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A Ética Da Vida

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A Ética da Vida

“Ethics is knowing the difference between what you have a


right to do and what is right to do.”
-Potter Stewart

Disciplina: Filosofia

Discente: Márcia Gonçalves Sobrinho


INTRODUÇÃO:

O presente ensaio filosófico, inserido no âmbito da disciplina de Filosofia, tem


como objetivo principal abordar o tema da Ética Moral. No mesmo, a aluna
em questão aprofundará a temática que visa expor relacionando-a com a
polémica do aborto e ainda com a ética deontológica de Immanuel Kant e
com a ética utilitarista de John Stuart Mill. Terminará por tomar uma posição
em relação aos temas acima referidos.

O QUE É A ÉTICA?

A Ética é um domínio da Filosofia que tem como principal objetivo tratar dos
princípios morais que governam o comportamento humano bem como as
escolhas, tanto individuais como coletivas. Este aborda questões
relacionadas com o que é certo e o que é errado, o que é bom ou o que é
mau e ainda o que é justo ou injusto nas ações humanas.
Ela procura estabelecer padrões comportamentais que orientem as pessoas
a tomar decisões onde considerem o bem-estar não só delas mas também do
próximo/da sociedade em geral e a agir de forma moralmente correta. Esses
padrões éticos podem acabar por mudar conforme as diferentes culturas e
contextos sociais. No entanto, a Ética visa promover o respeito pelos direitos
humanos, a justiça, a igualdade, a liberdade e a cooperação mútua.

O QUE É O ABORTO?

O aborto consiste na interrupção da gravidez antes que o dito “feto” possa


sobreviver fora do útero materno. Esta prática pode ocorrer de forma
espontânea, o chamado aborto espontâneo ou natural e pode também ser
induzido propositadamente através de procedimentos médicos, conhecido
como aborto induzido ou provocado.
A ÉTICA DEONTOLÓGICA DE KANT, O IMPERATIVO CATEGÓRICO E AS
SUAS CRÍTICAS:

A Ética Deontológica de Kant, conhecida também como Ética Kantiana, é


uma teoria que afirma que a moralidade das ações não é dependente das
suas consequências, mas sim se são ou não realizadas de acordo com um
dever moral.
Segundo o filósofo em questão, Immanuel Kant, as ações são consideradas
moralmente corretas se, e só se, forem realizadas por dever, e não apenas
pelo facto de a ação em si ser um dever. Destacando, assim, a importância
da motivação na procura da ação.
A lei moral, expressa nesta teoria pelo Imperativo Categórico, é caracterizada
por ser universal e por ser conhecida através da razão.
Mas afinal, o que é isto de Imperativo Categórico?
O Imperativo Categórico, é um dos principais conceitos na ética de Kant.
Trata-se de um princípio moral que deve ser praticado incondicionalmente e
que é usado como base para determinar a moralidade das ações e foi
formulado de duas formas diferentes, sendo que, ambas as formas,
destacam um aspeto diferente acerca da moralidade e, todas juntas, formam
um eixo central na ética kantiana.

A FÓRMULA DA LEI UNIVERSAL:

A primeira forma, chamada “A Fórmula da Lei Universal”, defende que cada


indivíduo deve agir apenas segundo uma máxima que ele mesmo possa
querer que se torne uma lei universal ("Age de modo a que possas desejar a
a máxima da tua ação se torne lei universal"); (exemplo: Imaginemos que o
Mário está numa situação em que tem a oportunidade de mentir com fim a
livrar-se de problemas. Suponhamos que ele partiu um objeto valioso na casa
de um amigo e, quando o amigo lhe pergunta o que aconteceu, o Mário
decide mentir alegando que não sabe como o objeto foi partido.) Se todos
seguíssemos a máxima de Mário e mentíssemos quando nos fosse
conveniente, a confiança, de pessoas para pessoas, acabaria. Num mundo
onde a máxima de mentir é uma lei universal, ninguém acreditaria nas
palavras uns dos outros, o que acabaria por tornar a própria prática de mentir
algo inútil porque também já ninguém confiaria nas mentiras. Assim, e de
acordo com a primeira fórmula do Imperativo Categórico, a ação de mentir
para evitar problemas não é moralmente permissível, uma vez que a máxima
subentendida à ação praticada não pode ser universalizada.

