1) O documento discute teorias sobre o desenvolvimento humano ao longo da vida, com foco na idade adulta. 2) Teóricos como Erikson e Levinson propuseram modelos com estágios e transições ao longo da vida adulta, desde a idade adulta jovem até a maturidade. 3) Levinson argumenta que a transição para a vida adulta envolve um processo de 15 anos para encontrar o lugar na sociedade.
1) O documento discute teorias sobre o desenvolvimento humano ao longo da vida, com foco na idade adulta. 2) Teóricos como Erikson e Levinson propuseram modelos com estágios e transições ao longo da vida adulta, desde a idade adulta jovem até a maturidade. 3) Levinson argumenta que a transição para a vida adulta envolve um processo de 15 anos para encontrar o lugar na sociedade.
1) O documento discute teorias sobre o desenvolvimento humano ao longo da vida, com foco na idade adulta. 2) Teóricos como Erikson e Levinson propuseram modelos com estágios e transições ao longo da vida adulta, desde a idade adulta jovem até a maturidade. 3) Levinson argumenta que a transição para a vida adulta envolve um processo de 15 anos para encontrar o lugar na sociedade.
1) O documento discute teorias sobre o desenvolvimento humano ao longo da vida, com foco na idade adulta. 2) Teóricos como Erikson e Levinson propuseram modelos com estágios e transições ao longo da vida adulta, desde a idade adulta jovem até a maturidade. 3) Levinson argumenta que a transição para a vida adulta envolve um processo de 15 anos para encontrar o lugar na sociedade.
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Ao longo das últimas décadas, a perspectiva sobre a vida e o desenvolvimento
do ser humano tem-se vindo a alterar.
Acreditar que a aprendizagem, mudança e evolução param na infância ou adolescência é uma simplificação excessiva e errónea (Rutter, 1996). Nesse sentido, tornou-se essencial que as conceptualizações do desenvolvimento humano (e dos percursos de vida), tomassem em conta o carácter mutável da idade adulta, ao invés desta ser encarada como um período normativamente uniforme e inalterado em termos desenvolvimento. Um precursor incontornável das teorias do desenvolvimento na idade adulta, é Eric Erikson. Este é apontado como o primeiro autor a indicar fases na idade adulta, distinguindo períodos distintos. Assim, diferencia o que é a idade adulta da idade adulta jovem e refere especificamente que ao indicar apenas estas duas fases não pretende referir-se a todas as subfases do período entre a adolescência e a maturidade (Erikson, 1982). Erikson (1976, 1982) propõe distinguir oito idades na vida do Homem, defendendo a existência de uma sequência normativa de aquisições psicossociais em cada etapa. No que diz respeito a sugerir uma idade cronológica para início das fases por ele apontadas, assume que largas amplitudes temporais são possíveis, mas que a sequência evidenciada pelas fases permanece predeterminada. Cada idade é vista como apresentando uma crise. O autor explicita que não conceptualiza todo o desenvolvimento como uma série de crises, mas como uma sucessão de fases críticas, de momentos decisivos, onde se joga o progresso ou a regressão, a integração e a sujeição. Mais concretamente, define os períodos Oral-Sensorial, Muscular-Anal, Locomotor-Genital, Latência, Puberdade e Adolescência, Idade Adulta Jovem, Idade Adulta e Maturidade, e defende que estes permanecem ligadas a processos somáticos, além de estarem dependentes quer de processos sociais quer de processos de desenvolvimento da personalidade.
