Correção Final Projeto

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Tema:

A presente pesquisa tem como objetivo compreender diferentes formas do uso


do passado, de modo a problematizar questões relativas à Cultura Histórica
contemporânea, especialmente, a difusão de versões revisionistas ou abertamente
negacionistas de diferentes temas históricos no século XXI. Para isso, utilizará como objeto
de análise meios digitais de informação e comunicação de grande circulação, como os
arquivos da plataforma de Olavo de Carvalho, Brasil Paralelo e Leandro Narloch; três
importantes difusores de proposições negacionistas e revisionistas de viés conservador na
internet.
Para os objetivos da atual pesquisa, compreendemos o revisionismo no sentido
estrito do termo, ou seja, como forma de fazer proselitismo da História motivado por agendas
políticas, ideológicas ou nacionalistas. Disso tem-se a manipulação da História para atender a
propósitos específicos, negando ou distorcendo os fatos subjacentes. No Brasil, o
negacionismo e o revisionismo ideológico manifestam-se de diferentes formas, como na
relativização do Fascismo, na minimização da escravidão e na defesa da Ditadura Militar,
entre outros.
A investigação da sociogênese dessas formulações faz-se necessária e urgente tanto do ponto
de vista político e ideológico, quanto acerca dos seus desdobramentos em relação
aos pressupostos na historiografia. Analisaremos as afirmações dos discursos
negacionistas, presentes nas fontes citadas, partindo da hipótese que as proposições
revisionistas ideológicas e negacionistas se apropriam de forma desonesta e
descontextualizada das constatações historiográficas e que esta apropriação influencia a
legitimidade dos consensos estabelecidos no saber histórico escolar. O Estudo, portanto,
analisará as afirmações dos discursos negacionistas e distorções históricas presentes nas
fontes citadas, buscando uma melhor compreensão do papel da ideologia nas revisões
históricas contemporâneas e suas implicações para a Educação na Paraíba.
Palavras-chave: Cultura Histórica, Revisionismo Ideológico, Negacionismo, Educação
e Ideologia.
2. OBJETIVOS:
2.1 OBJETIVO GERAL:
Compreender como os artigos de Olavo de Carvalho, Leandro Narloch e Brasil
Paralelo atuam na formulação e na difusão de proposições revisionistas ideológicas e
negacionistas de viés conservador na Cultura Histórica do Brasil no século XXI.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Descrever as formas de manifestações do negacionismo histórico de viés conservador no
Brasil contemporâneo buscando verificar temas e argumentos acerca da História veiculados
pelos grupos indicados acima.
Analisar de que maneira a produção historiográfica corrente é usada pelos vetores
negacionistas de modo a constatar o falseamento e a manipulação da informação.
Detectar a presença das narrativas negacionistas na cultura histórica de estudantes do terceiro
ano na Paraíba, Licenciandos em História e professores do Ensino Médio na
Paraíba caracterizando o impacto dessas visões na atuação docente.
3-JUSTIFICATIVA:
Em outubro de 2019, a deputada Bia Kicis (PL-DF) divulgou um vídeo curioso
onde supostos "militantes" das Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia — Ejército
del Pueblo (FARC) falavam espanhol com um notável sotaque carioca 1. Eles ameaçavam
1

iniciar uma "luta armada" no Brasil, inclusive em oposição a políticos do espectro de direita,
entre outras excentricidades. Posteriormente, Kicis apagou a publicação e disse ter recebido o
conteúdo de “uma fonte muito respeitável”.
Mamadeira erótica, ideologia de gênero e tantos outros delírios similares
produziram umatsunami devastadora de “fatos alternativos”. Esses desestabilizaram a
confiança da sociedade nas instituições públicas, inclusive naquelas dedicadas ao ensino.
Recentemente, em pesquisa publicada em 1º de abril de 2024, conhecido popularmente como
Dia da Mentira, o Instituto Locomotiva revelou que 88% dos brasileiros foram enganados por
algum tipo de desinformação. O estudo analisou as respostas de 1.032 pessoas maiores de 18
anos. Portanto, o estudo revela que oito em cada dez brasileiros já deu credibilidade a fake
News2. (Agência, 2024).
No entanto, notícias falsas existem muito antes do surgimento da internet. Um
exemplo é a onda de desinformação que assolou a Europa no período das Guerras Mundiais
(1914- 1945). Essa experiência de massas foi vivenciada também pelo célebre historiador
Marc Bloch. O fundador da Escola dos Annales presenciou o uso da propaganda para
promover ideologias violentas. Por esta razão, percebeu um declínio no espírito crítico e um
ressurgimento de práticas medievais de comunicação durante a Primeira Guerra Mundial
(Bloch, 2002), quando a censura restringia o acesso à informação escrita. Isto o levou a
advogar por um escrutínio crítico das fontes, assim como pela defesa de uma consciência que