A FÓRMULA DO FIM EM SI:

A segunda fórmula do princípio acima, várias vezes, referido defende que


devemos tratar a humanidade, no geral, sempre como um fim e nunca como
um simples meio para atingir os nossos objetivos ("Trata sempre as pessoas
como fins em si, e nunca como meros meios"). Esta fórmula enfatiza o
respeito pela dignidade e o valor individual de cada ser humano. Vejamos o
seguinte exemplo: Imaginemos que a pessoa X é empregadora e está a
considerar pagar o mínimo possível aos seus funcionários, com o objetivo de
guardar o máximo de dinheiro para ela própria, mesmo sabendo que o valor
será insuficiente para os empregados viverem com dignidade. Conforme esta
segunda fórmula do Imperativo Categórico da ética kantiana, a ação de pagar
salários baixíssimos aos funcionários é considerada moralmente incorreta.
Isto por que o patrão vai estar a tratar os seus empregados como “meros”
meios para atingir o seu objetivo de acumular muito dinheiro, não
considerando sequer a dignidade e o valor individual deles como seres
humanos.
Uma ação moralmente correta, segundo a Fórmula do Fim em Si, seria a de
pagar salários justos que permitissem aos funcionários da empressa da
pessoa X viver em dignidade, respeitando a sua humanidade e tratando-os
como fins em si mesmos.
Neste eixo, as duas fórmulas focam-se na universalidade, deixando para trás
a particularidade e individualidade da ação humana.

CRÍTICAS À ÉTICA KANTIANA:

Apesar de ser uma das teorias morais mais influentes na filosofia, a


deontologia de Kant enfrenta muitas críticas.
“Não resolve conflitos entre deveres”-> Entre as várias críticas que forem
feitas à ética de Immanuel Kant, uma das que mais se destacou foi a que
observa que esta teoria é muito rígida e inflexível. Kant afirma que certos
deveres são absolutos e devem ser seguidos sem exceção, no entanto, essa
máxima pode levar-nos a conclusões que parecem moralmente
problemáticas ou contra-intuitivas. Por exemplo, vamos recuar 50 anos e
imaginar que ainda vivemos na ditadura de Salazar, e que abrigamos alguém
que se opõe a este regime político. Um dia a PIDE bate-nos à porta a
perguntar por esse tal indivíduo que se opôs à ditadura salazarista. Segundo
a teoria, seria moralmente correto seguirmos a máxima de protegermos os
inocentes da tortura, pelo que assim, devemos obedecer-lhe. No entanto,
também devemos seguir a máxima “Diz sempre a verdade”, uma vez que
também o é. Assim, o imperativo diz-nos também que devemos entregar o
indivíduo. O que é contraditório.
Para solucionarmos este problema na ética deontológica, devíamos pensar
que a máxima de dizer sempre a verdade devia ser reconsiderada e
estendida, em função das situações e/ou do grau de gravidade, como por
exemplo, “Diz sempre a verdade se.../...a menos que...”. Porém isto é
impedido pelo Imperativo Categórico
Outra objeção feita a esta teoria é o facto de que a ética deontológica de Kant
ignora as consequências das ações, ou seja, desculpa a negligência bem-
intencionada. Isto passa a ser problemático quando consideramos ações nas
quais o agente, apesar da sua boa intenção, neste caso, de cumprir o dever,
é, porém, tão descuidado que origina consequências desastrosas à sua
incompetência e ignorância.
Além disso, a Fórmula da Humanidade, procura respeito pelas pessoas,
concebidas como indivíduos racionais, morais e autónomos. Ora, então,
podemos afirmar que, segundo esta fórmula, muitos seres humanos não são
pessoas. Por exemplo, crianças com dois anos ou menos, indivíduos com
incapacidades mentais profundas ou adultos que padecem de demência
grave não têm capacidades de fazer escolhas racionais ou autónomas. No
entanto, parece demasiado óbvio e evidente que todos eles devem e têm de
ser tratados com respeito, e não apenas como meios para atingir um fim.
Uma vez que esta fórmula afirma que devemos tratar as pessoas (indivíduos
racionais, morais e com autonomia), parece que não temos deveres para
com os indivíduos que não o são.

