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Filosofia
Problema da Fundamentação da Moral
A fundamentação da moral trata da busca de princípios ou bases racionais que justifiquem ações e normas morais. Essa investigação é crucial para determinar por que certas ações são consideradas moralmente corretas ou incorretas e quais princípios devemos seguir na nossa conduta diária. Necessidade de uma Fundamentação da Ação Moral A fundamentação da ação moral é necessária para: 1. Coerência e Consistência: Para garantir que nossas ações sejam consistentes com princípios éticos racionais. 2. Justificação Racional: Para fornecer uma base racional que justifique nossas ações e normas morais. 3. Resolução de Conflitos: Para resolver conflitos morais de maneira justa e imparcial. 4. Guia para a Ação: Para fornecer diretrizes claras para a conduta moral em diversas situações. Teorias Éticas Deontológicas vs. Consequencialistas • Teorias Éticas Deontológicas: Enfatizam a importância dos deveres e das regras morais intrínsecas, independentemente das consequências. Exemplo: Ética de Kant. • Teorias Éticas Consequencialistas: A moralidade das ações é determinada pelas consequências que elas produzem. Exemplo: Utilitarismo de Stuart Mill. Utilitarismo de Stuart Mill Felicidade como Bem Supremo Para Mill, a felicidade, entendida como prazer e ausência de dor, é o bem supremo e o objetivo último da vida humana. A moralidade de uma ação é determinada pelo quanto ela contribui para a maximização da felicidade. Caráter Hedonista do Utilitarismo O utilitarismo é uma teoria hedonista porque considera o prazer (ou felicidade) como o único bem intrínseco e a dor como o único mal intrínseco. Portanto, ações são moralmente corretas se promovem o prazer e minimizam a dor. Hedonismo Altruísta de Mill Mill propõe um hedonismo altruísta, onde a felicidade de todos os afetados por uma ação deve ser considerada de forma imparcial. A moralidade exige a maximização da felicidade coletiva, não apenas a individual. Hedonismo Quantitativo vs. Qualitativo • Jeremy Bentham (Quantitativo): Todos os prazeres são iguais em qualidade e devem ser medidos apenas em quantidade. • Stuart Mill (Qualitativo): Alguns prazeres (intelectuais, morais, estéticos) são qualitativamente superiores aos prazeres físicos. Mill argumenta que é melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito. Princípio da Utilidade ou da Maior Felicidade Este princípio afirma que a ação correta é aquela que maximiza a felicidade ou prazer e minimiza a dor. Aplicar este princípio envolve avaliar as consequências potenciais das ações e escolher a que produz o maior saldo líquido de felicidade. Relação do Princípio da Utilidade com Normas Morais Concretas As normas morais derivam do Princípio da Utilidade. Por exemplo, normas como não mentir ou não roubar são justificadas porque, geralmente, promovem a maior felicidade. Utilitarismo como Ética Consequencialista O utilitarismo é uma ética consequencialista porque a moralidade das ações depende exclusivamente das suas consequências em termos de felicidade e prazer. Objeções ao Utilitarismo de Stuart Mill 1. Incalculabilidade das Consequências: Dificuldade prática de prever todas as consequências de uma ação. 2. Injustiça Potencial: Pode justificar ações que são intuitivamente injustas se resultarem em maior felicidade geral. 3. Negligência dos Direitos Individuais: Pode sacrificar os direitos de uma minoria em prol da felicidade da maioria. Ética Deontológica de Kant Boa Vontade como Bem Supremo Para Kant, a boa vontade é o único bem incondicionalmente bom, pois é a intenção moralmente correta que conta, independentemente das consequências. Conceito de Boa Vontade Boa vontade é a intenção de agir de acordo com o dever e os princípios morais, independentemente de inclinações pessoais ou consequências. Ações Contrárias ao Dever, Morais e em Conformidade com o Dever • Contrárias ao Dever: Ações que violam o dever moral. • Em Conformidade com o Dever: Ações que cumprem o dever moral, mas sem a intenção moral correta. • Morais: Ações feitas por respeito ao dever, com intenção moral correta. Imperativos Hipotéticos vs. Imperativos Categóricos • Imperativos Hipotéticos: Regras condicionais que dependem de desejos ou objetivos (ex: "Se queres ser saudável, deves exercitar-te"). • Imperativos Categóricos: Regras incondicionais que devem ser seguidas independentemente dos desejos (ex: "Age de tal maneira que a máxima de tua ação possa ser uma lei universal"). Lei Moral e Imperativo Categórico A lei moral é expressa pelo imperativo categórico, que determina que devemos agir apenas segundo máximas que possamos querer que se tornem leis universais. Três Formulações do Imperativo Categórico 1. Princípio da Universalidade: "Age apenas segundo uma máxima que possas querer que se torne uma lei universal". 2. Princípio da Finalidade: "Age de tal modo que trates a humanidade, tanto na tua pessoa como na de qualquer outro, sempre como um fim e nunca apenas como um meio". 3. Princípio da Autonomia: "Age de tal modo que a tua vontade possa considerar-se a si mesma como dando, ao mesmo tempo, uma legislação universal através das suas máximas". Vontade Autónoma vs. Vontade Heterónoma • Vontade Autónoma: Age segundo princípios que a própria razão determina. • Vontade Heterónoma: Age segundo princípios impostos de fora, por inclinações ou autoridades externas. Ação Moral e Liberdade Para Kant, a ação moral é uma expressão da liberdade racional, onde a vontade autônoma segue leis que a própria razão estabelece. Aplicação das Formulações do Imperativo Categórico Cada formulação pode ser aplicada para avaliar se uma ação é moral. Por exemplo, mentir não poderia ser universalizado, portanto, é imoral. Objeções à Ética de Kant 1. Rigidez e Absolutismo: A teoria pode ser demasiado rígida e não permitir exceções, mesmo em situações extremas. 2. Desconexão com Consequências: Ignora completamente as consequências das ações, que são relevantes em muitas decisões morais. 3. Complexidade na Aplicação: Dificuldade prática em aplicar o imperativo categórico a todas as situações concretas. Comparação entre Stuart Mill e Kant • Foco na Consequência vs. Intenção: Mill enfatiza as consequências das ações (felicidade), enquanto Kant foca na intenção e na conformidade com o dever moral. • Flexibilidade vs. Rigidez: O utilitarismo de Mill é mais flexível, adaptando-se às circunstâncias específicas, enquanto a ética de Kant é mais rígida e universal. • Princípios Morais: Para Mill, as normas morais são derivadas do princípio da utilidade; para Kant, elas são estabelecidas pelo imperativo categórico. • Natureza da Moralidade: Mill vê a moralidade como promovendo a maior felicidade geral, enquanto Kant vê a moralidade como cumprir o dever racional e universal. Essa comparação revela duas abordagens fundamentais da ética: a importância das consequências na busca da felicidade e a centralidade da intenção e do dever na ação moral.