1
Vídeo disponível em https://www.youtube.com/watch?v=yIV6u0vXMzE&ab_channel=CortesdoGordo.
2
Contraditoriamente, segundo o estudo, mais da metade deles, quase 62% confiam na própria capacidade
de diferenciar informações falsas e verdadeiras em um conteúdo.
o conhecimento histórico parte de problemas do presente. Constituía-se assim um "método
regressivo”: temas do presente condicionam e delimitam o retorno, possível, ao passado
(Schwarcz, 2002).
Neste sentido, compreender a proliferação de "fake history" e a manipulação de
eventos históricos em plataformas digitais remetem às advertências de Bloch sobre a
falsificação do passado e ressaltam a importância de abordagens críticas e abrangentes da
historiografia. A internet, conforme argumenta David Wootton (2017), tem facilitado o
regresso a uma segregação ideológica que lembra dinâmicas medievais, limitando o diálogo
entre visões divergentes e perpetuando ciclos de preconceito e antagonismo.
Isso tornou-se particularmente mais evidente com o bombardeio de desinformação
no contexto da pandemia de COVID-19. Para entender este processo de hiper disseminação
de mentiras tem sido adotado o conceito de pós-verdade, que designa argumentos baseados
em emoções e crenças pessoais, ignorando fatos objetivos e influenciando a opinião pública
de maneira arbitrária e descompromissada com a realidade (Feitosa, 2017).
No Brasil, as desinformações para fins ideológicos, como o caso da deputada Bia
Kicis, tomaram grandes proporções na esteira da radicalização da direita na década de 2010.
Período o qual se formou uma nova direita política, mais radicalizada e cujo a reação ao
avanço da esquerda concentrou seus ataques nos movimentos sociais e a grupos considerados
sociologicamente minoritários. No entanto, Pastichik (2012), em sua dissertação de mestrado
sobre a ascensão da Nova Direita no Brasil, identifica o preâmbulo deste processo no ano de
2002, quando Olavo de Carvalho organizou a “Mídia sem Máscara”. O portal serviu como
observatório de imprensa durante a eleição que levou ao poder Luís Inácio Lula da Silva. O
projeto tinha como principal objetivo oferecer uma plataforma para congregar vozes de
“intelectuais” de vertente anticomunista. Preconceitos vigentes foram legitimados por meio de
mentiras sobre os subalternizados (comunistas, negros, mulheres, gays e indígenas). Essa
retórica reacionária passou a descrevê-los como autoritários, afirmando impunham
suas doutrinações ideológicas sobre a organização sociocultural do país. Recentemente, esta
postura tem proliferado principalmente entre homens e evangélicos, alimentando a formação
dessa nova direita ainda mais radical, e com conotações religiosas (Solano & Rocha, 2019).
Para Olavo de Carvalho e seus seguidores, estamos presenciando um
enfraquecimento abrangente do espírito cristão em escala global. Fenômeno que, entre outros
fatores morais, indica uma crise civilizacional. Para o escritor, a modernidade tardia é
caracterizada pelo desembocar em um niilismo distorcido e pelo surgimento de um mundo de
identidades fragmentadas, vista por ele como uma das manifestações mais evidentes do
colapso civilizatório (Mariutti, 2020). Dessa maneira, a retórica Olavista contribuiu para a
revitalização da tradição anticomunista no Brasil, marcada pela adoção de uma deformação
reacionária sobre o pensamento do filósofo italiano Antonio Gramsci. Este seria um dos
ideólogos mais perniciosos para a “civilização”, pois estava, junto com a escola de Frankfurt,
na base para a difusão de um suposto “Marxismo Cultural”. Este raciocínio conspiratório
persuadiu muitas pessoas e fez do astrólogo principal referência intelectual da direita
brasileira (Puglia 2020, p. 160). e defensor de uma noção autóctone de “guerras culturais”3
Segundo tese de Camila Rocha (2018, p.136), entre 2007 e 2013, ocorreu no país
uma “institucionalização dos “contra públicos-digitais 4”, principalmente, sob a influência
do Instituto Mises Brasil5. Nesta conjuntura, soma-se o movimento "Escola sem Partido", uma
iniciativa que tinha como objetivo declarado de combater supostas doutrinações nas escolas.
O grupo chegou a ganhar representatividade e propor uma lei de controle das atividades
docentes. 6Embora a chamada “Lei da Mordaça” não tenha sido sancionada, em vários
casos, resultou na restrição da liberdade de cátedra, limitando a autonomia dos professores
para abordar temas relevantes e controversos.
A pressão de setores da sociedade (incluindo alunos e pais) para abafar uma educação
humanística, empobreceu – e muitas vezes gerou aversão – o debate e a reflexão crítica dos
estudantes sobre questões sociais e políticas, caracterizando-se como uma proposta
antidemocrática (Frigotto, Penna e Queiroz, 2018). Um dos alvos prioritários dessa ofensiva

3
O conceito de "guerra cultural" foi formulado por neoconservadores como Hunter (1991) e Hartman (2015)
para descrever os conflitos morais intensificados nos anos 1960, a partir da reação a temas como aborto, papel
da mulher, sexualidade, direitos LGBTQI+, e outros aspectos sociais e culturais. Hoje, em âmbito global, o
embate se concretiza pelas reações ao movimento Black Lives Matter nos anos 2020. Murray, em sua obra, hoje
amplamente citado por polemistas conservadores, entende qualquer movimento progressista como uma "Guerra
contra o Ocidente". Um foco particular das críticas midiáticas conservadoras na atualidade é a chamada
"Cultura Woke", termo originado do movimento antiescravidão nos EUA e que hoje é apropriado pela direita
para se referir à incorporação de narrativas minimamente progressistas em vários meios.

