Textos Complementares 1 - 9º Ano - 1º Trimestre - 2022

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TEXTOS

COMPLEMENTARES
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TEXTOS

A República Velha
A República Velha, ou Primeira República, é o nome dado ao período compreendido entre a
Proclamação da República, em 1889, e a eclosão da Revolução de 1930.
Neste canal do Brasil Escola, o leitor e estudante irá encontrar uma série de artigos referentes a esse
momento de formação do Estado republicano brasileiro. Usualmente, a República Velha é dividida em
dois momentos: a República da Espada e a República Oligárquica.
A República da Espada abrange os governos dos marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Foi
durante a República da Espada que foi outorgada a Constituição que iria nortear as ações institucionais
durante a Primeira República. Além disso, o período foi marcado por crises econômicas, como a do
Encilhamento, e por conflitos entre as elites brasileiras, como a Revolução Federalista e a Revolta da
Armada.
A República Oligárquica foi marcada pelo controle político exercido sobre o governo federal pela
oligarquia cafeeira paulista e pela elite rural mineira, na conhecida “política do café com leite”. Foi nesse
período ainda que se desenvolveu mais fortemente o coronelismo, garantindo poder político regional às
diversas elites locais do país.
O período marca também a ascensão e queda do poder econômico dos fazendeiros paulistas,
baseado na produção do café para a exportação. Além disso, os capitais acumulados com a exportação do
produto garantiram o início da industrialização do país, ao menos na região Sudeste.
Essa industrialização proporcionou mudanças na estrutura social brasileira, com a formação de uma
classe operária e o crescimento do espaço urbano. As mudanças políticas e sociais, também conhecidas
pelo termo modernização, resultaram ainda em agudos conflitos sociais, tanto no campo, como no caso
da Guerra de Canudos, quanto nas cidades, como a Revolta da Vacina e as greves operárias na década de
1910.
A crise das oligarquias rurais e a crise econômica mundial, atingindo profundamente a produção
cafeeira, representaram a agonia da República Velha. A insatisfação com a eleição de Júlio Prestes, em
1930, deu à elite os motivos para derrubar os fazendeiros paulistas que estavam no poder, através da
Revolução de 1930. Era o fim da República Velha e o início da Era Vargas.
Por Tales Pinto
Graduado em História
Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/historiab/republica-velha-1889-1930.htm

Disponível em: http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/.