O UTILITARISMO DE JOHN STUART MILL E O PRINCÍPIO DA MAIOR


FELICIDADE:

Contrariamente às teorias éticas deontológicas, como por exemplo a de Kant,


para as teorias consequencialistas, de que é exemplo a teoria utilitarista de
Mill, são as consequências da ação que devem determinar qual é o seu valor
moral.
A ética utilitarista de Mill contém uma perspectiva acerca do valor, que
explica o que faz as consequências dos atos serem boas ou más. Conforme
a perspectiva, a felicidade ou o bem-estar são a única coisa necessariamente
valiosa. Mais precisamente, aquilo que importa não é (só) a felicidade do
próprio indivíduo, mas sim, a felicidade da sociedade no geral. Na escolha
entre a própria felicidade e a felicidade dos outros, John Stuart Mill afirmou
que o utilitarismo exige que se seja tão estritamente imparcial quanto um
espetador desinteressado. Para além disso, um utilitarista não pensa que a
distribuição do bem-estar seja intrinsecamente importante, isto é, o utilitarista
apenas aceita a perspectiva do bem-estar total. Stuart Mill apresenta assim
um princípio central na sua teoria, sendo ele o Princípio da Maior Felicidade,
também conhecido como o Princípio da Utilidade. Este princípio defende
então que uma ação moralmente correta é aquela que maximiza a felicidade
para o maior número, fazendo-o de forma imparcial. Ou seja, a felicidade da
pessoa X não conta mais do que a felicidade de qualquer outra pessoa.

A PROVA DO UTILITARISMO:

Para justificar o princípio acima referido, Mill sugere que devemos apresentar
uma prova da seguinte proposição: “Há um único fim último que é desejável:
a felicidade geral.” Provar que esta premissa é verdade exige, assim,
justificar que não há outros fins últimos além da felicidade geral.
Mill admite, também que a virtude é seguramente um fim último de uma ação.
No entanto, não é um fim último separado da felicidade. Pelo contrário, a
virtude é desejada como parte da felicidade. Uma vida feliz consiste em
vários elementos, sendo um deles a aprimoração de um carácter virtuoso.
Assim, o facto de que a virtude ser desejada por si mesma não prova que
esta é o fim independente da felicidade. Podemos com isto dizer que, John
Stuart Mill conclui que apenas a felicidade é intrinsecamente valiosa.

PRINCÍPIOS SECUNDÁRIOS:

Passando para os Princípios Secundários, coloco a seguinte questão: Será


que um utilitarista tem de fazer todas as escolhas a pensar constantemente
no Princípio da Maior Felicidade? Respondendo a isto, e também conforme
aquilo que pesquisei, posso afirmar que seria insensato tentar viver assim.
Vendo a partir de uma certa perspectiva, não conseguimos estar sempre
motivados a promover imparcialmente o bem-estar. O ser Humano,
naturalmente, tem uma tendência muito forte em dar mais importância à sua
própria felicidade e à dos que lhe são mais próximos. Vendo de outra forma,
não conseguimos prever muitas das consequências dos nossos atos. A
capacidade humana para saber o que, em cada caso específico, resultaria na
maior felicidade geral é demasiado limitada.
Tendo em conta isto, Stuart Mill, argumentou dizendo que um utilitarista
deverá guiar-se então por outros princípios secundários alheios ao Princípio
da Maior Felicidade. Como por exemplo:

 Devemos respeitar os compromissos que assumimos;


 Não devemos maltratar os inocentes;
 Devemos compensar as pessoas em função do mérito;
 Não devemos tirar aos outros aquilo que lhes pertence;

Estes “mini” princípios são bastante fáceis de serem aplicados, sendo que a
experiência também nos mostra que geralmente conduzem a boas
consequências. Ao os usarmos, conseguimos todos contribuir para uma
maior felicidade geral, em vez de tentarmos usar diretamente o Princípio da
Maior Felicidade.
CRÍTICAS AO UTILITARISMO:

Embora a teoria utilitarista de Mill defenda uma tese bastante apelativa e fácil
de aceitar, tem algumas consequências que entram em conflito com o sentido
moral mais comum.
Começando então com a crítica Objeção do Criminoso Azarento, esta
defende que se seguirmos a teoria utilitarista apresentada por Mill, teremos
de aceitar que alguém claramente mal-intencionada pode ter agido bem ao
ter o azar de que uma das suas ações, que lhe correu mal, acabou por gerar
consequências benéficas, sendo que não foram por si desejadas. Vamos
perceber melhor com o seguinte exemplo: Imaginemos, mais uma vez, que a
pessoa X é um assassino contratado para matar um inocente mas que acaba
por matar um terrorista, impedindo que o mesmo lance uma bomba que
mataria dezenas, senão centenas de inocentes. Contrariamente a esta ação,
temos, também, casos em que a pessoa X é bem-intencionada mas que, por
azar, a sua ação acaba por gerar sofrimento.
Uma resposta do utilitarismo é fazer destacar que existe uma diferença entre
afirmar que alguém é bom ou mau e dizer o mesmo de uma ação sua. Assim,
no caso apresentado, o assassino em si acabou por fazer algo bom,
enquanto ação, mas ele próprio não foi bom. Esta resposta não está, todavia,
isenta de problemas, uma vez que o utilitarismo defende a identidade entre o
bem e o que quer que produza prazer e evite o sofrimento.
Esta crítica exemplifica um dos problemas para a ética utilitarista que resulta
do facto de a teoria ser consequencialista (apenas as consequências contam
para o valor moral de uma ação) e também do contraste entre essa ideia e o
facto de pensarmos que certas ações são moralmente incorretas
independentemente das suas consequências.
Os Problemas de Cálculo da Utilidade é outra objeção ao utilitarismo de
Stuart Mill. Esta crítica aponta para a dificuldade de realizar o cálculo das
consequências favoráveis e desfavoráveis de uma ação que, segundo o
utilitarismo, é necessário fazer para determinar se ela é moralmente correta
ou não. Estes problemas destacam-se principalmente em dois pontos.
Por um lado, fazer um cálculo pressupõe que todos os prazeres e dores de
tipos imensamente diferentes, e sentidos de maneiras igualmente diferentes,
por pessoas diferentes, podem ser reduzidos a meros números, para que,
assim, seja possível verificar se o resultado será positivo ou negativo, ou se
se anulam uns aos outros. Porém, isto é muito provavelmente improvável.
Por outro lado, mesmo que o problema da qualidade ou da quantidade dos
prazeres e dores fosse ultrapassado, o cálculo pode também pressupor que
podemos saber quais serão as consequências prováveis das ações. Assim, a
prática demonstra que existem vários casos em que essas consequências se
alargam muito para lá do que prevíamos. Isto passa a ser, particularmente,
intenso no caso das consequências a longo prazo.