Especificamente quanto à Idade Adulta Jovem, Erikson (1976) diz que o
indivíduo anseia e dispõe-se a fundir a sua identidade com a de outros, estando preparado para a intimidade. Tem a capacidade de confiar a filiações e ser fiel a elas, mesmo que isso implique sacrifícios e compromissos significativos. É agora que se pode desenvolver a verdadeira genitalidade, a mutualidade com um parceiro amado, com quem se pode e quer partilhar uma confiança mútua e os ciclos de trabalho, procriação e recreação. O reverso da intimidade é o distanciamento, a tendência a isolarse e, se necessário, a destruir as forças e pessoas que sente como perigosas para si próprio e que parecem invadir indesejadamente as relações íntimas. Assim, a crise evidenciada nesta fase é a que opõe a intimidade ao isolamento. Também Daniel Levinson (1977) caracteriza a idade adulta não como uma fase única mas como uma sequência de fases ou períodos, a que chama as estações da vida do homem, concluindo que o carácter essencial dessa sequência é igual para todos os sujeitos da sua investigação. Na sua conceptualização, nem self nem sociedade são primários ou secundários, sendo que o mundo externo contribui para as aspirações do homem e é entre as possibilidades e constrangimentos do seu ambiente que este faz as suas escolhas e constrói o seu mundo. No desenvolvimento psicossocial do adulto, Levinson (1977) propõe a existência de uma estrutura de vida, uma sequência de períodos relativamente ordeira; existindo períodos estáveis, durante os quais se constroem estruturas, que alternam com períodos de transição, onde as estruturas existentes são modificadas. Num período estável a tarefa principal é a construção de uma estrutura de vida, resultado das escolhas-chave da pessoa, sendo que cada período tem uma duração de cerca de seis/sete a dez anos e tem as suas tarefas adicionais específicas, distinguindo-se dos outros períodos estáveis (Levinson, 1977). Por outro lado, um período de transição dura geralmente quatro a cinco anos e finaliza uma estrutura existente criando a possibilidade para uma nova. Assim, as suas tarefas principais consistem em questionar e reavaliar a estrutura existente, explorar as possibilidades de mudanças do próprio e do mundo, e caminhar para o compromisso com as escolhas cruciais para a nova estrutura de vida no próximo período estável. Cada período de transição também tem tarefas distintas que reflectem o período no ciclo de vida em questão. Deste modo, um período de transição é uma ponte, uma zona de fronteira, entre duas etapas de maior estabilidade, que envolve um processo de mudança, de uma estrutura para outra. A transição deve permitir aceitar as perdasenvolvidas no término, avaliar o passado, decidir que aspectos do passado se devem manter e quais rejeitar, e começar o futuro (Levinson, 1977). É defendida a existência de eras, macroestruturas do ciclo de vida, que providenciam um mapa para a ordem subentendida do curso de vida em geral, do nascimento à terceira idade. Cada Era tem as suas qualidades distintas e unificadoras, e a mudança de uma Era para a seguinte, não é simples nem breve. Levinson (1977), considera a primeira era, a Pré-Idade Adulta (Preadulthood), que se estende do nascimento até aos 22 anos, caracterizada pelo mais rápido crescimento bio-psico-social. A segunda era, a Idade Adulta Jovem (Early Adulthood), dura dos 17 até aos 45 anos. Como se pode notar pela sobreposição das idades consideradas, Levinson considera aqui a existência de um período de transição – o período dos 17 anos 22 anos como a Transição da Idade Adulta Jovem (Early Adulthood Transition), fazendo parte de ambas as Eras. A era Idade Adulta Jovem é vista como a de maior energia e abundância, e a de maior contradição e stress. Assim, o jovem deve estabelecer uma estrutura de vida que providencie uma ligação entre o Self e a sociedade adulta, construindo o seu novo lar, definir-se como um Adulto Novato (Novice adult), lidando com as suas escolhas iniciais no que diz respeito à sua profissão, relações amorosas, estilo de vida e valores. O período dos 40 aos 45 anos é visto como a Transição da Meia Idade (Mid-life Transition), pertencente simultaneamente à segunda e terceira Era, a da Meia Idade (Middle Adulthood). Nesta, o autor considera que nos tornamos mais compassivos e judiciosos, menos tiranizados pelos conflitos interiores e exigências