República Oligárquica
Com a proclamação da República, em 1889, inaugurou-se um novo período na história política do Brasil: o
poder político passou a ser controlado pelas oligarquias rurais, principalmente as oligarquias cafeeiras. Entretanto,
o controle político exercido pelas oligarquias não aconteceu logo em seguida à proclamação da República – os dois
primeiros governos (1889-1894) corresponderam à chamada República da Espada, ou seja, o Brasil esteve sob o
comando do exército. Marechal Deodoro da Fonseca liderou o país durante o Governo Provisório (1889-1891). Após
a saída de Deodoro, o Marechal Floriano Peixoto esteve à frente do governo brasileiro até 1894.
No ano de 1894, os grupos oligárquicos, principalmente a oligarquia cafeeira paulista, estavam articulando
para assumir o poder e controlar a República. Os paulistas apoiaram Floriano Peixoto. Dessa aliança surgiu o
candidato eleito nas eleições de março de 1894, Prudente de Morais, filiado ao Partido Republicano Paulista (PRP).
A partir de então, o poder político brasileiro ficou restrito às oligarquias agrárias paulista e mineira, de 1894 a 1930,
período conhecido como República Oligárquica. Assim, o domínio político presidencial durante esse intervalo de
tempo prevaleceu entre São Paulo e Minas Gerais, efetivando a política do café-com-leite.
Durante o governo do presidente Campo Sales (1898-1902), a República Oligárquica efetivou o que marcou
fundamentalmente a Primeira República: a chamada política dos governadores, que se baseava nos acordos e
alianças entre o presidente da República e os governadores de estado, que foram denominados Presidentes de
estado. Estes sempre apoiariam os candidatos fiéis ao governo federal; em troca, o governo federal nunca
interferiria nas eleições locais (estaduais).
Mas, afinal, como era efetivado o apoio aos candidatos à presidência da República do governo federal pelos
governadores dos estados? Esse apoio ficou conhecido como coronelismo: o título de coronel surgiu no período
imperial, mas com a proclamação da República os coronéis continuaram com o prestígio social, político e econômico
que exerciam nas vizinhanças das localidades de suas propriedades rurais. Eles eram os chefes políticos locais e
exerciam o mandonismo sobre a população.
Os coronéis sempre exerceram a política de troca de favores, mantinham sob sua proteção uma enorme
quantidade de afilhados políticos, em troca de obediência rígida. Geralmente, sob a tutela dos coronéis, os afilhados
eram as principais articulações políticas. Nas áreas próximas à sua propriedade rural, o coronel controlava todos os
votos eleitorais a seu favor (esses locais ficaram conhecidos como “currais eleitorais”).
Nos momentos de eleições, todos os afilhados (dependentes) dos coronéis votavam no candidato que o seu
padrinho (coronel) apoiava. Esse controle dos votos políticos ficou conhecido como voto de cabresto, presente
durante toda a Primeira República, e foi o que manteve as oligarquias rurais no poder.
Durante a Primeira República, o mercado tinha o caráter agroexportador e o principal produto da economia
brasileira era o café. No ano de 1929, com a queda da Bolsa de Valores de Nova York, a economia cafeeira brasileira
enfrentou uma enorme crise, pois as grandes estocagens de café fizeram com que o preço do produto sofresse uma
redução acentuada, o que ocasionou a maior crise financeira brasileira durante a Primeira República.
Na Revolução de 1930, Getúlio Vargas assumiu o poder após um golpe político que liderou juntamente com
os militares brasileiros. Os motivos do golpe foram as eleições manipuladas para presidência da República, as quais
o candidato paulista Júlio Prestes havia ganhado, de forma obscura, em relação ao outro candidato, o gaúcho Getúlio
Vargas, que, não aceitando a situação posta, efetivou o golpe político, acabando de vez com a República Oligárquica
e com a supremacia política da oligarquia paulista e mineira.
Leandro Carvalho
Mestre em História
CARVALHO, Leandro. "República Oligárquica"; Brasil Escola. Disponível em
<http://brasilescola.uol.com.br/historiab/republica-oligarquica.htm>. Acesso em 01 de abril de 2016.

O Coronelismo
O coronelismo foi uma experiência típica dos primeiros anos da república brasileira. De fato, essa
experiência faz parte de um processo de longa duração que envolve aspectos culturais, econômicos, políticos
e sociais do Brasil. A construção de uma sociedade vinculada com bases na produção agrícola latifundiária,
desde os tempos da colônia, poderia contar como um dos fatos históricos responsáveis pelo aparecimento do
chamado “coronel”.
No período regencial, a incidência de levantes e revoltas contra a nova ordem política instituída
concedeu uma ampliação de poderes nas mãos dos proprietários de terra. A criação da Guarda Nacional
buscou reformular os quadros militares do país através da exclusão de soldados e oficiais que não fossem fiéis
ao império. Os grandes proprietários recebiam a patente de coronel para assim recrutarem pessoas que

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fossem alinhadas ao interesse do governo e das elites.
Com o fim da República da Espada, as oligarquias agroexportadoras do Brasil ganharam mais espaço
nas instituições políticas da nação. Dessa maneira, o jogo de interesses envolvendo os grandes proprietários e
a manutenção da ordem social ganhava maior relevância. Os pilares da exclusão política e o controle dos
grandes espaços de representação política sustentavam-se na ação dos coronéis.
Na esfera local, os coronéis utilizavam das forças policias para a manutenção da ordem. Além disso,
essas mesmas milícias atendiam aos seus interesses particulares. Em uma sociedade em que o espaço rural
era o grande palco das decisões políticas, o controle das polícias fazia do coronel uma autoridade quase
inquestionável. Durantes as eleições, os favores e ameaças tornavam-se instrumentos de retaliação da
democracia no país.
Qualquer pessoa que se negasse a votar no candidato indicado pelo coronel era vítima de violência
física ou perseguição pessoal. Essa medida garantia que os mesmos grupos políticos se consolidassem no
poder. Com isso, os processos eleitorais no início da era republicana eram sinônimos de corrupção e conflito.
O controle do processo eleitoral por meio de tais práticas ficou conhecido como “voto de cabresto”.
Essa falta de autonomia política integrava uns processos onde deputados, governadores e presidentes
se perpetuavam em seus cargos. Os hábitos políticos dessa época como a chamada “política dos governadores”
e a política do “café-com-leite” só poderiam ser possíveis por meio da ação coronelista. Mesmo agindo de forma
hegemônica na República Oligárquica, o coronelismo tornou-se um traço da cultura política que perdeu espaço
com a modernização dos espaços urbanos e a ascensão de novos grupos sociais, na década de 1920 e 1930.
Apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de suas práticas se fazem
presentes na cultura política do nosso país. A troca de favores entre chefes de partido e a compra de votos são
dois claros exemplos de como o poder econômico e político ainda impedem a consolidação de princípios
morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.
Por Rainer Sousa
Graduado em História
SOUSA, Rainer Gonçalves. "Coronelismo"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/coronelismo.htm>. Acesso em 01
de abril de 2016.