RELECIONANDO AMBAS AS TEORIAS ÉTICAS COM A PRÁTICA DE


ABORTAR:

Aplicar a teoria deontológica de Immanuel Kant ao tema do aborto exige uma


análise focada nos princípios morais absolutos, no imperativo categórico e no
respeito à dignidade humana.
Na ética de Kant, a moralidade de uma ação pode ser determinada pela sua
conformidade com os deveres morais universais, e não pelas suas
consequências. Uma das fórmulas do Imperativo Categórico, já referida no
presente ensaio, defende que devemos agir apenas segundo uma máxima
que nós próprios possamos querer que ela se torne uma lei universal. Ora,
isto significa que, ao considerarmos o aborto, devemos questionar-nos a nós
mesmos, se a máxima que justifica o aborto poderia ser universalizada sem
contradições.
Se considerarmos a seguintes máxima “É permitido terminar uma gravide
indesejada”, a universalização dessa máxima denota que todas as
gravidezes indesejadas podem ser terminadas. No entanto, segundo o
filósofo Immanuel Kant, isto pode entrar em conflito com o dever de preservar
a vida humana, um dever moral que ele próprio considerou absoluto e
universal. Assim, a universalização da prática do aborto poderia ser vista
como uma infração a esse dever fundamental.
Kant enfatiza também o respeito face à dignidade humana, que implica tratar
todos os seres humanos como fins em si e nunca como meros meios para
atingir um fim. No caso do aborto, o feto é uma forma de vida humana em
desenvolvimento. Conforme a ética kantiana, terminar de forma intencial essa
via pode ser visto como tratar o feto como um meio para resolver um
problema ou até aliviar um sofrimento, isto é, atingir um fim. O que
desrespeita a dignidade humana.
E, embora esta teoria ética valorize a autonomia e o direito de um indivíduo
fazer as suas próprias escolhas racionais, essa autonomia deve ser exercida
dentro dos limites dos deveres morais. A decisão de abortar, mesmo sendo
baseada na autonomia da mulher, pode ser vista como uma prática de
autonomia que vai contra o dever moral de preservar a vida. Kant reafirmaria
que a moralidade de preservar a vida de um feto é um dever perfeito, o que
significa que não há exceções a este dever.
Por conseguinte, de acordo com a teoria deontológica de Immanuel Kant, o
aborto seria considerado uma prática moralmente incorreta. Isto por que,
como já referi em cima, a prática de abortar viola o imperativo categórico ao
não poder ser universalizada sem contradições, ao não respeitar a dignidade
inerente à vida humana e seria, ainda, uma contradição ao dever perfeito de
não terminar intencionalmente uma vida humana.
Resumindo, a aplicação da ética kantiana ao aborto conduz-nos à conclusão
de que essa prática é moralmente incorreta, pois vais contra os princípios
fundamentais da ética deontológica, independentemente das circunstâncias
ou consequências.

