em vias
de desenvolvimento, a necessidade de prestação de
informações claras pelos fornecedores assume um relevo
especial, em face do grande número de pessoas
analfabetas ou com baixo nível de instrução que estão
inseridas no mercado de consumo. As informações
devem ser prestadas em linguagem, de fácil
compreensão, enfatizando-se, de forma especial, as
advertências em torno de situações de risco.”
Há de se ressaltar, ainda, que, em recente julgamento realizado pela Terceira Turma
desta Corte, no REsp 1.302.738/SC, sufragou-se, por unanimidade, o entendimento de que a
especificação, no contrato bancário, da taxa mensal de juros e da taxa anual de juros, não
configura informação capaz de, por si só, representar pactuação expressa de capitalização
mensal de juros. O acórdão então elaborado recebeu a seguinte ementa:

CIVIL. BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE


REVISÃO CONTRATUAL. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS.
CONTRATAÇÃO EXPRESSA. NECESSIDADE DE PREVISÃO.
DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA.
1. A contratação expressa da capitalização de juros deve
ser clara, precisa e ostensiva, não podendo ser deduzida
da mera divergência entre a taxa de juros anual e o
duodécuplo da juros mensal.
2. Reconhecida a abusividade dos encargos exigidos no
período de normalidade contratual, descaracteriza-se a
mora.
3. Recurso especial não provido (Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 3. 03/05/2012; DJE 10/05/2012)

A ministra Nancy Andrighi durante o julgamento deliberou de forma majestosa as


particularidades que fundamentaram a sua convicção, sobretudo sobra a hipossuficiência
técnica do consumidor, quando da contratação dos serviços:

"Não tenho dúvida alguma em aderir às premissas tão bem expostas pelo relator, amparado
na doutrina de Cláudia Lima Marques, Rizzato Nunes e Paulo de Tarso Sanseverino, acerca
da absoluta necessidade de que o contrato bancário seja transparente, claro, redigido de
forma que o consumidor, leigo, vulnerável não apenas economicamente, mas sobretudo
sem experiência e conhecimento econômico, contábil, financeiro, entenda, sem esforço
ou dificuldade alguma, o conteúdo, o valor e a extensão das obrigações assumidas. A
pactuação de capitalização de juros deve ser expressa. a taxa de juros deve estar claramente
definida no contrato. a periodicidade da capitalização também. Sobretudo, não deve pairar
dúvida alguma acerca do valor da dívida, dos prazos para pagamento e dos encargos
respectivos.
[…]

Destarte, a mera existência de discriminação da taxa mensal e da taxa anual


de juros, sendo esta superior ao duodécuplo daquela, não configura estipulação expressa de
capitalização mensal, pois há ausência da clareza e transparência indispensáveis à
compreensão do consumidor hipossuficiente, parte vulnerável na relação jurídica.
Além disso, a definição do que seja “expressamente pactuado”, ou “expressa e clara
pactuação”, jamais poderia ter como pressuposto a realização de qualquer tipo de cálculo,
por mais simples que seja, para considerá-la como “expressa”, pois neste caso os tribunais
pátrios estariam admitindo a pactuação “implícita” da capitalização de juros, o que
certamente não foi o objetivo do STJ em nenhum dos julgados e Súmulas citados. Se assim
fosse, certamente teria sido firmada a tese de que se admite a pactuação “implícita”, pois
por “expressamente pactuado”, na língua portuguesa, somente se pode entender como
aquilo que está escrito gramaticalmente.
Ressalta-se ainda, que a 3ª turma, no julgamento do REsp 2.009.614, fixou o
entendimento de que devem ser observados os seguintes requisitos para a revisão das taxas
de juros remuneratórios: a) a caracterização de relação de consumo; b) a presença de
abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada; e c) a
demonstração cabal, com menção expressa às peculiaridades da hipótese concreta, da
abusividade verificada, levando-se em consideração, entre outros fatores, a situação da
economia na época da contratação, o custo da captação dos recursos, o risco envolvido na
operação, o relacionamento mantido com o banco e as garantias ofertadas.
Dessa maneira, há de se analisar cada item vindicado em questão. A caracterização
da relação de consumo já se encontra pelos argumentos trazidos no titulo II.I deste recurso,
além disto, pelos documentos e contratos acostados nos autos. A presença da abusividade
capaz de colocar o consumidor em vantagem exagerada, se delineia pelo fato de, uma
possível mora e inscrição indevida de seu nome no cadastro de inadimplentes, em virtude
de um abuso, se submeter a todas as dificuldades que decorrem da inadimplência, podendo
também, ter veículo objeto pessoal e necessário, apreendido se vier a atrasar as parcelas
por vontade alheia devido aos juros exacerbados, que não se enquadra na média estipulada
pelo Banco Central. Em última análise, a Corte Superior destacou que não basta a mera
aferição de quantas vezes os juros aplicados são superiores em relação às médias divulgadas
pelo BACEN – se uma vez e meia, dobro ou triplo – para se verificar a existência ou não de
abusividade contratual, tal como vem sendo aplicado pelas Cortes Estaduais do país, é
preciso manifestar que o Autor do caso concreto não irá poder adimplir com o contrato
diante das condições insuportáveis para o obrigado.
II.III DA REFORMA DA SENTENÇA

O nobre julgador a quo, deliberou no projeto de sentença, sendo posteriormente


homologada a seguinte decisão:

“À vista disso, em que pese a irresignação da parte


promovente, inexistindo patente ilegalidade nos encargos
cobrados pela parte promovida, bem como não restando
demonstrada alteração súbita na situação dos
contratantes quando se aplicam as disposições
contratadas, não cabe ao Poder Judiciário intervir no
contrato, situação em que de fato se privilegia a proteção
da confiança, preservando-se, ainda, o vínculo negocial em
observância ao postulado pacta sunt servanda.
Com fulcro nessas razões, reputo improcedentes as
pretensões autorais.”