A política dos governadores


A chamada política dos governadores foi, em linhas gerais, um acordo - firmado no governo do presidente
Campos Salles - por meio do qual a presidência da República e as oligarquias estaduais se comprometiam a manter
uma relação de apoio mútuo.
Muitas vezes, a política dos governadores é erroneamente confundida com a política do café-com-leite. Mas,
na verdade, a segunda é um desdobramento da primeira. Para compreender melhor o que foi a política dos
governadores é preciso entender a organização político-econômica do Brasil no final do século 19.
Foi naquele período que o país passou da Monarquia à República, adotando um sistema de governo
presidencialista e organizando-se sob a forma de federação.
Isso significa que, diferente do modelo anterior, em que as províncias - como se chamavam os estados, na época -
tinham pouca ou nenhuma autonomia, submetendo-se ao centralismo da Corte, na fase pós-1889 o poder, de certa
forma, foi dividido entre as forças regionais.
As províncias, por exemplo, passaram a ter constituições próprias, limitadas pela Constituição federal, e a
poder contrair empréstimos no exterior, além de terem a possibilidade de instituir impostos estaduais. De outro
lado, o problema que se apresentava era como equacionar os interesses das diversas forças políticas locais com os
interesses do poder central.
Na economia, o Brasil seguia firme como um dos principais produtores de café do mundo. Essa posição
tinha sido alcançada ao longo da segunda metade do século 19, quando o café se tornou nosso principal produto de
exportação. Por volta de 1890, o Brasil supria dois terços do mercado mundial de café, que respondia por cerca de
65% das exportações do país.
Portanto, se o Brasil aprofundava cada vez mais sua dependência em relação ao café, a Proclamação da
República trouxe a necessidade de unir os interesses políticos locais - sufocados pela centralização da monarquia -
à política federal de apoio ao setor cafeeiro. Foi para manter esse equilíbrio de interesses, então, que surgiu a política
dos governadores.
O acordo, iniciado no governo Campos Salles, garantiu o apoio do governo federal às oligarquias estaduais
- e destas ao presidente da República.
Assim, criava-se uma certa autonomia para ambos, embora um dependesse politicamente do outro: as oligarquias
precisavam do presidente para se manter no poder e nomear funcionários na esfera federal; e a presidência da
República, para obter o apoio dos governadores na implementação de suas políticas, sustentava-se nas forças locais,

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ou seja, nas províncias.
Foram duas as principais consequências da política dos governadores. A primeira, o fortalecimento dos
coronéis. Já que, pelo acordo, os governadores deveriam sustentar politicamente o governo federal, as oligarquias
provinciais passaram a manipular as eleições para deputados e senadores, de modo a favorecer o presidente da
República. Para isso, era fundamental o modelo de eleição da época, que não exigia o voto secreto. Na esfera federal,
a Comissão de Verificação - uma espécie de Tribunal Eleitoral da época - endossava os resultados, reconhecidamente
fraudados em sua maioria.
A segunda consequência se refere à predominância de Minas Gerais e São Paulo entre as demais províncias,
a ponto de terem controlado os acordos para sucessão presidencial durante mais de 30 anos - essa, sim, a política
do café-com-leite.
Os políticos da época pensavam assim: se o café era nosso principal produto, nada mais natural, portanto,
que justamente os "barões do café" - boa parte deles de origem paulista - dessem as ordens na política federal.
Essa presença marcante de São Paulo na vida política nacional não era tão questionada, pois, de um lado, as demais
províncias tinham bastante autonomia, e, de outro, a economia brasileira dependia muito da oligarquia paulista.
Aos poucos, porém, foram surgindo focos de insatisfação, sobretudo no Sul e no Nordeste. A evolução dessas
divergências acabaria levando à Revolução de 1930.
Quanto a Minas Gerais, embora tivesse também uma economia importante, seu peso foi sobretudo político,
já que, sendo a província mais populosa, possuía, de acordo com as regras eleitorais da época, a maior bancada de
deputados no Congresso. Isso fazia com que o apoio político da oligarquia mineira se tornasse imprescindível a
qualquer presidente que quisesse manter o equilíbrio de forças estabelecido, a partir de 1898, pela política dos
governadores.
Vitor Amorim de Angelo é historiador, mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos.
Atualmente, é professor de história da Universidade Federal de Uberlândia.
Disponível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/politica-dos-governadores-entenda-esse-acordo-do-periodo-republicano.htm.
Acesso em: 1 abr 2016.