externas. Finalmente, define o período da Transição para a Idade Adulta Avançada (Late Adult Transition), dos 60 aos 65 anos, que é o início da última era, a da Idade Avançada (Late Adulthood). O autor não considera que a sequência destes períodos de estrutura de vida deriva unicamente de um processo maturacional ou da influência socializante de um único sistema social, sendo sim o produto da sua conjunção, da influência de fontes bio-psico-sociais. Debruçando-se mais especificamente sobre o processo de entrada na adultícia, Levinson (1977) defende que são necessários vários anos, cerca de 15, geralmente entre os 17 e os 33 anos, para que um jovem adulto encontre o seu lugar na sociedade adulta; e que este tempo não é uma “adolescência tardia” mas sim uma parte intrínseca da idade adulta. Este processo de entrada no mundo adulto começará com a Transição da Idade Adulta Jovem, a ponte entre a Pré-Idade Adulta e a Idade Adulta Jovem, pelos 17 ou 18 anos e acabará pelos 22 ou 23 anos (Levinson, 1977). Existem duas tarefasfundamentais a serem encaradas: deixar o mundo pré-adulto e dar um passo preliminar para o mundo adulto. O maior componente da tarefa de deixar o mundo pré-adulto, é a separação da família de origem – não esquecendo que este é um processo que dura toda a vida e que o mais adequado será falar-se de mudanças no nível e grau de vinculação. No seu aspecto exterior tal poderá implicar sair de casa da família, tornar-se financeiramente menos dependente, adoptar novos papéis e ter condições de habitação em que se seja mais autónomo e responsável. No seu aspecto interior envolve uma maior diferenciação entre self e pais, maior distância psicológica da família e menor dependência emocional do apoio e autoridade parental. Quanto à segunda tarefa, a de iniciar-se no mundo adulto, o jovem deverá tomar opções mais definidas, clarificar objectivos e ganhar maior auto-definição como adulto. Dos 22 anos até perto dos 28 ou 29, é vivida a Entrada no Mundo Adulto, onde é criada e testada uma estrutura de vida inicial que providencia uma ligação entre o self e a sociedade adulta (Levinson, 1977). Deverá existir uma mudança da posição de criança da família de origem, para a de adulto novato, num novo lar, mais seu, entrando em pleno no mundo adulto. Aqui há múltiplos esforços em jogo, sendo de realçar duas tarefas principais: a exploração das possibilidades disponíveis e a criação de uma estrutura estável. Este período de desenvolvimento tem o seu carácter distintivo na coexistência destas duas tarefas, que são algo contrastantes. Por um lado o adulto novato deve expandir os seus horizontes, manter as suas opções em aberto e experimentar antes de decidir-se por compromissos firmes. Por outro lado, também se requer que o jovem faça escolhas firmes e tome responsabilidades de adulto. Deste modo, uma destas perspectivas pode dominar, a dado momento, mas a outra nunca é totalmente ausente, sendo que o balanço entre elas pode variar muito (Levinson, 1977). É pelos 28 ou 29 anos que se começa a dar a Transição dos Trinta Anos (Age Thirty Transition), que providencia a oportunidade para trabalhar nas falhas da previamente formada estrutura de vida e para criar uma estrutura mais satisfatória para o período seguinte. Esta transição é vivida até perto dos 32 ou 33 anos, e pode ser vivida de um modo relativamente sereno, em continuidade com a vida que se tem vindo a construir, ou ser sentida como uma transição dolorosa – a crise dos trinta anos. Neste último caso, pode sentir-se que a integridade de todo o processo está em causa, e que está iminente o perigo de caos e perda do futuro. Levinson (1977) realça que esta crisedos trinta não é uma crise de adolescência atrasada, nem uma precoce crise de meiaidade, sendo caracterizada pelas tarefas de desenvolvimento do período da Transição dos Trinta Anos. Ao período entre a Transição da Idade Adulta Jovem e a Transição dos Trinta Anos, Levinson (1977) apelida de Fase Noviça e destaca quatro tarefas principais onde o indivíduo deve evidenciar progressos significativos, apesar de nenhuma destas tarefas se dar por terminada nesta etapa. Uma das tarefas principais da fase noviça é o Formar o Sonho, do tipo de vida que se quer ter como adulto, e dar-lhe lugar na estrutura de vida. O Sonho, na sua forma primordial, é a sensação vaga do Self no mundo, e tem a qualidade de visão que gera excitação