No tocante a isso, é certo que não cabe ao juiz interferir genericamente


no mercado para estabelecer taxas, mas é seu dever intervir no contrato que
está julgando, para reconhecer quando o princípio do equilíbrio contratual foi
violado, a fim de preservar a equivalência entre a prestação oferecida pelo
financiador e a contraprestação que está sendo exigida do mutuário.
Neste sentido, é função dele aplicar o dispositivo legal que proíbe
cláusulas potestativas, é função dele verificar se no modo de execução do
contrato não há perda substancial de justiça, com imposição de obrigação
exagerada ou desproporcionada com a realidade econômica do contrato. Para
isso, sequer necessita invocar o disposto no Código de Defesa do Consumidor,
uma vez que o sistema do nosso Direito Civil é suficiente para permitir a devida
adequação da justiça, uma vez que, o não deferimento da ação é segundo a
taxa média do mercado é a causa da formação dos débitos impagáveis, como
seguidamente evidenciam os autos do processo em tela.
Tem-se o entendimento do seguinte precedente:

Nos contratos de mútuo em que a disponibilização do


capital é imediata, deve ser consignado no respectivo
instrumento o montante dos juros remuneratórios
praticados. Ausente a fixação da taxa no contrato, deve o
juiz limitar os juros à média de mercado nas operações
da espécie, divulgada pelo BACEN, salvo se a taxa
cobrada for mais vantajosa para o cliente. 2) Em
qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa
média se verificada abusividade nos juros
remuneratórios praticados.

Desta feita, resta o requerimento do reconhecimento da abusividade


demonstrada ante as peculiaridades desse caso concreto, e conforme o disposto no
inciso V, do art. 6º, do CDC, o consumidor tem direito a rever cláusula contratual que
estabeleça uma prestação excessivamente onerosa, desproporcional, especialmente
em se tratando o instrumento firmado entre as partes de contrato de adesão
ajustado entre entidade financeira e pessoa física, para fins de fornecimento de
crédito. Deste modo, em atenção aos arts. 46 e 47 do CDC, as cláusulas do contrato
devem ser interpretadas de forma mais favorável ao consumidor, considerando-se
nulas aquelas que se revelarem impositivas de encargos abusivos. A discussão acerca
da abusividade dos juros, conforme o atual entendimento do STJ, deve ser caso a
caso, desde que presente a relação consumerista e a comprovação de discrepância
substancial entre a média do mercado e a taxa contratada. Deve-se levar em
consideração, ainda, os riscos envolvidos no negócio.

II.IV DOS DANOS MORAIS

Diante de todo o exposto até aqui, sobeja a tutela dos danos morais
enfretado pelo Autor. Sendo assim, a Constituição Federal de 1988 assegura em seu
art. 5º, a tutela do direito à indenização por dano moral em virtude de violação de
direitos fundamentais. Vejamos abaixo:
Art. 5º, inciso X - são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação;

Art. 186 - Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação;

Ainda nesse sentido, o CDC assegura em seu art 6, VI E VII:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:


VI - a efetiva prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais,
individuais, coletivos e difusos;
VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos
com vistas à
prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais,
individuais,
coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;

Dessa maneira, devem ser acolhidos os danos morais sustentados, visto que, em
razão dos fatos trazidos em questão, decorrente exclusivamente da culpa da Requerida, o
autor teve a sua tranquilidade, honra e imagem abaladas com o descaso da parte Ré, então,
enseja a reparação do dano no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

III – DOS PEDIDOS

Pelo exposto, presentes os pressupostos objetivos e subjetivos para o conhecimento do


presente Recurso inominado, requer a Reclamada seja dado provimento para reformar a
sentença recorrida nos tópicos aqui mencionados, por imperativo de Justiça! Sendo assim,
requer o Recorrente: a reforma da decisão de primeiro Grau no que tange os pedidos de:

1) Deferir a Gratuidade de Justiça em favor do Recorrente;

b) A procedência do presente recurso, com a reforma da sentença de primeiro grau


condenando a recorrida em danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a título
de danos morai e obedecendo ao princípio da proporcionalidade e razoabilidade no
presente caso;

c) Seja reformada sentença do juízo a quo quanto visando a declarar nulos e,


consequentemente, a excluir cláusulas tidas como abusivas constantes de contratos de
abertura de crédito firmados com seus correntistas, aplicando-se a taxa média de mercado à
época da contratação definindo que a devolução em dobro é cabível quando a cobrança
indevida objetivando o art 42 do CDC;

d) RECEBER O PRESENTE RECURSO, para que sejam julgados procedentes todos os pedidos
contidos na inicial.
e) Seja determinado ao pagamento dos honorários advocatícios em até 20%, conforme Art.
55 da Lei 9099/95.

Termos em que, pede deferimento

Campina Grande/PB, xxx 2023

JEFFERSON MAIA DE OLIVEIRA LIMA


OAB/PB 24.391

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