REPÚBLICA AINDA QUE TARDIA


Não houve um só tiro que pudesse revelar que se tratava de um golpe e não de uma parada militar. Se
ecoassem (na verdade, houve dois, mas ninguém os escutou), talvez aqueles seiscentos soldados percebessem que
não estavam ali para participar de um desfile, e sim para derrubar um regime. Na verdade, alguns dos militares de
alta patente ali presentes sabiam que estavam tomando parte em uma quartelada. Mas, mesmo os que pensavam
assim, achavam que quem estava sendo derrubado era o presidente do Conselho de Ministros, visconde de Ouro
Preto. Jamais o imperador D. Pedro II – e muito menos a monarquia que ele representava.

(…)

O fato é que, naquele momento confuso alvorecer de 15 de novembro de 1889, o ministro Ouro Preto foi
preso e todo o seu gabinete derrubado. Mas ninguém teve coragem de falar em república. Apenas na calada da noite,
quando golpistas civis e militares se reuniram, foi que proclamaram – em silêncio e provisoriamente – o advento de
uma república federativa. “Provisoriamente” porque se aguardava o pronunciamento definitivo da nação,
livremente expressado pelo sufrágio popular. Por falar em vontade popular, como estava o “povo” a todas essas?

Bem, o povo assistiu a tudo “bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”, de acordo com
o depoimento do deputado Aristides Lobo. Embora logo fosse republicano convicto e membro do primeiro
ministério do novo governo, sua opinião tem sido contestada por alguns historiadores (que citam as várias revoltas
populares ocorridas naquele período como um indicativo do grau de insatisfação com o regime imperial). De
qualquer forma, o Segundo Reinado, que começara com um golpe branco, terminava com um golpe esmaecido. A
monarquia, no Brasil, não caiu com um estrondo, mas com um suspiro.
BUENO, Eduardo. Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção. Rio de Janeiro. Leya. 2012. P. 247-8

O PRESIDENTE CAFÉ-COM-LEITE

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Político mais habilidoso, orador mais inspirado e propagandista mais eficiente do que seu antecessor, o
paulista Manuel Ferraz de Campos Sales conseguiu consolidar plenamente a “República dos Fazendeiros”,
idealizada por Prudente de Morais, pelos cafeicultores e pelo PRP (Partido Republicano Paulista). O arranjo político
articulado por Campos Sales ao longo de seus quatro anos (1898-1902) de governo foi brilhante: ele criou a
chamada “política dos governadores”, que perduraria intacta até a Revolução de 30. (…)

Apesar de a Constituição afirmar que o Executivo e o Legislativo eram poderes “harmônicos e


independentes entre si”, o fato é que as ações do governo eram frequentemente barradas no Congresso. Campos
Sales inventou então uma nova – e pouco ética – forma de presidencialismo: ignorou os partidos para apoiar os
governadores estaduais; escolheu ministros de fora da política, ou alheios a ela, bastando que lhe fossem fiéis;
apagou os últimos vestígios de tradição parlamentar e submeteu a formação do Congresso às conveniências de seu
governo. Dessa forma, a partir de então, “o governo central sustentaria os grupos dominantes nos estados, enquanto
estes, em troca, apoiariam o presidente”, conforme o diagnóstico preciso do historiador Boris Fausto. Campos Sales
fez mais: criou a “degola política”, institucionalizou a fraude eleitoral e converteu a federação em feudos eleitorais.
Por fim, instituiu a política do “café-com-leite” – a aliança entre São Paulo e Minas, que passaram a se alternar no
poder.
BUENO, Eduardo. Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção. Rio de Janeiro. Leya. 2012. P. 267

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