e vitalidade. Nesta fase, é fundamental a tarefa de dar maior definição ao Sonho e encontrar modo de o viver. Levinson (1977) destaca que muitas vezes é vivido um conflito entre a direcção de vida expressa pelo Sonho e outra muito diferente, que pode ser pressionada por família, por circunstâncias externas ou por aspectos da personalidade do próprio. O autor vê o Sonho da vida adulta como um fenómeno típico da Transição da Idade Adulta Jovem e da Entrada no Mundo Adulto e considera que embora possa ter as suas origens na infância e adolescência é distintamente um fenómeno adulto. É na Transição da Idade Adulta Jovem que ganha forma e é gradualmente integrado, ou excluído, da estrutura de vida adulta; tornando-se claro que a fase noviça é essencial para esta tarefa. O adulto novato deve, também estabelecer relações significativas com outros adultos que lhe facilitem o seu trabalho no Sonho, sendo duas figuras principais o “Mentor” e a “mulher especial” (Levinson, 1977). O desenvolvimento de uma relação com o Mentor é outra das tarefas principais da fase noviça (Levinson, 1977). Esta relação é uma das mais complexas e importantes no início da vida adulta, e não é definida por papéis formais mas sim pelo seu carácter e funções. O Mentor, uma combinação de professor, conselheiro e patrono (sponsor), é na generalidade mais velho meia geração, cerca de 8 a 15 anos, uma pessoa com experiência e ancianidade no mundo em que o jovem está a entrar. Ele não é uma figura parental, mas sim transicional. À medida que a relação evolui, o jovem ganha um maior sentido da sua autonomia, o balanço entre dar/receber torna-se mais equilibrado e a relação torna-se mais mútua. O investigador adianta que esta relação frequentemente dura 2 a 3 anos em média e geralmente no máximo 8 a 10 anos, sendo que ainteriorização desta figura significante é uma enorme fonte de desenvolvimento na idade adulta. Segundo Levinson (1977) a terceira tarefa fundamental para o adulto novato é a de arquitectar uma profissão, o que raramente é um processo simples ou directo. O autor assinala que é normalmente assumido que as profissões são tomadas de uma maneira estável e sem percalços, mas que no seu estudo tal não foi a norma, o que esse caminho não é necessariamente mais saudável que outros. De facto, o autor defende que esta tarefa alonga-se para além da fase novata da Idade Adulta Jovem, e que tal é verdadeiro para quem estabelece um compromisso bastante cedo com uma profissão, para os que permanecem indecisos e os que fazem grandes mudanças entre os 20 e os 30 anos. Por fim, a quarta tarefa primordial desta fase é a constituição de um casamento e de família, cujo processo começa na Transição da Idade Adulta Jovem e continua nos períodos que se sucedem (Levinson, 1977). Focando-se especificamente nos homens, o autor defende que a primeira tarefa de desenvolvimento é a de formar a capacidade de ter uma relação de adulto com o sexo oposto, demorando algum tempo até ao jovem adulto aprender sobre os seus recursos internos, as suas vulnerabilidades em relação às mulheres e o que estas lhes oferecem, exigem e recusam. Levinson (1977) descreve especificamente a relação com a Mulher Especial, defendendo que esta relação é única. A mulher especial é vista como o verdadeiro mentor, uma vez que a sua qualidade especial reside na sua ligação ao Sonho do homem, ajudando a animar a parte do Self que o contém. Esta mulher facilita a sua entrada no mundo adulto e a sua busca do Sonho, funcionando como professora, guia, anfitriã, crítica e matrona. A mulher especial é também uma figura transicional, encorajando as suas aspirações enquanto aceita a sua dependência e incompletude. Pelo exposto, entende-se como Erikson ou Levinson foram autores que possibilitaram reflectir sobre a idade adulta e a transição para esta. Mais recentemente, Jeffrey Arnett (1998, 2000) propõe uma fase de desenvolvimento específica, a Idade Adulta Emergente (Emerging Adulthood), defendendo que a entrada na idade adulta é realizada ao longo deste período, entre a adolescência e a idade adulta. Esta fase foi proposta devido à prolongada transição para a idade adulta que se verifica nas sociedades industrializadas do Ocidente. Este conceito é apresentado desde logo não como um período universal mas como existente unicamente em culturas em que a entrada nos papéis e responsabilidades de adulto são