4
O conceito de “contra públicos” foi proposto por Nancy Fraser da década de 1990. Oriundo das concepções
da Teoria Crítica, atualiza a noção de grupos subalternos derivado dos Estudos Subalternos de estudiosos
asiáticos (principalmente indianos) e que sob influência de Antônio Gramsci., discute como mulheres,
trabalhadores, gays, lésbicas e pessoas não-brancas exemplificam demandas sociais e propôs a expansão dessa
categoria para incluir outros grupos marginalizados. Neste sentido aponto as limitações das reflexões de e Jürgen
Habermas sobre potenciais democratizantes da esfera pública desde a década de 1960. Fraser estendeu esses
debates ao introduzir o conceito de "contra-públicos", que são espaços discursivos ondes estas pessoas
reivindicam ampliação de direitos, mostrando reconhecimento e participação nas democracias modernas. Porém,
atualmente vem sendo utilizado para descrever diversas agendas políticas, inclusive conservadoras, assim como
para designar manifestações reacionárias que vêm se espalhando em fóruns e redes sociais digitais.
5
O Instituto Mises Brasil, também conhecido simplesmente como IMB, é um think tank brasileiro de orientação
liberal. Segundo eles, sua missão é promover ideias neoliberais e libertárias, especialmente da Escola Austríaca
de economia, da qual Ludwig von Mises foi um dos seus principais representantes.
6
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1707037
foi o ensino de História, uma vez que a análise crítica de diferentes perspectivas e fontes é
inerente a essa disciplina (Reis, 2000). A imposição de uma suposta e irrestrita
imparcialidade, bem como a limitação no tratamento de temas históricos controversos, pode
levar ao esvaziamento do ensino dessa disciplina, afetando negativamente a formação cidadã
dos estudantes.
Avançando na discussão, observamos que divulgadores de opinião interessados em
abordar temas históricos — influenciadores —, frequentemente, se colocam como
“historiadores” para apresentar " a verdade escondida” sobre um processos ou eventos
históricos, e não raro, apresentam "novas" interpretações dadas pelos historiadores. Essas
versões, muitas vezes aceitas como verdadeiras, apresentam, de maneira velada, perspectivas
carregadas de preconceitos e concepções já ultrapassadas pela academia. Um exemplo
sintomático deste fenômeno é o sucesso de mercado do escritor Leandro Narloch e sua
coleção de livros de "Guias Politicamente Incorretos da História". O primeiro livro, lançado
em 2009, tornou-se um best-seller, vendendo mais de cem mil cópias em poucas semanas
(Assis, 2020).
Em uma conjuntura posterior, após as Manifestações de 2013 e a Campanha Pró-
impeachment a então presidenta Dilma Roussef (Partido dos Trabalhadores) em 2016, e
ocorre, no Brasil, a “consolidação da nova direita na cena cultural e no sistema político”
(Rocha, 2018, p.172). É neste contexto que surge o Brasil Paralelo em 2016. (Kalil, 2017). O
Brasil Paralelo é mídia de publicidade e produção de conteúdos. Seus materiais
são exaustivamente consumidos por influenciadores em geral, estudantes, e até mesmo
professores – inclusive de História – assim como por jornalistas. De acordo com o próprio
site, trata-se de uma iniciativa de produção de conteúdo midiático alternativa a hegemonia
ideológica na mídia tradicional. Na realidade, sob a inspiração retórica de Olavo de Carvalho
(Rocha, 2021), o Brasil Paralelo promove uma narrativa negacionista da História e da política
do Brasil e do mundo, buscando moldar a opinião pública a partir de uma visão específica e
quase sempre descontextualizando processos históricos 7.
Esta iniciativa faz parte de um projeto conservador que busca influenciar a
educação, especialmente, no ciberespaço, conforme discutido por Lévi em 1999. Com esse
propósito, critica as abordagens sofisticadas no ensino da História, promovendo ideias do

7
Ao abordar temas frequentemente considerados alvos de disputa, como a Revolução Industrial ou mesmo o
Brasil Império, período este que se tornou um novo feudo de virtudes reivindicado pelos negacionistas, não é
raro encontrar chamadas como “o que seu professor não ensinou sobre”, seguido de temas como os citados.
século XIX sobre a neutralidade e imparcialidade do conhecimento Histórico (Meneses,
2021); ou mesmo versões abertamente reacionárias e reabilitadoras de fenômenos históricos
como o fascismo e a escravidão8.
Tais ataques, no entanto, não são nenhuma novidade, sendo há décadas difundida na
imprensa corporativa. No entanto, os aspectos descritos criaram mecanismos para a
perseguição de professores e da prática educativa no Brasil Por experiência própria este tipo
de desinformação causa não apenas um ambiente hostil com alguns alunos da Educação
Básica –já que, na medida certa, uma alteração dos ânimos pode ser positiva diante de alguns
temas “polêmicos” em sala, suscitando o debate e vivacidade sobre processos históricos –
mas uma verdadeira rejeição dos estudantes à disciplina de História.
A atual onda de negacionismo e revisionismo histórico contemporâneo tem recebido
a atenção de vários pesquisadores (Melo, 2014; Sena Júnior, Melo e Calil, 2017; Lipstadt,
2017). Contudo, apesar das reflexões, há uma lacuna quanto a forma como as
apropriações historiográficas, os métodos empregados pelos vetores negacionistas e o
comprometimento ideológico afetam a Cultura Histórica, a produção do conhecimento
histórico escolar e em última instância própria historiografia. Persiste uma lacuna na
avaliação do impacto das narrativas negacionistas na percepção do público – entre eles
estudantes da educação básica e superior - e professores de História. Portanto, esta pesquisa
visa explorar o diálogo entre produções historiográficas, fontes midiáticas e a recepção do
público. Diferente das dissertações acima citadas, propomos a hipótese de que a apropriação
da História por autores e canais negacionistas influencia a legitimidade dos consensos
estabelecidos, alterando os caminhos da “cultura historiográfica” e do no saber histórico
escolar. Assim investigaremos a interação entre mídia e conhecimento histórico e como isso
impacta a validade das abordagens históricas, tanto no âmbito acadêmico quanto entre o
público geral.
Como professor, é essencial destacar a evolução da historiografia como uma
disciplina científica, com normas e procedimentos que validam o discurso histórico.
Reconhecemos que não há neutralidade nesse conhecimento, ele é sempre produzido a partir
de um lugar de produção (Certeau, 1984). Portanto, explicitamos nosso lugar. Em quinze anos