Aplicando agora o utilitarismo de John Stuart Mill à prática de abortar. Esta,


ao contrário da ética kantiana, envolve uma análise às consequências dessa
ação tendo em conta a felicidade e o sofrimento para todas as partes
envolvidas. O utilitarismo é, como já vimos em cima, uma teoria ética que
sugere que o valor moral de uma ação depende da sua capacidade de prover
a maior felicidade para o maior número de pessoas.
Neste contexto do aborto, a ética utilitarista, leva-nos a refletir acerca dos
efeitos do aborto sobre o corpo feminino, o feto, a família, todos no geral.
Em primeiro lugar, é importante avaliar como a continuação ou a interrupção
da gravidez afeta ou não o bem- estar da mulher. Caso uma gravidez
indesejada cause grande sofrimento físico, psicológico, económico ou até
social à mulher, a realização do aborto pode ser vista como uma forma de
minimizar esse sofrimento e aumentar a felicidade e o bem-estar dela.
Por outro lado, o utilitarismo exige também que consideremos o potencial
sofrimento e a perda de prazer do próprio feto. Stuart Mill reconheceu que a
capacidade de sentir prazer e dor é um fator importante para considerarmos
se uma ação é moralmente correta o incorreta. Como os fetos, nas primeiras
semanas de desenvolvimento possuem uma capacidade bastante limitada
para sentir dor, segundo o utilitarismo, podemos argumentar que o impacto
negativo sobre o feto é menos comparando com o sofrimento significativo
que pode ser colocado sobre a mulher caso ela seja forçada a continuar com
a gravidez.
Para além do mais, devemos, ainda, ter em conta os efeitos do aborto sobre
a família e a sociedade. Uma criança não desejada pode acabar por lidar
com dificuldades significativas, incluindo, por exemplo, negligência, falta de
recursos adequados e instabilidade familiar, o que pode gerar sofrimento
para a criança. Ao autorizar o aborto, a sociedade pode evitar alguns desses
problemas, promovendo, assim, o bem-estar da famílias, e à comunidade no
geral.
John Stuart Mill valorizou também a qualidade do prazer e do sofrimento,
considerando que algumas formas de prazer e sofrimento são mais
significativas do que outras. Neste tema do aborto, o bem-estar mental e
emocional de uma mulher pode ser considerado de maior importância do que
o potencial prazer de uma vida futura que ainda sequer se desenvolveu a
ponto de sentir prazer ou dor de forma significativa.
Finalmente, o utilitarismo encoraja-nos a ter em conta as consequências a
longo prazo desta prática. Uma sociedade que permite o aborto pode
promover às mulheres um maior controlo das suas próprias vidas, o que,
consequentemente, proporciona uma maior igualdade de género e um maior
bem-estar geral.
Portanto, ao analisarmos a prática do aborto aplicando-lhe o utilitarismo de
John Stuart Mill, podemos concluir que o valor moral desta ação deveria ser
avaliada com base nas consequência para o bem-estar e felicidade de todas
as partes envolvidas. Considerando o possível sofrimento da mulher, o
impacto para o feto, para a família e, também, para a sociedade. Assim, um
utilitarista pode chegar à conclusão de que o aborto é moralmente correto se
resultar na maximização da felicidade e na minimização do sofrimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A realização do presente ensaio filosófico e a análise das duas teoria éticas


em relação à temática do aborto permitiu-me interiorizar e chegar à
conclusão que a perspectiva utilitarista de John Stuart Mill é a mais adequada.
Ao considerar as circunstâncias específicas e as várias consequências ou
impactos que as ações têm, o utilitarismo, permite-nos uma abordagem mais
flexível e pragmática. Este teoria guia-nos para uma melhor compreensão
acerca do valor moral do aborto, focando-se em minimizar o sofrimento e
maximizar a felicidade. Eu, como uma mulher que não pensa sequer em ter
filhos, se por uma infeliz situação engravidasse, queria, desejaria e exigiria
realizar um aborto. Esta prática promoveria uma maior felicidade para a
minha pessoa e também evitaria o posterior sofrimento, não só da criança,
mas também o meu e o da minha família.
Assim, e com a devidas justificações acima apresentadas, volto a repetir que
a teoria Ética Utilitarista de Mill é a correta. O filósofo procurou equilibrar
numa balança as melhores e as piores consequências e impactos para o
maior número, acabando por concluir que a prática de abortar pode ter de
facto um valor moral positivo.

WEBGRAFIA:
https://jeronimoerwe.medium.com/as-principais-teorias-éticas-filosofia-simplificada-
45a9c9df9786
https://criticanarede.com/eti_mill.html
https://www.redalyc.org/journal/5766/576674496016/html/
https://www.significados.com.br/etica-kantiana/
https://www.paginasdefilosofia.net/a-perspetiva-deontologica-de-kant/
https://www.significados.com.br/imperativo-categorico/
https://filosofianaescola.com/moral/imperativo-categorico/
https://filosofianaescola.com/moral/imperativo-categorico/
https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/fatos-rápidos-problemas-de-saúde-
feminina/planejamento-familiar/aborto

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