adiadas para além dos anos teens, e, consequentemente, é principalmente encontrada em países industrializados que requeiram um alto nível educacional (Arnett, 2000). Segundo este autor, é claramente identificável, caracterizável e diferenciável o período de adolescência e de fase adulta, por exemplo, a partir de características demográficas. Assim, os adolescentes até aos 18 anos estão primordialmente em casa dos pais, estão matriculados no ensino, não estão casados nem têm filhos; enquanto a esmagadora maioria dos adultos na faixa dos 30 anos, estão casados, tornaram-se pais e não estão matriculados em escolas. Existem duas normas demográficas bem estabelecidas na adolescência e no início da fase adulta, sendo que na fase de idade adulta emergente existe sim diversidade demográfica e heterogeneidade. Tal, hipotetisa Arnett (2000), será o reflexo da qualidade experimental e exploratória deste período, cuja complexidade e dinâmica se perderia ao se agrupar o fim dos anos teens, os vintes e os trintas com a denominação de jovens adultos. Aliás, Arnett (2001) investigou o modo como os jovens se definiam neste período, se como adultos, não adultos, ou “sim para uns aspectos e não para outros”, e 50% dos respondentes identificou-se com esta última categoria. Sendo assim, Arnett (1998, 2000) defende que a fase idade adulta emergente não é adolescência nem idade adulta jovem, sendo teórica e empiricamente distinta de ambas. Nesta etapa existe uma relativa independência de papeis sociais e expectativas normativas, sendo definida pelo seu carácter mutável, dinâmico e fluído. Constitui-se como um período de focalização intensiva na preparação para a fase adulta, em que esta está iminente e em que a pessoa está claramente em transição. O que se torna normativo nesta fase é, sim, a exploração de papéis, mas dum modo diferente da que ocorre na adolescência. Arnett explica este contraste exemplificando com as diferenças da exploração na vida amorosa. Assim, defende que os adolescentes têm encontros românticos que providenciam companhia, ocorrendo principalmente em grupo, e que têm curta duração; enquanto nos adultos emergentes estes encontros ocorrem a pares e a exploração foca-se menos em efeitos recreativos e mais na exploração da intimidade emocional e física. Em vez da questão “com quem gostaria de estar, aqui e agora?”, que assume uma postura tentativa e efémera, as explorações amorosas na idade adulta emergente envolvem um nível mais profundo de intimidade e de identidade no sentido de “dado o tipo de pessoa que eu sou, que tipo de pessoa é que eu gostaria de ter como parceiro pela vida?” (Arnett, 2000).
Para Arnett (2000) existe um foco na questão da identidade na idade adulta
emergente, nas suas principais áreas de exploração, o amor, trabalho e visão do mundo; e é nesta fase que o jovem experimenta várias formas de estar na vida e gradualmente se aproxima de decisões que perduram. O autor não nega que seja na adolescência que estas questões se começam a colocar, mas defende que o desenrolar do processo toma lugar principalmente na idade adulta emergente. Realça, igualmente, o carácter exploratório desta fase, considerando que o objectivo exploração não é apenas a preparação para papéis adultos mas parte de obter uma amplitude de experiências de vida antes de tomar responsabilidades duradouras e limitadoras de adulto. Arnett (2000) aponta como importantes contribuições teóricas para a sua conceptualização o trabalho de Erikson e de Levinson, distanciando-se porém do conceito de idade adulta jovem. Por um lado, argumenta que usar esta denominação implica assumir que os jovens já atingiram a idade adulta, enquanto o sentimento base é o de estar a caminhar nesse sentido. Adicionalmente, aponta a inconsistência de se aglomerar na idade adulta jovem os indivíduos desde os 18 aos trintas, sendo que na prática são períodos muito distintos. Assim, acredita fazer sentido aplicar-se o termo de jovem adulto aos indivíduos pelos seus trinta anos, argumentando que para a maioria das pessoas a transição da idade adulta emergente para a idade adulta jovem se intensifica no fim dos vintes e é atingida pelos 30 anos. Finalmente, Arnett (2000) aponta o carácter heterogéneo da idade adulta emergente, defendendo que pouco há de normativo nesta fase, assumindo-a como um período transicional, ao contrário da adolescência e a Idade Adulta Jovem.