8
Geralmente revisionistas ideológicos e negacionistas tendem a equiparar fenômenos em diferentes contextos
históricos para relativizar fenômenos modernos de violência e minimizar suas consequências na atualidade. Este
é o caso por exemplo da difusão da genérica informação que a escravidão já existia na Antiguidade, e na África
antes da chegada dos portugueses; ou, no caso do nazifascismo a sua equiparação ao comunismo, amplamente
difundida mesmo por historiadores do meio acadêmico como François Furet (1998). Ainda mais perniciosa é a o
tipo de revisão historiográfica de Ernest Nolte (apud Traverso 2017, p.98) “que apresenta os crimes nazis como a
‘simples’ cópia de uma ‘barbárie asiática’ introduzida pelo Bolchevismo em 1917”.
atuando na Educação Básica, notei avanços técnicos e maior qualificação docente, mas
também enfrentei a precarização das condições de trabalho, exacerbada pelo Novo Ensino
Médio, reflexo das políticas neoliberais (Saviani 2020). Tais políticas comprometem a função
crítica do ensino de História, priorizando uma educação pragmática e imediatista, em
detrimento de uma visão mais profunda da realidade. Essas concepções de educação
integradas ao desvirtuamento de pautas históricas também contribuem para fortalecer os
ataques da nova direita a uma educação humanística. Nas palavras de Josep Fontana “as
classes dominantes não temem a história” – de maneira oposta, “procuram produzir e difundir
o tipo de história que lhes convém, ou seja, uma história que não se dedica à luta pela
liberdade e pela justiça - mas, em todo o caso, temem os historiadores que não podem
utilizar. (Fontana, 2004).
4- Revisão Historiográfica
A disciplina histórica não está imune a um fenômeno cada vez mais difundido na
sociedade contemporânea, o negacionismo científico; pelo contrário, pode-se considerar que é
até mais vulnerável a estes discursos. No caso da História, essas formas de distorções da
realidade podem se personificar na forma de revisionismo histórico, termo que, em sua
conotação negativa, implica em uma "viragem ético-política" em nosso modo de olhar o
passado, adquirindo dimensões apologéticas (Traverso, 2007). Utilizamos aqui o
termo revisionismo histórico, em seu sentido estrito, como um revisionismo ideológico e uma
forma de negacionismo científico. (Napolitano, 2021) Por esta razão, o revisionismo
ideológico é entendido como uma tentativa de distorcer o passado para atender a propósitos
particulares, em vez de promover uma compreensão aprofundada de seus eventos (Melo,
2014).
Neste sentido, a categoria de Cultura Histórica pode tornar-se fundamental para
compreender o problema uma vez que o conceito reconhece que a compreensão e os usos do
passado não são exclusividade do historiador. Compreende-se a existência de diferentes
narrativas sobre história presentes na sociedade, em outros saberes, linguagens e meios de
comunicação, incluindo aquelas produzidas por revistas, jornais, cinema, anúncios
televisivos; e não podemos nos esquecer dos museus, nem as “apresentações do passado nas
diversas mídias digitais ou na literatura” (Rüsen, 2015a, p. 25).
Assim, a Cultura Histórica de uma dada sociedade, expressa também por meios
“não canônicos”, constituindo-se como a expressão visível da Consciência Histórica (Rüsen,
2015a) da mesma. Este processo cognitivo possibilita que os indivíduos compreendam e
interpretem experiências históricas, avaliem sua validade e, com base nessa compreensão,
tomem decisões cotidianas e determinem um curso de ação (Rüsen, 2015). No entanto, a
análise de como os indivíduos realizam essas operações continua a ser competência do
historiador; bem como compreender o processo de formação e difusão desse conhecimento, já
que este profissional possui as ferramentas teórico-metodológicas necessárias para isso
(Falcon, 1997).
O referido conceito possibilita promover pesquisas que analisam as diversas
maneiras pelas quais o conhecimento histórico e o passado são produzidos, apropriados e
utilizados na sociedade contemporânea, tornando-se, por isso, fundamentais para o
desenvolvimento da presente pesquisa. Por essa razão, nossa intenção aqui não é negar o
caráter multifacetado das interpretações sobre o passado, muitas vezes conflitantes, que são
inerentes a historiografia e a própria cultura, mas uma postura específica: o negacionismo
científico, que pode ser definido como uma falta de vontade em acreditar em estudos
baseados em evidências, ou seja, prática contrária ao conhecimento disciplinar, disseminando
assim, dúvidas sobre a validade dos dados e resultados científicos, muitas vezes em favor de
pontos de vista radicais e controversos, geralmente associados a teorias da conspiração
(Björnberg et al. 2018).
Nesse quadro de disputas, lembra Marc Ferro: “controlar o passado ajuda a dominar o
presente, a legitimar tanto as dominações quanto as rebeldias” (Ferro, 1983). Estamos,
portanto, diante de debates historiográficos que, pelo seu teor, ultrapassam as fronteiras
acadêmicas e penetram o debate público, conformando aquilo que Habermas chamou de uso
público da história. (Sena Junior, Bezerra de Melo, Grassi Calil, 2017). Nossa pesquisa está
focada, portanto, nos estudos que discutem os processos pelos quais operam nossa cultura
histórica contemporânea, mais especificamente no que diz respeito aos abusos do passado.
Não negamos o universo de possibilidades que as ferramentas digitais oferecem
aos pesquisadores e professores de História. No entanto, é necessário problematizar: o
impacto que as novas tecnologias têm na forma como as pessoas avaliam a autenticidade
das informações e como questionam ou reivindicam a autoridade epistêmica. Essas
transformações abriram novas portas para a proliferação do negacionismo histórico e do
revisionismo ideológico. Portanto é crucial considerar o contexto mais amplo de um cenário
midiático em constante evolução. Esse fenômeno foi analisado pelo filósofo Paul Ricœur
(2007). Ele chamou a atenção para o fato de que o abuso de memória pudesse culminar em
formas de imposição do esquecimento.
A reflexão sobre os impactos de meios de comunicação de massa como
manipulação ideológica não é algo recente. Na década de 1940 pensadores da Escola de
Frankfurt enxergaram de maneira bastante pessimista seus impactos na sociedade. Essa
evolução tecnológica vem deixando, no século XXI, sua marca na história-conhecimento,
transformando as antigas formas de compreensão e narração, que vem, inclusive, enfrentando
desafios como a crise de obsolescência de mídias mais tradicionais (Pinsk, 2021). No início
da década de 1980, Marc Ferro, um dos pioneiros dos estudos da relação entre história e
cinema, refletiu sobre os desafios crescentes do Ensino de História diante do paulatino
interesse dessas mídias sobre o passado.
Esta inclinação, alterava significativamente a maneira como a História era percebida,
deixando-a muitas vezes simplificada e desprovida de problematizações. Em vez de analisar
os períodos históricos e seus dilemas, a televisão transmitira uma história “asséptica” e se
tornava uma espécie de refúgio, um objeto de entretenimento para o descanso dos cidadãos. A
percepção histórica era progressivamente alterada perante os recursos e apelos das mídias
em contraposição às parcas ferramentas do professor tradicional. Diante dessa “concorrência",
docentes foram obrigados a substituir sua lição por um comentário sobre a lição dos
outros, transformando assim, numa espécie de professor auxiliar (Ferro, 1983).
Em A Memória Saturada (2016), Régine Robin examinou o impacto das
transformações nas percepções de memória na modernidade. Em conformidade com Ricoeur,
Robin discute como a abundância de informações e a rapidez da era digital levam a uma
saturação da memória individual e coletiva, tornando desafiador seu processo de seleção e
organização. Para a autora, este fenômeno resulta em uma sobrecarga que compromete nossa
habilidade de interpretar e atribuir significados ao passado. De maior relevância para nossa
análise é a ênfase dada por ela para as consequências políticas e culturais desse estado de
"memória saturada”, incluindo a erosão de referências históricas, a fragmentação da história e
os obstáculos na formação de narrativas coesas. Robin, assim, propõe uma reflexão teórica
profunda sobre a capacidade de reescrever a história, mesmo em um contexto de saturação de
memória.
Portanto, partimos premissa que este contexto de fragmentação de
memórias particulares, mesmo que intermediadas pela historiografia, são hipertrofiadas pelas
tecnologias da informação e comunicação (TIC’s), o que favorece a disseminação de
distorções históricas. Por mais que as manipulações sejam decorrentes da Cultura Histórica de
cada período, Nora já na década de 1980, tinha chamado a atenção para exacerbação dos
“lugares de memória” (Nora, 1993) em meio ao esfacelamento da identidade nacional
francesa, identidades e afinidades políticas dada a multiplicação de informações e
arquivos. Fenômeno este, de hiper particularização identitária que pode ser estendida a nível
global com a popularização dos meios digitais no século XXI .
Na lógica mercadológica dos algoritmos ocorre uma “intricada engenharia de
produção de sentidos e signos que pressiona o desenvolvimento de novas habilidades
cognitivas” ( Meneses, 2013,p.11), onde a produção de saberes confunde com a reprodução
mercadológica de conteúdos digitais (textos, imagens, vídeos ou áudios que são criados e
compartilhados no universo virtual ) “posto uma rede de interdependência entre informação,
educação e consumo”( Ibidem, p.11) Em meio a isso, semiótica subalterniza e domina a
semântica.
Diante da “experiência de aceleração do tempo” (Koselleck, 2014) os acontecimentos
e conteúdos são atualizados a uma velocidade espantosa, desafiando-nos a compreender esse
complexo processo de exposição do tempo. Esse tempo não é apenas metafórico, referindo-se
a um conjunto de ocorrências próximas a nós, mas é também o resultado significativo de uma
sensação de preteridade aplicada diretamente ao presente. O presente dominou a vida
influenciado pelas demandas do mercado, do avanços científicos e tecnológicos, e da dos
meios de informação e comunicação, pelos quais “cada vez mais rapidamente tornam tudo
(bens, acontecimentos, pessoas) obsoleto” (Hartog, 2103, p.148). Neste sentido, no atual
Regime de Historicidade (Ibidem) ocorre uma constante preeminência do presente sobre o
passado – e sobre o futuro – por uma gradativa a e indiscriminada apropriação do hoje sobre o
ontem.

Se torna importante para nossos fins, destacar as reavaliações do status da história e


sua validação perante o conjunto da sociedade decorrentes também dos profundos
questionamentos pelos quais passaram as ciências humanas nas últimas cinco décadas,
acarretando em uma “crise na historiografia” (Aróstegui, 2006, p.75). A crescente desilusão
com o pensamento científico, influenciada por eventos significativos como guerras mundiais,
avanços na ciência nuclear interligados a interesses geopolíticos, a destruição do meio
ambiente, e a descolonização da África e Ásia, geraram uma crise de referenciais (Iggers,
2010). As incertezas decorrentes das crises econômicas da década de 1970 em diante – que
atingiram reciprocamente o Ocidente do Welfare State e o Leste Socialista e o Terceiro
Mundo – acarretaram no avanço desenfreado do neoliberalismo e uma crítica sistemática às
utopias. Nas ciências sociais, as críticas se direcionaram, predominantemente, sobre um
marxismo de tipo econômico determinista, alterando, de forma significativa a relação entre
sujeitos históricos e estruturas econômicas (Arostégui,2006). Ou seja, simultaneamente à
"virada linguística" na historiografia ocorreu uma rejeição de explicações totalizantes das
narrativas meta-históricas (White, 2016), ocorrendo uma fragmentação das abordagens
historiográficas quanto a análise da realidade.
Este giro linguístico, nas décadas de 1970 e 1980, no Ocidente, bem como no
pensamento pós-colonial do Terceiro Mundo, esteve intimamente associado ao chamado “giro
cultural” (cultural turn). “Culturalismo” que esteve ligado principalmente aos impactos da
antropologia nas ciências sociais deste período. O núcleo de ambos os "giros" consistiu na
crítica à crença comum entre os historiadores profissionais dos dois séculos anteriores: a ideia
de que através da pesquisa sistemática se alcançava um conhecimento objetivo. Nestas
décadas, os historiadores começaram a destacar que a ênfase em fatores quantitativos
econômicos e sociais, característica do marxismo e das ciências sociais, não seria adequada
para a representação histórica. Argumentaram que essa representação deveria considerar o
significado da cultura e da linguagem para as construções conceituais da realidade, que está
em constante mutação (Iggers,2010).
Para Iggers, 2010 esta guinada rumo a cultura e a linguagem foram igualmente
positivas e danosas. Se por um lado, percebeu-se que os processos de formações sociais e
econômicas não poderiam ser satisfatórios sem levar em consideração a linguagem e a
cultura; por outro lado se desenvolveu, por muitos estudiosos, um “desprezo do contexto
político e social da cultura verificado em muitas investigações de orientação cultural, mas
também em sua crítica às abordagens socioeconômicas, nas quais estas pesquisas viam, com
Foucault, instrumentos de poder para a manutenção da hegemonia social” (Ibidem, p.109) .
Passou-se então, na história, a se enfatizar a importância do cotidiano e da subjetividade das
experiências individuais (Burke 1992; Dosse 1994). Muitas vezes, estas tendências buscaram
o exotismo oferecido “pelas gerações passadas revividas na memória popular, e abraçando
uma narrativa etnográfica cultural desprovida de função social, uma vez que negou sua
conexão com o futuro” (Dosse, 1994, p.72).
Tal reavaliação favoreceu uma série revisionismos historiográficos, sobre o mais
diversos temas, prática que Traverso (2007) descreve como essencial para uma ciência
histórica dinâmica que se adapta a novas descobertas ou reinterpretações. A preocupação com
as condições e condicionantes culturais na historiografia . Edward Palmer Thompson,
com suas abordagens marxistas, destacou a agência dos trabalhadores na formação da
classe operária, evitando determinismos e teleologias unívocas. Por outro lado, a micro-
história, representada por Carlo Ginzburg, foca no estudo detalhado de casos específicos para
expor as complexidades das configurações socioculturais e a interação cultural entre
diferentes classes sociais, destacando uma relação "absolutamente dialética entre ação e
estrutura" (Arostégui, 2006, p.6).
As publicações estrangeiras impulsionaram o mercado editorial e formaram
historiadores que exploraram novos temas e métodos, revitalizando a historiografia
brasileira com abordagens inovadoras em relação ao passado. Destacaram-se obras sobre
cultura, escravidão, e movimentos sociais e políticos, como "O Diabo e a Terra de Santa
Cruz" de Laura de x e Souza, e "Ser escravo no Brasil" de Kátia Mattoso; assim como Maria
Regina Celestino de Almeida, que enfatizou a importância dos indígenas como agentes
centrais na história do Brasil. Estes trabalhos contribuíram significativamente para a
renovação da narrativa histórica do Brasil a partir da década de 1970 (Sena Júnior, 2017). Na
busca por inovação na historiografia brasileira, se acirrou debates intensos sobre novas
abordagens da história social e cultural9. Esta nova geração de historiadores mostrou-se
munida de evidências robustas, abordagens essas, hoje, entendidas como de fundamental
importância, marcando um avanço significativo na compreensão da história brasileira.
Apesar de já ter sido amplamente estudada a relação entre a desilusão com
grandes explicações históricas — e as releituras decorrentes disto — com o revisionismo
ideológico (Traverso, 2007; Evans, 1997; Loff e Soutelo, L. 2017), suspeitamos que, no
Brasil, nos últimos vinte anos, as estratégias negacionistas têm se aproveitado de maneira
significativamente mais extensa e rápida dos avanços na historiografia do que foi
anteriormente reconhecido pela academia. Isso, em parte, devido aos avanços dos meios
eletrônicos para a divulgação de informações. Propomos investigar não só como essas
manipulações distorcem a consciência histórica, de forma geral, mas também a própria
produção do conhecimento acadêmico e escolar.
4- Metodologia Proposta:
4.1. Análise de Conteúdo de Plataformas Digitais:
Nossa análise baseia-se no método indiciário de Carlo Ginzburg (2007), de grande
ajuda para decifrar as intenções "imperceptíveis" embutidas em uma "hermenêutica textual".
Este paradigma semiótico destaca-se por "examinar os pormenores mais negligenciáveis" nas

9
Destacamos aqui as reações de Jacob Gorender contra tendências que enxergava como
revisionistas, argumentan do que desviavam o foco para aspectos triviais da escravidão, se assemelhado a
reportagem” que de alguns estudos em detrimento de análises marxistas mais tradicionais sobre trabalho e
produção, tornando, para o autor, a escravidão um fenômeno reabilitado (Gorender, 1990).
fontes, identificando em elementos periféricos os indícios de questões mais abrangentes e
profundas, (GINZBURG, 2007, p. 144). este método realça as condições específicas de
produção dos textos, considerando os contextos histórico-culturais dos agentes envolvidos, e
assim revela sentidos ocultos e abre espaço para a problematização de temas complexos de
determinada época.
Nos baseamos também no método de Análise de Discurso de Michel Pêcheux,
que considera as condições sociopolíticas da produção discursiva e o que ideologicamente
subjaz aos discursos (Orlandi, 2013). Aliado ao procedimento indiciário é de grande
relevância para desvendar os discursos e contra-discursos frequentemente ocultos,
explorando a racionalidade — muitas vezes política — do irracional. (Pallares-Burke, 2001,
p. 301). Buscaremos identificar, através dos discursos e ideologias presentes no "circuito
cultural" do período estudado, as peculiaridades retóricas e as contradições inerentes a essas
visões que frequentemente vão além do campo discursivo. Assim, exploraremos as
influências presentes nesses discursos negacionistas, atuando como "filtros de memória" que
fundem, modelam e deformam os sentidos dos textos lidos (Ginzburg, 2007, p. 89).
Os principais conteúdos a serem examinados em um primeiro momento são: 1- O site
oficial de Olavo de Carvalho https://olavodecarvalho.org/. intitulado de "SAPIENTIAM
AUTEM NON VINCIT MALITIA"(A sabedoria não é vencida pela malícia). Este serve
como um portal para seus trabalhos e pensamentos, oferecendo acesso a uma variedade de
conteúdos relacionados à sua filosofia, ensaios e livros. O site é estruturado em torno de sua
academia online de filosofia, onde são disponibilizados cursos, aulas e outros materiais
educativos. Além disso, há seções dedicadas à biografia de Olavo, suas publicações, links
para suas aparições em mídias e entrevistas (inclusive para o Brasil Paralelo). Este espaço
digital reflete o foco de Olavo de Carvalho na disseminação de seu pensamento filosófico e
conservador.
Nosso principal interesse será a verificação de artigos escritos, que no próprio site
está classificado por anos de publicação em diversos veículos de imprensa como Globo, Zero
Hora, Época e Diário de Comércio. Alguns destes artigos viriam a ser compilados e
publicados em livros como: “O jardim das Aflições” (1995); “O Imbecil Coletivo:
Atualidades Inculturais Brasileiras" (1996); “O mínimo que você precisa saber para não ser
um Idiota” (2013) e “O Foro de São Paulo: A Ascensão do Comunismo Latino-
americano”(2022). Pretendemos ainda criar um arquivo digital com estes artigos como
precaução para sua exclusão da internet.
Nosso recorte temporal de estudo será a partir do ano de 2002, levando em
consideração as conclusões da dissertação de Lucas Patschiki (2012), para quema fundação
da Mídia sem Máscara por Carvalho foi de extrema importância para a formação de um
movimento mais amplo de uma nova direita no Brasil a partir da internet. Temos como
objetivo identificar as leituras e referências de Olavo de Carvalho sobre história, seus
fundamentos e suas apropriações.
Outro material de interesse é a coleção "Guia Politicamente Incorreto da História" de
Leandro Narloch lançados entre 2009 e 2015. O autor argumenta que muitas versões da
história foram "suavizadas" ou alteradas por motivações políticas, e ele busca corrigir essas
distorções ideológicas da esquerda. Inspirado por Olavo de Carvalho, Narloch,
suspostamente, acha na historiografia tradicional argumentos para tratar de temas polêmicos
como tráfico e escravidão, envolvimento das elites africanas no comércio transatlântico, e a
representação de Zumbi dos Palmares como senhor de escravo (Morais, 2022). Ressaltamos
que a historiografia acadêmica é caracterizada por seu compromisso com evidências
empíricas e uma metodologia cuidadosa que considera a análise crítica do contexto histórico
para a interpretação de fontes testemunhais (Aróstegui, 2006). Em contraste, o revisionismo
de Narloch, que serve para alimentar nas redes sociais é seletivo, simplificado, atendendo aos
interesses e às inclinações ideológicas de quem produz e consome essas narrativas,
resultando em uma versão da história que é adaptada aos gostos pessoais, uma espécie de
"história à la carte" (Assis, p.34).
Por fim, o terceiro material a ser analisado é Plataforma do Brasil Paralelo. Para
investigar o negacionismo desta plataforma, esta pesquisa adotará uma abordagem
qualitativa, utilizando análise de conteúdo de discursos políticos, materiais educacionais e
mídias sociais, focando no período contemporâneo. Serão selecionados documentos e
declarações públicas de figuras políticas influentes, bem como conteúdo do site que
evidenciem tentativas de revisão ou distorção de eventos históricos significativos, como a
ditadura militar e a escravidão. A metodologia incluirá a coleta de dados primários e
secundários, seguida de uma análise temática para identificar padrões de negacionismo e suas
possíveis motivações e impactos.
Portanto, a metodologia envolverá inicialmente a coleta de dados artigos
e documentários, seguida de uma análise de conteúdo detalhada para codificar e tematizar
os argumentos apresentados. Posteriormente, será realizada uma análise crítica para
contextualizar essas narrativas dentro do cenário político-social brasileiro, identificando as
motivações político-ideológicas por trás dos abusos do passado e examinando seu impacto na
cultura histórica. A fase final consistirá na síntese dos achados para avaliar as implicações
dessas práticas revisionistas e fornece recomendações para estratégias de engajamento crítico
por parte de educadores e historiadores.
4.2-Classificar as distorções mais comuns encontradas na cultura histórica brasileira
contemporânea, utilizando um mapa conceitual que visualiza as conexões entre
diferentes distorções e os argumentos historiográficos profissionais que as confrontam.
Com base em leituras preliminares, fazemos os seguintes apontamentos: uma das
características da sociedade contemporânea que as três plataformas ressaltam, é uma alegada
hegemonia de uma "retórica dos vencidos" inclusive na historiografia acadêmica, segundo
ales
dominada pelo “marxismo cultural”. Suposta “retórica da vitimização radical ” (Puglia,
11

2020, p.124) se vincula a teoria conspiratório propagado por Olavo de Carvalho, segundo o
qual, no Brasil, desde a Ditadura Militar (1964-1985), se constitui sorrateiramente uma
hegemonia da esquerda no âmbito da cultura e instituições de educação. Está aí, no atual
revisionismo ideológico conservador, a denúncia de uma suposta marginalização da direita.
Essa mesma inversão, possibilita os ataques de Leandro Narloch (2009) aos
“historiadores marxistas”. Pretensiosamente ancorado nas inovações historiográficas pós
estruturalista interessada em afirmar a capacidade de agência social dos sujeitos
subalternizados, este vetor negacionista se apropria de obras, hoje consagradas de temáticas
da história do Brasil: por exemplo, da história indígena como é o caso de John Manuel
Monteiro (1994) , ou do tráfico transatlântico de escravos como é o caso Luís Felipe de
12

Alencastro (2000) . Para o jornalista, estas “interpretações que tiram do armário são mais
13

complexas e, numa boa parte das vezes, saborosamente desagradáveis para os que adotam o
papel de vítimas ou bons mocinhos” (Narloch,2009, p.5) . 14

Baseia-se, assim, em uma teoria da conspiração, transnacional de base anglo-saxônica


sugere a existência de uma elite composta por marxistas e intelectuais da Escola de Frankfurt
que está engajada em uma guerra cultural destinada a subverter a sociedade ocidental (Jamin,
2014). Segundo essa teoria, esses agentes estão minando os valores cristãos associados ao
conservadorismo tradicional, enquanto promovem ideais de multiculturalismo e da
contracultura dos anos 1960. Além disso, afirmam que tais intelectuais incentivam uma
política progressista e o “politicamente correto”, que eles consideram uma falsa política
identitária derivada da teoria crítica ( Richardson e Copsey, 2015) .
Segundo Carvalho, as ideias de Gramsci foram tão bem aceitas no Brasil que, mesmo
durante a ditadura militar, a esquerda tinha o controle das redações, marginalizando os
direitistas [...]até removê-los completamente das colunas de jornais. O domínio esquerdista
era tão efetivo no sistema educacional que a “disciplina de Educação Moral e Cívica,
timidamente
11
Uma clara referência deturpada da “história à contrapelo” de Walter Benjamin (2006). 12
MONTEIRO, John
Manuel, Negros da terra. Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo, São Paulo, Companhia das Letras,
1998
13
ALENCASTRO, Luiz Felipe. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul. São Paulo:
Companhia das Letras, 2000.
14
Seus argumentos servem respectivamente para relativizar processos históricos hediondos, afirmando que,
respectivamente que o “modelo militar das bandeiras seja resultado mais da influência indígena que europeia”
(Narloch,2009, p.15) e que o tráfico de escravos já existia no continente Africano, já existia em longa escala a
partir do tráfico islâmico transaariano antes da colonização europeia. Disponível em:
<https://agendadasbugigangas.wordpress.com/wp-content/uploads/2011/05/leandro-narloch-guia-politicamente
incorreto-da-histc3b3ria-do-brasil.pdf>. Acesso em 24/04/2024
instituída por um governo” que se continha de impor sua autoridade na cultura, acabou
sendo uma plataforma para a propagação das “concepções de ‘politicamente correto’ que
vieram a forjar a mentalidade das gerações seguintes” (Carvalho, 2006). Por este raciocínio
o homem branco europeu teria sido, segundo essa doutrina,
o escravagista por excelência, dizimando a população africana
e financiando, com a desgraça do continente negro, a Revolução
Industrial que enriqueceu o Ocidente. Tudo, nessa teoria, é mentira.
A começar pela inversão da cronologia. Os europeus só chegaram à
África por volta da metade do século XV. Muito antes disso o
desprezo racista pelos negros era senso comum entre os árabes
(Carvalho,2009).
Em vista disso, segundo o mentor deste sistema de crenças: “Nas democracias
capitalistas, o mais temível forma de anticristianismo é o “politicamente correto”, onde cada
grupo, divinizando a própria autovitimização, se nomeia o sacerdote de novas vinganças
sacrificiais” (Carvalho, 1998).Segundo Puglia, de Roger Scruton, “é assimilada a
necessidade de deslocar a análise das estruturas e de se amputar o pensamento gramsciano de
sua natureza dialética para sustentar o superdimensionamento do poder dos intelectuais de
esquerda”( Puglia, 2020. p. 124).
Pretendemos, ainda, analisar os impactos das distorções na educação. Um renomado
filósofo brasileiro apontou que: “Durante 20 anos, ela extirpou metodicamente dos currículos
tudo o que tivesse a ver com idéias gerais e com valores humanísticos” (Ruanet, 1987,
p.125). A origem desta "contracultura" negacionista que diz ser contra-hegemonia está na
"incultura", que em uma era hiperdigitalizada tem assumido contornos mais obscuros. A
partir disso, percebemos que os ataques políticos à pauta educacional estão exacerbando um
novo “irracionalismo” (Ruanet, 1987). Este fenômeno é amplificado pelas deficiências
educacionais diante dos ataques ideológicos da extrema-direita, em uma "guerra cultural"
acima mencionada.
Este fenômeno neoconservador descrito por Habermas (ANO), marcado pela
moralização dos debates públicos, uso da religião e do senso comum, rejeição da
modernidade cultural e culpabilização dos intelectuais de esquerda pelos problemas atuais,
consolidou-se no Brasil. É irônico que ofilósofo Sérgio Paulo Rouanet, cujo nome inspirou
uma das leis mais atacadas pelos conservadores, tenha refletido profundamente, no século
passado, sobre as origens do "irracionalismo" adotado por seus futuros críticos: “Os egressos
desse sistema educacional deficitário transformam, simplesmente, seu não-saber em norma
de vida e em modelo de uma nova forma de organização das relações humanas” (Rouanet,
1987, p.125).
4.3 Aplicação de questionários aplicados via Google Forms para entender o impacto do
negacionismo entre professores de história da educação básica, alunos do terceiro ano
do ensino médio e graduandos do primeiro período de licenciaturas em história.
Pretendemos compreender os mecanismos pelos quais essas percepções são formadas e
a partir de meios sócio-culturais.
Aplicação de Questionários via Google Forms buscaexplorar o impacto do
negacionismo entre professores de história da educação básica, alunos do terceiro ano do
ensino médio e graduandos de primeiro período em licenciaturas de história. O objetivo é
entender os mecanismos de formação dessas percepções, influenciadas por contextos
socioculturais.
Com esse propósito, incluirá perguntas sobre conceitos e processos históricos
essenciais, como Fascismo, Comunismo, Escravidão no Brasil e a Ditadura Militar. Busca-
se avaliar o entendimento histórico do público geral e identificar as fontes de suas
informações, incluindo livros, escolas, partidos políticos e redes sociais. O questionário será
divulgado em plataformas de mídia social e segmentado por nível educacional: ensino médio,
superior e pós
graduação. Os dados coletados serão comparados permitindo reflexões sobre a formação
em licenciaturas na Paraíba.
As perguntas do questionário abordarão variáveis como nível educacional, se o
respondente é professor ou aluno, se pertence ao ensino público ou privado e suas principais
fontes de informação, seja livros ou vídeos. Segue um modelo básico do formulário que será
proposto:
https://docs.google.com/forms/d/
1fY86Hu2QmpitXUz68JnN3C1bLFuCTjEDkYXMssjUFn8/ edit?ts=662aadbf.
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